Archive for fevereiro \27\UTC 2011

A Praça do Papa é do Funk!

fevereiro 27, 2011

Ocupar espaços da cidade, se enxergar nela, fazer parte dela, manifestar sua dança e seu estilo de vida.

Dançar como você aprendeu, como os seus amigos dançam, como a sua comunidade dança.

Ouvir o que você gosta e o que sua comunidade gosta. E mais: mostrar que gosta e que é assim.

Até um belo dia você incomodar elitistas, direitistas, aécistas, bairristas, e “jornalistas”.

Até um dia os “jornalistas” chamarem você de “Drogado” fazedor de “baderna” que atrapalha a “paz pública”.

Jovens transformam Praça do Papa em baile funk durante a

madrugada.

Ernesto Braga

Publicação: 27/02/2011 07:07 Atualização: 27/02/2011 10:47

Localizada aos pés da Serra do Curral, a Praça Governador Israel Pinheiro, conhecida como Praça do Papa, no Bairro Mangabeiras, um dos endereços mais nobres da capital, na Região Centro-Sul, deixa de ser ponto turístico privilegiado para contemplação de Belo Horizonte e se transforma, principalmente nas madrugadas de quinta-feira a domingo, em terra sem lei. Um dos principais cartões-postais da cidade é invadido por um mar de pessoas, muitas menores de 18 anos, em busca de diversão regada a álcool, drogas e barulho.

Veículos com potentes equipamentos de som disputam qual é o mais barulhento. Na trilha sonora prevalece o funk, mas também há quem prefira ouvir música sertaneja e outros ritmos. O cheiro de maconha vindo das áreas verdes e escuras da praça paira sobre o ambiente, e a impressão que se tem é de que os usuários da erva fumam um baseado infinito. No asfalto, motoqueiros fazem acrobacias e carros andam em alta velocidade, na contramão, colocando em risco a vida de quem frequenta o espaço.

O Estado de Minas esteve na Praça do Papa no fim de semana passado, de madrugada, e constatou a balbúrdia que está tirando o sono dos moradores do Mangabeiras, bairro com metro quadrado construído e Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) entre os mais caros da cidade. Eles denunciam ameaças feitas pelos baderneiros, que fecham as entradas das garagens das luxuosas casas com filas de carros e motos e usam até armas de fogo para intimidar quem “ousa” reclamar. “A Praça do Papa é a área de lazer mais procurada por toda a população de Belo Horizonte, municípios vizinhos e turistas de todos os cantos. Mas ela se transformou num bordel, e as famílias estão se afastando por causa da bagunça e com medo da criminalidade”, afirmou o presidente da União das Associações de Bairros da Zona Sul, Marcelo Marinho.

A aglomeração de veículos e gente é maior na rua que divide o topo (onde estão o monumento e a cruz esculpidos pelo artista plástico Ricardo Carvão) da base da praça (parte gramada com um parque de lazer de madeira). É nessa via que ficam estacionados os veículos equipados com potentes cornetas e amplificadores de som, verdadeiros trios elétricos que propagam para muito além daquele ponto músicas quase sempre com letras obscenas. Uma das preferidas pela multidão e, portanto, mais tocadas, tem o seguinte refrão: “Na arte do sexo, pode crer que eu esculacho. Faço tudo que ele gosta e ainda dou meu (…) de cabeça para baixo.”

O secretário municipal da Regional Centro-Sul, Fernando Cabral, reconhece os incômodos causados aos moradores da Praça do Papa e admite que não estão previstas intervenções no ponto turístico. Cabral afirma que a Prefeitura de Belo Horizonte está aberta a receber sugestões dos contribuintes afetados. “Estamos dispostos a acatar tudo que possa preservar o bem-estar da comunidade.”

Fonte: http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2011/02/27/interna_gerais,212361/jovens-transformam-praca-do-papa-em-baile-funk-durante-a-madrugada.shtml

Truculência no Aglomerado da Serra

fevereiro 26, 2011

A trágica morte de dois incentes no Aglomerado da Serra era a gota d’água que faltava para a comunidade expôr sua revolta contra as ações truculentas e inconstitucionais da Polícia Militar no algomerado.

Há tempos que um grupo de não mais que dez policiais vem exterminando moradores do aglomerado aos olhos de toda a comunidade. A ROTAM reúne policias que ostentam o status de assassinos dentro da corporação, seguindo o mesmos códigos na lei – e aqueles debaixo dela – que a instituição tinha na época da ditadura.

