Archive for the ‘Livre’ Category

Fantasia de Carnaval de BH, nas melhores casas do ramo!!

fevereiro 14, 2012

Anúncios

Qual é PSTU?

dezembro 21, 2011

Desde 2010 ajuventude de BH começou a se mobilizar com mais intensidade. Em 2011 o Movimento Fora Lacerda e o Grupo Anonymous deram o tom das manifestações nas ruas de BH! Um levante que acontece em todo mundo, lutando por melhores condições de vida, dignidade e justiça para todos. Lutamos contra o sistema Neo-liberal corrupto e elitista que governa em prol de grandes empresas e empresários.

Os motivos da luta são antigos, nova é a forma de organizar, mas não para todos. Os partidos políticos ainda não entenderam esta nova fase, não entenderam o que é um movimento sem lideres e sem rosto, não entendem o que é uma organização horizontal e rizomática. Caso soubessem já teriam optado por esta forma de organização para as bases partidárias. Mas não, continuam impondo hierarquias e modus operanti do século passado, acreditando que militante é o início da massa de manobra.

Mas nem todos agem assim, alguns militantes de diversos partidos de esquerda – PSOL, PSTU, PCB, PCR – aderiram aos movimentos. Isso é muito importante para a democracia, trocar idéias, aprender uns com os outros, compartilhar posturas e construir juntos. A maioria entendeu isso e participa dos movimentos com discrição e respeito.

Mas não é o caso do PSTU, aliás, é preciso separar: não é o caso da direção local do PSTU. É preciso respeitar o cidadão, o militante partidário, que está na luta e acredita na proximidade com estes novos movimentos. O problema da direção local do PSTU é acreditar que as manifestações de rua são o momento para o partido se mostrar. É acreditar que ao levar bandeiras para os movimentos estarão mostrando sua solidariedade. Infelizmente isso não é a verdade.

Quando o PSTU chega com suas bandeiras, sempre em maior número que os demais partidos e que o próprio movimento, está aparelhando a manifestação. Está dizendo para a população: olha nos fazemos parte disso. E não é verdade. Quem faz parte disso são alguns militantes do PSTU, o partido em si não ajuda em nada os movimentos que estão se articulando.

Assim PSTU vocês estão conseguindo ser antipatizados por todas as organizações. Jovens, sedentos por participação política se vem impotentes e desmoralizados por uma atitude ignorante e velha, ultrapassada.

E demais a mais, vai um desafio. Façam uma grande marcha de contestação a administração municipal. Mobilize suas bases, construam alguma coisa ao invés de querer se aproveitar das construções alheias. Na hora de fazer a janta ninguém aparece,  mas na hora de servi o prato são os primeiros da fila. É triste ver uma parte da esquerda desnorteada e sem saber como convencer os jovens de suas posturas, principalmente quando não conseguem nem mesmo criar um diálogo com os movimentos.

Se não conseguem se aproximar de forma digna e construir um movimento juntos, com diálogo, como podem escrever uma carta assinando em nome de um movimento do qual o partido nem faz parte? Que brincadeira é esta de conclamar uma união dos partidos de esquerda, usando um movimento?

Esperamos que estejamos juntos em todas as manifestações, venham de coração aberto e se possível ajudem a construir, antes de querer aparecer.

Como funciona o BH Resolve

setembro 24, 2011

.

Na selva de pedra, não se pode morrer na natureza?

fevereiro 17, 2011

“Após morte, prefeito decide interditar Parque Municipal de Belo Horizonte” (Via Comercial)

 

 

“Uma mulher morreu depois de ser atingida por uma árvore de grande porte, na manhã desta quarta-feira, dentro do Parque Municipal, no Centro de Belo Horizonte. O acidente aconteceu na entrada da Alameda Ezequiel Dias, quando a vítima fazia caminhada no parque. Um grupo percebeu que a árvore estava caindo e avisou a mulher. Ela tentou correr, mas foi atingida pelo tronco do jatobá de aproximadamente 20 metros.” (Estado de Minas)

 

Não existe nenhum mistério em dizer que a única certeza que carregamos nessa vida é a de que vamos morrer. Mas, muito pouco tem se discutido a respeito das possibilidades reais que nos são oferecidas de morte na cidade.

Dentre elas, podemos citar assassinad@s, “suicidad@s”, envenenad@s (seja letalmente ou lentamente com a poluição que nos rodeia),  abortad@s, e a lista de hipóteses a qual me refiro não termina por aqui. Muito pelo contrário, para mim e meus companheir@s de caminhada (talvez tão companheir@s quanto a mulher que um dia caminhou felizmente no parque municipal), a morte começa com a CIDADE.

Ora, por que? Talvez porque nosso egocentrismo seja a razão da morte da própria vida em sua totalidade. Não é de hoje que critico, assim como muit@s que escrevem aqui, das obras faraônicas do deserto que está se tornando Belo Horizonte por conta da troca de nosso ouro por espelhos e quinquilharias importadas “Made in China, EUA ou qualquer outra superpotência da escravidão mundial”.

O ouro de que falo, talvez não brilhe tanto quanto aquele mineral tão valioso para aqueles que acham que dinheiro vale tudo – Permitam-me aqui ressuscitar a magia da vida e gerar uma alquimia com as palavras – falo daquele ouro que pode e tem todas as cores do arco-iris, a NATUREZA. E os espelhos e quinquilharias de que falo são nada mais nada menos que o ouro mineral que para alguns vale tanto quanto notas de dólare$, euro$ ou (ir)reai$.

