Archive for junho \30\UTC 2011

Lançado em Belo Horizonte o movimento “Fora Lacerda”

junho 30, 2011

Começa a ser articulado, via Facebook, um movimento que pede o impeachment do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), homem de confiança de Aécio Neves também apoiado por setores do PT

Começa a ser articulado, via Facebook, um movimento que pede o impeachment do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), homem de confiança de Aécio Neves também apoiado por setores do PT. A primeira reunião ocorrerá neste sábado, 02 de julho, às 11h, na Praça da Estação. Márcio Lacerda, apesar de ter ampla maioria na Câmara de Vereadores, vem enfrentando crescentes críticas pela truculência da Guarda Municipal, medidas higienistas como o confisco das posses dos moradores de rua, a proibição de manifestações públicas, o despejo de moradores, o projeto de demolição de um dos marcos da cidade (o Mercado Distrital do Cruzeiro), a venda de ruas para a especulação imobiliária e, mais recentemente, a entrega da presidência do Comitê Executivo Municipal da Copa do Mundo a seu filho, Tiago Lacerda. A página do protesto no Facebook continua recebendo adesões.

O movimento pelo impeachment de Márcio Lacerda pretende, com essa primeira reunião, começar a acumular forças para um grande ato que realizaria em 31 de outubro. O protesto foi puxado por Tomás Amaral, morador do Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, e um dos integrantes da Filmes de Quintal, associação sem fins lucrativos que promove a difusão da cultura audiovisual alternativa, e é autor de um relato sobre o assassinato de um morador por polícias militares em fevereiro. Mais de 4 mil pessoas já aderiram ao protesto no Facebook.

Já consolidado na internet está o movimento Salve a Rua Musas, que protesta contra a venda de 1.700 metros quadrados de espaço público que separam dois terrenos pertencentes à Tenco CBL-Serviços Imobiliários S.A. A venda possibilitaria a construção de um hotel de luxo na área e transformaria o restante da rua num beco fechado pelo prédio. A rua se localiza nas imediações de um maiores gargalos de tráfego da região metropolitana de Belo Horizonte, nas imediações do BH Shopping. Os moradores se mobilizaram e criaram um blog, que já sofreu um processo judicial da Tenco, que solicitava a remoção da página. A 5ª Vara Cível de Belo Horizonte só concedeu à construtora uma liminar que determinava a remoção de alusões a ela na página, medida já acatada pelos responsáveis pelo blog. O movimento “Salve a Rua Musas” também tem perfil no Twitter.

A relatora especial da ONU para a Moradia Adequada, Raquel Rolnik, incluiu a capital mineira entre as cidades que estão realizando despejos forçados que estariam violando os direitos humanos. Em resposta, o presidente do Comitê Executivo Municipal da Copa do Mundo e filho do prefeito, Tiago Lacerda, afirmou: “O que ela falou para a gente, não vamos nem considerar”.

O local dos protestos deste sábado, a Praça da Estação, já foi alvo de outras manifestações contra o prefeito, batizadas de “Praia da Estação”. Desde 2010, vestidos de roupas de banho e munidos de esteiras, cangas e outros apetrechos praianos, cerca de 200 estudantes ocuparam a Praça durante os finais de semana, em protesto contra o decreto municipal nº13.798 de dezembro de 2009, que proíbe a realização de eventos de qualquer natureza no local. O movimento é oficialmente ignorado pelo prefeito, mas nos bastidores preocupa Lacerda e seus aliados, que veem crescer na internet as páginas de protestos e críticas contra sua administração. Movimento semelhante para tirar do cargo a prefeita de Natal, Micarla de Souza (PV), começou timidamente nas redes sociais e rapidamente ganhou milhares de adeptos.

Profissionais da imprensa mineira tentaram noticiar a realização do ato Fora Lacerda deste sábado, mas foram silenciados pelo prefeito, no que já é uma característica conhecida das relações entre o Poder Executivo mineiro e a mídia, e que Márcio Lacerda agora transplanta também à prefeitura.