Hoje, porém, policiais civis e militares em Belo Horizonte estão deixando de ser coadjuvantes no crime para serem protagonistas. Não querem mais receber acertos, querem ser os donos das bocas. Provavelmente querem controlar todo o tráfico de suas juridições em um sistema unificado e hierarquizado dentro da própria polícia, e estão perto disso. O sociólogo e ex-Secretário de Segurança do Rio de Janeiro, Luís Eduardo Soares, apresentou exatamente essa análise no conflito ocorrido no Complexo do Alemão no Rio. As milícias no Rio representam justamente essa nova ordem do tráfico em que parte da polícia está engajada para implementar.

Os policiais da ROTAM sobem as favelas de Belo Horizonte para receber propinas, extorquir os jovens que fazem parte da mão de obra do tráfico e matar. Eles andam, cada um com duas pistolas, uma com chassi e a outra com o chassi raspado. Matam com uma e platam a outra na vítima. Predem jovens envolvidos com tráfico, e quando não conseguem extorquí-los, não os encaminham para a delegacia, simplesmente os exterminam.

Mas dessa vez, a prepotência de policiais que tiram, há anos, proveito do tráfico na serra, caiu do cavalo: pois as vítimas não tinham qualquer envolvimento com o tráfico e a comunidade está expondo o fim de sua tolerância com esses elementos. Os protestos continuam e hoje ou amanhã haverá uma assembléia da comunidade com a Comissão dos Direitos Humanos.

A mídia fica em cima do muro ou reproduz sem contestação a versão mentirosa dos fatos apresentada pela polícia militar: a de que os dois trabalhadores estavam com roupas do GATE, armas e munições e atiraram nos políciais. A Rede Globo, especialmente, apresentou a matéria mais distorcida sobre o fato, que chegou a chocar a comunidade inteira pela ausência de um pingo de veracidade.

Conclamo todos interessados no combate à corrupção dentro de nossas instituições a enviar um e-mail para o site da Polícia Militar MG, no canal “fale conosco”, solicitando apuração desses assassinatos no Aglomerado da Serra. O momento é oportuno pois a Polícia Federal acabou de investigar e condenar os abusos das operações policiais no Complexo do Alemão. E em ambos episódios, tanto no Rio quanto em Belo Horizonte, temos abusos de policiais que representam a mesma estratégia de controle do tráfico de drogas. Portanto os protestos relacionados a esse caso específico podem servir a uma conjuntura maior. Temos que freiar a truculência de policiais corruptos e mostrar que a sociedade civil exige constitucionalidade nas ações da polícia.

 

NOTÍCIA EXTRA-PRAIA

fevereiro 21, 2011

Os telejornais têm apresentado notícias longe do litoral sobre a morte de duas pessoas de um grupo de vinte, que portavam fardas polícias e armas. Além disso, foi divulgado através da assessoria de comunicação da PM que homens da polícia estão no Aglomerado da Serra para impedir vandalismos, incêndio a ônibus, manifestações e, principalmente, que as vilas que compõe o maior conglomerado de favelas da região metropolitana, se transformem num poder paralelo a exemplo do Rio.

O que apenas nós moradores e envolvidos com a vila sabem é que as pessoas executadas sumariamente pela PM faziam parte do circuito cultural e estavam envolvidas não o crime mas com uma arma muito mais sutil: a dança e o circo.

 

Não sei a opinião das pessoas que lêem este post, mas apoio totalmente as manifestações e torço para que tal como acontecer realmente os moradores do morro desçam (ou não, se assim preferirem) para  a praia, não pelo fato das vitimas serem também familiares de policiais, mas pela necessidade de voltarmos o olhar sobre as coisas da favela.

 

Entendo que muito dirão que é extremada as ações hostis com a PM, o incendiar de ônibus e veículos, mas é a forma encontrada para dar visibilidade a favela. Outros dirão que falar sobre estes assuntos não é a nossa praia, mas nenhum movimento é monolítico e não devemos nos preocupar apenas com aquilo que acontece na areia.

Plenária do Comitê Popular dos Atingidos pela Copa

fevereiro 18, 2011

Divulgue e compareça!

OCUPAÇÕES URBANAS: A SOLUÇÃO POSSÍVEL

fevereiro 17, 2011

É o momento de nos concentrarmos em uma solução negociada para as famílias sem-teto de Belo Horizonte, que se encontram sob a ameaça de despejo. O despejo não é uma solução razoável, socialmente justa e moralmente aceitável.

