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Notícias da Comunidade Zilah Spósito.

outubro 22, 2011

Notícias da Comunidade Zilah Spósito.

Não existia um mandado de desocupação da área onde estavam erguidas 39 casas. Havia um termo de ajustamento de postura da PBH que iria derrubar apenas as casas que estivessem vazias.

Hoje trabalhadores da PBH foram até o local acompanhados da PM e começaram a derrubada indiscriminada das casas. A PM, Batalhão de Choque, invadiu casas e expulsou os moradores com spray de pimenta para homens, mulheres e crianças.

A rede de solidariedade mobilizada as pressas pelo Grupo Pólos de Cidadania e Brigadas Populares chegou ao local e percebeu a tramóia. Uma ação totalmente ilegal da PBH, sem mandado de reintegração de pose, sem aviso prévio e nenhuma garantia para as famílias, que seriam jogadas na rua.

Diante disso o Ministério Público foi acionado e agora está fazendo a perícia do local para a elaboração de uma representação por improbidade administrativa contra o Prefeito Márcio Lacerda. Das 34 casas existentes no local, sobraram 9. A mobilização agora é para conseguir abrigar as pessoas e fazer comida.

E vem chuva ai! Um alerta importante! Existem mais 5 comunidades em BH com risco de serem despejadas. Ao que tudo indica este foi um teste da PBH para saber como será a repercussão na sociedade e como isso pode interferir na reeleição do prefeito. Por tanto, peço a todos que lerem esta nota que compartilhem com os amigos e repassem a informação para a suas listas de email.

Vamos ver amanhã como isso será noticiado, se for noticiado. Independente da mídia corporativa precisamos nos unir e espalhar a informação. Só um povo consciente pode lutar por seus direitos.

UM SALVE! Para toda a galera correria e disposição que chegou até lá e impediu mais uma insensatez do Sr. Marcio Lacerda!

Somos muitos e estamos juntos!


Relato do Despejo da Comunidade Zilah Sposito

outubro 22, 2011
Galera, segue relato de pessoas da Casa da Bandeira Preta que estiveram no despejo de ontem na ocupação Zilah Spozito.

Acordamos na Dandara, com a notícia de que estava rolando o despejo na Zilah, que a tropa de choque estava lá e a galera pedindo ajuda.