Fonte: http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_noticia.php?codNoticia=9360

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Mais sobre as Marchas da Liberdade: A esquerda fora do eixo

junho 23, 2011

As últimas mobilizações em São Paulo demonstram a fragilidade prática e teórica da esquerda num cenário de ascensão e transformação econômica.

Por Passa Palavra

I. 2011, São Paulo em cinco mobilizações

Do início do ano até abril houve grandes manifestações da luta contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo. Diferentemente do que ocorreu em 2010 e nos anos anteriores, o público mobilizado passou de 4 mil pessoas e, ao invés de esvaziarem, os atos mantiveram-se cheios e permitiram realizar ações que antigamente chamaríamos de radicais, ou mesmo de ousadas, como a ocupação de um terminal de ônibus na região central e a paralisação de um dos sentidos da Avenida 23 de Maio – uma das maiores da capital do estado. A análise informal de alguns militantes sobre esse “fenômeno” baseava-se nos seguintes elementos: Facebook (com a confirmação de milhares de pessoas nos eventos que chamavam para as manifestações), repressão policial, o próprio valor da passagem (R$ 3,00) e a reunião das forças político-partidárias de oposição na cidade aos governos estadual e municipal. O ciclo de 2011 de lutas contra o aumento da tarifa foi encerrado pelo Movimento Passe Livre-SP, por acreditar que seria a hora de impulsionar uma luta mais abrangente que criticasse estruturalmente o sistema de transporte, com a bandeira da tarifa zero. Desse episódio, os militantes refletiram que havia uma “nova juventude” mobilizada: de classe média, estudantil, ligada nas mídias sociais.

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O Planejamento Estratégico de Belo Horizonte: planejado por quem e para quem

junho 21, 2011

[Texto originalmente publicado em: http://wp.me/pO6H0-7t]


Pretende-se com este artigo fazer uma análise crítica do discurso presente no Planejamento Estratégico de Belo Horizonte 2030: a cidade que queremos ( disponível aqui ) tomando como referencial teórico o texto Uma Estratégia Fatal: A cultura nas novas gestões urbanas de Otília Beatriz Fiori Arantes (2000) além de outros autores como Carlos Vainer (1999), Teresa Caldeira (2000).

Conforme apontado acima existe atualmente um projeto na prefeitura de Belo Horizonte denominado Planejamento Estratégico. Este projeto consiste numa cartilha, um manual, um modelo de planejamento urbano da cidade. De acordo com os autores o planejamento estratégico é um dos modelos de planejamento urbano que estão em voga na atualidade e que disputam para substituir ou superar antigos modelos como o da ditadura do projeto no qual o projeto seria a solução para as crises sociais, ou o tradicional padrão tecnocrático-centralizado-autoritário.

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Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz! Coragem, coragem, eu sei que você pode mais!

junho 21, 2011

Click e ouça a trilha. 

O histórico do povo Brasileiro nas ruas é logo e muito importante, apesar de escondido pela mídia. Existe uma vontade de mostrar um povo bom e pacífico, ordeiro e acomodado. Ah, o Brasileiro prefere uma cerveja a lutar por seus direitos. Mentira!

Esquecem dos estudantes que lutaram contra a ditadura, da eterna luta dos professores, que já foram recebidos por jatos d’água no centro de Belo Horizonte, a mando do então Governador Tancredo Neves, na década de 80. Esquecem da Greve dos Pedreiros de 1979, quando em dois dias Belo Horizonte parou com a revolta dos trabalhadores que pediam; segurança e melhores condições de trabalho. Esquecem a luta pelas Diretas Já, menos beligerante, mas fundamental para o fim do Regime Militar e ainda o Impeachment Collor. Aqui é preciso lembrar que o movimento estudantil, que ficou conhecido como “caras pintadas”, só foi televisionado depois de quatro meses de constantes manifestações, quando Sinhá Mídia percebeu que não dava mais para esconder a onda de manifestações que ocorria em todo o Brasil.

