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Praça cercada. COMO É?

agosto 9, 2010

Acreditem! essa imagem acima é de uma senha distribuída ontem para assistir ao espetáculo DE RUA Ka@smos, realizado na abertura do FIT BH.

Senha? Mas como assim? O espetáculo não é de rua?

É isto mesmo, contrariando os princípios de uma apresentação de espetáculo teatral de RUA, que é feita para as pessoas que estão transitando pela cidade, para dialogar com o espaço público, para causar a surpresa das pessoas: estar na rua e se deparar com um espetáculo, com o inusitado, para mudar o cotidiano, papel da arte diríamos.

Pois bem, não foi o que aconteceu na abertura do FIT, na Praça da Estação (local público da apresentação) havia uma cerca e uma portinha controlando a entrada das pessoas na Praça. COMO ASSIM CONTROLANDO A ENTRADA DAS PESSOAS NA PRAÇA? A PRAÇA NÃO É PUBLICA? Aí para assistir a um esptetaculo teatral De RUA as pessoas formaram uma longa fila para entrar na Praça da Estação. COMO ASSIM ENTRAR NA PRAÇA DA ESTAÇÃO?????

É uma pena ver a Praça da Estação, local público de BH, cercada e com muitos seguranças vestidos de ternos pretos.

E a PRAÇA DA ESTAÇÃO que já abrigou dezenas de espetáculos MA-RA-VI-LHO- SOS de outras edições do FIT, com adesão em massa da população de Belo Horizonte, que podia ocupar a praça de maneira livre, descontraída, levadas pela emoção e pela beleza dos espetáculos, pela alegria que sempre contagiou a todos durante o FIT.

Ao contrario, ontem [quinta] vi a população comportadamente esperando uma senha e entrando numa fila, para entrar na praça da estação e assistir a um espetáculo que aconteceu a 30 metros de altura.

Os locais públicos são os locais da descontração, do encontro, da liberdade, não dá para formalizar o espaço público como se fosse um espaço fechado, assim podemos levar os espetáculos de rua para o Palco, não vai fazer diferença.

Obviamente que uma cerca separa, inibe, exclui… … não tenham dúvidas disso…e ainda fica mais caro pois tem que alugar toda a estrutura etc.

E ai ficam as questões:

Aquela cerca na Praça da Estação, para a apresentação de um espetáculo de rua, separa quem de quem?

Qual é realmente a sua finalidade? Se é para impedir que pessoas entrem na praça e estraguem o “Patrimônio Público”, sugiro que a próxima abertura do FIT seja transmitida pela TV, ai não há o perigo de desarrumar a Praça.

Que pena, gostaria de deixar meu lamento, parabenizar o rapaz que num momento de raiva e coragem chutou a cerca gritando: TIRA ESSA CERCA. A PRAÇA É DO POVO!!!!!! Mas claro, foi rapidamente contido, agressivamente, pelos seguranças vestidos de preto.

Saudades do tempo em que podíamos ver um espetáculo de rua preocupando- nos somente com o prazer do espetáculo e não com pegar uma senha e entrar numa fila como se estivesse num banco, no SUS, no INSS ou num setor burocrático da PBH…

Patrícia Matos

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E o pateta, passa quando?

abril 4, 2010

Quero tratar aqui de alguns acontecimentos que têm ilustrado a desastrada gestão de Márcio Lacerda à frente da Prefeitura de Belo Horizonte.

Pra começo de conversa, não custa relembrar um pouco sobre o contexto em que Lacerda se elegeu prefeito de Belo Horizonte, nas eleições de 2008. O candidato do PSB, informal (e escandalosamente) apoiado pelo governador Aécio Neves (PSDB) e pelo prefeito Fernando Pimentel (PT), chegava ao segundo turno tecnicamente empatado com o candidato Leonardo Quintão (PMDB).

Após ter inclusive cogitado a vitória no primeiro turno, Márcio Lacerda se viu, na reta final do primeiro turno, ameaçado pela ascensão meteórica do concorrente Quintão que, além de ter caído no gosto popular, também representou, de alguma forma, uma válvula de escape eleitoral àqueles que não engoliam a aliança infame entre PT e PSDB na capital mineira.

De um lado, o candidato Márcio Lacerda, com uma imagem insossa, um programa de governo (oi, ele apresentou um programa?) inconsistente e um discurso de campanha que conseguia juntar esses dois predicativos. Em suas costas, uma máquina eleitoreira desmedida, que a cada dia se revelava inesgotável na busca pela vitória.

