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Pé na jaca

abril 15, 2013

Reportagem na revista Piauí de abril de 2013, disponível em http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-79/esquina/a-fila-da-jaca

A fila da jaca

Em Belo Horizonte, um cadastro organiza o acesso à coisa pública

por Nuno Manna

São seis da manhã de uma terça-feira de março, e os primeiros visitantes começam a circular pelas aleias do Parque Municipal Américo Renné Giannetti – uma grande área verde em pleno Centro de Belo Horizonte. No prédio administrativo, um funcionário recebe um senhor e o conduz até o depósito onde há equipamentos de jardinagem e quatro grandes barris de plástico verde. Ele pergunta o nome do visitante e confere se está na lista. Em seguida destampa um dos barris, de onde exala um cheiro forte, e tira dali um fruto esverdea-do de casca grossa, do tamanho de um leitão. É tempo de jaca, e é chegada a vez daquele cidadão.

Um a um, outros visitantes se apresentam à administração. Ao encarar o porte da fruta que lhe foi reservada, um jovem, despreparado, se assusta. “Levar isso no ônibus vai ser fogo.” Mas o assistente administrativo Wallace Barbosa vem em seu socorro. Escolhe uma jaca mais modesta e entrega ao rapaz, que sai dali equilibrando a fruta nas duas mãos. Aos 24 anos, o baiano Barbosa é uma peça central na gestão das jacas do Parque Municipal. Não fosse pela sua diligência, a fila não andaria.

Barbosa faz funcionar o procedimento criado pela administração do parque para regular a cobiça irrefreável dos visitantes pelos frutos de suas dez jaqueiras. A fim de garantir o acesso democrático ao patrimônio público, foi instituído há mais de vinte anos um cadastro de pretendentes. Quem quisesse jaca que se inscrevesse e aguardasse a vez de colocar as mãos na graúda. No dia da sorte grande, o telefo-ne traria a boa-nova: uma jaca madura aguardava o felizardo na administração, pronta para ser levada para casa.

Ultimamente, porém, o sistema não vinha funcionando bem. Como a temporada de jacas só vai de janeiro a março e o número de inscritos era grande, as jaqueiras não estavam dando conta de atender à demanda crescente. A espera entre o cadastro e a entrega da fruta podia chegar a anos. No fim de 2011, havia mais de mil sem-jaca registrados no livro de cadastros.

Naquele ano, numa tentativa de colocar ordem na casa, a administração decretou a moratória de inscrições. As jacas das últimas temporadas se destinariam a honrar os pedidos já protocolados. Muitos tinham se inscrito há tanto tempo que não apareceram para buscar o prêmio. “Às vezes a pessoa já tinha morrido, mudado”, disse Barbosa.

Quando chegou a temporada de jacas deste ano, a administração decidiu adotar uma medida extrema. Zerou a lista de espera e estabeleceu um novo método de entrega. Agora, o nome dos interessados é recolhido ao longo da semana. Na segunda-feira, quando o parque fecha para o público, as jacas maduras são colhidas. A terça é o dia que os inscritos têm para buscá-las, por ordem de chegada. O precipitado que aparecer sem ter feito cadastro é convidado a se inscrever na lista da semana seguinte, para não prejudicar quem já aguardava a vez. O ciclo é retomado a cada semana, enquanto houver frutas no pé.

 

A jaqueira é natural da Índia e foi trazida ao Brasil durante a colonização portuguesa. É uma árvore de até 20 metros de altura que dá frutos de sabor pronunciado e textura viscosa que não deixam ninguém indiferente. Uma jaca caprichada pode chegar a 15 quilos. Temerariamente, ficam suspensas a muitos metros de altura. Em lugares públicos, convém que sejam colhidas antes que se espatifem sobre a cabeça de um desavisado.

No Parque Municipal, os jardineiros que colhem as frutas maduras estão sempre alertas, manejando uma vara de bambu de mais de 6 metros para alcançar as mais altas. Para colher uma jaca, eles cutucam a dita com uma vara a-fiada na ponta (uma chacoalhada no galho ajuda a desprender as mais renitentes). No solo, uma espécie de tapete de lona apara as frutas, que costumam resistir incólumes à queda.