Subimos correndo ao centro comunitário onde haviam mais pessoas da Dandara fazendo o corre de avisar e chamar pessoas pro apoio e agilizando caronas.
Fomos em 4 carros cheios, no caminho recebemos uma ligação de lá pedindo que fossemos rápido pois haviam começado a derrubar as casas. Chegamos lá próximo do meio dia. Soubemos que a polícia estava lá desde as 10:30 mais ou menos.
Ao chegarmos a comunidade já estava toda isolado com cordão policial dando a volta toda, não havia como entrar.
Havia umas centenas de policiais e mais umas centenas de trabalhadores da prefeitura vestidos de laranja demolindo as casas.
Muitas viaturas em todas as ruas de acesso a ocupação, trator e até uma ambulância no aguardo. Quando chegamos uma ou outra casa já haviam sido derrubadas e váriam outras em processo de demolição.
A comunidade fica na parte baixa de um vale e o cordão de policiais militares cercava toda a parte de cima impedindo que qualquer pessoa descesse. Haviam aproximadamente umas 200 pessoas entre moradores, vizinhos, amigos e apoiadores do lado de fora do cerco, indignadas tentando pensar alguma maneira de impedir o que estava acontecendo.
Vários moradores haviam saido de suas casas cedo pra comprar pão e quando voltaram não podiam mais descer nem para buscar suas coisas. Pessoas chorando, xingando, indignadas.
Demos uma volta pela área para tentar pensar alguma forma de agir em relação a que estava acontecendo, mas a sensação era apenas de impotência, ódio e nenhuma luz de como impedir aquele absurdo. Ouvimos dizer que não havia ordem judicial para o despejo, ao indagar os policiais sobre isso todos só diziam que estavam cumprindo ordens, que só o comandante sabia disso mas que a polícia não faria isso do nada, não encontramos o comandante para exigir o mandado.
A tropa de choque fazia um segundo cordão lá em baixo próximo das casas. Houve uma tentativa por parte dos moradores e apoiadores de romper o cordão policial, eles então jogaram spray de pimenta no rosto das pessoas inclusive crianças e chamaram reforço da guarda municipal. Numa segunda tentativa de romper o cordão, houve novamente spray de pimenta e reforço, desta vez da tropa de choque. Então formou-se um cordão cabuloso com policiais militares, guardas municipais e tropa de choque.
O tempo todo ouvia-se o barulho dos tijolos caindo e casas sendo derrubadas que cortava o coração de qualquer ser humano que o possui.
O advogado chegou mais tarde pois estava em audiencia com o juiz e não podia sair antes, nisso quase todas as casas já haviam sido derrubadas. O advogado conseguiu descer para tentar resolver o que ainda desse para resolver, esperando lá de cima ouvimos boatos de que estavam tentando prender o advogado e nos pediram que fossemos até a outra entrada, onde tinha menos gente para ver se os policiais iam sair com ele por lá.
Fomos até lá, estavamos em 4 pessoas, todos encapuzados, chamando um pouco de atenção pois não teve muita gente que aderiu ao encapuzamento.
Chegamos do outro lado, só haviam policiais lá, sentamos na grama do barranco para ficar de olho, apareceram algumas pessoas à paisana se dizendo estudantes de direito e fazendo algumas perguntas (se nós eramos do movimento, se podiam tirar foto etc), só demos meias respostas, todas com um pé atrás, esse tal estudante foi então falar com os policiais que etavam logo abaixo, enquanto isso aparecerem alguns meninos da comunidade, uns 3 de aproximadamente 14 nos que se aproximaram do poiliciais que gritaram dizendo que subissem, um deles ao se virar para subir recebeu um soco nas costas e quase caiu, instintivamente nos levantamos dizendo “O que é isso?!!” os policiais ficaram emputecidos nos mandaram calar a boca se não o coisa ia ficar preta pro nosso lado e subiram na nossa direção, abriram as mochilas, revistaram tudo, pediram documentos para puxar nossa ficha. O que até então se dizia estudante de direito nesse momento se assumiu policial civil.
Umx de nós estava com uma câmera fotográfica, havia feito muitas fotos com os rostos e identificação de muitos policiais, dos guardas municipais, das placas das viaturas e das demolições, o policial civil pegou a câmera e apagou todas as fotos sob ameaça de morte caso tivessem fotos dele. Houveram muitas ameaças, chigamentos e comentários extremanente machistas.
Nesse momento houve um pequeno desfalque ou apenas um relaxamento por parte da polícia do outro lado (ja que os encapuzados tinham saido) e uma parte da galera conseguiu descer. Entraram nas casas que ainda restavam e (umas 7) e não deixaram que elas fossem demolidas. Pouco tempo depois a polícia desistiu e foi embora. A desistência dve ter s dado pelo fato de que o advogado estava lá e havia comprovado a inexistência de mantado judicial, e além disso tinha muitas pessoas dispostas a ficar nas casas não importsse o que a polícia fizensse, ou seja ia ficar muito feio se tentassem continuar as demolições pois isso só seria possivel caso houvesse um massacre.
Depois da polícia ter ido embora, e a ordem (não juducial) de despejo sUspensa, foram levantados barracões de lona para que as famílias pudessem dormir, e muitas delas foram alojadas também nas casas de vizinhos, durant a noite e em baixo de chuva, os moradores e apoiadores continuaram erguendo barracões e recomessando as casas.
MAIS UMA AÇÃO CRIMINOSA POR PARTE DA POLÍCIA E DA PREFEITURA DE BELO HORIZONTE!
MAS NÓS NÃO FICAREMOS CALADOS E NEM PARADOS! TODOS EM APOIO AS COMUNIDADES AMEAÇADAS DE DESPEJO! FORA MÁRCIO LACRDA, SEU GOVERNO É UMA MERDA! FORA COPA DO MUNDO E CONTROLE FACISTA DA FIFA SOBRE AS CIDADES SEDE! FORA PM DO MUNDO! FORA PROCESSOS DE GENTRIFICAÇÃO, MASSACRE DO POVO POBRE!

 http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2011/10/499055.shtml

Casa da Bandeira Preta – Agrupamento de indivíduos autonomxs em resistência na Dandara
Cada barracão de lona também é uma bandeira preta!