Do outro lado, o meteórico Leonardo Quintão. Filho de  Sebastião Quintão (ex-coronel prefeito da cidade de Ipatinga, onde foi recentemente cassado após assumir um mandato para cujas eleições ele não venceu), o “bom moço” conseguiu subir rapidamente nas pesquisas eleitorais graças a um discurso populista e dramalhão que se dirigia pontualmente às massas. Carismático e fotogênico como poucos, Quintão chegou inclusive a forjar um sotaque “caipira” pra tentar se fazer mais próximo do povo. Por trás dele, como não poderia deixar de ser, outra fonte inesgotável de recur$os que pudessem viabilizar a outrora desacreditada vitória.

O segundo turno das eleições para prefeito em BH foi, mais que um vexame, uma verdadeira afronta ao eleitor belorizontino. Não se debateram propostas, mas pessoalidades das mais banais. Estratégias as mais mesquinhas foram utilizadas: houve acusações de ameaças, houve atores globais intervindo nas campanhas … Quem passasse pelas ruas do centro de Belo Horizonte durante as madrugadas que precederam o pleito, um pobre-coitado afixava cartazes com acusações “anônimas” a um candidato, enquanto, metros adiante, um outro pobre-coitado colava, por cima, outras acusações também “anônimas a respeito do outro candidato.

Enquanto isso, a população, embasbacada diante de tanta baixaria, tentava decidir no boca a boca (ou no e-mail a e-mail) qual candidato seria o “menos-pior”.

Talvez tenha sido mesmo o humorista Tom Cavalcanti quem decidiu o rumo das eleições pra prefeito em BH. Cômico, trágico. Patético. A cartada final veio de uma intervenção à altura do Zorra Total, e venceu Márcio Lacerda.

Pouco mais de um ano depois da posse do Exmo Vencedor das Eleições, façamos, pois, um pequeno balanço da gestão. A meu ver, a administração do prefeito Márcio Lacerda  tem se mostrado desastrosa em diversos quesitos: saúde, educação, moradia, transporte público, cultura… As diversas greves e ameaças de greve dos trabalhadores destes setores só confirmam a insatisfação generalizada para com a gestão.

Meus dois centavos pra discussão vão tratar deste último item – a cultura, a fim de corroborar o que já não é novidade para a população: há mais de um ano, diversos projetos de ampla abrangência no cenário cultural de Belo Horizonte estão estacionados, ou, pior, na marcha ré.

Destaquemos que BH  não possui uma Secretaria de Cultura, já que a que existia foi, a partir de 2004, substituída por uma Fundação Municipal de Cultura (FMC). A alteração, que prometia maior agilidade e eficácia na execução de políticas públicas para a cultura, se mostrou, ao fim e ao cabo, contraproducente, já que vem atuando sem a menor transparência e competência administrativa na condução dos projetos culturais da cidade.

A propósito, quando da criação da FMC, os funcionários que até então integravam o quadro da Secretaria  foram contratados pela FMC. Entretanto, o artigo 139 da Lei 9011/05, 01/01/05 de Belo Horizonte prevê que a Fundação deve ter um quadro próprio de funcionários. Aliado a isso, a expansão das atividades e a necessidade de uma maior especialização de gestores culturais demandou a abertura de um concurso, que foi realizado em 2008. Foram aprovados 262 profissionais, sendo que, até a presente data, apenas 85 foram nomeados, fato que representa um indício da falta de interesse do prefeito Márcio Lacerda (intermediado pela diretora da FMC, Thaís Pimentel) em resolver a pendência e oferecer à FMC melhores condições de funcionamento.

Bem, quanto à inoperância de que pretendemos tratar, a cartilha é longa.

Praça da Estação

A única praça da cidade com estrutura e planejamento para realização de eventos de grande porte encontra-se sitiada.

Começo falando um pouco sobre uma atitude que sintetiza o que de patético e autoritário existe no trato que a gestão Márcio Lacerda dispensa à cidade e aos cidadãos.

No dia 09/12/2009, o prefeito publicou um decreto proibindo (!) a realização de eventos de quaisquer natureza (!) na Praça da Estação, sob a alegação de que o patrimônio público estaria sendo depredado. Hábil solução! Se o espaço está sendo destruído, a solução é simples: sitiemos o espaço, proibamos a população de usufruir dele!

A medida repercutiu em uma série de protestos que, felizmente, saíram das correntes de e-mail e decidiram ocupar a praça. Desde janeiro deste ano, a Praça da Estação tem sido sede de um dos movimentos de ocupação urbana  mais interessantes de que se tem notícia em Belo Horizonte, conhecido como “Praia da Estação”. A população ocupou espontaneamente a praça, levando trajes de banho, bóias, intervenções, bolas, cangas, manifestos, música e farofa… no intuito de ocupar a praça, de resistir ao decreto, de exigir do prefeito mais diálogo e maior transparência na condução da administração da cidade.