Os tempos mudaram, um operário virou Presidente, as manifestações ficaram mais brandas, os movimentos Sindicais acomodados, os Grêmios Estudantis também foram aparelhados por diversos partidos. Durante a primeira década do novo século apenas os movimentos sociais apartidários mantiveram combativos. Todo Primeiro de Maio há uma grande marcha de trabalhadores em todo o País, que não sai na mídia. Este ano, por exemplo, eram quase duas mil pessoas acampadas na porta da Assembléia Legislativa de Minas, durante três dias e não saiu nada nos Jornais.

Aliás, parece que os jornalistas aceitaram de vez o cabresto dos patrões. Hoje temosem Minas Geraisa luta dos Professores Estaduais, dos Policiais, Militares, Civis e Bombeiros e nada disso sai nas mídias. E ainda, a luta dos assentamentos em risco de despejo, dos Barraqueiros do Mineirão, dos Artesãos e Moradores de rua. Como também não saiu quase nada sobre a Manifestação pela Liberdade de Expressão que aconteceu dia 18 de junho no centro de BH.

A Marcha surgiu da proibição da Marcha da Maconha, reprimida com violência em várias capitais, mas não defendia apenas a liberação da Cannabis, lutava pelo direito de livre expressão, coisa que muita gente não entendeu. E havia outra Marcha, no mesmo dia e que se encontraram na Praça da Estação. A Marcha das Vagabundas ou SlutWalk é um protesto que surgiu no Canadá depois que um Policial afirmou em uma palestra que as mulheres incentivavam o estupro com suas roupas.

Homens e mulheres, de todas as idades e classes sociais, da zona sul aos moradores de rua, do Movimento pelo direito das Mulheres ao Comitê Popular dos Atingidos Pela Copa 2014, uma diversidade de gritos ecoando juntos. E com tantos desejos diferentes havia algo em comum, a luta pela Liberdade! Contra um estado opressor e elitista que governa de acordo com multinacionais e interesses econômicos. Mas nem todo mundo percebeu a beleza dessa diversidade e não entenderam que lutamos juntos.

O que aconteceu em frente a Prefeitura de BH foi triste, lamentável e mostra o perigo de termos um prefeito que vê a cidade como uma empresa e trata os cidadão como público alvo. No caso, alvo das cacetadas e spray de pimenta da guarda municipal. Uma guarda despreparada e truculenta, arrogante e prepotente, igual a seu comandante maior, o prefeito. Pois na porta da prefeitura, quando manifestantes mais combativos ameaçavam invadir a escadaria, – nunca entendi porque limitam a manifestação ao passeio, toda vez é a mesmo coisa – quatro guardas se sentiram ameaçados e sacaram seus cassetetes sobre os manifestantes. Logo o confronto ampliou e o que era uma “briga” entre dois sujeitos de lado opostos, virou um tumulto generalizado. Outros guardas se juntaram ao mais valente lacerdista e com sprays em punho miravam os olhos dos manifestantes. O que se viu em seguida é algo grotesco. Os guardas não tentavam manter a ordem, tentavam agredir os manifestantes, tomaram a questão como pessoal. Neste vídeo é possível ver o que rolou. Depois de muito spray, até contra eles mesmos, pois o despreparo é tanto que acertaram o próprio colega de farda, a PMMG interveio e separou. Pasmem! A Polícia Militar foi obrigada a proteger os cidadãos da agressividade da guarda municipal!

E aqui rendo uma homenagem aos comandantes militares que acompanharam a manifestação. Graças a eles menos gente apanhou! E ao final a PM ainda fez mais bonito, se retirou e deixou a rua fechada para o povo! E isso foi outra demonstração de civilidade, para quem precisa aprender a manifestar na rua.

Ocorreu o seguinte, a manifestação saiu da porta da prefeitura, alguns “lideres de Facebook” puxaram a Marcha e deixaram vários manifestantes para trás, abandonados a própria sorte. Outros, percebendo a falta de companheirismo, voltaram e se juntaram aos sujeitos que lavavam o rosto e olhos de spray. Juntamente com os PMs que os protegiam da sanha da guarda municipal se reintegraram a manifestação.

