Archive for março \31\UTC 2010

Efeitos da manifestação

março 31, 2010

Prefeitura garante a realização do FIT em 2010

Publicado em 30/03/2010 16:01:17

O prefeito Márcio Lacerda e a presidente da Fundação Municipal de Cultura, Thaïs Pimentel, decidiram que a 10ª Edição do Festival Internacional de Teatro Palco & Rua será realizada normalmente, neste ano de 2010. As dificuldades apresentadas serão contornadas, como ocorreu em todas as edições anteriores. Paralelamente, a Fundação organizará um seminário para discutir e avaliar todas as questões inerentes ao Festival, visando ao fortalecimento cada vez maior do evento. No seminário deverá ser discutida também a possibilidade de realização de nova edição em 2011, promovendo, então, a mudança para anos ímpares, uma vez que a coincidência com eventos como eleições tem dificultado a organização. A Fundação Municipal de Cultura comunica que todos os esforços serão desenvolvidos para garantir que a 10ª edição do FIT tenha a qualidade que sempre caracterizou o Festival e que tanto encanta a população de Belo Horizonte. A Fundação divulgará cada etapa do processo de organização do Festival. http://portalpbh.pbh.gov.br/pbh/ecp/noticia.do?evento=portlet&pAc=not &idConteudo=36521&pIdPlc=&app=salanoticias

Mais matéria.

março 31, 2010

queridos,

também podemos ler uma matéria no jornal o tempo. saiu hoje. clique aqui.

abraços.

alexandre de sena

FIT 2010- Versão “enxuta”

março 31, 2010

Nova decisão em relação ao fit, há também uma entrevista feita por Carol Braga com Thaís Pimentel…escute o que ela diz sobre os acontecimentos…
http://www.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_11/2010/03/30/ficha_teatro/id_sessao=11&id_noticia=22451/ficha_teatro.shtml

Postado por Ló

Da liberdade à censura

março 30, 2010

Como já dizia o bom  e velho Caetano Veloso:

E eu digo não
E eu digo não ao não
Eu digo: É!
Proibido proibir!

André Felipe, Ariane Oliveira, Daniela Figueiredo, Graziele Oliveira e Marinha Luiza.

Trabalho de Comunicação e Culturas Urbanas Um breve relato sobre a “Praia da Estação”

março 30, 2010

"Praia" da Estação

A Esplanada da Praça Rui Barbosa, popularmente conhecida como Praça da Estação é palco, durante os sábados, de descontraída manifestação, que vem contestar o decreto municipal nº13,798 de dezembro de 2009, que proíbe a realização de eventos de qualquer natureza no local.

Antes a área servia de palco para a realização de eventos culturais pela população de Belo Horizonte. Shows musicais, eventos tradicionais como barraquinhas do Arraial de Belô; atraíam milhares de pessoas que viam nestes eventos opções mais acessíveis de entretenimento. Isso, até então, estava em conformidade com uma nota apresentada pelo Diário Oficial do Município de 21 de Novembro de 2003, que, a respeito da praça, dizia que: “(…).As obras já começaram e o projeto prevê a revitalização do espaço público, dotando-o de infra-estrutura adequada para manifestações culturais com grande aglomeração de pessoas. A intervenção visa também melhorar as condições de acesso à Estação Central do Trem Metropolitano.

O trabalho de requalificação da praça prevê a implantação de piso em placas de concreto texturado colorido de tom avermelhado, com juntas em granito preto, em uma área de 12.000 m², formando um grande espaço destinado aos pedestres. Serão instalados também dois conjuntos de fontes, no espaço de pedestres, sem formação de lagos. As fontes poderão ser desligadas, permitindo que toda área seja utilizada para eventos. Está previsto ainda um projeto paisagístico e a adequação de mobiliários urbanos da praça, além da implantação de postes de iluminação, com aproximadamente 20m de altura, e iluminação especial, inclusive para eventos, delimitando e formando o espaço público desejado.(…)

A manifestação conta com a participação dos idealizadores e freqüentadores dos eventos da Praça e da população, que se diz prejudicada pelo decreto do prefeito Márcio Lacerda. Em meio a discussões e troca de idéias, o protesto irreverente assume contornos de uma grande praia de concreto com direito a cerveja, biquínis, esteiras, cangas, bóias e instrumentos de percussão, criando uma rodinha de samba e capoeira e promete alcançar o seu ponto alto neste sábado, dia 06/03, com a realização de diversos eventos, o “Eventão”.