Este blog, coletivo, com postagens assinadas e também anônimas, tem realizado/registrado as ações de ocupação desde o princípio, por meio de imagens, manifestos, opiniões… O movimento “Praia da Estação”, que não possui liderança nem liderados, desafia com a criatividade um autoritarismo que se impõe por meio de um decreto, de tropas de policiais, por viaturas e pela caricatura do medo. Na primeira praia, por exemplo, as fontes que jorram água (e que, por isso, motivaram o evento “praia”, já que permitiria que as pessoas se molhassem) foram desligadas, pois estariam em manutenção. Os praieiros fizeram uma vaquinha e contrataram, então, um caminhão pipa, levando assim o mar ao sertão.

A “manutenção” das fontes aconteceu inúmeras outras vezes, bem como a presença massiva de policiais na praça aos sábados. A propósito, no dia 24 de março, foi realizada uma audiência pública (que contou com grande representatividade popular, motivada pelo evento “Praia”) na Câmara Municipal de Belo Horizonte, a fim de se discutir, dentre outros temas, o decreto e o destino da Praça da Estação.

Por enquanto, a praça segue sitiada. E a praia segue, em sua resistência alimentada a funk e farofa.

Arena da Cultura

Projeto interrompido após 10 anos de exitosa atividade

As atividades do Arena da Cultura, um dos projetos de maior abrangência sociocultural do país, foram interrompidas – justamente após completar 10 anos de existência. O projeto conseguia, em alguma medida, descentralizar os núcleos de produção, ensino, reflexão e difusão artísticas na cidade, por meio das inúmeras atividades (ciclos de formação, oficinas, worshops, debates…) nos campos das artes plásticas, dança, música e teatro. Sob o escuso pretexto da necessidade de “mudanças no modelo de gestão”, a FMC interrompeu as atividades durante 2009 e, somente agora, em março, anunciou o retorno do projeto para o segundo semestre de 2010, o que significa que, na mais otimista das hipóteses, ele terá sido interrompido por “apenas” 1 ano e meio (em uma gestão de 4 anos) – o que significa abandonar a formação sócio-artística de aproximadamente 1000 cidadãos de diversas regiões de Belo Horizonte. Consideramos saudável e necessária a constante avaliação e reelaboração das diretrizes de projetos como o Arena da Cultura. Entretanto, há que se questionar se a interrupção das atividades (e por tanto tempo) é de fato a alternativa mais viável, já que penaliza diretamente a comunidade.

Outro projeto também suspenso sem aviso prévio foi o BH Cidadania, que, de maneira indireta, também viabilizava diversos projetos de caráter cultural.

Experiência e empreendedorismo dá lugar à Politicagem

A opção por se privilegiar conchavos partidários em detrimento da eficiência administrativa também deixou suas marcas em 2009.

Citemos, por exemplo, a demissão de Priscila Freire, que dirigiu o MAP (Museu de Arte da Pampulha) durante 15 anos, nos quais esteve à frente de diversos projetos de fomento a exposições e também encabeçou o projeto de construção de um anexo para o Museu.

Sem uma explicação plausível, Priscila foi substituída pelo ex-prefeito de Barbacena, Martim Francisco Borges de Andrada (PSDB), que, quando da época de sua indicação para o cargo, sequer conhecia as atribuições que lhe caberiam a partir de então. Como previsto, só não foi mais desastrosa porque tem passado em brancas nuvens, levando o Museu à ociosidade, por meio de uma redução drástica no número de exposições realizadas em 2009 no Museu.

O destino dos Teatros Municipais de Belo Horizonte

A mudança de diretoria dos Teatros da Fundação Municipal de Cultura não prometia tantos prejuízos às artes cênicas, já que quem assumiu o cargo foi alguém com ampla trajetória no ramo artístico de Belo Horizonte, Carlos Rocha. O que se viu até agora, entretanto, foi a interrupção de iniciativas louváveis do diretor anterior, Luis Carlos Garrocho, como por exemplo os programas Arte Expandida e Ressonâncias. O primeiro constituiu-se como uma iniciativa inovadora (e também bastante promissora) no campo da experimentação de linguagens cênicas. Por meio dos projetos Improvisõesimprovisação intermídia, Momentum – a composição no instante e Laboratório: Textualidades Cênicas contemporâneas, o programa Arte Expandida abriu espaço para o trabalho de diversos artistas/grupos da cidade de Belo Horizonte, além de oferecer ao público a oportunidade do diálogo constante com tais tendências de criação artística. Já o Ressonâncias, teve vez a experimentação musical, por meio dos projetos Quarta Sônica – rock independente e Hip-Hop in Concert.