Email:: casadabandeirapreta@riseup.net

Anonymous BH

outubro 18, 2011

Desde sábado, dia 15/10, um grupo do movimento “Anonymous” está acampado no “hall” da Assembleia Legislativa. A manifestação foi convocada via internet já passaram por lá cerca de 400 pessoas. A atividade foi realizada ao mesmo tempo em que ocorreu a jornada mundial dos “indignados”, no sábado, com manifestações em diversas partes do mundo.

O movimento “Ocupem Wall Street” (OWS), que inspira tais manifestações, completou nesta segunda o seu primeiro mês, fortalecido pela extensão do movimento nos Estados Unidos e pela adesão às manifestações de “indignados”. Belo Horizonte foi uma das cidades que promoveu a manifestação. Os Anonymous estão dispostos a permanecerem acampados no local, sem data para sair.

No dia 17 de setembro 150 pessoas ocuparam a Praça Zucotti, no coração do bairro de Wall Street, inaugurando o movimento, que cresceu e se estendeu a cerca de outras 100 cidades americanas.

A ‘Ocupem Wall Street’, que continua se manifestando como uma organização pacífica e sem líderes, é muito ativa nas redes sociais. Denuncia os excessos do mundo financeiro e “o poder corrosivo” exercido pelos grandes bancos sobre a democracia.

No Brasil

No sábado, durante a jornada mundial dos “indignados”, milhares de pessoas se manifestaram na famosa Times Square de Nova York. Noventa e duas pessoas foram detidas, a maioria por ter se negado a deixar o local de concentração o número de pessoas presas hoje já ultrapassa 1000.

São Paulo, Curitiba e Porto Alegre também tiveram suas ruas ocupadas por apoiadores do movimento “Ocupe Wall Street”, que questionam o sistema acumulativo capitalista e também denunciam a corrupção.

Em Curitiba, dezenas de manifestantes se concentraram na escadaria do prédio histórico da Universidade Federal do Paraná, tomando as ruas da capital paranaense em seguida.

O protesto de apoio também foi realizado na região central de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Jovens mascarados, com caras pintadas e portando cartazes, marcharam pelas ruas e praças da capital gaúcha.

Manifestantes em São Paulo também se reuniram e distribuíram panfletos, carregando cartazes com críticas à corrupção e fazendo chamamentos a outros levantes. No vão do MASP, na Avenida Paulista, como parte do dia mundial de manifestações o poder exagerado do sistema financeiro, cerca de 30 pessoas se reuniram, muitas delas utilizando máscaras do personagem Guy Fawkes, dos quadrinhos “V de Vingança”.

Na Europa, o movimento dos “indignados” contra a crise e as finanças globais adquiriu, neste último final de semana uma dimensão planetária, levando às ruas dezenas de milhares de pessoas em manifestações que chegaram a Alemanha, Reino Unido e Holanda. Nas Américas, também houve manifestações no Canadá, México, Chile, Peru e Brasil.

Mais informações:

http://anonymousbh.tk

http://www.democraciarealb​rasil.org/

De olhos bem abertos: o Movimento Fora Lacerda e a mídia

outubro 2, 2011

“Se você não for cuidadoso, os jornais farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo.” Malcolm X

O novo costuma assustar. Sobretudo àqueles que são mais avessos à mudança. A reação dos jornais mineiros a respeito da marcha do último sábado nos revela bastante a respeito da natureza do trabalho realizado nestas instituições a serviço da conservação do estado atual das coisas. Uma simples manchete, “Manifestantes depredam prédio da prefeitura”, revela não somente uma má vontade (ou seria preguiça?) na cobertura dos fatos, mas o claro viés que nossa grande mídia vem demonstrando desde o início do período aecista em que vivemos em Minas Gerais em relação à ação do Estado de forma geral.