Todo o cuidado não impede que, vez ou outra, um fruto caia espontaneamente (não há registro recente de vítimas no parque). Quando o inevitável acontece, as regras do cadastro deixam de valer. “Se estiver no chão, pode levar”, explicou Barbosa. Mas os guardas municipais que circulam pelo Parque Municipal não têm tolerância com quem tentar furar a fila e cutucar as jaqueiras com seu próprio bambu.A administração teme especialmente os moradores de rua que habitam o parque – um total de 215 pessoas, segundo o úl-timo censo feito pela Guarda. Como o cadastro dispensa comprovante de endereço, Barbosa lembrou que nada impede que eles sigam os requerimentos formais para postular legitimamente uma fruta.

Enquanto caminhava lentamente à sombra das jaqueiras, Barbosa metralhou a explicação dos procedimentos necessários para o cadastro sem tropeçar em nenhuma sílaba, com um sotaque baiano residual atenuado por dez anos vivendo em Minas. O assistente contou que de vinte a trinta jacas foram distribuídas por semana na temporada 2013. “Pela quantidade que ainda resta, vai ter jaca até as primeiras semanas de abril”, sentenciou.

Quando aparece uma jaca muito volumosa, Barbosa pode se oferecer para parti-la ao meio. “Facilita o transporte e assim mais gente leva jaca para casa.” O funcionário disse ainda que, às vezes, a administração dá prioridade a pedidos emergenciais de idosos ou gestantes, mesmo que não seja terça-feira. “Grávida, né? Tem que atender.” A generosidade já lhe rendeu potes de doce de jaca e outros mimos em retribuição.

Quando a procura não está alta, os funcionários do parque aproveitam para se incluir na partilha. Para Barbosa, porém, trabalhar com o nariz nas jacas não é uma tentação. O baiano contou que na casa de sua avó há muito mais que dez jaqueiras, e que ele já comeu sua cota. Mas chamou a atenção para uma virtude pouco lembrada da fruta: laçar o coração de uma mulher. “Na próxima coleta, vou levar para a namorada. Estou só esperando aparecer uma bem madurinha.”

Praia da Estação numa esquina da Piauí_66

março 6, 2012

Odoiá nas montanhas

Banhistas de Belo Horizonte oferecem prefeito a Iemanjá

por NUNO MANNA

Dois de fevereiro, como cantou Caymmi, é dia de festa no mar. No fim daquela tarde de quinta, os banhistas da Praia da Estação estavam a postos para saudar Iemanjá. Com toalhas coloridas, velas aromáticas brancas e azuis, flores e uma bandeira do Brasil, foi improvisado um altar. Sobre ele, uma imagem da homenageada voltada para a água. Devotos diligentes distribuíam incensos, sal grosso e ramos de manjericão aos participantes da celebração.

Muitos trajavam roupas nas cores da Rainha do Mar, ainda que a ideia de sincretismo fosse levada muito a sério por alguns – um rapaz vestia um ojá na cabeça e uma camiseta branca com a frase “Toca Raul!” sob uma imagem do Maluco Beleza. Quando já havia mais de uma centena de devotos reunidos, o grupo saiu em procissão. Um homem vestido de camisu puxou o cortejo carregando a estatueta. Acompanhado de tambores, o grupo cantava em homenagem a Janaína e jogava pétalas de flores enquanto caminhava lentamente.

O festejo poderia se confundir com qualquer outra comemoração do dia de Iemanjá no litoral brasileiro, não estivessem os devotos no Centro de Belo Horizonte, a 450 quilômetros do oceano Atlântico. O palco da celebração foi a Praça da Estação, uma das principais da capital mineira, que ocupa uma área de 12 mil metros quadrados e tem no centro uma estátua de bronze em homenagem aos inconfidentes, na qual se lê, em latim, a inscrição “Montanheiros estão sempre livres”. A única água que se vê por ali é a que jorra das fontes da praça.