É necessário romper com os fundamentalismos que obstruem a construção de uma proposta que considere, sobretudo, o destino das centenas de famílias que hoje moram e constroem as ocupações Dandara (Céu Azul), Camilo Torres e Irmã Dorothy (Barreiro).

É fundamental alcançar soluções objetivas, que considerem a responsabilidade de cada agente político envolvido no conflito. Para tanto, é preciso ter clareza do papel de cada um deles no processo de negociação. Não é momento de perder tempo com pequenas soluções, com discussões intermináveis que nada somam para atender à demanda das famílias sem-teto, hoje em situação de risco em decorrência da ameaça contundente de despejo.

Primeiro: nenhuma solução deve estar separada dos verdadeiros interesses das famílias sem-teto que hoje vivem nas comunidades ameaçadas de despejo. Portanto, o verdadeiro centro da luta em curso é garantir uma proposta de solução que evite o despejo eminente. Não devemos, em hipótese alguma desconsiderar os danos incorrigíveis de um despejo violento que, com certeza, colocará em perigo de vida centenas de pessoas, incluindo crianças e idosos que não possuem condições de se defenderem da truculência da ação policial.

Segundo: cabe aos/as apoiadores/as das ocupações seguir desenvolvendo o valioso trabalho de solidariedade, trabalho este que consiste em divulgar a situação, denunciar a intransigência das administrações em procurar construir uma solução negociada. Os comitês e fóruns de solidariedade possuem a missão valiosa de dialogar com a sociedade, informá-la da situação e procurar e agregar novos apoios em torno de uma proposta de negociação imediata.

Terceiro: o Tribunal de Justiça não deve tratar um problema social desta natureza com soluções jurídicas artificiais. O simples encaminhamento do despejo não resolve o conflito, apenas o coloca em um patamar mais elevado, no qual as soluções são mais difíceis, inclusive com o risco de perdas humanas e danos físicos e psicológicos irreparáveis. Nem o Judiciário, nem o Comando da Polícia Militar de Minas Gerais, tem o dever constitucional de promover massacres em nome da propriedade que, aliás, violava o princípio da função social. Mesmo porque existem outras saídas, envolvendo o Poder Público e suas instituições, que podem de fato atuar positivamente na resolução do conflito.

Quarto; acreditamos que o Estado de Minas Gerais e a Prefeitura de Belo Horizonte devem assumir o protagonismo na busca por uma solução negociada e eficaz para as ocupações de Belo Horizonte. É o momento destes entes federativos e as autoridades eleitas que os dirigem, possuírem a grandeza de tomar para si a responsabilidade na construção de uma solução negociada, pacífica e inteligente. O governador de Minas e o prefeito de Belo Horizonte são responsáveis diretos pelo destino das centenas de famílias prestes a serem despejadas, em razão de decisões judiciais sem amparo constitucional. As Brigadas Populares vem a público contribuir na construção de alternativas à situação de despejo eminente das comunidades que presta solidariedade, Camilo Torres e Irma Doroty, tendo a clareza que a decisão final caberá ás famílias organizadas. É necessário ter o senso de prioridade. Para nós, as ocupações localizadas na região do Barreiro/BH (Ocupação Camilo Torres e Irmã Dorothy) são as áreas de maior risco de despejo no presente momento. Policiais do Batalhão de Choque da PM já estiveram no local e possuem um plano de ação de largo alcance para retirar as 277 famílias dessas comunidades em um prazo de 12 horas. Este plano é falho e está fadado a generalizar uma situação de violência de proporções desconhecidas. O principal problema é que ele não prevê nenhuma alternativa digna para as famílias que serão despejadas, as mesmas serão jogadas nas ruas sem nenhuma possibilidade de re-assentamento, nem mesmo de natureza emergencial.

Resumindo: até o momento, não foi oferecida nenhuma proposta além de abandonar suas casas com destino às ruas. No dia 15 de fevereiro (terça-feira), exatamente no dia em que recordamos a morte do padre colombiano Camilo Torres e um dia antes do aniversário da comunidade que carrega seu nome, será realizada uma reunião no Batalhão de Eventos da PM (Tropa de Choque), para informar às lideranças comunitárias dos procedimentos que a PM tomará no processo de reintegração de posse. Em todas as ocupações organizadas em Belo Horizonte, esta reunião com o alto comando da PM sempre foi o último ato procedimental anterior a realização do despejo. Portanto, diante desta situação, as Brigadas Populares reafirmam a necessidade de concentrar todos os esforços para evitar o despejo e proteger os interesses das famílias que moram nas ocupações Camilo Torres e Irmã Dorothy. Ocupações que ajudamos a construir e que hoje se encontram sob a direção do Fórum de Moradia do Barreiro. Prestamos nossa solidariedade e apresentamos a algumas propostas:

1) As áreas onde estão localizadas as ocupações Camilo Torres e Irmã Dorothy são destinadas, dentro do Plano Diretor do Município, ao Distrito Industrial do Barreiro. Os terrenos localizados nestas áreas foram transferidos pelo Estado de Minas Gerais, em 1992, mediante contrato, para empresas privadas que deveriam realizar a instalação de empreendimentos industriais nas áreas em prazo não superior a 24 meses, sob pena de nulidade do contrato de transferência. Porém, as empresas não realizaram nenhum tipo de construção na área, ou seja, sempre especularam com o valor destes imóveis que já foram vendidos a outras empresas, sem respeitar o contrato assinado com o Estado. O caso já foi levado ao Ministério Público que instaurou inquérito, mas não tomou nenhuma medida concreta para que seja declarada a ilegalidade da transferência das áreas públicas para as empresas. Os contratos são nulos de pleno direito por descumprimento de clausula resolutiva!

2) De acordo com o Plano Diretor do Município, somente poderiam ser construídas indústrias na região. No entanto, grande parte das empresas que adquiriram estes terrenos não tem demonstrado interesse em dar tal finalidade à área. Por outro lado, Belo Horizonte, economicamente, possui uma orientação voltada para o setor de serviços, não interessando aos empresários instalar plantas industriais dentro da cidade, principalmente em uma área cuja vocação urbanística é residencial. O resultado é que nem indústrias são instaladas, nem moradias são construídas.

3) A solução possível para acabar com a especulação imobiliária no Distrito Industrial do Barreiro, passa necessariamente por uma mudança do Plano Diretor do Município, que modifique a destinação da área de industrial para residencial. O papel do Governo do Estado de Minas Gerais é declarar a nulidade dos contratos de venda das áreas com aquelas empresas que não cumpriram com a determinação que previa a instalação de indústrias na área do distrito. A outra medida é repassar esses terrenos para a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, para que sejam construídas unidades habitacionais, inclusive dentro do programa Minha Casa, Minha Vida. Cabe à Prefeitura e à Câmara dos Vereadores encaminhar com urgência um projeto de alteração do Plano Diretor do Município, modificando a destinação da área para fins residenciais. Emergencialmente, o Estado de Minas Gerais deve se pronunciar no processo de reintegração de posse das Ocupações Camilo Torres e Irmã Dorothy, no sentido de expor o não cumprimento dos contratos de transferência dos imóveis celebrados entre a CDI (atual CODEMIG) e as empresas, declarando a nulidade de tais contratos como medida imediata apta a suspender os despejos. Isso demonstra inclusive a ilegitimidade das empresas autoras das ações de reintegração de posse, uma vez que as mesmas não cumpriram com clausula resolutiva do acordo firmado com o Estado de Minas Gerais. Logo, esta atuação do Estado suspenderia de imediato o despejo, e com isso seria possível os demais encaminhamentos necessários à efetivação de um projeto habitacional na área das ocupações. Seria um absurdo o Estado permanecer inerte diante da ilegalidade praticada pelas empresas que receberam às áreas e agora, cerca de 20 anos depois, despejar as centenas de famílias que hoje moram nos terrenos que estavam completamente abandonados. O povo mineiro irá cobrar dos responsáveis.

Nossas reivindicações imediatas são:

1) Abertura de negociação imediata com o Governo do Estado de Minas Gerais, por ser o ente federativo competente para evitar o despejo imediato das famílias das ocupações Camilo Torres e Irmã Dorothy.

2) A suspensão do despejo das Ocupações Camilo Torres e Irmã Dorothy passam pelo pronunciamento do Estado nestas ações de reintegração de posse destas áreas. O Governo deve declarar a nulidade dos contratos firmados com as empresas que transferiram os imóveis para os autores das ações de reintegração de posse, por descumprimento de cláusula contratual que condicionava a transferência dos imóveis à construção de indústrias no perímetro do Distrito Industrial.

3) O Estado deve doar à prefeitura tais áreas, para serem destinadas a programas habitacionais para a população de baixa renda (moradia de interesse social).

