Archive for setembro \30\UTC 2010

NaTora de solidariedade, hoje 30/09! 18h!

setembro 30, 2010

O NaTora! nesta quinta-feira acontece na porta da Prefeitura de Belo Horizonte, pra alimentar com mais festas as ruas da cidade, sair das bolhas e compartilhar momentos com as famílias das ocupações Dandara, Camilo Torres, Torres Gêmeas e Irmã Dorothy, que estão ali acampadas. Leve seu batuque, cobertores, comida e animação… fazer som e desfrutar o momento.

Vamos jogar capoeira, pintar coisas e intervir em alguns destes malditos cavaletes de políticos também, leve tinta!

Nos encontramos lá.

Jaci

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SOMOS TOD@S PIORES DE BELÔ

setembro 30, 2010

[Este texto vêm na esteira de outros textos e discussões puxados sobre o assunto recentemente através da internet. Trata-se de um texto sem autoria, criado a muitas mãos durante as últimas semanas. Sua reprodução é permitida e desejada]

SOMOS TOD@S PIORES DE BELÔ

Enquadrados como…?

No último dia 24 de Agosto, numa terça-feira, seis homens foram presos em Belo Horizonte acusados pelo crime de formação de quadrilha. Os seis são mais conhecidos por seus nomes de guerra: Lic, Lisk, Fama, Goma, Sadok e Ranex, e a “quadrilha” em questão ganhou popularidade na cidade como Os Piores de Belô. O crime praticado por eles, enquanto “quadrilha“, não é dos mais comuns nessa classificação: pixação.

A prisão extraordinária de pixadores pelo crime de formação de quadrilha faz parte de uma história um pouco mais complexa, que começa pelo anúncio de uma Copa do Mundo no Brasil, passa por políticas públicas imediatistas e autoritárias, e não temos idéia de onde vai parar. Nesse caso específico, o episódio é protagonizado pelo “Movimento” Respeito por BH, que de movimento não tem nada, consiste em mais um programa do governo de Márcio Lacerda. Por iniciativa do pseudo-movimento, o Ministério Público e a Polícia Civil passaram a investigar os pixadores de Belo Horizonte através da internet e de buscas em suas residências (com a conhecida “gentileza” das forças policiais), onde apreenderam desnecessariamente computadores e outros itens dos acusados.

Por fim, como um ápice cinematográfico das chamadas operações BH Mais Limpa, buscaram mais uma vez os Piores de Belô em casa, de viatura, e os encaminharam para uma penitenciária onde aguardam julgamento por um crime que não lhes diz respeito. Aguardamos, juntos, a mais uma condenação pública da liberdade de expressão mineira.

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Manifesto: LIBERDADE AOS PIORES DE BELÔ

setembro 29, 2010

Longe dos holofotes da Bienal Internacional de Arte de São Paulo e da imprensa especializada sobre arte, a pixação invade a cidade e ainda é duramente reprimida pelo poder.

No dia 24 de agosto, cinco pichadores do grupo conhecido como os Piores de Belô foram presos. A polícia havia pedido a prisão preventiva dos integrantes por formação de quadrilha, pichação, invasão a propriedade alheia, crime ambiental, depredação de patrimônio público e apologia ao tráfico de drogas.

Tal fato não se mostra de forma nenhuma isolado, já que, desde junho do ano passado, a Polícia Civil desencadeou a “Operação BH Mais Limpa”, que resultou no cumprimento de nove mandados de busca e apreensão. Ainda esse ano, a Polícia Civil criará uma delegacia para combater especificamente as gangues de pichadores que agem em Belo Horizonte, fato já amplamente divulgado como uma ação visando a Copa do Mundo. Nos parece óbvio que, com a aproximação da Copa e o ímpeto de gerar uma cidade limpa e asséptica, serão criados cada vez mais novos meios de repressão.

Além dessa nova delegacia, a Prefeitura de Belo Horizonte prevê também uma central de monitoramento eletrônico. As câmeras serão instaladas para vigiar os prédios públicos e locais de grande concentração de pessoas, como o Parque Municipal no Centro, o mirante das Mangabeiras e também a Praça da Estação (que, como já sabemos, é um espaço que só atende às demandas da própria Prefeitura, da socialite Ângela Gutierrez, o seu Museu de Artes e Ofícios e o interesse de grandes empresas que podem pagar o preço absurdo de utilização da praça). Essas novas formas de combate ao crime são legitimadas pela falsa sensação que o cidadão comum tem de que o poder público efetivamente o protege e zela pela boa conservação da cidade quando, na verdade, a cidade só deve estar limpa e bem apresentada para receber o capital estrangeiro que escoará por aqui no período da Copa. Tais ações transformam a cidade em um lindo cartão postal, longe de qualquer uso efetivo e real pelas pessoas.