A esplanada foi transformada em balneário pela primeira vez em janeiro de 2010. A manifestação foi uma reação a um decreto do prefeito Marcio Lacerda proibindo a realização de eventos de qualquer natureza no local, depois de reclamações de barulho e bagunça feitas por moradores da região e por representantes de um museu situado na praça. Para justificar a interdição, alegou-se “a dificuldade em limitar o número de pessoas e garantir a segurança pública” e “a depredação do patrimônio público verificada em decorrência dos últimos eventos realizados na Praça”. A medida suscitou reações indignadas na internet e não demorou até que um blog convocasse os descontentes a ocupar a rebatizada Praia da Estação.

Com o sucesso do evento, a praça passou a ser frequentada aos sábados por banhistas de biquíni e sunga, bronzeando-se em cangas e cadeiras de praia. Em vez do frescobol, os mineiros preferem jogar peteca ou frisbee à beira-mar. Não faltam vendedores ambulantes, rodas de samba e ciclistas passeando pela orla imaginária – tudo sem os inconvenientes da água salgada ou da areia pregando no corpo.

Nas primeiras edições da Praia da Estação, os veranistas encontraram uma guarda municipal disposta a impedir a reunião. Os policiais chegaram a cercar a praça com fita de isolamento, mas acabaram cedendo diante do argumento de que um tanto de gente reunida, a rigor, não configurava um evento. Até que encontraram um raciocínio engenhoso para esvaziar a praia: cadeiras e barracas são mobiliário urbano; se tem mobiliário urbano na praça, é evento; e evento não pode. Mas a resistência se saiu com um contra-argumento não menos esperto: na praça não pode, mas, se o mobiliário não ficasse no chão da praça, não estaria na praça. E lá se foram os manifestantes segurando cadeiras e tendas no ar. Noutra tentativa de boicotar o evento, os guardas resolveram desligar as fontes. Mas um chapéu não tardou a correr entre os presentes e um caminhão-pipa veio refrescar a multidão, pela bagatela de 150 reais.

m setembro de 2011, o prefeito Lacerda sancionou, enfim, aquela que ficou conhecida como Lei da Praça Livre, que permite a realização de eventos de pequeno porte nos espaços públicos da cidade sem depender de autorização municipal. Mas era tarde demais: àquela altura, a Praia da Estação já tinha se firmado como ponto de encontro dos críticos da prefeitura. Enquanto tomam cerveja e comem salgadinhos, os veranistas reclamam da perseguição aos moradores de rua, do transporte público deficitário, da privatização da saúde e da educação e das obras para a Copa. Estão determinados a mostrar que povo na rua não é sinônimo de problema. “Se a gente não ocupar os espaços de volta, passaremos a viver em guetos, do condomínio para o shopping, do shopping para o trabalho”, defendeu o publicitário Ezequiel d’Oliveira, de 34 anos.

A manifestação tem sido recebida com espírito esportivo pelo poder público. Por meio de sua assessoria de imprensa, Marcio Lacerda fez saber que “a prefeitura considera esse movimento normal, parte de todo regime democrático”, acrescentando que as críticas feitas pelos banhistas à sua gestão são “não procedentes”.

Com a liberação da praça, os embates com os responsáveis pela ordem se restringiram a episódios pontuais. Num sábado de verão, um banhista se empolgou com as fontes e quis furar uma onda peladão – ato que lhe valeu a prisão por atentado ao pudor. Em solidariedade, um grupo se juntou para protestar com os já tradicionais gritos de resistência do balneário mineiro. “Ei, polícia / A praia é uma delícia!”, entoaram, emendando com a paródia de um velho sucesso do grupo de pagode Os Morenos: “Tira a farda brim, bota um fio dental / Polícia, você é tão sensual.”

Naquela tarde, mais de 500 pessoas se bronzeavam diante do mar inexistente. Um rapaz, ao encontrar seus amigos junto ao Monumento à Terra Mineira, comentou: “A maré tá baixa hoje, hein?” Um boneco grisalho, de óculos de grau e terno, trazido por uma moça fez sucesso. Era a cara do prefeito. Chamado de Lacerdinha, era saudado por onde passava. Ao fim do dia, foi visto pendurado numa das árvores da praça, enforcado por um biquíni de bolinhas.