EVENTÃO PRAIA DA ESTAÇÃO!

Faremos um breve relato dos acontecimentos que presenciamos neste último sábado, do período de 13:20  até 14:40. Ao chegarmos no local, o volume dos protestantes era modesto e o sol já começava a se mostrar causticante. Os grupos (percussionistas, serigrafistas, banhistas, estudantes – não necessariamente condicionados a estas divisões), procuravam se abrigar debaixo das sombras da única árvore existente no local e do Monumento à Terra Mineira; à exceção daqueles que se refrescavam nas águas das fontes , Guardas Municipais, Fiscais da Prefeitura e um cover do Michael Jackson. O clima do protesto estava tranqüilo e na verdade a pequena aglomeração mais se parecia com um grupo de turistas curtindo uma tarde de sol do que com um grupo de pessoas que buscam algum tipo de reivindicação. Acreditamos que a natureza do protesto seja realmente esta, tão pacífica (ao menos naquele momento) que, pessoalmente, me questiono se a natureza inicial do protesto não tenha se perdido. Este tipo de reflexão se consolidou um pouco mais ao encontrar alguma base no relato do jovem ciclista William Dias da Cruz, morador do bairro Serra e que se encontrava no local. Quando questionado sobre o seu conhecimento do evento, o rapaz de 17 anos disse que não sabia nada à respeito; pensava se tratar apenas de um momento de descontração. Quando informado sobre o motivo daquela “reunião” ele disse que não concordava com o decreto de interdição já citado e que a praça teria que ser utilizada também como espaço para eventos culturais.

Depois de efetuarmos alguns registros fotográficos, saímos de lá de volta para nossos lares. Na minha cabeça se passaram muitas coisas: entre elas pensava nos movimentos promovidos em prol de reformas sociais, culturais e de outras naturezas espalhados pelo mundo. Alguns que perderam força e não atingiram seus objetivos de imediato e outros que se tornaram verdadeiros fenômenos, mobilizando não apenas aquele distrito, mas toda uma área de proporções globais e até mesmo gerações: como o caso de Rosa Parks, uma senhora negra norte-americana, que se tornou símbolo do Movimento dos Direitos Civis quando ocupou um lugar no ônibus reservado aos brancos e recusou a cedê-lo a um homem que exigiu que ela se retirasse. Isto aconteceu em 1º de Dezembro de 1955 e entraria para história americana servindo posteriormente de marco para o início da luta de antissegregação.

O ideal almejado ali, na Praça da Estação, poderia vir mais cedo ou mais tarde, ou talvez nunca; mas o importante para qualquer movimento é o simples ato de começar. Seja com uma única pessoa, um pequeno grupo de amigos ou alguma parcela significativa da sociedade.

TRABALHO REALIZADO PELOS ALUNOS DO CURSO DE COMUNICAÇÃO IZABELA HENDRIX

Professor: Pedro Marra

Alunos: Adriele Mendes, Alexandre Landim, Silvânio Dias, Janaína Marangon, Daniela Faby, Gustavo Bartolozzi, Carlos Magno,Wagner Luiz.

UMA CRITICA PARA A CRITICA.

março 30, 2010

Nem sei se eu deveria me expor ao ponto de responder ao texto e a alguns comentários sobre o publicado: “Não me organizem. Crítica do arrastão na última Praia”. Esse texto não ofende só a mim, mas a todo o trabalho de varias pessoas que construíram esse ato. Não vou me rebaixar usando jargões da mais inteira burrice, como foi usado pela nosso “amigo” que ao meu ver é um dos líderes do Movimento dos Sem Lideres. Quanto a parte do Beiçola queria dizer que adorei, nunca tive um apelido e tenho grande apreço por esse personagem que é genial e tão bem interpretado por esse grande ator: Marcos Oliveira, valeu pelo elogio.