4) A Prefeitura de Belo Horizonte, em conjunto com a Câmara Municipal, deve apresentar um projeto de alteração do Plano Diretor, transformando o perímetro Distrito Industrial do Barreiro em uma Zona de Interesse Social para fins de habitação popular, conforme prevê o Estatuto das Cidades. Assim poderá incluí-la em programas de construção de habitação popular e contemplar as famílias das ocupações.

É FUNDAMENTAL UMA AÇÃO COORDENADA DE TODAS AS ORGANIZAÇÕES E APOIADORES EM UMA ÚNICA DIREÇÃO! EVITAR O DESPEJO E CONSTRUIR UMA SOLUÇÃO NEGOCIADA E EFETIVA.

Por uma cidade onde caibam todos e todas! Belo Horizonte, 14 de fevereiro de 2011.

 

Brigadas Populares

Na selva de pedra, não se pode morrer na natureza?

fevereiro 17, 2011

“Após morte, prefeito decide interditar Parque Municipal de Belo Horizonte” (Via Comercial)

 

 

“Uma mulher morreu depois de ser atingida por uma árvore de grande porte, na manhã desta quarta-feira, dentro do Parque Municipal, no Centro de Belo Horizonte. O acidente aconteceu na entrada da Alameda Ezequiel Dias, quando a vítima fazia caminhada no parque. Um grupo percebeu que a árvore estava caindo e avisou a mulher. Ela tentou correr, mas foi atingida pelo tronco do jatobá de aproximadamente 20 metros.” (Estado de Minas)

 

Não existe nenhum mistério em dizer que a única certeza que carregamos nessa vida é a de que vamos morrer. Mas, muito pouco tem se discutido a respeito das possibilidades reais que nos são oferecidas de morte na cidade.

Dentre elas, podemos citar assassinad@s, “suicidad@s”, envenenad@s (seja letalmente ou lentamente com a poluição que nos rodeia),  abortad@s, e a lista de hipóteses a qual me refiro não termina por aqui. Muito pelo contrário, para mim e meus companheir@s de caminhada (talvez tão companheir@s quanto a mulher que um dia caminhou felizmente no parque municipal), a morte começa com a CIDADE.

Ora, por que? Talvez porque nosso egocentrismo seja a razão da morte da própria vida em sua totalidade. Não é de hoje que critico, assim como muit@s que escrevem aqui, das obras faraônicas do deserto que está se tornando Belo Horizonte por conta da troca de nosso ouro por espelhos e quinquilharias importadas “Made in China, EUA ou qualquer outra superpotência da escravidão mundial”.

O ouro de que falo, talvez não brilhe tanto quanto aquele mineral tão valioso para aqueles que acham que dinheiro vale tudo – Permitam-me aqui ressuscitar a magia da vida e gerar uma alquimia com as palavras – falo daquele ouro que pode e tem todas as cores do arco-iris, a NATUREZA. E os espelhos e quinquilharias de que falo são nada mais nada menos que o ouro mineral que para alguns vale tanto quanto notas de dólare$, euro$ ou (ir)reai$.

É isso que estamos usando como moeda de troca, abrindo mão do conforto e da naturalidade de nosso arco-iris em troca do cinza high tech feito para copas do mundo que talvez pouco se interessam em preservar o meio ambiente, os ciclos orgânicos e as culturas não-hegemônicas tão diferente e tão igual a de noss@s indi@s e negr@s nesses 5 séculos e pouco de escravidão.

Pode parecer balela o que digo, fazendo uma correlação entre a morte acidental, ou melhor, natural, pois diria que há mais naturalidade em morrer esmagad@ por uma árvore do que por carros, concreto ou outra coisa monótona ou sem vida, da senhora que faleceu dessa maneira no Parque Municipal, um dos únicos pontos onde ainda HÁ VIDA NO CENTRO DA CIDADE. Como amig@ das praças muito pouco arborizadas, não deixo de me indignar com o fechamento do Parque Municipal de Belo Horizonte que só ” (…) reabre em abril.” (Hoje em dia), porque o tão conhecido “colonizador burguês” Márcio la(…) merdou mais uma vez dizendo que “uma força-tarefa seja formada para investigar a situação das 3.700 árvores da área. Não há ainda informações sobre os órgãos que irão compor esse grupo nem quanto tempo será necessário para concluir o mapeamento das espécies e adotar as medidas necessárias para garantir segurança à população.” (Via Comercial)

 

E o que dizer da morte NATURAL da ÁRVORE em questão, ou dos outros seres vivos, ou infinitas mortes de Homo “sapiens”? que vemos todos os dias nos espaços cimentados da capital? Porque eles não ganham noticia trágica e nem fazem parar as principais vias de tráfego de Belo Horizonte quando alguem morre, por exemplo, numa porrada de frente, entre ônibus e gente? Porque o corpo de bombeiros, a prefeitura e orgãos (in)competentes não mandam interditar, por tempo indeterminado, as BR’s, avenidas e ruas sob sua jurisdição e responsabilidade no que diz respeito a SEGURANÇA quando alguem morre nelas?

