Não me organizem. Crítica do arrastão na última Praia.

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Por Rita Garella

Eu cheguei tarde nesta praia, por volta da uma da tarde, com mais uma trupe, carregando farofa, cucuz, cadeiras e algumas centenas de panfletos.

Eles chegaram cedo e ficaram num canto, esperando a praia começar. Como assim esperando a praia começar?, pergunto ao meu chapéu, acaso eles não sabiam que a praia faz quem lá está? Não, aparentemente não. Mas eles trouxeram bandeiras. Pelo menos três, de partido e associação-apêndice.

Não tenho nada pessoal contra bandeiras, cada um tem as suas e todo mundo tem o direito de levantar as próprias e se orgulhar disso. Mas uma bandeira no meio de uma aglomeração, para quem passa e vê a cena, não significa o orgulho daquela pessoa específica que carrega com orgulho seu estandarte, significa que a bandeira representa toda a área à sua volta. Porque fincar uma bandeira é tomar posse. Colombo, Cabral, os astronautas na lua, os soviéticos ao levantar a bandeira deles Reichstag, todos estavam tomando posse com suas bandeiras. E quem finca a bandeira sabe disso, e é por isso que o faz, inclusive. Mas voltemos à Praia.

Esta era uma praia especial, íamos esquentar ali para ir até a Prefeitura, exigir a volta do Festival Internacional de Teatro, cancelado pela prefeitura por pura falta do que fazer. Mas sobre isto já temos outros textos neste blog.

Tínhamos duas novidades excepcionais que poderiam ampliar os debates da praia e o auxílio mútuo: o ativismo de várias pessoas interessadas no FIT e a participação de alguns professores municipais em greve! Oba!

Já havíamos ido em bloco para a prefeitura outra vez, no sábado de carnaval, e daquela vez havíamos cantado o tempo inteiro, pulado e lavado as escadarias da prefeitura com folhas de arruda.

Mas o que rolou desta vez foi diferente. É que eu não contava com o arrastão trotskista que tentoua todo custo se apossar a praia.

Chegamos na prefeitura antes do Caminhão Pipa, mas já havia um carro de som. Carro de som? É. O lance do carro de som é que você nunca vê um sozinho, tem sempre um babaca nele. É como uma metralhadora, você não vê uma metralhadora sozinha, jogada num canto da praça. Tem sempre um otário empunhando e apontando para onde quiser. Assim era com o carro de som. No caso específico o cabra empunhando o microfone era a cara do Beiçola.

E o Beiçola falava, e falava, e falava, mas… não se ouvia nada. Talvez porque o som fosse ruim, porque o barulho das buzinas atrapalhava ou porque a chatisse repetida no microfone comprada de cartilhas pré-moldadas fosse insuportável, ninguém a mais de 20 metros do carro de som conseguia entender muito bem o que falava o cara.. Mas era barulho o suficiente pro pessoal com os tambores, pandeiros, violão e outros instrumentos não conseguir se ouvir direito.

E funcionava bem assim, ó: um gritava uma frase do carro de som, meia dúzia bem posicionada e com uniforme do partido repetiam algumas vezes e tentavam fazer todo mundo repetir o que seu mestre mandava. E foi assim que resolveram fechar a Afonso Pena, deixando furiosos quem tentava passar de ônibus ou carro pelo centro na hora. Menos um apoio, claro: com a prefeitura fechada só incomodamos os passageiros dos ônibus.

Fui conversar com o Beiçola, explicar que não dava pra ouvir nada, que as pessoas não estavam mais conseguindo nem se ouvir nem manter o bloco com os instrumentos ativo, que o microfone criava uma falsa representatividade para o movimento, que ninguém nos ônibus conseguia ouvir o que ele dizia, que tinha muita gente incomodada com o microfone. Chamei o Beiçola pra largar o microfone e vir pra junto de todo mundo, descer do palco e se unir aos sujeitos que pulavam e cantavam naquela praia itinerante.