O preço de toda essa “segurança” e limpeza?! Eis aqui a conhecidíssima resposta: a eterna vigilância e a repressão constante. Tudo pretensamente justificado com pelos dados que a própria prefeitura apresenta, alegando gastar R$ 2 milhões por ano em reparos de equipamentos públicos depredados, incluindo pichações. Parece ser preferível pelo poder público gastar com reparos e repressão do que efetivamente discutir o problema para além do âmbito criminoso. Como transformar jovens com rolinhos de tinta em assaltante ou traficante? Prenda o pixador por formação de quadrilha e enjaule todos juntos! A manobra política efetuada pela força tarefa do Ministério Público em conjunto com Prefeitura e a Polícia Civil para enquadrar os Piores de Belô como uma quadrilha, modificando o procedimento normal dispensado ao delito, além de cruel, é extremamente simplista, reduz a questão a um caso de polícia e encarcera sumariamente os autores de uma das práticas estéticas mais questionadoras do espaço urbano. Nos parece que tal acusação é só uma forma de infligir penas mais duras para aqueles que, como dizem os próprios Piores de Belô, apenas “jogam tintas nas paredes”.

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Torres Gêmeas: já tinha cara de desalojo…

setembro 26, 2010
Postado em http://ocupacaodandara.blogspot.com/2010/09/torres-gemeas-o-povo-esta-na-rua.html

Governo do Estado e Prefeitura impedem famílias das Torres Gêmeas (prédio nº 100) de voltarem para suas casas e não oferecem nenhuma alternativa digna. Enquanto isso, crianças, adultos e idosos ficam ao relento.


Desde a última segunda-feira, dia 20 de setembro, cerca de 80 famílias que moram no prédio nº 100 da ocupação vertical mais antiga de Belo Horizonte estão impedidas pela Polícia Militar e pelo Corpo de Bombeiros de retornarem para seus apartamentos. A PM, comandada pelo Governador Antônio Anastasia, cercou ostensivamente o prédio em que ocorreu o incêndio e mantém guarda com armas de grosso calibre, cães, bombas etc. O Corpo de Bombeiros, por sua vez, nega-se a apresentar o resultado do laudo da perícia realizado ontem (21/09) atestando se houve ou não comprometimento da estrutura do edifício. Ao mesmo tempo, as organizações que apóiam as famílias são impedidas de realizar perícia complementar com engenheiros e arquitetos autônomos.

Esse quadro de incertezas é agravado pela postura do Governo Estadual e Municipal em não dialogar, como em outros conflitos urbanos de BH. A Prefeitura solta notas à imprensa, mas não oferece nenhuma resposta às famílias desalojadas. O prefeito Márcio Lacerda mantém a postura de intransigência e propõe como solução o abrigamento indigno. O Governo do Estado, que não constrói nenhuma casa em Belo Horizonte há mais de 15 anos, também não oferece nenhuma alternativa digna.

Enquanto isso, dezenas de crianças estão sem banho, comendo mal e sem irem à escola. A Defesa Civil fornece apenas duas refeições ao dia. Não foram disponibilizados banheiros. Não há qualquer assistência à saúde dos desalojados. A situação é desoladora…

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[COPA 2014] Construções desarmônicas.

setembro 26, 2010

Pulando a cerca

setembro 25, 2010

[publicado no site do Guia Entrada Franca]

Pessoas circulando,  monumentos protegidos, palco montado, o cenário seria o ideal, se não tivesse grades limitando o acesso ao espaço. Essa cena pôde ser vista no último final de semana na praça da Estação. A Praça , desde maio, voltou a receber shows novamente. Após a manifestação da comunidade de Belo Horizonte, o decreto que proibia os eventos na Praça foi revogado, e no mesmo dia, um outro, que estabelece altos valores para a realização de eventos no local foi instituído. De lá  para cá, recebeu  a transmissão da Copa, o Arraial de Belô e até o FIT. Nesse fim de semana, ela voltou a ser ocupada por um evento organizado pela sociedade civil, o Transborda. Mas um fator preocupa, desde revogação do decreto, quem participa dos eventos acontecidos no local se depara com grades. É certo cercar todo o espaço limitando o acesso do público? O questionamento aqui não é das cercas que protegem os jardins e os monumentos, mas sim da cerca montada ao redor da praça, que restringe a circulação e o acesso de todos a esse bem público.