(http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-66/esquina/odoia-nas-montanhas)

Fantasia de Carnaval de BH, nas melhores casas do ramo!!

fevereiro 14, 2012

Torres Gêmeas: breviário de decomposição

setembro 9, 2011

Alguém aqui se lembra? Se você não ficar ligado, perde o bonde! E depois fica aí pensando que é tudo fruto de “coincidências”, “macabrezas” ou “modos administrativos”. Quem aqui paga pra ver a limpa geral que será feita em todos os arredores das Torres Gêmeas? Alguém tem expectativa de existir aquele tradicional e histórico campo de futebol do Santa Tereza até 2014? Ninguém estranha o fato de que, durante toda a espera dessa porra de leilão até os dias de hoje, foi mantida a vigilância do Choque, aqueles troncudos de merda, espalhada por toda a região do bairro Santa Tereza, Floresta e Santa Efigênia? Esperem e verão! Aguardem o verão! No ano que vem, nem favelinha, nem Torres Gêmeas, nem campinho de futebol! A Copa está aí… fazendo higiene de porco e enchendo de moedas as panças de leitões.

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Torre ‘gêmea’ será hotel para a Copa do Mundo

postado em: http://www.hojeemdia.com.br/minas/torre-gemea-sera-hotel-para-a-copa-do-mundo-1.335867

Imóvel que estava ocupado desde 1996 e pegou fogo em setembro passa por obras de adaptação até 2014

Celso Martins – Do Hoje em Dia – 3/09/2011 – 09:37

Prédio de 17 andares chegou a servir de moradia para sem teto

Um dos prédios abandonados conhecidos como  “Torres Gêmeas”, no Bairro Santa Tereza, na Região Leste de Belo Horizonte, está em obras e vai ser transformado em hotel. O empreendimento será usado para a Copa de 2014. O edifício foi vendido por R$ 2,6 milhões em um leilão realizado pela Justiça, no dia 12 de junho deste ano.

O dinheiro da compra será destinado ao pagamento de dívidas da empreiteira que iniciou e abandonou a obra, sendo que as trabalhistas serão as primeiras. Segundo a assessoria de Imprensa do Fórum Lafayette, o leilão chegou a ser realizado duas vezes sem que houvesse interessados e foi cancelado uma vez, por falta de condições para sua realização. O juiz temia agressão entre os representantes dos proprietários e invasores que ocupavam o imóvel. A outra torre continua ocupada por pessoas sem teto.

Uma fonte da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou que algumas casas da região serão desapropriadas para a realização de obras para melhorar o acesso ao hotel. A intenção dos proprietários do empreendimento leiloado, João Pereira Evangelista e João Batista Noronha, é comprar a torre que ainda está invadida, segundo a mesma fonte da PBH.

A torre que será transformada em hotel pegou fogo no dia 14 de setembro do ano passado. A Defesa Civil Municipal determinou a interdição do prédio depois que o Corpo de Bombeiros emitiu relatório alertando para o risco de novo incêndio no local.

Os proprietários criaram uma associação, que é presidida pela dentista Andréa Lopes Mangnani, de 50 anos. Em 1991 ela investiu cerca de R$ 36 mil para comprar um dos apartamentos do edifício, que fica no número 50 da Rua Clorita. Uma das primeiras providências da associação será contratar um advogado para garantir que o dinheiro da venda do outro prédio seja usado para indenizar os proprietários lesados com a paralisação das obras.

A associação já tem nos seus quadros 20 proprietários, mas outros 50 já estão sendo contactados por Andréa Lopes para dar força à entidade. Em reuniões, eles decidiram destituir o atual advogado, Márcio José Ribeiro da Silva. Os proprietários alegam que ele não os habilitou no processo de venda, e agora o dinheiro do leilão pode ser usado para pagar as dívidas trabalhistas, dos órgãos públicos e de fornecedores.

O Sant Martin, como seria chamado, seria o primeiro condomínio fechado de Belo Horizonte. Construído numa área de 5 mil metros quadrados, com duas torres de 17 andares cada, foi projetado para ter duas piscinas, quadras de peteca, pista de caminhada e quiosques equipados com churrasqueiras.

Com a crise financeira da Jet Empreendimentos, as duas torres foram invadidas em 1996.

Por causa do incêndio em uma das torres, no dia 20 de setembro do ano passado, as famílias que a ocupavam foram retiradas a pedido da Defesa Civil Municipal.