Ele respondeu que não ia sair dali porque não havia pago o carro de som à tôa.

Olha, é o dono da bola!”, falei triste. Ao que o burocrata respondeu “E você? Fez o quê pela manifestação?”. E eu que não sabia que era uma competição, que estávamos brincando de gincana.

Pouco depois um grupo de banhistas começou a cantar “companheiro, pára com isso, praia não é comício!” e ele se calou por algum tempo. Nesta hora já era tarde, muita gente, inclusive os músicos do bloco, já estava abandonando a prefeitura e buscando outras praias.

Teve gente tentando panfletar nos ônibus parados, mas ao contrário da recepção calorosa que normalmente recebemos, foram recebidos por passageiros furiosos e gritos de motoristas. O que será que eles devem estar pensando do FIT?

Quando chegou o Caminhão Pipa o Beiçola foi conversar com a Polícia e voltou dizendo “vai ter de controlar a mangueira, não pode dar pra qualquer um!”. Quê?É, tem que organizar, alguém tem que organizar”. Ah, é? Dois meses e meio de Praia da Estação e nenhum conflito relacionado ao Caminhão Pipa, daí me chega um cabra pra “organizar”? Furioso pedi para segurar a mangueira, ao que recebi a negativa: “só se me falar onde vai molhar!”. Parece que tivemos vários donos da bola, né? Bom, pelo menos neste caso ele não pôde usar o argumento de que era ele quem havia pago algo e que por isso o pertencia e a mangueira foi socializada.

Divertido nesta hora foi notar que a galerinha uniformizada e carregadora de bandeiras se mantinha longe da água, continuavam “vendo a praia” e não fazendo parte. Alguém disse que tentou molhá-los mas que correram para perto dos outros que éramos proibidos de molhar, os policiais. Deve haver alguma sintonia entre eles.

A Praça é de Tudo e de Todos, mas temos que manter o respeito uns pelos outros, para que possamos crescer juntos. Donos, organizadores, vozes mais altas, “eu-paguei-é-meu”, bandeiras, posse, não deveriam ter lugar em uma manifestação coletiva contra os decretos da prefeitura.

Pelo menos por mim eu digo, não me organizem.

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33 Respostas to “Não me organizem. Crítica do arrastão na última Praia.”

  1. Lutter Blissett Says:

    A praia da estação não pode ser aparelhada ! Ninguém representa ninguém. Só nós nos representamos !

  2. Fidel Says:

    Bonito demais!
    Não me organize, não me burocratize, não me encarete, não me prenda, não me alicie para o seu partido!
    Esta é uma praia livre, uma manifestação aberta e democrática. E por mais que alguns tentem fazer dela um movimento sério, rígido e dentro da formalidade, continuarei fazendo troça! Continuarei rindo do prefeito, de seus desmandes e dos tolos que acham que para fazer política precisa bandeira, partido, grito de ordem e estatus de manifestação política séria. Rotulos não cabem!
    Beijos e abraços.

  3. [conjunto vazio] Says:

    Na verdade isso é algo que está sendo discutido e com certeza sendo observado desde a primeira praia, todos sabiam que uma hora ou outra isso ia acontecer…
    A questão agora é: de que forma previnir-se desses aparelhamentos?
    Não só desse mas dos vários que podem estar acontecendo, seja para tomar a movimentação como algo partidária ou para reforça-la com algo simplesmente artistico e apaziguar seu carater politico.
    Acho que é hora de repensar a Praia…

  4. Carlos Augusto Demétrio Says:

    Esses partidários são uns babacas mesmo….

  5. Melsa Says:

    Tem que dar é porrada nesses comuna

  6. Osmar Rezende Says:

    Você conseguiu ser político com poesia.
    Nunca havia visto nada parecido desde Mayakovski.

  7. Luther Blissett Says:

    Melsa, NÃO.
    Acorda.

    Isto não é (ou pelo menos não deveria ser) Fla X Flu.
    juntos e com respeito a gente se resolve.