Além disso, a Mostra de Artes Cênicas para Crianças, evento que já integrava o calendário de realizações artísticas de BH e que teve continuidade na gestão de Garrocho, deixou de acontecer em 2009. Enfim, todos os projetos foram interrompidos, e sem qualquer consulta à população ou, pelo menos, uma explicação.

E o teatro Francisco Nunes, a propósito, está com as portas fechadas desde abril do ano passado. Segundo essa matéria do jornal O Tempo, a prefeitura já teria disponibilizado a verba para a reforma do telhado. Entretanto, em coletiva à imprensa realizada quando da divulgação dos resultados do edital da Lei de Incentivo à Cultura/2009, Thais Pimentel falou sobre a necessidade de patrocínio para a reforma do teatro, que completa 60 anos em 2010.

Resumo da não-ópera: projetos interrompidos sem consulta ou explicação à comunidade e Francisco Nunes fechado, sem previsão de reabertura.

Recuo e falta de transparência no repasse de verbas para a Lei Municipal de Incentivo a Cultura

Ainda no quesito da disponibilidade de verbas para a viabilização de projetos culturais, outra polêmica confirma a falta de transparência que caracteriza a atual gestão da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte: A princípio, um orçamento no valor de R$11 milhões havia sido anunciado pela prefeitura para a Lei Municipal de Incentivo à Cultura para o ano de 2010.

Poucos dias depois, a boa notícia caiu por terra, divulgou-se que o valor seria mantido com relação ao do ano passado.

Como se não bastasse, a proposta inicial de que o Fundo Municipal (quando a verba é repassada da prefeitura diretamente para o executor do projeto cultural, o que garante o financiamento de projetos que não possuam, necessariamente, caráter comercial) deveria receber 60% do total dos recursos não foi cumprida: recebeu 4 dos 7,5 milhões destinados à execução da LMIC, o que representa pouco mais de 53% do orçamento.

O quiprocó do FIT – Festival Internacional de Teatro

A propósito, foi justamente na ocasião da divulgação dos projetos aprovados pela LMIC que a Fundação comunicou,  por meio da presidente Thaís Pimentel, o inesperado (?) adiamento do FIT (Festival Internacional de Teatro), um dos mais importantes eventos das Artes Cênicas do estado e também do país. O anúncio do adiamento foi a gota dágua que faltava para deflagrar a falta de perícia da prefeitura de Belo Horizonte na administração dos projetos culturais belorizontinos. Desde o anúncio do cancelamento da edição 2010 do Festival até a divulgação de que o evento aconteceria, o que se viu foi uma série de desastres administrativos.

No dia 18/03, a decisão pelo adiamento foi comunicada à população, que, em momento algum, foi convidada a tratar do assunto, fato que reitera uma postura administrativa autoritária, que parte do princípio de que decisões dessa ordem podem ser tomadas verticalmente, de cima para baixo, e não a partir de debates que contemplem os interesses de toda a comunidade. Sob o “inadvertido” pretexto de que o FIT coincidiria com a Copa do Mundo e com as eleições, e, pior, sob a infame justificativa de que a curadoria não havia conseguido encontrar espetáculos com qualidade suficiente para compor a grade do Festival, o comunicado estarreceu e mobilizou a classe artística da cidade.

Vale lembrar que desde o começo do ano, 45 grupos têm se planejado para pleitear uma vaga no festival, planejamento este que implica o investimento de tempo, de dinheiro, além do cancelamento de outros compromissos, etc.

No dia 20 de março, uma manifestação realizada em frente à Fundação culminou na realização de uma reunião com Thaís Pimentel, Carlos Rocha e representantes da classe artística, ocasião em que a falta de transparência na administração dos recursos públicos foi deflagrada: em meio ás tentativas de se explicar os argumentos apresentados inicialmente, veio à tona a informação de que o atraso no repasse da verba destinada à pré-produção do evento provocou um atraso de sete meses no início dos trabalhos. Ou seja, para omitir a ineficiência da prefeitura na viabilização do FIT, a Fundação recorreu a argumentos insustentáveis já que a coincidência com a Copa e com as eleições já era prevista e, por que não dizer, ofensivos, já que não se esquivou de imputar aos artistas uma suposta “crise criativa”.

No dia 27 de março – dia internacional do teatro – artistas se uniram ao movimento da Praia da Estação, anteriormente citado, para mais uma manifestação. Aproximadamente 200 pessoas se reuniram na Praça da Estação, de onde se dirigiram em passeata para a sede da prefeitura, na Avenida Afonso Pena. Lá, também sob o espírito da ocupação do espaço urbano, os manifestantes dançaram, cantaram, deitaram no chão, leram manifestos, convidaram os policiais para também se despirem e entrarem na festa, a ocuparem a rua. Mais uma vez o caminhão pipa foi chamado, e desta vez serviu não apenas para molhar os banhistas da praia, mas também para lavar a prefeitura e a bandeira do Brasil: Ei, Cultura, lave a Prefeitura!