“O leilão só foi marcado por causa da desocupação”, lembrou Andréa Lopes. Segundo ela, as chamas não danificaram a estrutura do prédio, o que ajudou a valorizar ainda mais o empreendimento. Ela ainda tem esperança de ter parte do dinheiro investido no sonho da casa própria de volta.

As “Torres Gêmeas” ficam em frente ao Shopping Boulevard Arrudas. A intenção do grupo que está construindo o hotel é instalar uma passarela ligando ao centro de compras, evitando que os hospedes passem pela Avenida dos Andradas. O projeto depende da aprovação da PBH. O shopping estaria interessado em investir na construção da passarela, mas o custo da obra não foi informado.

Lacerda & Lacerdinha

julho 17, 2011
Em tempo:

Durante a Audiência Pública da última terça-feira, o prefeito Lacerda foi acusado de nepotismo por ter dado, ao pimpolho Lacerdinha, o cargo de presidente do comitê da Copa.

Eu não concordo e provo, com um vídeo, que esta indicação foi precedida de um debate ético-filosófico de grande profundidade e foi a bem do interesse público!

Assistam e tirem suas próprias conclusões:

Lacerda e Lacerdinha
<http://www.feirahippie.com/documentos/lacerdinha/lacerdinha.htm>

Parece piada?

Novo ataque à Serra do Curral

julho 7, 2011

Fonte: http://kikacastro.wordpress.com/

Texto de José de Souza Castro:

“Esta serra tem dono. Não mais a natureza a governa. Desfaz-se, com o minério, uma antiga aliança, um rito da cidade. Desiste ou leva bala. Encurralados todos, a Serra do Curral, os moradores cá embaixo.”

Versos de “Triste Horizonte”, poema escrito em 1976 por Carlos Drummond de Andrade, em protesto contra a concessão dada pelo regime militar a uma mineradora para explorar o minério daquela serra, rico símbolo da capital mineira. Passados 35 anos, é preciso protestar de novo em favor desse nosso “destroçado amor”, destas pedras que “se vão desfazendo em forma de dinheiro”.

Desta vez, sem o poeta que morreu em 1987 e sem o risco de levar bala, mas com os cuidados necessários para não levar um processo nas costas. Pois vamos protestar contra a ação de grupos econômicos poderosos que planejam cavucar parte da serra para construir mais uma avenida pavimentada, dezenas de ruas e centenas ou milhares de prédios residenciais e comerciais. E que já demonstraram grande poder de fogo junto ao Judiciário.

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Movimentos sociais ocupam prédio do IPSEMG.

maio 4, 2011

Na manhã da segunda-feira, 02 de maio, militantes de diversos movimentos sociais, liderados pelas Brigadas Populares e com a participação do Comitê Popular dos Atingidos Pela Copa 2014, ocuparam o prédio do IPSEMG na Praça da Liberdade.

A ação foi construída para denunciar os desmandos do Governo Estadual e divulgar a licitação fraudulenta realizada recentemente e atualmente investigada pelo Ministério Público. Na licitação, que só teve um concorrente, a rede de hotéis fasano conquistou o direito de explorar o prédio por 35 anos pagando 15 mil reais mensais. O prédio ainda tem alguns funcionários trabalhando, mas a grande maioria já foi transferida para a cidade administrativa.

Com a licitação o prédio que é público e faz parte do conjunto arquitetônico da Praça da Liberdade, será transformado em um hotel de altíssimo luxo, administrado pela iniciativa privada, lesando o povo em prol de particulares. Por isso é importante que a comunidade se mobilize e não admita tal arbitrariedade. O Ministério Público esta estudando o caso e avaliando as irregularidades da licitação. Nessa hora é importante a pressão popular! Estas informações saíram precariamente na mídia e logo foram abafadas. O Senador Aécio é amigo íntimo dos Fasano e segundo indícios, trabalhou para manipular a licitação.

Esta ação é apenas o início do que vem por ai. A Comunidade Camillo Torres está em ameaça de despejo em uma ação de reintegração de uma posse, que nunca existiu. A articulação entre o judiciário e o executivo impediu qualquer tentativa de se manter a ocupação, que é legítima e organizada em terreno público que não era usado. Misteriosamente este terreno passou a ser de posse da Victor Pneus, empresa que nunca utilizou a área.