Se a praça é pública, por que limitar o acesso a ela durante um evento gratuito? Dessa forma ela está sendo realmente ocupada? Se o objetivo da realização do evento em um local público, é atuar na formação de público, na democratização do acesso a cultura, essa não pode ser uma barreira que intimida as pessoas que circulam pelo local e teriam vontade de “entrar”? Qual a melhor forma de utilizar um espaço público, protegendo-o de possíveis depredações, sem, no entanto, limitar o livre acesso da comunidade?

Essas questões são relevantes para um processo de democratização da cultura e ocupação do espaço público. Não se pode deixar a discussão morrer, devemos continuar a pensar, com a mesma criatividade e humor, da Praia da Estação, ações que discutam e proponham políticas para se ocupar plenamente, com a cultura, Praça e a cidade.

setembro 24, 2010

Que Trem É este?

Primavera Cultural – 25/09/10

setembro 24, 2010
Primavera Cultural – 25/09/10 –
Praça Negrão de Lima
Programação

17 :00 0 Atividade Sinpro Minas
– Conscientização: meio ambiente, conservação da praça
…– distribuição de mudas
17:30 horas Intervenções teatrais – Grupo Olho da Rua
18:00 Thito França – Voz e Violão
18:30 8ª Mostra UdiG…rudi de Cinema de Animação – MUMIA
19:30 Show Ladston do Nascimento e Banda
· Atividades durante todo o evento:
– Feira de artesanato;
– Comidas e bebidas.Ver mais

“Que Trém é Esse?!”

setembro 21, 2010

O horario da festa foi re-editado. Antes tava as 18hrs, agora tá as 19h. Fique atent@!

“O cheiro… não é meu… é do ralo…”

setembro 20, 2010

“Apenas num reino eles são livres e lá podem perambular à vontade – mas ainda não aprenderam como levantar vôo. Por enquanto, não houve sonhos que levantaram vôo. Nenhum homem nasceu leve o bastante, descontraído o suficiente, para deixar a terra!”

(Henry Miller, Trópico de Câncer)

A Praia transbordou e desceu pelo ralo da Cultura, tutelada pela Fundação Municipal de Cultura e pelos engajados em produção de eventos… “É tutano, é osso”. Se não pode transbordar em protesto, confrontamento , diversão irrestrita e autonomia, tudo isso cai inevitavelmente na borda, fica à margem, com uso da força ou não.

Há ovelhas saltando de um lugar para outro, definindo que posição querem ocupar perante os empreendimentos de organização da cidade, ovelhas que estão saindo das ruas e indo cafungar o perfume no cangote dos amiguinhos de Lamerda, ovelhas me dizendo que devo agradecer pela sua iniciativa de “abrir brechas” nos emaranhados das burrocracias instituídas. Que preguiça dessa gente! Dessa gente domesticada, submissa, que sempre tem faro para se apropriar de qualquer questão e, por conseguinte, torná-la neutra, acomodá-la, para que não ofereça um fio sequer de ameaça efetiva a qualquer conluio que cheire a falcatrua. Gente cheia de “pegada” pra captar dinheiro público e reproduzir, a partir daí, o fim-em-si do seu “Pão & Rock n’ Roll”.  Um recadinho discreto e clichê:

…é impossível ser neutro num trem em movimento…

Ó velhas histórias que já escutei até fazerem calos em meus ouvidos, desde alguns anos passados. Velhas histórias que presenciei e que já não engulo sem antes engasgar. Pois para lograr qualquer tipo de atenção, aprovações e reconhecimento deve-se aparecer muito, fazer evento GRANDE de estourar os tímpanos e provocar rouquidão na garganta, de tanto esforço para falar, ser ouvido e ouvir. Espetaculice galopante, que me some  e me soma entre as muitas cabeças de uma multidão estúpida. Que atropela a multidão enquanto a entretém. Espetáculo que não troca, a não ser em vias permissíveis. Que vias são essas, afinal? “Quatro vias carimbadas”?

Minha festa tem fogo que queima, que realmente esquenta, que insiste e faz teima. Nela, falo calmamente com qualquer festeiro, não grito acima das vozes ao meu lado. Se alguém contra mim grita,  como falo! Como não calo! Quem está de fato aberto para fruir dela, alimenta a labareda, “bebe na mesma lata, passa a bola e faz o gol”… e não me joga na fogueira para que nela eu carbure como exemplo. Se só caibo na platéia, estou na morada do tédio, bato retirada e não me despeço, pois já não reconheço nada nem ninguém, não partilho de seu sonho médio. Se na festa não cabe o protesto, eu afirmo e atesto: meu fogo dança sem descanso, infesta com chama os salões cobiçados – estreitos e fechados demais para o seu calor. Minha festa é por demais pequena e amorfa, não se encaixa nem se aloja nos limites do seu corredor.