  8. ricardomalagoli Says:

    Essa intolerância infantil à participação explícita de organizações políticas e movimentos populares/estudantis/sindicais é tão ou mais autoritária que os próprios desmandos de Lacerda e do estado burguês contra os quais vocês tentam resistir.

    Se vocês encaram a simples presença de bandeiras políticas como “aparelhamento”, “oportunismo”, “burocratização” etc, fica clara a total imaturidade e intransigência de vocês frente a variedade de formas de participação política que podem ser exercidas pelos indivíduos.

    Se são tão libertários como dizem, deveriam encarar a presença dessas organizações (ainda que tenham desacordos teórico-políticos) como um fortalecimento da união contra os ataques que estão sofrendo os trabalhadores da arte e a sociedade em geral.

    Mas preferem a via sectária e autoritária de impor a esses militantes a clandestinidade e a proibição de uma agitação política clara.

  9. Valeria Says:

    Com todo respeito e humildade acho que tales pensamentos (uns e outros) sao pertinentes… mas a identidade da praia, e do jeito que ela foi ganhando mas e mais, foi gracias a que nao tem uma voz que representa, tem todas elas.
    Quando uma pessoa só fala, acha que o resto esta concordando. Se vai començar a ser desse jeito entao quem quiser tomar voz, deverá se apressentar nas reunioens que acontecem faz 2 meses.
    O jeito ludico e organizadamente desorganizado deu seus bons frutos…
    por que nao continuar creando nossa propria politica?? Por que nao ter nossa propia identidade? desestruturar as estruturas as deles e as nossas!
    o ato da praia é um ato poetico!

    desculpem a pessima ortografia.

    Abraço

    Latinoamerica unida e livre!

  10. zé ninguem Says:

    nada contra os partidários participarem, afinal, a praça é livre, a praça é (ou deveria ser) nossa! Todos são igualmente bem vindos, todos precisam ocupar o espaço (publico) e expor suas angustias, medos, desejos… Isso sim é saber construir, é saber ser, além do eu, coletividade.

    Mas não queiram impor ao coletivo anseios, desejos e promoção individual. a multidão, reunida, dispensa aqueles que desejam colocar-se sobre ela, impor suas bandeiras, suas formas, seu ordenamento. Não precisamos de ordens, nem de leis, nem de decretos. Sejam eles de Lacerdas, tucanos, petistas ou quaisquer outros istas.

    Volto a dizer: não sou contrário aos partidários. Mas não venham colocar suas bandeiras acima do proprio movimento.

    Hasta

  11. Cristiano L Ribeiro Says:

    “Você conseguiu ser político com poesia.
    Nunca havia visto nada parecido desde Mayakovski.”

    hahahaha!

  12. zé ninguém Says:

    Essa é uma questão delicada. Por mais que eu ODEIE o PSTU e toda essa corja, e tenha visto o mesmo acontecer em diversos movimentos em bh e outras cidades, acho que a violencia, fisica ou de outra natureza, não é solução. Por hora, eu só vejo uma: continuar denunciando o aparelhamento, por(quase) todos os meios possíveis. Não por meio de carros de som e megafones, por que nisso eles são craques, mas por meio do que move a praia desde o início: criatividade. Falo por experiencia própria, tem algumas coisas que “eles” não entendem, que os desestabiliza mesmo. O modelo anacrônico de política desses partidecos não suporta certas manisfestações espontaneas. Mantenho tom vago para não entregar o jogo, e também para aguçar a mencionada criatividade.

    abraços

  13. Fred Lima Says:

    Eu estive na manifestação de sábado e, sinceramente, não vi nenhum “arrastão trotskista” acontecer. Os partidários que estavam lá não impuseram nada a ninguém.