 

ENTÃO, PORQUE INTERDITAR O NOSSO PARQUE?

 

Faço aqui um manifesto em defesa da natureza exuberante e certamente muito mais segura e viva que qualque obra que o egocentrismo das mãos humanas já produzida. E se alguém morreu por causa dela, tenho plena certeza que deve estar descansando em paz, diferente de mim, que desejaria poder fugir ao menos um pouco do caos da vida no centro de BH me embrenhando e deitando para um suave cochilo ou prazerosa e menos arriscada (comparada a uma rua ou calçada urbana) caminhada na mata preservada que me permite respirar ar mais puro, ver cores mais vivas e beber águas mais limpas nos meus intervalos de escravidão moderna como trabalhadorx, estudante, e antes de tudo como SER (e não TER) human@, coisa comum a qualquer umx que está lendo esse manifesto.

 

Celebremos a vida e a morte da cidade, e tenhamos ciência ou fé de até quando estamos ajudando ou atrapalhando a naturalidade cíclica pela qual elas acontecem.

 

“Boulevard arrudas” não foi só o começo, e a interdição do parque não será o fim. Abaixo os colonizadores! sejamos nós, noss@s propri@s CACIQUES nessa selva.

 

I JUCA-PIRAMA (Gonçalves Dias)

(fragmentos)

IV

Meu canto de morte,

Guerreiros, ouvi:

Sou filho das selvas,

Nas selvas cresci;

Guerreiros, descendo

Da tribo tupi.

 

Da tribo pujante,

Que agora anda errante

Por fado inconstante,

Guerreiros, nasci:

Sou bravo, sou forte,

Sou filho do Norte;

Meu canto de morte,

Guerreiros, ouvi.

 

Já vi cruas brigas,

De tribos imigas,

E as duras fadigas

Da guerra provei;

Nas ondas mendaces

Senti pelas faces

Os silvos fugaces

Dos ventos que amei.

 

Andei longes terras,

Lidei cruas guerras,

Vaguei pelas serras

Dos vis Aimorés;

Vi lutas de bravos,

Vi fortes — escravos!

De estranhos ignavos

Calcados aos pés.

 

E os campos talados,

E os arcos quebrados,

E os piagas coitados

Já sem maracás;

E os meigos cantores,

Servindo a senhores,

Que vinham traidores,

Com mostras de paz.

 

Aos golpes do imigo

Meu último amigo,

Sem lar, sem abrigo

Caiu junto a mil

Com plácido rosto,

Sereno e composto,

O acerbo desgosto

Comigo sofri.

 

Meu pai a meu lado

Já cego e quebrado,

De penas ralado,

Firmava-se em mi:

Nós ambos, mesquinhos,

Por ínvios caminhos,

Cobertos d’espinhos

Chegamos aqui!

 

O velho no em tanto

Sofrendo já tanto

De fome e quebranto,

Só qu’ria morrer!

Não mais me contenho,

Nas matas me embrenho,

Das frechas que tenho

Me quero valer.

 

Então, forasteiro,

Caí prisioneiro

De um troço guerreiro

Com que me encontrei:

O cru desasossego

Do pai fraco e cego,

Em quanto não chego,

Qual seja, — dizei!

 

Eu era o seu guia

Na noite sombria,

A só alegria

Que Deus lhe deixou:

Em mim se apoiava,

Em mim se firmava,

Em mim descansava,

Que filho lhe sou.

Ao velho coitado

De penas ralado,

Já cego e quebrado,

Que resta? —Morrer.

Em quanto descreve

O giro tão breve

Da vida que teve,

Deixai-me viver!

 

Não vil, não ignavo,

Mas forte, mas bravo,

Serei vosso escravo:

Aqui virei ter.

Guerreiros, não coro

Do pranto que choro;

Se a vida deploro,

Também sei morrer.

 

 

 

 

As marcas da PBH:

fevereiro 17, 2011

Não é ilegal, não é imoral, mas e a ética?