A Avenida João Pinheiro, que já foi Avenida da Liberdade, foi tomada e a manifestação chegou até o Palácio. Interditaram a faixa de trânsito sentido centro/savassi, ali continuamos a manifestar e a gritar palavras de ordem. A PM, fazendo o seu papel, exigia a liberação de uma pista. Alguns manifestantes concordaram, não achavam correto fechar o trânsito e tentavam convencer os demais, alguns já incorporados como porta vozes do movimento.

A PM sugeriu duas opções: ficar por ali mais 15 minutos e depois irmos para a Praça da Liberdade ou ficar o tempo que quiséssemos e liberar uma faixa imediatamente. Os porta vozes iam e vinham com as propostas, o povo assentou no chão e quando perguntados sobre quanto tempo ficariam, um coro ressoou: até a Copa! até a Copa! até a Copa! Os porta vozes se indignaram: como assim, levem a sério, o Choque vem ai, não podemos fechar o trânsito totalmente! Pense nas pessoas que precisam passar de carro aqui.

Insatisfeitos com os manifestantes que não arredavam a bunda do chão, um a um, os porta vozes foram se retirando. A “liderança de Facebook” recolheu seu megafone e foi embora. Com a bola do jogo – megafone – debaixo do braço saíram da contenda, fizeram certo, aquilo não era para eles. Aquela manifestação era para gente de fibra e coragem. Era coisa de mulher que sofre preconceito todo dia, de negro que não aceita mais ser discriminado, de morador de rua que tem seus pertences roubados pela prefeitura, de barraqueiros do entorno do Mineirão que perderam sua fonte de renda, de cidadão indignado que não admitem que o governo esconda suas contas e da população pobre que está sendo expulsa da cidade em prol de grandes empreendimentos. Aquela não era uma luta por uma bolinha, é uma luta contra uma bolada! Uma bolada de desrespeitos que sofremos todos os dias, que às vezes nem percebemos e que vai aos poucos nos aprisionando.

Depois que os sujeitos donos da bola, que acreditavam serem também os donos da manifestação, se retiraram, a coisa mudou. Um cidadão, gente fina, disponibilizou um novo megafone e quem quis pode se expressar. Dos mais de 800 manifestantes, restaram aproximadamente 200, das cinco viaturas da PM, apenas uma. O trânsito foi desviado no quarteirão de baixo e não houve o dito confronto. Com megafone em punho, as minorias presentes se manifestaram por mais de uma hora, prazo maior que o prometido; pelos diretos das mulheres, dos negros, dos professores, dos moradores de rua, das famílias ameaçadas de despejo, contra os abusos de toda a ordem para a realização da Copa. A diversidade de falas, de cores, de bandeiras, de gente, mostra um povo que está amadurecendo, que luta junto, que entende o outro, que respeita e está se juntando. Ao final, todos deram as mãos e fizeram uma grande ciranda que tomou as faixas nos dois sentidos em frente ao Palácio e de longe uma viatura da PM assistia, tranquilamente. Desconfio que muitos deles, que estão em luta salarial e por melhores condições de trabalho, também queriam dar as mãos naquela ciranda da diversidade!

A cada cidadão que participou daquele momento a minha saudação e certeza: começamos bem e vamos contaminar! Este vídeo ficou muito bonito!

O dono do Iate

junho 20, 2011
Fonte: http://arrumaestabaguncaastrogildo.wordpress.com/
esportes náuticos na lagoa da pampulha

esportes náuticos na lagoa da pampulha

Marcio Lacerda é um incompreendido. Eu, pelo menos, sempre tive alguma dificuldade para compreender de onde ele tirava estas medidas esquisitas, arbitrárias, uma coisa meio Jânio Quadros de ser. Mas acho que agora eu entendi tudo. Ou pelo menos alguma coisa, ou pelo menos uma parte da coisa.