    Quem queria falar na kombi-de-som, falou…
    Quem queria cantar palavras-de-ordem, cantou…
    Quem queria fazer “arreia-arreira-arreia”, fez…
    Quem quis levar faixas e giz para riscar o chão, levou…

    Eu não sou do PSTU e nem pretendo… Mas acho que vocês estão exagerando MUITO. E outra coisa… Além do PSTU e dos manifestantes da praia, haviam também grupos de teatro, coletivos de intervensão urbana, estudantes, mendigos. Acho que foi uma manifestação bastante democrática. E acho que dar direito à livre participação de grupos políticos organizados, desorganizados, ou o que for é algo fundamental para manter essa democracia espontânea do movimento viva.

  14. Amanda Says:

    Oi galera… Eu me chamo Amanda, sou estudante de comunicação da FUMEC e não sou de partido nem movimento nenhum…

    Estive na manifestação de sábado durante a maior parte do tempo… E lendo isso aqui agora, acho que a Rita está sendo um tanto quanto “divisionista”. Primeiro por que ela leva a entender que houve tentativa dos partidários de dar “direção” ao ato, o que eu não vi acontecer. Achei até legal terem levado carro de som, pois chamou mais a atenção de quem passava e deu mais visibilidade às denúncias que estávamos fazendo. Teve um tiozinho com um fuscão vermelho que também ajudou a fazer bastante barulho… Deveria levar o fusca mais vezes!

    Sobre o negócio da mangueira… Poxa, eu também não quis me molhar. Era obrigatório isso? Se eu soubesse, talvez nem tinha participado do ato.

    Acho que a Rita tá sendo muito mais impositiva, colocando regras de como deve funcionar a praia, do que a galera organizada que participou da manifestação. Nada a ver isso aí…

    Se é pra ser democrátivo, que não seja pela metade.

  15. Luther Blissett Says:

    Qual é a semelhança entre Joselito e PSTU?
    Eles não sabem brincar…
    Foi desnecessário o MALDITO carro de som, apropriação do povo, primeira vez que vejo ao vivo.

  16. Lutter Blissett Says:

    Eu participei da primeira caminhada praiana, no carnaval, até a porta da Prefeitura. Tinha banda (como nessa do último sábado); Teve caminhão pipa (como no último sábado); e gente (como no último sábado). Mas, de alguma maneira, estava diferente.

    Chegamos a porta da prefeitura antes do caminhão. A maioria dos banhistas se dispôs no passeio, em frente a Prefeitura, quando uma voz saiu da Kombi: “Pra rua, companheiros, o povo tem que tomar a rua!”. Nessa hora eu comentei com uma amiga: “Nossa, agora somos guiados por verdadeiros profissionais do protesto!”. E ela: “É, antes nós éramos apenas amadores!”.

    Nada contra, mas da primeira vez, sem bandeira e nem Kombi, foi tudo bem melhor.

  17. Sulamita Says:

    “A Praça é de Tudo e de Todos, mas temos que manter o respeito uns pelos outros, para que possamos crescer juntos. Donos, organizadores, vozes mais altas, “eu-paguei-é-meu”, bandeiras, posse, não deveriam ter lugar em uma manifestação coletiva contra os decretos da prefeitura.” Concordo, em gênero, número e grau, mas confesso que não é só o Beiçola do caminha de som que quer se apropriar do movimento e fazer fama com ele. Infelizmente, a praia virou meio de divulgação, marketing dos bravo e eu fico triste, pois o mais legal era quando ninguém – mais ninguém mesmo – assinava em baixo, nestas últimas edições as coisas já não são mais assim. O eventão foi ótimo e tem que acontecer mais vezes, porém eu tiraria metade das pessoas que ficaram de “organizar” com a finalidade de se exibir. De fato não chegaremos a lugar nenhum com essas atitudes e, mais beiçolas tomaram conta da praia que já está ficando antipatizada até pelos adeptos iniciais. É o que eu acho. PAREM DE SE APROVEITAR DA PRAIA E COMECEM A APROVEITAR A PRAIA E OS RESULTADOS QUE TEM TRAZIDO.

  18. Henrique ( DORIVA) Says:

    Viveras ate cair o poder!!!