A má vontade: qualquer calouro de curso de jornalismo que estivesse escrevendo a respeito do Movimento Fora Lacerda e cobrindo os eventos do sábado veria com clareza, mesmo antes de conversar com as pessoas que ali estavam, que se tratava de um evento bastante heterogêneo, de uma diversidade pouco comum em sua composição, que reunia não somente indivíduos de inserções radicalmente distintas (em termos de renda e classe social inclusive) na cidade, mas também uma constelação de organizações e movimentos que aderiram à marcha, e que não necessariamente participaram de sua concepção. Foi claramente visível que não existia uma unidade ou alguma coerência pré-estabelecida e coordenada por alguma organização em relação às ações de cada um destes pequenos grupos ali presentes, unidos em torno da oposição ao prefeito atual e ao que ele personifica e torna concreto (enquanto processo político). Tomar as atitudes de alguns ali presentes (neste caso, a pichação do prédio da prefeitura) como uma ação conjunta das mais de duas mil pessoas presentes na marcha, o que está implícito na manchete colocada acima, é uma distorção dos fatos, e é jornalismo de má qualidade – bastante representativo do que já estamos acostumados a ver nos jornais mineiros.

O viés: a marcha não se resumiu ao que aconteceu na Av. Afonso Pena, número 1212. Este é outro fator que grita em alto e bom som de tão óbvio para aqueles que acompanharam a caminhada coletiva pelas ruas da cidade naquela tarde. Trata-se da velha estratégia de não relatar nem a verdade completa ao mesmo tempo em que não se diz nenhuma mentira (assim como uma fotografia, que consegue tirar do quadro retratado aquilo que não interessa reportar, e posteriormente apresentar a imagem capturada como uma boa representação do conjunto dos fatos e eventos). O fato de que estes jornalistas decidiram escolher aquele ato específico dentre um conjunto de eventos muito maiores em torno de uma questão radicalmente mais ampla e profunda – que passa não somente pela reivindicação contra as ações arbitrárias de um prefeito que busca impor seu próprio sonho particular de cidade ideal a todos, mas chega, no limite, a um questionamento das regras e do modelo de democracia que temos instituído – demonstra claramente a intenção do meio de comunicação que veiculou a notícia, que é a de desqualificar, descreditar e deslegitimar o movimento. Se este se declara apartidário e decide se posicionar em confronto com aqueles que estão no poder, sem declarar apoio ou adesão a partidos e grupos com projetos eleitoreiros concretos, os jornais fazem o exato oposto: demonstram claramente (só não vê quem não quer – para dizer em bom português) seu posicionamento e seu serviço prestado (literalmente), não somente ao status quo de forma mais ampla, mas aos indivíduos e aos projetos políticos que detêm o poder, e aos grupos de interesse que os sustentam.

É bem sabido que os jornais têm espaços distintos para apresentar os fatos e para interpretações que reflitam opiniões distintas a respeito destes. Também não é nenhuma novidade que a forma com que os jornais apresentam os próprios eventos ocorridos faz parte de uma estratégia discursiva ligada ao posicionamento editorial (e político) do próprio meio. Mas esta não é uma percepção crítica generalizada àqueles que têm suas opiniões diretamente influenciadas pela grande mídia. A luta pela “democratização da democracia”, e o combate aos processos que sustentam nossa pseudo-democracia enquanto tal, envolve também uma luta por meios de comunicação que reflitam as reais aspirações democráticas da população, informando, e não desinformando em função de interesses particulares escusos, a sociedade e a cidade como um todo.

Felipe Magalhães

[Ressalta-se que esta nota não representa o posicionamento do movimento acerca desta questão, apenas refletindo o pensamento de uma pessoa dentre as mais de 2 mil que saíram às ruas de Belo Horizonte no dia 24 de setembro, justamente como as ações que ali ocorreram]