A coisa me surgiu como um estalo quando vi esta entrevista, que mais parece um relatório técnico, do engravatado prefeito no jornal dos Medioli diário oficial do governo. Se você também sempre se perguntou que tipo de política costurava aqueles decretos arbitrários de sitiar praças, perseguir hippies e skatistas, fechar parques, vender ruas, despejar de suas casas milhares de pessoas pelo bem da especulação imobiliária; se você também queria saber quais desejos profundos motivavam esta comédia de erros, acho que posso ter encontrado uma pista. Aí nesta entrevista, debaixo de todas aquelas cifras e cronogramas, está a narrativa do que, de fato, move todos os desejos do Marcinho.

Prestem atenção.

Ele começa a entrevista pelo tal Portal Sul, obra de sei lá quantos milhões de reais para desafogar o trânsito de quem vem de Nova Lima para Belo Horizonte. É a prefeitura de Belo Horizonte investindo no melhor para a mais alta burguesia da cidade, ou melhor, para a mais alta burguesia da outra cidade, afinal é em Nova Lima, a Versalhes pão de queijo, que eles pagam seus impostos e estacionam seus carrões. Aquelas vilas medievais, muradas e vigiadas por seguranças particulares.

A narrativa segue pela Savassi, outra obra milionária, em região nobre e preparada para receber os gringos da Copa, comenta a Pedro I, pra não falar que esqueceu, e deságua na Pampulha.

Bellory Hills
Bellory Hills

A Pampulha em si é um símbolo da aristocracia belorizontina. Tem algo mais a cara da aristocracia mineira que fazer um lago só para ter um iate? Idéia das mais jecas que JK saiu decalcando por onde pôde. As Obras da Pampulha são eternas, um eterno escoadouro de dinheiro público, cota socializada de um clube da aristocracia mineira. Serão mais 20 milhões por ano para controlar o assoreamento da lagoa. Mas Lacerda garante: “No mais tardar, na Copa, queremos a Lagoa da Pampulha no nível 3, para pesca e esportes náuticos sem muito contato com a água. Ainda não será para banhistas, que é o nível 2.” Ai, a Copa! Sempre ela! Claro que achei irônico que ele excluísse os banhistas, mas é implicância minha, eu sei. Mas… peraí, que papo é este de “esportes náuticos sem muito contato com a água”? Que vai rolar na Pampulha, corrida de veleiros? Corrida de lanchas?

Já percebeu onde quero chegar? Ou melhor, já percebeu onde o Lacerda queria chegar quando decidiu pedir pros compadres um apadrinhamento para se tornar prefeito e Belo Horizonte? Ele é loooouco com um iate.

Gente, tudo que o Lacerda sempre quis foi sair de carro da sua mansão no condomínio fechado onde mora no caminho para Nova Lima, não pegar nenhum trânsito, atravessar uma Savassi bonitinha, passar bem rápido por uma Antônio Carlos duplicada, já que não tem nada de bom pra ver na zona norte mesmo, e chegar com antecedência para sua corrida de veleiros na Pampulha. Já consigo imaginar sua cara de felicidade, de óculos escuros, puxando seu veleiro pelas palmeiras da Antônio Carlos, ex-governador ao lado, travado às 10 da manhã.

mordendo a orelha!
mordendo a orelha!

Daí a importância dos despejos: é preciso retirar tudo que não se encaixe no visual Bellory Hills que a pleiboizada jeca que comanda esta cidade tem planejado. Expulsam os pobres para cada vez mais longe da cidade, de preferência para outras cidades, abrem espaço para uma especulação imobiliária irresponsável, privilegiam obras para transporte motorizado individual, os carros, deixando cada vez mais precarizado o transporte dos moradores de periferia, aqueles expulsos dos centros.