Bom, acho que não há necessidade de baixar o nível para alguém falar que discorda disso ou daquilo que foi feito na manifestação de sábado. Bastava apenas, que fossem a reunião de organização do ato. Reunião essa que foi divulgada nesse próprio blog e no grupo de e-mail da praia. Segue o link da postagem do dia 23 de março, aconselho todos a ler esse texto convocatório que deixa bem claro que o ato seria organizado e que estva sendo puxado pelos artistas: https://pracalivrebh.wordpress.com/2010/03/23/dia-27-de-marco-dia-mundial-do-teatro-e-dia-nacional-do-circo/

Vou explicar algumas coisas sobre a manifestação já que as maiorias dos críticos não foram à reunião de organização. Eu e todos do meu grupo (Cia. Crônica de Teatro) e vários outros artistas estamos já a muito tempo, reunindo freqüentemente para discutir questões relacionadas a políticas publicas de cultura e sobre os ataques dos governos ao setor artístico. Em uma de nossas reuniões propomos de fazer uma manifestação no dia 27 de março, pois compreendíamos que não havia nada para comemorar nesse dia, foi inclusive eu que defendi de irmos para a praia e unir as forças e as reivindicações, já que a Praça da Estação é também um espaço cultural de nossa cidade. Na manifestação que aconteceu em frente à Fundação Municipal de Cultura no dia 19 de março, conversei com uma pessoa, sobre nossa vontade de que à praia estivesse junta com a gente no dia 27, falei de fazermos a concentração do ato lá e sairmos em passeata juntos. Falei que queríamos marcar um dia pra conversar e organizar melhor isso. Essa pessoa incluiu meu e-mail do grupo de discussão da praia e então mandei um e-mail imediatamente, no mesmo dia 19, explicando melhor a proposta. Varias pessoas responderam achando muito positivo. Na reunião em que o critico reacionário não foi, esteve uma pessoa que participa ativamente da praia e falou que queria saber melhor sobre o que seria feito para que o desfile que iria acontecer não atropelasse a proposta da manifestação uma vez que estaríamos juntos: PRAIA E MANIFESTAÇÃO DOS ARTISTAS. Ou seja, o ato não foi só a Praia da Estação, mais a união dela com outros movimentos, inclusive movimentos políticos, sociais, sindicais e etc.

Na reunião de organização estiveram os representantes das bandeiras que estavam no ato e ainda, representantes do vereador Arnaldo Godoy e do deputado André Quintão (PT). Não houve nenhuma restrição em levar bandeiras. O carro de som não foi pago, foi cedido pelo sindicato dos professores que também cuidou dos alvarás para realização do ato, de forma a não dar espaço para questionamento da policia. O que respondi ao critico quando ele falou para que eu saísse do carro de som foi: que aconteceu uma reunião e que o carro de som não estava ali a toa, tinha um objetivo, um propósito maior, mais especificamente de falar as coisas que tiramos em reunião, de denunciar para a população o que estava acontecendo. Conclusão: eu não era um babaca falando sozinho, estava falando o que foi conversado e acordado entre varias pessoas. Fora eu, falaram no carro de som: O Carlute do MTG – Movimento Teatro de Grupo / Rogério Coelho do Coletivoz – Sarau da Periferia / Edna Sindicato dos Professores / Mariah da Anel – Assembléia Nacional dos Estudantes Livre e umas quatro pessoas da praia que ao invés de falarem contra o inimigo em comum ficaram tentando criar brigas internas.

Quanto ao caminhão pipa: quando o caminhão chegou, o policial venho furioso pra cima de mim e disse que se molhasse um PM ou a guarda municipal, ele não se responsabilizaria pelo que pudesse acontecer e alguém teria que ser responsável por responder legalmente a isso. Como não se tratava de organizar alguém especificamente, pois o ato foi organizado desde o inicio, inclusive com a presença de representante da praia na reunião. Fui até o caminhão passar o recado para as pessoas que já estavam ali próximos ao caminhão, quando o reacionário chegou com seu bafo de cachaça e alterado pelo álcool gritando, salivando em minha cara, lamentável essa situação, pensei! Expliquei a situação para outras duas pessoas que estavam ali enquanto ele continuava gritando: “em mais de dois meses nunca foi assim e etc. e tal”, então eu, como pessoa consciente, orientei, não no sentido de proibir ninguém ou de privar o uso da mangueira, mas de organizar e orientar a todos sobre o cuidado para que a água não fosse para criar tumulto. Também para que pessoas que estavam cheias de cachaça e tomadas por atitudes reacionárias não fizesse uma merda e complicasse todo mundo.