A questão ética é muito complexa e não pretendo discuti-la aqui, mas podemos entender o que é ética em relação a uma logomarca que representa uma cidade ou um órgão público.
O que é uma logomarca?
Existem várias definições, esta, a primeira que saiu no Google nos serve:

“Logomarca é todo elemento visual que identifica e diferencia de outros iguais ou semelhantes, ou certifica a conformidade dos mesmos com determinadas normas ou especificações técnicas. Quanto à origem, marcas podem ser brasileiras ou estrangeiras, quanto ao uso, podem ser de produtos, de serviços, coletivas ou e de certificação.

Tanto a “marca” (um símbolo), o “logotipo” (letras) e as “logomarcas” (símbolo+logotipo), todos são marcas e atendem a públicos diversos, como profissionais liberais, empresas, associações, produtos, eventos, etc.

No mercado competitivo moderno e atual, baseado cada vez mais em signos visuais e de design, uma boa logomarca é fundamental na diferenciação, reconhecimento e visibilidade de um empreendimento.”

A questão é subjetiva e envolve gosto, referências, possibilidades estéticas e uma infinidade de outras questões. Mas a ética, que busca fundamentar o bom senso pode nos ajudar. Veja esta marca:

O que ela lhe remete? Ou o que ela lhe remete de Belo Horizonte? Como se dá o simbolismo que a faz ser um elemento de referência a nossa cidade? Ou melhor, qual o simbolismo que a faz representar uma administração?

Poderia ser uma marca de uma empresa de TI, ou de uma empresa de produção de fios de aço, ou de uma empresa de consultoria que atende a diversos setores…
Sim, pode ser uma marca para uma infinidade de empresas, tanto é que ela é vendida em um site:
Shutterstock.com

Reconheceu? Viu a PBH entre tantas outras marcas?

Color Rings, esta é a marca da PBH!
Vai entender o que se passou na cabeça dos publicitários que optaram por comprar uma marca ao invés de criar uma que representasse a PBH!
Eu fico daqui pensando: é esta a marca do Lacerda!
A marca de uma administração sem identidade com o lugar, alheia ao seu entorno e que não representa absolutamente nada.

Tenho a impressão que não só o sujeito, mas grande parte da equipe de governo não sabe que marcas estão deixando em nossa cidade.

Mas esta não é a marca que vai representar BH, esta é uma marca da administração Lacerda. A marca que vai representar BH, ou a marca do Turismo de BH é esta.

Impressionante a semelhança das formas e das cores em duas representações extremamente diferentes.

Mas isso não é nada, poderia ser pior e é muito pior, a PBH gasta com estas marcas e outras ações de comunicação mais de 19 milhões! Confira aqui, o contrato de publicidade da PBH com a Agência Perfil. Aliás, a mesma agência que contratou estagiárias para fazer a campanha do Anastasia, Aécio e Itamar no orkut, vide post antigo.

Agora dá pra entender como todo mundo recebeu um jornal em casa falando das melhorias na cidade e ninguém consegue constatá-las na prática. Publicidade cara, feita com o dinheiro público para tentar ludibriar a população! Lorota Lacerda!

A ocupação das Torres Gêmeas na versão da PBH

fevereiro 17, 2011

Impressão minha, ou essa reportagem no site da prefeitura dissimula os fatos ligados às torres gêmeas? Refere-se à polícia militar como aliada dos moradores e outras coisas mais… de qualquer forma, anuncia friamente o leiloamento dos prédios ao final do mês.

Confiram:

http://portalpbh.pbh.gov.br/pbh/ecp/noticia.do?evento=portlet&pAc=not&idConteudo=44033&pIdPlc=&app=salanoticias

Erro no sistema de seleção para Feira da Afonso Pena

fevereiro 14, 2011

A maioria sabe que a Prefeitura de Belo Horizonte faz até hoje, dia 14, o cadastro das pessoas que querem participar do processo seletivo público para ser expositor da feira da Afonso Pena (Veja aqui onde se cadastra). Só que esse cadastro foi tão público que, por exemplo, você pode ter acesso a qualquer dado de qualquer um que fez a inscrição (inclusive CPF, endereço, RG):

Quer ter os dados de todos os inscritos?
http://selecaofeirapbh.heroku.com/inscritos/impressao/8000

É simples: basta trocar o 8000 no final do link por qualquer número entre 0001 e 8500.

E mais além disso você pode cancelar a inscrição de qualquer pessoa que fez a inscrição, afinal para se cancelar a inscrição basta apenas ter os dados das pessoas inscritas.