As Comunidades Dandara e Irmã Doroty também estão em situação semelhante. Além da Mata dos Wernek, da Mata do Planalto e outros prédios público que podem do dia para a noite serem passados para a iniciativa privada. Não podemos ficar de braços cruzados enquanto o patrimônio público, que é de todos nós, é doado para os amigos dos governantes. E todas as ações são justificadas como obras para a Copa 2014. Aproveitando a paixão do Brasileiro pelo futebol nossos governantes roubam os bens públicos!

Funcionários terceirizados chegaram a tentar impedir a ação, pois estavam preocupados em realizar a mudança para a cidade administrativa. Depois de acalmá-los e garantir que o movimento não interferiria em suas atividades normais, restaram apenas caras feias, de quem vive à custa de favores no emprego público.

Funcionários Públicos concursados, soldados, cabos e sargentos da Polícia Militar foram solidários com os manifestantes ao saberem da legítima reivindicação. Todos foram unânimes ao reclamar da ingerência do Governo Estadual. A ocupação e a desocupação aconteceram de forma ordeira e não causou nenhum dano ao patrimônio público. Agradecemos a compreensão e apoio que recebemos de diferentes cidadãos que durante a manifestação também demonstraram a sua indignação.

Ps. Devido há alguns problemas não temos como anexar fotos junto aos textos, o wordpress barrou este serviço.  Para ver fotos da mobilização, click aqui.

O maior evento de BH (ou sobre a hipocrisia de Márcio Lacerda)

janeiro 17, 2011

A hipocrisia dos atuais “dirigentes” da Prefeitura de Belo horizonte, digo o secretário Josué Valadão e o próprio prefeito Marcio Lacerda, chegou ao extremo. Não há um mínimo de coerência por parte desses senhores em relação aos costumes da cidade.

Perguntamos: será que realmente moram em Belo Horizonte? Se não, vejamos: tentaram acabar com as mesas e cadeiras dos bares da cidade, mas voltaram atrás; tentaram acabar com o FIT em 2010, mas voltaram atrás; mentiram em relação ao incentivo as escolas e blocos de samba (concretamente, não incentivam o Carnaval); tentaram acabar com os eventos na praça da Estação, mas voltaram atrás para privilegiar uma grande emissora de televisão no fim do ano; desmobilizaram a Arena da Cultura, enfraquecendo a Fundação Municipal da Cultura. O maior evento nacional da música, em 2010, elaborado pelo Ministério da Cultura, [o Feira Música Brasil] só obteve êxito pelo empenho de seus produtores, pois o apoio da prefeitura foi ínfimo.

Somos 2.336 expositores, atraímos mais de 80 mil pessoas todos os domingos (dias normais da feira; em datas festivas, são mais de 120 mil compradores), sendo cerca de 6 mil pessoas de fora de Belo Horizonte. Abastecemos as milhares de lojas de artesanato espalhadas pelo Brasil e por todo o mundo com as vendas por atacado. Geramos 11 mil empregos diretos e mais de 25 mil indiretos.

Somos a maior feira a céu aberto da América Latina. Ademais, a feira está se modernizando e se formalizando – os expositores, além de formarem núcleos de produção familiar, hoje, já buscam abrir empresas, legalizando sua atividade conforme a legislação.

Arrecadamos mais de R$ 50 mil, mensalmente, em taxas e vamos passar a pagar, no ano de 2011, cerca de R$ 150 mil mensais, com o aumento proposto pela prefeitura.

Imagine o leitor: se fosse o administrador da cidade, o que faria? Potencializaria a feira, fazendo publicidade, proporia cursos de qualificação em parceria com o Sebrae ou tentaria fazer o que eles estão fazendo?

Em suma, o processo seletivo não se faz necessário, pois ele é mais um mecanismo da prefeitura para desqualificar a feira. Os critérios de seleção não são justos, pois privilegiam padrões socioeconômicos e não a qualidade dos produtos e os dotes artísticos do expositor. Um exemplo disso é que fica fácil uma pessoa com menor poder aquisitivo vencer esse processo do que um artista que já possui alguns bens, como casa própria e carro.