Não se trata de medo de policia, onde eu vivo a gente aprende desde cedo a lhe dar com ela, a ser jogado na parede, tomar geral, ter a casa invadida. Sei muito bem o que esses caras fazem pra defender essa merda de estado incompetente que não da conta nem de alimentar o povo direito. Eles só precisam de um motivo e naquela manifestação tinha entre varias pessoas, mulheres, crianças, tinha uma mulher grávida, uma que sofreu acidente de carro recentemente e esta com a costela trincada… Pergunto ao critico: você se preocupou com isso? Pensou em observar a sua volta? Ainda éramos um numero de pouco mais 150 pessoas, confrontar a policia pra que?

Tiramos na reunião que muita gente que ta criticando não foi. Que a manifestação seria simbólica, faríamos uma panfletagem e uma passeata denunciando o que esta acontecendo para a população: Praça da Estação, o FIT e etc. Se não ficasse um responsável no caminhão pipa, para orientar e organizar a questão poderia ocorrer uma besteira e ai todo mundo ai se foder por causa de uma pessoa IRRESPONSAVEL. Não se trata de te organizar, mas de ter RESPONSABILIDADE com as pessoas que estavam ali, principalmente com as crianças e com as mulheres.

Bom, se não deu pra esclarecer, não sou de ficar escondido por trás fórum virtual. A gente chama uma reunião e tira isso a limpo, de forma presencial, olho no olho, falo tudo que falei aqui. Ou se quiserem, ou preferir, passa na Pastelaria do Beiçola fica aqui na minha quebrada, são só dois ônibus do centro pra cá, o pastel é uma delicia e o povo uma maravilha, te garanto que serão recebidos com imenso respeito e ao contrario de como vocês tratam quem não pensa igual a vocês. Não estou falando de todos. Muita gente aqui entendeu a importância de unir forças contra um inimigo em comum ao invés de ficarmos um contra o outro.

Pra fechar, acho um erro essa picuinha com as bandeiras, esse ato foi unificado e unimos todos que estavam querendo atacar o mesmo inimigo, ou seja, a prefeitura de Belo Horizonte. Já vivemos em uma sociedade dividida de mais, ocupada de mais com a novela das oito e com o BBB. Acho um avanço quando conseguimos unir forças para um bem comum e contra um inimigo em comum.

Agora vou questionar também:

Acho que é um crime mentir para as pessoas, é isso que esta acontecendo, um crime. A praia não tem líder? Não é organizada? Ora, então porque dizer que não deve ter bandeiras? Isso já não é uma regra, uma limitação? Mas ela não é livre? Como então que vocês excluem o fato de pessoas com ideologias diferentes e até de partidos participarem e querer levar sua forma de manifestar?

Nosso “amigo”, o critico e outros são grandes lideres. Eles dizem que a praia é isso, é aquilo, que quem não molha não é participante. Isso também já não é estabelecer critérios? Não se posicionar significa se posicionar. Nem sabão neutro não é neutro. Existe uma posição e uma organização sim, existem lideres sim, e o pior é que vocês escondem isso das pessoas, ocultam a verdade e fazem todos acreditarem numa farsa que é: não tem organização. A Praia é sim, LEGITIMA, o movimento é legitimo, mas algumas pessoas são uma farsa, são criminosos, com características excludentes e critérios antidemocráticos.

Que democracia é essa? Que liberdade é essa? Que eu não posso expor meus posicionamentos políticos e ideológicos? Que eu não posso levar uma bandeira? Que eu não posso pensar diferente de alguns? Gente, ta parecendo ditadura.

O pior é que vocês estão criando uma organização que usa as pessoas para fazer guerrinha ideológica, com quem tem posição política/ideológica que vocês não concordam. Ao invés de discutir as manobras do inimigo, ficam fazendo manobra pra jogar uns contra os outros. Porque não discutir ao invés disso, outras questões mais importantes e expandir o movimento também outros lugares de preferência lugares mais carentes: praças das periferias que estão jogadas. Um projeto verdadeiro em que os governos devam compreender e tratar toda praça como equipamento cultural público, equipando a mesma para receber eventos. Porque os bancos das praças são virados um de costa pro outro, ou de frente pra rua? Porque a reforma da Praça Sete tirou o caráter popular que ela tinha, tirou o espaço de exposição artesanal? Porque a Praça da Liberdade é da vale? Chega lá e faz uma apresentaçãozinha que se quer pra ver, é proibido sabiam?