Mas moradores de rua, skatistas, hippies, vendedores ambulantes, trabalhadores e vagabundos, tipos que se recusam a se deixar levar e reinventam um centro vivo no dia a dia, marcam cada metro da cidade em seus corpos, se recusam a partir. Daí as medidas “higiênicas”, fascistizantes. Daí o prefeito dizer que “é preciso uma campanha para que não distribuam comida” para os moradores e rua, e declarar em alto e bom som que criou “um critério em que o morador de rua não pode se estabelecer na via. Ele pode, no máximo, ficar com o cobertor. A prefeitura tem a obrigação e o direito de recolher todos os utensílios que ele estiver carregando. A prefeitura não pode arrastar a pessoa do local”.

Criou um critério“? Do que este cara pensa que está falando? Completamente coerente, Lacerda, stalinista na juventude e empresário milionário na velhice, assume que a expropriação dos mais pobres é dever do poder público. A propriedade das empresas de especulação imobiliária, no entanto, continua sagrada.

MUTIRÃO para a MARCHA da LIBERDADE

junho 15, 2011

Convocamos os cidadãos belorizontinos a participar (cria)ativamente da construção da Marcha da Liberdade.
Que venham os artistas, atores, circences, músicos, artesãos, designers, grafiteiros, jornalistas, produtores, advogados, arquitetos, médicos, biólogos, astrólogos, engenheiros, dentistas, urbanistas, administradores, office boys, contadores, auxiliares de serviços gerais, carpinteiros, porteiros, marceneiros, domésticas, donas de casa, pedreiros, professores, estudantes, garçons, cozinheiros, funcionários públicos e policiais oprimidos pelo estado, prostitutas, ciclistas, moradores de rua e desocupados! Que venham os coletivos, grupos e redes envolvidos!

MUTIRÃO MARCHA DA LIBERDADE
quando:
1º encontro: quinta 16/06_18h às 23h (É AMANHÃ!)
2º encontro: sábado 18/06_9h às 15h (concentração para a Marcha).
onde:
Debaixo do Viaduto Santa Tereza – Centro.

Passe à frente, o tempo urge

[clique na imagem para ver maior]

Atenção banhistas!

junho 15, 2011

Com o frio do outono nós guardamos nossos trajes de banho.

Mas agora é a hora de  tirar nossos biquininhos e calções dos armários e bora tomar um solzinho tímido na nossa praia pra receber a marcha da liberdade e a slut walk(a marcha das vagabas).

Um dia histórico e colorido assim da vida da cidade não pode passar sem a praia da estação que é o movimento mais bonito já visto pelas bandas de cá.

E depois da baixaria de domingo (dia 12) quando mais uma vez a praça estava cercada( no festival da natura),precisamos gritar novamente que aquela praça é nossa. A coitada tá necessitada de cor, de gente, de alegria.

Vamos todos, vestir a camisa, digo o biquini.

E deitar em nossas cangas…
que aí, a vida fica boa demais.

#GlobalRevolution – 19 de junho nas praças do mundo

junho 13, 2011

Chamado Global (versão em Português)

Somos os indignados, os anônimos, os sem voz. Estávamos em silêncio mas escutando, observando. Não para olhar para cima, onde estão os que ficam com as rendas do mundo, senão para os lados, onde estamos todas e todos, procurando o momento para nos unir.

Não nos representam partidos, associações ou sindicatos. Também não queremos que seja assim, cada qual representando a sí mesmo. Queremos pensar entre todos como criar um mundo onde as pessoas e a natureza estejam por cima dos interesses económico. Queremos idealizar e construir o melhor dos mundos possíveis. Juntos podemos e realizaremos.
Sem medo.

As primeiras faíscas começaram nos países árabes, onde centenas de milhares de pessoas tomaram as praças e ruas relembrando a seus governos que eles (o povo) são o verdadeiro poder. Logo foram os islandeses quem saíram às ruas para poder se expressar e decidir seu futuro; o povo espanhol não demorou em tomar as praças dos bairros, vilareijos e cidades. Agora a chama se estende rapidamente pela França, Grécia, Portugal, Itália e Turquia, enquanto chegam ecos de América e Ásia e novos focos aparecem a cada dia onde seja. Se os problemas são globais, a revolução será global, ou não será. É hora de recuperar os nossos espaço públicos para debater e construir entre todas e todos o futuro.