Acredito que o foco da questão seja político e, por isso, está sendo feito dessa forma.

Publicado no OTEMPO Online.

SOMOS TOD@S PIORES DE BELÔ

setembro 30, 2010

[Este texto vêm na esteira de outros textos e discussões puxados sobre o assunto recentemente através da internet. Trata-se de um texto sem autoria, criado a muitas mãos durante as últimas semanas. Sua reprodução é permitida e desejada]

SOMOS TOD@S PIORES DE BELÔ

Enquadrados como…?

No último dia 24 de Agosto, numa terça-feira, seis homens foram presos em Belo Horizonte acusados pelo crime de formação de quadrilha. Os seis são mais conhecidos por seus nomes de guerra: Lic, Lisk, Fama, Goma, Sadok e Ranex, e a “quadrilha” em questão ganhou popularidade na cidade como Os Piores de Belô. O crime praticado por eles, enquanto “quadrilha“, não é dos mais comuns nessa classificação: pixação.

A prisão extraordinária de pixadores pelo crime de formação de quadrilha faz parte de uma história um pouco mais complexa, que começa pelo anúncio de uma Copa do Mundo no Brasil, passa por políticas públicas imediatistas e autoritárias, e não temos idéia de onde vai parar. Nesse caso específico, o episódio é protagonizado pelo “Movimento” Respeito por BH, que de movimento não tem nada, consiste em mais um programa do governo de Márcio Lacerda. Por iniciativa do pseudo-movimento, o Ministério Público e a Polícia Civil passaram a investigar os pixadores de Belo Horizonte através da internet e de buscas em suas residências (com a conhecida “gentileza” das forças policiais), onde apreenderam desnecessariamente computadores e outros itens dos acusados.

Por fim, como um ápice cinematográfico das chamadas operações BH Mais Limpa, buscaram mais uma vez os Piores de Belô em casa, de viatura, e os encaminharam para uma penitenciária onde aguardam julgamento por um crime que não lhes diz respeito. Aguardamos, juntos, a mais uma condenação pública da liberdade de expressão mineira.

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Torres Gêmeas: já tinha cara de desalojo…

setembro 26, 2010
Postado em http://ocupacaodandara.blogspot.com/2010/09/torres-gemeas-o-povo-esta-na-rua.html

Governo do Estado e Prefeitura impedem famílias das Torres Gêmeas (prédio nº 100) de voltarem para suas casas e não oferecem nenhuma alternativa digna. Enquanto isso, crianças, adultos e idosos ficam ao relento.


Desde a última segunda-feira, dia 20 de setembro, cerca de 80 famílias que moram no prédio nº 100 da ocupação vertical mais antiga de Belo Horizonte estão impedidas pela Polícia Militar e pelo Corpo de Bombeiros de retornarem para seus apartamentos. A PM, comandada pelo Governador Antônio Anastasia, cercou ostensivamente o prédio em que ocorreu o incêndio e mantém guarda com armas de grosso calibre, cães, bombas etc. O Corpo de Bombeiros, por sua vez, nega-se a apresentar o resultado do laudo da perícia realizado ontem (21/09) atestando se houve ou não comprometimento da estrutura do edifício. Ao mesmo tempo, as organizações que apóiam as famílias são impedidas de realizar perícia complementar com engenheiros e arquitetos autônomos.

Esse quadro de incertezas é agravado pela postura do Governo Estadual e Municipal em não dialogar, como em outros conflitos urbanos de BH. A Prefeitura solta notas à imprensa, mas não oferece nenhuma resposta às famílias desalojadas. O prefeito Márcio Lacerda mantém a postura de intransigência e propõe como solução o abrigamento indigno. O Governo do Estado, que não constrói nenhuma casa em Belo Horizonte há mais de 15 anos, também não oferece nenhuma alternativa digna.

Enquanto isso, dezenas de crianças estão sem banho, comendo mal e sem irem à escola. A Defesa Civil fornece apenas duas refeições ao dia. Não foram disponibilizados banheiros. Não há qualquer assistência à saúde dos desalojados. A situação é desoladora…

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