Já no dia 30/03, os curadores Richard Santana e Eid Ribeiro comunicavam, em carta aberta, seu afastamento da curadoria do evento, sob a alegação de que as dificuldades em lidar com as mudanças administrativas dentro da FMC haviam, este ano, alcançado um limite extremo. Eid Ribeiro também reiterou que, diferentemente do que fora divulgado por Thaís Pimentel, os problemas na realização do FIT estavam, sim, relacionados à questões orçamentárias que dificultavam o repasse de verbas e culminaram, por exemplo, no atraso dos salários durante os seis primeiros meses da gestão de Márcio Lacerda e os últimos cinco meses, desde novembro. Nesta mesma data, a FMC comunicou á imprensa seu recuo na decisão do adiamento do FIT.

Atribuindo o recuo à tentativa de aplacar a reação negativa da população que, segundo ela, teria “mal interpretado” a notícia do adiamento, a presidente garantiu que o evento seria realizado, mas não soube falar sob quais condições isso aconteceria, já que, conforme reiterado pelos responsáveis pelo FIT, os trabalhos de pré-produção já estaria seriamente comprometidos. A insegurança por parte de quem tem acompanhado de perto as negociações é grande, já que, repito, falta transparência. Esta reportagem do jornal O Tempo revela o quanto não apenas a edição 2010, mas também a continuidade do evento, está comprometida devido ao “disse me disse” que impera pelos corredores da FMC.

Não há dúvidas de que, mais do que sensibilidade para tratar das questões culturais da cidade de Belo Horizonte, falta ao prefeito Márcio Lacerda e seus delegados uma visão mais democrática do exercício da função que lhes cabe durante esses 4 anos em que lhes foi concedido o dever de trabalhar para este povo que os elegeu.

Cabe dizer, no entanto, que nem tudo está perdido.

Ainda resta, a quem quer contemplar o que resta da cultura em BH, prostar-se feito pateta à janela para ver o Mickey passar.

draupadi.

Mais sobre o FIT 2010

abril 1, 2010

Jornal O TEMPO, 31/03/2010

Curadores do FIT chamam repórteres dos três jornais de Belo Horizonte para anunciar a decisão de colocar seus cargos à disposição

Nada é tão ruim que não possa piorar. Uma grande bagunça é o mínimo o que se pode dizer sobre o futuro do FIT, o que reitera meu texto da semana passada.

Acompanhem o que aconteceu ontem em poucas horas. Às 10h da manhã, Eid Ribeiro e Richard Santana, curadores do festival, chamaram repórteres dos três jornais de Belo Horizonte para anunciar, antes para a imprensa, a decisão de colocar seus cargos à disposição. Uma atitude digna de Eid e Richard, que se sentiram indignados com a forma com que a presidente da Fundação Municipal de Cultura, Thaís Pimentel, anunciou a notícia do adiamento do festival (leia na página 3), culpando a falta de qualidade na programação.

Após a coletiva, os dois curadores enviaram uma carta aberta para a Fundação e para o coordenador do FIT, Carlos Rocha, anunciando a decisão.

Pois, exatamente às 15h02, chegou à redação uma nota informando que a Prefeitura de Belo Horizonte garantia a realização do FIT em 2010

Diz a nota: “O prefeito Márcio Lacerda e a presidente da Fundação Municipal de Cultura, Thaís Pimentel, decidiram que a 10ª Edição do Festival Internacional de Teatro Palco & Rua será realizada normalmente, neste ano de 2010. As dificuldades apresentadas serão contornadas, como ocorreu em todas as edições anteriores”.

E a coisa ainda piorou. Ao ser informado por nossa repórter Soraya Belusi sobre o anúncio, Carlão afirmou ser contra a realização do FIT neste ano e, no calor da emoção, disse que sairia da coordenação. Depois voltou atrás e disse que iria analisar a situação, primeiro.

Seria hilariante, se não fosse uma tragédia. Depois de anunciar em coletiva há duas semanas, sem a presença de Carlão, o adiamento do FIT, agora a Fundação toma uma decisão à revelia da coordenador do evento.

Sem curadoria, sem coordenação – quem sabe? – e sem diretora de produção – que havia pedido demissão em fevereiro -, o que podemos esperar dessa edição prometida por Marcio Lacerda e Thaís Pimentel?