É isso pessoal, espero ter esclarecido essa situação. Peço desculpas a todos pelo mal entendido, pois acho que foi isso que aconteceu. Quero deixar bem claro novamente: A PRAIA É UMA COISA E A MANIFESTAÇÂO FOI OUTRA. No dia 27 era para estar todos unidos, independente de posições ideológicas ou políticas, mas com uma causa em comum: Denunciar os ataques da prefeitura com a cultura e a população em geral. Do mais, apesar de eu sem discordar como falei acima, eu nunca levei bandeira, nem carro de som, nem nada do tipo para a praia, meu grupo sempre foi levando até a família. Mas dessa vez era um ato dos artistas, movimentos sociais, sindicais e etc. que se concentrou na Praia para unir forças. Para isso fizemos ate uma reunião para discutir o que seria feito, aconselho novamente que leiam a chamado que foi colocado nesse próprio blog. https://pracalivrebh.wordpress.com/2010/03/23/dia-27-de-marco-dia-mundial-do-teatro-e-dia-nacional-do-circo/

Se forem continuar os ataques, prefiro que seja de forma presencial.

Atenciosamente,
Jessé Duarte (O Beiçola)

É festa ou manifestação?

março 29, 2010

Depende de cada um…

mas independente disso,a diversão é garantida!

Karoline Miranda, Thais Helena, Cristiane de Paula, Ana Cristina, Luiz Claudio, Diego Brazil, Suelen, Fernanda Teixeira

áudio da audiência pública

março 29, 2010

caros,
segue o link para download do áudio completo da audiência pública sobre o uso da praça da estação, que aconteceu no dia 24 de março de 2010 na câmara municipal de belo horizonte:

http://www.sendspace.com/file/u7rx4q

Há algum vereador na escuta?

março 29, 2010

PROJETO DE LEI N° _____
Declara espaço público como sendo TERRITÓRIO LIVRE e dá outras providências.
A Câmara Municipal de Belo Horizonte DECRETA:
Art. 1º – A Praça da Estação, local histórico de manifestações culturais, sociais e políticas do povo belorizontino, passa a ser TERRITÓRIO LIVRE MUNICIPAL, assim compreendido como espaço privilegiado para a realização de eventos de qualquer natureza.
§ 1º – As manifestações deverão ser previamente comunicadas por seus promotores, com antecedência de 24 (vinte e quatro) horas, à Polícia Militar de Minas Gerais e ao Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, a fim de que seja garantida a segurança dos manifestantes.
§ 2º – Quando houver necessidade de instalação de infraestrutura física de suporte às manifestações, as mesmas deverão ser objeto de anotação de responsabilidade técnica junto ao CREA-MG – Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Minas Gerais, por profissional devidamente qualificado em sua área de competência.
Art. 2º – Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, ficando revogadas todas as disposições em contrário, em especial o Decreto No 13.798, de 9 de dezembro de 2009.
Belo Horizonte, __ de ___________ de ____
Vereador(a)

Não me organizem. Crítica do arrastão na última Praia.

março 29, 2010

Por Rita Garella

Eu cheguei tarde nesta praia, por volta da uma da tarde, com mais uma trupe, carregando farofa, cucuz, cadeiras e algumas centenas de panfletos.

Eles chegaram cedo e ficaram num canto, esperando a praia começar. Como assim esperando a praia começar?, pergunto ao meu chapéu, acaso eles não sabiam que a praia faz quem lá está? Não, aparentemente não. Mas eles trouxeram bandeiras. Pelo menos três, de partido e associação-apêndice.

Não tenho nada pessoal contra bandeiras, cada um tem as suas e todo mundo tem o direito de levantar as próprias e se orgulhar disso. Mas uma bandeira no meio de uma aglomeração, para quem passa e vê a cena, não significa o orgulho daquela pessoa específica que carrega com orgulho seu estandarte, significa que a bandeira representa toda a área à sua volta. Porque fincar uma bandeira é tomar posse. Colombo, Cabral, os astronautas na lua, os soviéticos ao levantar a bandeira deles Reichstag, todos estavam tomando posse com suas bandeiras. E quem finca a bandeira sabe disso, e é por isso que o faz, inclusive. Mas voltemos à Praia.

Esta era uma praia especial, íamos esquentar ali para ir até a Prefeitura, exigir a volta do Festival Internacional de Teatro, cancelado pela prefeitura por pura falta do que fazer. Mas sobre isto já temos outros textos neste blog.

Tínhamos duas novidades excepcionais que poderiam ampliar os debates da praia e o auxílio mútuo: o ativismo de várias pessoas interessadas no FIT e a participação de alguns professores municipais em greve! Oba!