  19. cidadão comum Says:

    Bandeiras, cumpanherages, partidecos e afins são chatos e ultrapassados: fato. É por isso mesmo que sempre desconfiei desse caráter de “protesto” que às vezes se atribui à Praia. Tem gente aí pensando que ir à Praia todo sábado é cumprir com seu dever cívico.

    Tudo bem, faz parte também. Mas, pessoal, pensar assim é ingênuo e é pensar pequeno. A Praia tem um potencial lírico, criativo, subversivo, que vai muito além de circunstâncias momentâneas de contexto político. O sentido que um ajuntamento de gente assim toma pra si é muito mais poderoso como política de vida, uma coisa mais (muito mais!) universal. Daqui a pouco o decreto cai, e aí? Morreu a praia? Acho que não, né? Vale muito mais a pena mergulhar na profundeza de como isso muda nossa percepção da cidade, das pessoas, do cotidiano que a gente leva e por aí vai (longe).

    Mas não se pode desconsiderar a defesa do cara, que até já postou um texto depois deste aqui. Vamos com calma. Concordo com ele e com outras pessoas que escreveram aqui quando dizem que algumas reações são radicais, que não se posicionar é se posicionar também e que tem gente que toma pra si o papel de líder de “movimento” (mesmo que até de maneira inconsciente). Além do mais, como disseram: quem queria falar no carro de som, falou, quem queria gritar, gritou e é isso aí! A Praia é de todos!

  20. Omar Motta Says:

    Bom, pelo menos deu debate! Que BOM!

    achei interessante como o texto NÃO menciona o PSTU mas a carapuça serviu em muita gente aí. Ou já chegou falando que não era do partido.

    ricardomalagoli ninguém disse que as bandeiras aparelhavam. O que tem aí é uma análise bem simples do que significa uma bandeira no meio de uma aglomeração. Nem é tão difícil de entender.

    Fred você não acha que o carro de som ocupa um espaço de forma muito mais autoritário que um “arreia”? Pra começar ninguém mais consegue se ouvir.

    Agora, vamos tentar sair do “achei paia” X “achei doido” e pensar taticamente? É FATO que o carro de som e a “organização” foram polêmicas e que MUITA gente foi embora ou desistiu do protesto por causa disto. Inclusive o pessoal com os instrumentos, diga-se de passagem.

    ALGUÉM DISCORDA?

    Acho que é daí que o texto queria partir. O negócio foi mal conversado, nem todo mundo que estava na praia sabia que o bloco, desta vez, estava “sendo organizado” por alguém.

    Se pequenos cuidados houvessem sido tomados, talvez a manifestação não tivesse esvaziado e não precisaríamos gastar tempo nisto.

    Acho que influencia MUITO o fato do arrastão trotskista ter aparecido na praia pela primeira vez neste sábado: eles não viram como a manifestação estava funcionando se utilizando de outros modelos, de outras práticas, mais horizontais, menos personalistas. Caso houvessem visto, talvez respeitassem mais e tentassem somar de forma mais democrática, ao invés de puxar a rede e ver se pegam algum peixe.

  21. PCdoB (Partido Camarada do Banhista) Says:

    Realmente acho extremamente perigoso a forma como algumas pessoas tentam se promover com a praia. Mas gostaria de jogar uma mangueirada de idéias em vocês: isto vem acontecendo desde o primeiro dia de praia. Abaixo o controle de praia. A “areia” é pra todos!

  22. Árcade Says:

    Bom foi a primeira vez que fui a ” Praia “, fiquei coma impressão, que foss eum movimento, patrocinado, ou vinculado a algum partido politico, dos quais ahaviam alguns representantes, lá fiquei aliviado depois de ler esse post, pq o partido somos nós.

  23. Lud Says:

    Eu tenho um lado meio Anarquista rsrsr e acho q ele deve ser usado agora

    “Quem quer que seja que ponha as mãos sobre mim para me governar é um usurpador, um tirano. Eu o declaro meu inimigo.” — P. J. Proudhon.