Ninguém é insubstituível, é verdade. Mas como não suspeitar de que há algo de muito errado na Fundação Municipal de Cultura quando decisões são tomadas dessa forma desrespeitosa com pessoas que têm uma história na realização deste, que é um dos principais e mais queridos eventos da cidade.

Não sou amiga, nem sequer conhecida de Eid, Carlão e Richard, mas como profissional conheço suas trajetórias e reconheço o valor que eles têm, principalmente, na realização do evento. Das nove edições do FIT realizadas até agora, Eid e Carlão estavam à frente de oito, e Richard faria sua segunda edição como curador – sendo que ele exercia no festival, desde 2002, também a função de coordenador de relações internacionais, aquele que viabiliza a vinda de espetáculos de todas as partes do mundo.

Quem serão as pessoas que vão substituí-los? Quem serão os corajosos que vão pegar esse rojão?

Antes de revoltante, a situação é muito, muito triste porque, para mim, não são pessoas como Eid e Richard que deveriam sair, mas aqueles que impedem, de alguma maneira, que as coisas aconteçam.

Isso demonstra que o Mal está vencendo essa guerra.

Ao ser informado por nossa repórter sobre o anúncio, Carlão afirmou ser contra a realização do FIT neste ano e que sairia da coordenação

SILVANA MASCAGNA escreve no Magazine às quartas-feiras. mascagna@otempo.com.br

Publicado em: 31/03/2010

Mais matéria.

março 31, 2010

queridos,

também podemos ler uma matéria no jornal o tempo. saiu hoje. clique aqui.

abraços.

alexandre de sena

Manifestação contra o cancelamento do FIT na Praça da Estação

março 28, 2010

Em 2004 houve a extinção da Secretaria Municipal de Cultura, e surgiu a Fundação Cultural em Belo Horizonte. Programas como o Arena Cultural e BH Cidadania foram suspensos. Cortes no orçamento para a  cultura também ocorreram a partir daí. Este ano, a 10a. edição do Festival Internacional de Teatro (FIT) foi cancelada há apenas 5 meses de sua realização. A gota d’água veio quando o então prefeito recém eleito, Márcio Lacerda, sancionou uma lei que proibia manifestações artísticas nas praças da capital mineira. Essas informações compõem um dos inúmeros panfletos distribuidos pelos organizadores da manifestação que ocorreu nessa tarde, 27 de março, na Praça da Estação, uma das muitas que tem se dado por lá nos últimos sábados.

Vários jovens de bikini e bermuda, munidos de cerveja, instrumentos musical e voz ativa participaram do evento, que teve início numa concentração na Praça, sob a sombra rala de uma árvore, e continuou numa passeata que percorreu a rua da Bahia e a Av. Afonso Pena até a sede da Prefeitura de Belo Horizonte. Arrisco dizer que haviam entre 150 e 200 pessoas.

Alguns dos integrantes da banda Graveola também participaram, com muita música e samba para animar a galera. O show prometido para as 13h, divulgado pelo próprio twitter da banda, não havia saído até as 16h. Mas tudo bem, os manifestantes se contentavam com o sambinha sem vergonha que alguns alunos da música faziam. Aliás, membros da elite acadêmica não faltaram. Muitos universitários compunham a aglomeração, grande parte da música e da ciências socias, mas espécies da comunicação não faltaram, como eu, da turma Belas Artes, e Bruna e Hanna, elementos Soviets. Bruna, no entanto, se mantinha a parte da manifestação, demonstrando sutilmente que não estava de acordo com o que se passava ali.

Uma kombi com um sistema de som singelo falava sobre os problemas da prefeitura em relação à cena cultural belorizontina enquanto abria caminho pelas ruas. Uma das pistas era reservada a passagem de carros. Até as 16h não havia tido nenhum conflito entre manifestantes e polícia militar ou municipal.

Me exarcebo dizendo que a atitude dos presentes lembrava as diretas já (das quais não participei hehehe). Caras pintadas, muito grito, gesticulação e frases feitas entoadas com paixão. “Abaixo a baixaria, Cultura não é mercadoria!” e “Ei, Lacerda, seu decreto é uma merda!” foram berrados pelos manifestantes a plenos pulmões. A defesa da Cultura de BH era aplaudida por onde passávamos, e na Rua da Bahia fomos recebidos com muito confete improvisado pelos moradores dos edifícios. Alguns meliantes que vagabundeavam pelas ruas também ajudaram a engrossar o caldo da manifestação, que foi parar em frente à prefeitura. Mesmo vazia, estava munida de dois de paus, quero dizer, guardas municipais.