Já havíamos ido em bloco para a prefeitura outra vez, no sábado de carnaval, e daquela vez havíamos cantado o tempo inteiro, pulado e lavado as escadarias da prefeitura com folhas de arruda.

Mas o que rolou desta vez foi diferente. É que eu não contava com o arrastão trotskista que tentoua todo custo se apossar a praia.

Chegamos na prefeitura antes do Caminhão Pipa, mas já havia um carro de som. Carro de som? É. O lance do carro de som é que você nunca vê um sozinho, tem sempre um babaca nele. É como uma metralhadora, você não vê uma metralhadora sozinha, jogada num canto da praça. Tem sempre um otário empunhando e apontando para onde quiser. Assim era com o carro de som. No caso específico o cabra empunhando o microfone era a cara do Beiçola.

E o Beiçola falava, e falava, e falava, mas… não se ouvia nada. Talvez porque o som fosse ruim, porque o barulho das buzinas atrapalhava ou porque a chatisse repetida no microfone comprada de cartilhas pré-moldadas fosse insuportável, ninguém a mais de 20 metros do carro de som conseguia entender muito bem o que falava o cara.. Mas era barulho o suficiente pro pessoal com os tambores, pandeiros, violão e outros instrumentos não conseguir se ouvir direito.

E funcionava bem assim, ó: um gritava uma frase do carro de som, meia dúzia bem posicionada e com uniforme do partido repetiam algumas vezes e tentavam fazer todo mundo repetir o que seu mestre mandava. E foi assim que resolveram fechar a Afonso Pena, deixando furiosos quem tentava passar de ônibus ou carro pelo centro na hora. Menos um apoio, claro: com a prefeitura fechada só incomodamos os passageiros dos ônibus.

Fui conversar com o Beiçola, explicar que não dava pra ouvir nada, que as pessoas não estavam mais conseguindo nem se ouvir nem manter o bloco com os instrumentos ativo, que o microfone criava uma falsa representatividade para o movimento, que ninguém nos ônibus conseguia ouvir o que ele dizia, que tinha muita gente incomodada com o microfone. Chamei o Beiçola pra largar o microfone e vir pra junto de todo mundo, descer do palco e se unir aos sujeitos que pulavam e cantavam naquela praia itinerante.

Ele respondeu que não ia sair dali porque não havia pago o carro de som à tôa.

Olha, é o dono da bola!”, falei triste. Ao que o burocrata respondeu “E você? Fez o quê pela manifestação?”. E eu que não sabia que era uma competição, que estávamos brincando de gincana.

Pouco depois um grupo de banhistas começou a cantar “companheiro, pára com isso, praia não é comício!” e ele se calou por algum tempo. Nesta hora já era tarde, muita gente, inclusive os músicos do bloco, já estava abandonando a prefeitura e buscando outras praias.

Teve gente tentando panfletar nos ônibus parados, mas ao contrário da recepção calorosa que normalmente recebemos, foram recebidos por passageiros furiosos e gritos de motoristas. O que será que eles devem estar pensando do FIT?

Quando chegou o Caminhão Pipa o Beiçola foi conversar com a Polícia e voltou dizendo “vai ter de controlar a mangueira, não pode dar pra qualquer um!”. Quê?É, tem que organizar, alguém tem que organizar”. Ah, é? Dois meses e meio de Praia da Estação e nenhum conflito relacionado ao Caminhão Pipa, daí me chega um cabra pra “organizar”? Furioso pedi para segurar a mangueira, ao que recebi a negativa: “só se me falar onde vai molhar!”. Parece que tivemos vários donos da bola, né? Bom, pelo menos neste caso ele não pôde usar o argumento de que era ele quem havia pago algo e que por isso o pertencia e a mangueira foi socializada.

Divertido nesta hora foi notar que a galerinha uniformizada e carregadora de bandeiras se mantinha longe da água, continuavam “vendo a praia” e não fazendo parte. Alguém disse que tentou molhá-los mas que correram para perto dos outros que éramos proibidos de molhar, os policiais. Deve haver alguma sintonia entre eles.

A Praça é de Tudo e de Todos, mas temos que manter o respeito uns pelos outros, para que possamos crescer juntos. Donos, organizadores, vozes mais altas, “eu-paguei-é-meu”, bandeiras, posse, não deveriam ter lugar em uma manifestação coletiva contra os decretos da prefeitura.

Pelo menos por mim eu digo, não me organizem.