    Então concordo com a frase “Não me organizem.”
    Se alguém tenta me organizar ou me mandar fazer isso ou aquilo, esse alguém é meu “inimigo”.
    Inimigo é modo de dizer …eu sou da paz rsrsr

  24. morgause Says:

    bom, muita calma nessa hora…
    acho que o texto, alem de ser sectario, possui acusasões pessoais que ultrapassam alçada deste blog ou do contexto colocado por ele (será que é proque foi um texto excrito num momento de furia acumulada de anos?)
    não me organizem! mas organizem a praia, organizem as reuniões toda quarta feira, organizem o show, organizem a ocupação de meia faixa na andradas. ´pelo jeito a critica “anarquista” não é pela organização em si ne? são pelas organizações… é engraçado que se dizem anarquistas e não veem a necessidade de se organizar, sinceramente vejo nisso uma contradição tremenda…
    mas vamos voltar ao assunto ne?
    não tava na praia, não tava na manifestação na porta da prefeitura, mas nem por isso não entrei em contato e deixei de discutir (por horas, inclusive) esse fato.
    e faço aqui perguntas que fiz:
    – carro de som por si só é ruim???? talvez não faltou uma metodologia de uso desse artefato a mais no ato?
    – houve real dialogo de ambas as partes? ou houve uma conversinha porque alguem ja tava incomodado e ja foi “dialogar” com quatro pedras na mão?
    – ja houve alguma vez “na historia deste país” alguma coisa construida coletivamente entre os “organizados” e os “desorganizados”?
    – será que esse texto, essa discussão, essa perda de tempo de escrever em blog ações pontuais contribui pra alguma coisa na mudança na realidade?

    todo mundo aí reclamando que o outro tá errado, mas ninguem tenta juntar pra tentar (eu disse só tentar) dar certo. é mais facil jogar pedra e não recolher os cacos depois…

    é, e não pode ter arrastão trotskista, só pode ter arrastão anarquista…se vc não for um anarquista ou simpatizante, cuidado ao ir à praia ou ir a reunião de quarta, vc pode ser molhado (ou linchado).

  25. morgause Says:

    por mim ta todo mundo errado.

  26. Fred Lima Says:

    Deixem de ser loucos… Até agora dezenas ganiram aqui como se a simples presença de algumas bandeiras, carro de som e palavras de ordem politizadas fossem um estupro. Eu não sou partidário… Mas, com todo o respeito, eu duvido que os que são perderiam seu tempo tentanto organizar um bando de burguezinho faficheiro funcionário de ONG-caça-níquel.

    Vocês são intolerantes, isso sim. Vocês é que são os donos da bola, ou melhor, da praça. Transformaram ela num condomínio privado. São um bando de anarcóides sectários que colocam acima da pauta comum que uniu a todos naquele ato, a picuinha, o enfrentamento entre os que deveriam, mais do que nunca, dar as mãos e enfrentar os desmandos desse estado maldito.

    Se aqui tivesse algum anarquista, de fato, esse tipo de discussão infantil jamais estaria acontecendo.

    A praia é uma delícia mesmo ou é uma ditadura pseudo-anárquica despolitizada?

  27. Seu Bastide Says:

    Rapaz, tu pode seriamente pensar em trocar o seu nome para fred “limão”. Conselho: apareça na praça algum dia pois, pelo tanta de asneira que tu falou, não me pareceu que vc esteve lá em algum momento (nem por curiosidade).
    Bjo.

  28. Komussô Sen Sato, mestre da sabedoria Oriental Says:

    Povo do Ocidente no sabe ver arém do dicotômico, né?
    Povo do Ocidente precisa aprender com sabedoria Oriental e parar de quebrar cabeça.

    Mora na firosofia:

    “Caminho do Meio (Madhyama Pratipad, em sânscrito) é uma tradicional expressão budista que procura, de um modo sucinto, apontar o rumo àqueles que se propõem a dar seus primeiros passos em direção à sabedoria ou, pelo menos, ao alívio de seus conflitos.