Belo foi ver tantos jovens tão engajados com a causa cultural. O fato de hoje ser dia Internacional do Teatro explicava porque tanta revolta trazia essa gente toda num sábado de sol desses a se manifestar. O que colocava lenha na fogueira era a forma que a prefeitura escolheu para comemorar esse dia, com um desfile na pampulha das figuras da Disney. Manifestantes espumaram a boca enquanto falavam à multidão (termo utilizado também hiperbolicamente) que o argumento de Lacerda era que eventos em praças acabavam por alterar o espaço físico, o que foi feito em demasia para a passagens da turma do Mickey na pampulha. Árvores foram retiradas de lugar para tal evento. Berravam: “uma rotatória foi removida para o Mickey passar! PARA O MICKEY PASSAR!”.

Logo antes de eu me retirar, os manifestantes desenhavam seus corpos a giz no asfalto em frente a prefeitura, e dentro escreviam recados mal educados ao prefeito Márcio Lacerda. Talvez estejam lá mesmo até agora, talvez até ao som de Graveola, para minha tristeza. Mas um sábado bem utilizado, sim, esse foi. Parabéns, jovens! Orgulho de ser mineira tive hoje.

Esse jacaré inflável é um grande símbolo da Praia da Estação

A farofa era completa, até cachorro tinha

Meninas de bikini não faltaram

E som pra animar os manifestantes

Bruna e Hanna, Soviets da Comunicação

Elemento da Música, UFMG

Rua da Bahia

Cruzamento Bahia com Afonso Pena

Afonso Pena

Prefeitura

Corpos falantes

Criancinha fofa

Criancinha fofa de novo

Ela escrevendo no corpo, fooofa

A praça é do povo? e o fit é de quem?

A taça do mundo é nossa, alusão ao argumento torto da prefeitura para cancelar o fit

..rda

Gabriel

Principais animadores

ERRATA: a banda Graveola não divulgou show! eles divulgaram a própria manifestação, mas eu e algumas outras pessoas confundimos. foi mal aê!

Texto: Aline Dacar

publicado originalmente em http://oquemeinquieta.blogspot.com

Lacerda quer Praia Latino-americana

março 27, 2010

BH deve sediar o primeiro Eventão das Américas

O prefeito Márcio Lacerda viajou, nessa última semana, para a Colômbia, para divulgar a Praia da Estação. Segundo o prefeito, a idéia é divulgar a iniciativa pacífica e democrática de ocupação da cidade por toda a América Latina. Em conversa com Samuel Rojas (Prefeito de Bogotá) e Álvaro Uribe (Presidente da Colômbia), Lacerda reafirmou seu empenho em tornar a população cada vez mais participativa na vida pública. O prefeito falou do decreto que ele editou em 9 de dezembro de 2009, proibindo os eventos na Praça da Estação: “O decreto foi uma forma de mobilizar a população. Quando vejo as imagens, principalmente as das câmeras do olho-vivo, e vejo a população unida novamente, me emociono.” Perguntado sobre o cancelamento do FIT, o prefeito contextualiza esta ação dentro de sua nova (e ousada) estratégia de governo: “A classe artística tem apresentado muita estagnação na ação política direta. Decidimos cancelar o FIT para que os artistas ocupem as ruas.” E pelo jeito tem dado certo: neste último sábado, cerca de 150 pessoas foram até a prefeitura, com carro-pipa e tudo mais, convidar o prefeito e todos transeuntes para um banho.

As estratégias atuais de Lacerda são controversas, mas ele se diz seguro e muito confiante: “Penso no povo, e que está na hora de se ocupar a cidade.” O prefeito não só tem divulgado a ocupação da capital mineira, como decidiu que é hora de engajar a América Latina toda nesse movimento. Ao ser indagado sobre o porquê da Colômbia, Lacerda afirmou que a escolha foi proposital: “Bogotá, assim como BH não tem praia. Além do mais, a Colômbia tem passado um momento delicado, com alianças mal arranjadas e dissonantes, assim como Belo Horizonte e Minas Gerais. Temos muito em comum.”

Outra questão esclarecedora da viagem de Márcio Lacerda foi seu interesse na parceria que a Colômbia tem feito com os EUA. Lacerda afirmou que as pessoas julgam muito precipitadamente, sem entenderem o que acontece, o que foi o que ocorreu com o caso da base norte-americana em solo colombiano: “As pessoas erroneamente chamam a base de militar. Mas na verdade é um projeto piloto de observatório salva-vidas. Estou muito interessado, pois me preocupo muito com os banhistas. Tanto que resisti em ligar as fontes na Praia da Estação, com medo de algum afogamento. E parece que esse pessoal americano tem técnicas desenvolvidas a partir de S.O.S Malibu, ou seja, o que há de mais avançado. Acho que esse é um sonho dos mineiros”, afirmou o prefeito.