(Opa! cancelei uma inscrição)

Tudo bem, o sistema de inscrição acaba hoje; tudo bem cancelar uma ou mais inscrições né? Afinal, se a Prefeitura que tem a PRODABEL (empresa de tecnologia do município)  com vários programadores e desenvolvedores não olhou esse erro simples, talvez ela gostaria que as inscrições fossem apagadas.

Os  erros existiram desde que começou o processo de seleção, ou seja, as inscrições de TODOS podem ter sido canceladas ou alteradas por qualquer pessoa – o que, ao meu ver, torna esse sistema de seleção totalmente questionável.

Isso, sem falar na exposição pública de dados particulares, como CPF e RG. Grave é pouco.

UPDATE 14h40: O site foi corrigido, agora pedem login e senha. Mas era melhor ter pedido antes, agora o estrago já foi feito.

UPDATE 15/02: Foi capa do Jornal Estado de Minas Hoje: Licitação da feira em BH deixa brecha para fraude

Copa chegando e mais despejo

fevereiro 12, 2011

O DESPEJO DE POBRES NÃO É SOLUÇÃO PARA A CRISE IMOBILIÁRIA

Por Ananda Martins, Cíntia Melo, Elyza Cyrillo, João Carneiro, Lorena Figueiredo, Luiz Eduardo Chauvet, Marcos Mesquita (*)

O Jornal “O Tempo” publicou no dia 26 de janeiro do presente anomatéria intitulada “Belo Horizonte tem apenas 20 mil lotes vazios para obras”, tendo como objetivo apontar a escassez de áreas vagas para empreendimentos imobiliários na cidade de Belo Horizonte. Uma das causas apontadas pela matéria é a invasão de determinadas áreas por populações de baixa renda, problema exemplificado com a situação da Vila Acaba Mundo, pequena favela localizada no bairro Sion, uma das áreas mais nobres da cidade, e, por isso, muito visada pelo mercado imobiliário.

Contudo, a matéria desconsiderou que a ocupação citada possui respaldo na ordem jurídico-urbanística brasileira, que tem como figura central a função social da propriedade, constitucionalmente prevista.

A Vila Acaba Mundo encontra-se consolidada há mais de seis décadas, destinada para a moradia de mais de 400 famílias em vulnerabilidade social, sendo este direito, inclusive, um dos direitos sociais elencados no rol do artigo 6º da nossa Constituição Federal e protegido internacionalmente por tratados dos quais o Brasil é signatário.

Muito pesar causa a constatação de que o ponto de vista do autor privilegia os interesses econômicos e financeiros do mercado imobiliário em franca expansão na capital mineira, a despeito de direitos fundamentais exercidos por pessoas economicamente desprivilegiadas, cujas histórias misturam-se com o crescimento dos bairros do entorno.

Cumpre ressaltar que uma ocupação somente se consolida em áreas nas quais a propriedade não cumpra sua função social, como é o caso citado, em que a suposta invasão, somente agora, décadas depois de se estabelecer, recebe pressões para que sucumba a outros interesses que não o de moradia popular.

A ocupação foi iniciada em meados de 1950, com a instalação da Mineradora Lagoa Seca, que implementou, desde então, um projeto de moradia para os trabalhadores provenientes do interior. A partir da década de setenta, o número de moradores no local tornou-se mais significativo. Ao longo deste tempo foi-se desenvolvendo uma história de vida, não somente de cada morador, mas, principalmente, da comunidade, criando uma identidade coletiva catalisada pelo local de vivência.

Apesar de o senso comum indicar que o único tipo de capital existente ser aquele relacionado aos valores monetários, muito importante ressaltar que este não pode se sobrepor a outro tipo de capital, o capital social, conceituado pela professora Miracy Gustin. Em linhas gerais, o capital social se constitui a partir das relações entre os indivíduos, possibilitadas pelo pertencimento a uma mesma comunidade e, neste sentido, a manutenção e construção coletiva do espaço onde se vive é fundamental para sua perpetuação.

Em 1988, nossa sociedade participou de um movimento muito importante, findo o qual tivemos promulgada uma das mais avançadas cartas de direitos do planeta, na qual valores como a construção de uma sociedade livre, justa e solidária e princípios como o da dignidade da pessoa humana se tornaram centrais para a sociedade que queremos construir. Todos nós fazemos parte deste pacto, inclusive o mercado imobiliário, que não pode se furtar a honrar o compromisso democrático estabelecido.

(*) Integrantes do Projeto Regularização Fundiária Sustentável na Vila Acaba Mundo, do Programa Pólos de Cidadania da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).