    É uma das imagens que brotam espontaneamente na alma sempre que ela é atormentada pelo Conflito dos Opostos, vale dizer, conflito de desejos ou necessidades que aparecem como absolutamente excludentes. É uma metáfora, uma das imagens recorrentes em todas as épocas e culturas sob as mais diversas formas e denominações, pois que representa um poderoso determinante da alma humana: o arquétipo da União (Conjunctio) especificamente a União de Opostos (Conjunctio Oppositorum, como diziam os alquimistas, em latim), a mais radical das uniões.

    Digo a mais radical porque os opostos não se justapõem ou se mesclam simplesmente, como bananas num cacho ou tintas numa palheta de pintor, nem se deixam reduzir um ao outro por submissão violenta ou a golpes de raciocínios bem intencionados. Os opostos são o que são: opostos. Mas quando somos pegos pelo calor do embate que eles travam em nossa alma, imediatamente o arquétipo de União é ativado (tenhamos ou não consciência dele) lançando-nos à estranha aventura de reconciliar o irreconciliável. ”

    Komussô Sen Sato
    Mestre da Sabedoria Oriental

  29. Joaquim José Says:

    Então, acho que o mau entendido foi maior do que tá parecendo.

    Parece um diálogo de surdos, na verdade.
    vejam bem, eu sou SUPER favorável à galera de qualquer partido colar SEMPRE.
    inclusive tem uma galera do pdt e da cut que tão sempre lá participando desde sempre, e isto é ótimo!

    A crítica do texto não era sobre o direito de se manifestar, de participar e etc. E isto está bem claro no texto. Acho que teve gente que extrapolou e começou a se defender de coisas que não foram atacadas.

    Era uma crítica a uma prática política MUITO pontual e que não afeta nem a todos os partidos e nem ao partido inteiro. Nem sei se é prática comum das pessoas envolvidas, como dito foi uma crítica a uma prática específica numa manifestação específica.

    postei no blog porque é uma referência e porque nos propusemos a debater as coisas de forma aberta. Foi uma coisa que incomodou muita gente, daí achamos importante deixar claro.

    Sobre impedir bandeiras: não vi ninguém pedindo pra abaixarem as bandeiras durante a praia, e nem o texto diz isto. O que rola lá é uma perspectiva do que significa uma bandeira no meio de um tanto de gente. É uma perspectiva, uma análise, uma idéia, uma opinião, seilá, não algo para se impor. Da mesma forma que tem sido todos os posts daquele blog. Era pra levantar um ponto mesmo, pra debater. Mas todo mundo partiu pra defensiva como se alguém quisesse arrancar as bandeiras das mãos, o que não era a idéia.

    Quanto ao carro de som, eu achei que o trem foi mal conversado e que as respostas dadas aos questionamentos (vários e de várias pessoas) feitos no momento foram extremamente infelizes. Pra deixar por menos. Inclusive porque foram feitas por várias pessoas.

    O esvaziamento foi visível, a raiva dos passageiros de ônibus foi visível, o som estava impossível de ser ouvido e isto foi… ouvível? 😀

    O lance da mangueira foi só patético.

    Acho que só isto já seria motivo suficiente para repensar a prática.

    quanto a serem duas manifestações distintas, aparentemente foi só mal conversado, muita gente não sabia (e ainda não sabe).

  30. Lutter Blissett Says:

    Acho que a manifestação de sábado não interfere no movimento da praia. Não creio que sabádo que vem vai acontecer do mesmo jeito. Vejo esse protesto do dia 27 como algo a parte, só aconteceu a união do povo que estava organizando a manifestação e o povo da praia. E só. Acho um entojo não poder juntar propostas com o um objetivo em comum: criticar o excelentissímo sr. Lacerda, independente de ser partidário, anarquista ou que esteja lá só pelo social mesmo .Ai..quero mais é champanhe…

  31. CHANA Says:

    Tô com a Mourgause!
    Só não concordei com duas coisas: 1°)carro de som é ruim sim, atrapalha todos que não tão falando no microfone a se ouvirem…Ou não?
    2°)essas discussões no bolg, como qualquer outra discussão política, nos faz refletir, e isso é mudar a realidade.