O primeiro passo para a consolidação de uma parceria mais ampla com os norte-americanos, na avaliação do prefeito, já foi dado, com a vinda de seus embaixadores culturais, o que ocorreu neste sábado pós-cancelamento-do-fit: a parada Disney trouxe a Minas Gerais os principais representantes da cultura norte-americana.

A viagem do prefeito segue, e creio que todos os mineiros aguardam seu retorno, para que, devidamente trajado de bermuda e chinelos, Lacerda volte a freqüentar a praia de que tanto gosta.

(Notícia do NY Times – on line, gentilmente traduzida)

MANIFESTO CONTRA A GESTÃO AUTORITÁRIA NA CULTURA DE BELO HORIZONTE

março 22, 2010

Belo Horizonte, 19 de março de 2010.

MANIFESTO CONTRA A GESTÃO AUTORITÁRIA NA CULTURA DE BELO HORIZONTE

No próximo dia 27 de março deveríamos comemorar o dia internacional do teatro, mas neste ano a data não é merecedora de celebração festiva. Afirmamos isso com total certeza frente ao momento crítico no âmbito da gestão pública da cultura que vive a capital mineira.

Após acompanharmos a extinção espúria e na “calada da noite” da Secretaria Municipal de Cultura em 2004, vimos surgir uma Fundação Cultural inóspita, inoperante e, mais recentemente, com uma administração autoritária. O esvaziamento conceitual e a irresponsabilidade política dessa gestão chegaram a tal ponto que programas estruturantes e bem sucedidos como o Arena da Cultura e o BH Cidadania foram repentinamente suspensos. Quando imaginávamos que a situação não poderia ser pior, fomos afrontados com uma súbita mudança no orçamento da Lei Municipal de 2009 e o conseqüente atraso na divulgação de seu resultado. Não obstante tudo isso, o resultado divulgado é incoerente com a regulamentação da lei: o Fundo Municipal não recebeu os sessenta por cento de recursos garantidos pelo edital. Continuando a seqüência de leviandades, recebemos o comunicado do cancelamento da 10ª edição do Festival Internacional de Teatro a cinco meses de sua realização, acompanhado de justificativas inconsistentes e que desconsideram a importância do evento já garantido por lei. O mesmo despotismo que levou o prefeito Márcio Lacerda a proibir manifestações artísticas na Praça da Estação se reflete na atual administração da Fundação de Cultura.

O desrespeito com os artistas e trabalhadores da Cultura da cidade, sem a menor preocupação com a repercussão que tais fatos podem ter no trabalho e na sustentabilidade desse segmento, é recorrente nesta gestão. Não há mais como ficarmos calados e imóveis! Convocamos todos aqueles envolvidos com a Cultura da capital mineira, sejam profissionais da área ou cidadãos conscientes, que distribuam esse manifesto pelo país. Por outro lado, nós, abaixo assinados, exigimos que a Presidente da Fundação Municipal de Cultura, Sra. Thaís Pimentel, receba representantes de nossa categoria para um debate franco, democrático e transparente, que estabeleça novos paradigmas para a política cultural do município.

Clique aqui e baixe o seu abaixo-assinado!

Nota sobre o cancelamento do FIT (clique na imagem para ampliar)

março 20, 2010

Isso NÃO É uma ameaça

março 19, 2010

Manifestação em frente à Fundação Municipal de Cultura

março 19, 2010
O FIT FOI CANCELADO!

O MOTIVO ALEGADO FOI: COPA DO MUNDO, ELEIÇÕES E FALTA DE ESPETÁCULOS DE QUALIDADE. (!!!!!!!!!???????)

O QUATROLOSCINCO PROPÕE MANIFESTAÇÃO HOJE (19/03), SEXTA FEIRA, A PARTIR DAS 10H DA MANHÃ NA PORTA DA FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE CULTURA.
A MANIFESTAÇÃO TEM POR OBJETIVO FAZER UM PANELAÇO.
CARTAZES, APITOS E OUTRAS FORMAS DE BARULHO!
AS MANIFESTAÇÕES VIRTUAIS SÃO INTERESSANTES, MAS EXISTEM MOMENTOS EM QUE É PRECISO UNIR FORÇAS PRESENCIALMENTE.
CHEGOU A HORA! DEPOIS PODE SER TARDE DEMAIS!!! NÃO VAMOS DEIXAR QUE O COMODISMO E A INÉRCIA VENÇAM.

O FIT FAZ PARTE DA AGENDA OFICIAL DA PREFEITURA.

ESPERAMOS TODOS LÁ AMANHÃ E AJUDEM A DIVULGAR O ENCONTRO!
DIVULGUEM NO MAILLING DE VOCÊS!