O dia 19 de Junho convocamos à #Globalrevolution . Convocamos à ocupação pacifica das praças públicas e à criação de espaços de encontros, debates e reflexão. É nosso dever recuperar o espaço público e decidir juntos o mundo que queremos.
Tome a praça!!! Tome as ruas!!! #Globalrevolution

People of the World, rise up!!!
+ Infos:
https://takethesquare.net/

Marcha das Vagabundas em BH

junho 11, 2011
Marcha das Vagabundas (Slut Walk BH)
Concentração: Praça da Rodoviária – 13:00h | 18/06
Trajeto: Praça da Rodoviária – Rua Guaicurus – Praça da Estação – Praça da Liberdade

Slut Walk Belo Horizonte: Irreverência e bom humor no combate à violência sexual

 

 

     Acompanhando uma série de manifestações que têm acontecido em diversas cidades do mundo, acontecerá no dia 18/06 a versão  belorizontina da Slut Walk (“Marcha das Vagabundas”, como foi traduzida para o português). O movimento teve origem em Toronto, no Canadá, quando um policial aconselhou às mulheres que evitassem se vestir como “vadias” a fim de evitar a violência sexual. A infeliz declaração motivou um grupo de feministas a saírem as ruas, vestidas como “vadias”, com o propósito de chamar a atenção da sociedade para a lógica presente na declaração do policial: a de culpar a vítima pela agressão sofrida. Desde então, diferentes versões da Marcha foram organizadas em várias cidades dos Estados Unidos, Europa e América Latina. No Brasil, a primeira Slut Walk ocorreu no dia 04 de junho, na cidade de São Paulo, a partir de uma convocatória realizada no Facebook.
     Seguindo os mesmos motes da marcha paulista, duas artistas e ativistas mineiras – atriz Débora Vieira (29) e a artista visual Hortensia Ribeiro (22) – decidiram realizar uma convocatória virtual com o objetivo de organizar a versão belorizontina da Slut Walk.
     Em função da grande adesão de pessoas interessadas em ajudar na organização do evento, a ideia tem ganhado visibilidade, e já conta com quase 2000 adeptos na página do evento no Facebook. Além disso, para que o evento ultrapasse o âmbito virtual e dialogue com as diversas faces de um assunto tão polêmico, as organizadoras têm buscado se articular com integrantes de grupos de discussão sobre questões de gênero, com representantes das profissionais do sexo de Belo Horizonte e com representantes do poder público. “Para nossa surpresa, os diversos grupos que temos procurado têm manifestado apoio imediato à causa”, relata Hortensia.
A convocatória presente no Facebook divide opiniões: há desde os que apóiam a marcha até os que entram na página para insultar os participantes, alegando se tratar de “perda de tempo” ou “futilidade”.
     Ainda assim, as organizadoras seguem firme no propósito de aproveitar a marcha trazer à luz do debate um assunto que, para elas, é de interesse público: “Os índices de violência sexual contra a mulher, no Brasil, são assustadores. E não é menos assustadora a lógica que habita o senso comum, de que com determinado tipo de roupa uma mulher está pedindo para ser molestada” – destaca Débora. “Se um homem tem o direito de andar com pouca roupa porque sente calor, ou simplesmente porque sente vontade, por que, no caso da mulher, essa escolha tem de ser imediatamente associada ao apelo sexual, e ainda utilizada para justificar a violência?”
Seguindo o tom irreverente e bem humorado das marchas ao redor do mundo, a Marcha das Vagabundas em Belo Horizonte também contará com ativistas vestidos com roupas provocativas, e espera contar também com a participação daqueles que não queiram usar roupas curtas: “A ideia é justamente esta: que as pessoas sejam livres para vestir o que bem entenderem”, destaca Hortensia.

junho 8, 2011