    E sobre “já houve alguma vez na história desse país algo construído junto entre organizados e desorganizados?”, eu não sei muitos exemplos, mas acho que o Fórum Social Mundial (FSM) foi uma grande tentativa. E infelizmente, infelizmente mesmo, não tá dando certo… Porque além do capital ter chegado com força total (patrocínio de bancos, etc), tem o problema dos partidos quererem “aparecer” acima de todos, e de organizações particulares quererem organizar todo mundo do jeito que eles acham que é uma boa ordem! Tem vários exemplos disso, mas só um exemplo bem extremista, pra marcar o absurdo que um autoritarismo “bem intencionado” pode cehgar: a organização da prefeitura resolveu proibir os bares das favelas de Belém de funcionarem depois das 22h pra boa segurança dos “turistas” do fsm…

    Pra mim, a praia da estação tá tendo várias ações organizadas, mas nenhuma tentando ordenar quem não quer se ordenado, nenhuma se colocando acima da diversidade e multiplicidade das pessoas que ali estão.

    Desejo, gostaria muito, que a praça não tivesse ordenamentos, mandos, decretos, carros de som, e “só te dou a mangueira se vc me falar onde vai molhar”.

  32. Jaunty Jacklope Says:

    Morgause:
    Sim, carro de som é ruim sempre.
    Pra quê ficar ouvindo a voz de alguém sozinho quando o que importa é o conjunto?

    Bandeiras:
    São ruins SIM. Se os anarquistas estivessem levantando altas bandeiras pretas também seria invasivo aos outros participantes.

    “Se são tão libertários como dizem, deveriam encarar a presença dessas organizações (ainda que tenham desacordos teórico-políticos) como um fortalecimento da união contra os ataques que estão sofrendo os trabalhadores da arte e a sociedade em geral.”:
    Numa boa; a experiência mostra que essas organizações (no caso os partidos políticos) SEMPRE querem a sardinha inteira. Querem é que saia o nome deles como ‘quem agitou/organizou’ as manifestações/protestos/movimentos.
    Prefiro a ditadura dos desorganizados/anarquistas/FAFICHEIROS(bicho, quem disse isso? Que idéiazinha…), pois quando o movimento chegar à algum ponto, a vitória será dos envolvidos no tema, e não dos partidos X e Y, ou da JUVENTUDE dos partidos X e Y.

    Nem lembro quem falou da rede e do arrastar de peixes, mas querer botar carro de som pra mim não diz nada mais do que puxamento de sardinha e tentativa de angariamento de contingente partidário/uniformizado (que anda fraco, ainda bem).

    Numa boa,

    pra quem não concorda com essa falta de respeito (tentar – ou não tentar, mas acabar o fazendo, mesmo que de vacilo – botar o nome dum pequeno grupo num movimento coletivo pra mim é falta de respeito.):

    NÃO DEIXEM QUE MAIS UMA VEZ ESSA GALERA TOME A COISA PRA ELES POR CHATICE.
    Ninguém aguenta o que vira nenhum movimento que esse povo entra; seja pela maneira de discussão que eles impõem, pelos carros de som ou pelas bandeiras. Aí todo mundo legal acaba desistindo e largando mão de se desgastar com esse pessoal.

    Não vamos dar esse vacilo, galera.
    Não deixem que roubem a praia [b]deles mesmos.[/b]
    (Afinal, no coletivo ‘de tudo e de todos’, cabe sim o pessoal dos partidos. Mas não cabe as bandeiras nem o carro)

  33. PCdoB (Partido Camarada do Banhista) Says:

    a coisa é simples: se eu chegar lá com uma bandeira do psdb ou uma dessas “lidas faixas” escritas OBRIGADO AÉCIO, eu tenho certeza que vou ser linchado pela galera gente boa que diz que só queria somar.

    não confio em partidários nesse esquema. em nenhum dos lados.

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