É isso que estamos usando como moeda de troca, abrindo mão do conforto e da naturalidade de nosso arco-iris em troca do cinza high tech feito para copas do mundo que talvez pouco se interessam em preservar o meio ambiente, os ciclos orgânicos e as culturas não-hegemônicas tão diferente e tão igual a de noss@s indi@s e negr@s nesses 5 séculos e pouco de escravidão.

Pode parecer balela o que digo, fazendo uma correlação entre a morte acidental, ou melhor, natural, pois diria que há mais naturalidade em morrer esmagad@ por uma árvore do que por carros, concreto ou outra coisa monótona ou sem vida, da senhora que faleceu dessa maneira no Parque Municipal, um dos únicos pontos onde ainda HÁ VIDA NO CENTRO DA CIDADE. Como amig@ das praças muito pouco arborizadas, não deixo de me indignar com o fechamento do Parque Municipal de Belo Horizonte que só ” (…) reabre em abril.” (Hoje em dia), porque o tão conhecido “colonizador burguês” Márcio la(…) merdou mais uma vez dizendo que “uma força-tarefa seja formada para investigar a situação das 3.700 árvores da área. Não há ainda informações sobre os órgãos que irão compor esse grupo nem quanto tempo será necessário para concluir o mapeamento das espécies e adotar as medidas necessárias para garantir segurança à população.” (Via Comercial)

 

E o que dizer da morte NATURAL da ÁRVORE em questão, ou dos outros seres vivos, ou infinitas mortes de Homo “sapiens”? que vemos todos os dias nos espaços cimentados da capital? Porque eles não ganham noticia trágica e nem fazem parar as principais vias de tráfego de Belo Horizonte quando alguem morre, por exemplo, numa porrada de frente, entre ônibus e gente? Porque o corpo de bombeiros, a prefeitura e orgãos (in)competentes não mandam interditar, por tempo indeterminado, as BR’s, avenidas e ruas sob sua jurisdição e responsabilidade no que diz respeito a SEGURANÇA quando alguem morre nelas?

 

ENTÃO, PORQUE INTERDITAR O NOSSO PARQUE?

 

Faço aqui um manifesto em defesa da natureza exuberante e certamente muito mais segura e viva que qualque obra que o egocentrismo das mãos humanas já produzida. E se alguém morreu por causa dela, tenho plena certeza que deve estar descansando em paz, diferente de mim, que desejaria poder fugir ao menos um pouco do caos da vida no centro de BH me embrenhando e deitando para um suave cochilo ou prazerosa e menos arriscada (comparada a uma rua ou calçada urbana) caminhada na mata preservada que me permite respirar ar mais puro, ver cores mais vivas e beber águas mais limpas nos meus intervalos de escravidão moderna como trabalhadorx, estudante, e antes de tudo como SER (e não TER) human@, coisa comum a qualquer umx que está lendo esse manifesto.

 

Celebremos a vida e a morte da cidade, e tenhamos ciência ou fé de até quando estamos ajudando ou atrapalhando a naturalidade cíclica pela qual elas acontecem.

 

“Boulevard arrudas” não foi só o começo, e a interdição do parque não será o fim. Abaixo os colonizadores! sejamos nós, noss@s propri@s CACIQUES nessa selva.

 

I JUCA-PIRAMA (Gonçalves Dias)

(fragmentos)

IV

Meu canto de morte,

Guerreiros, ouvi:

Sou filho das selvas,

Nas selvas cresci;

Guerreiros, descendo

Da tribo tupi.

 

Da tribo pujante,

Que agora anda errante

Por fado inconstante,

Guerreiros, nasci:

Sou bravo, sou forte,

Sou filho do Norte;

Meu canto de morte,

Guerreiros, ouvi.

 

Já vi cruas brigas,

De tribos imigas,

E as duras fadigas

Da guerra provei;

Nas ondas mendaces

Senti pelas faces

Os silvos fugaces

Dos ventos que amei.

 

Andei longes terras,

Lidei cruas guerras,

Vaguei pelas serras

Dos vis Aimorés;

Vi lutas de bravos,

Vi fortes — escravos!

De estranhos ignavos

Calcados aos pés.

 

E os campos talados,

E os arcos quebrados,

E os piagas coitados

Já sem maracás;

E os meigos cantores,

Servindo a senhores,

Que vinham traidores,

Com mostras de paz.

 

Aos golpes do imigo

Meu último amigo,

Sem lar, sem abrigo

Caiu junto a mil

Com plácido rosto,

Sereno e composto,

O acerbo desgosto

Comigo sofri.

 

Meu pai a meu lado

Já cego e quebrado,

De penas ralado,

Firmava-se em mi:

Nós ambos, mesquinhos,

Por ínvios caminhos,

Cobertos d’espinhos

Chegamos aqui!

 

O velho no em tanto

Sofrendo já tanto

De fome e quebranto,

Só qu’ria morrer!

Não mais me contenho,

Nas matas me embrenho,

Das frechas que tenho

Me quero valer.

 

Então, forasteiro,

Caí prisioneiro

De um troço guerreiro

Com que me encontrei:

O cru desasossego

Do pai fraco e cego,

Em quanto não chego,

Qual seja, — dizei!

 

Eu era o seu guia

Na noite sombria,

A só alegria

Que Deus lhe deixou:

Em mim se apoiava,

Em mim se firmava,

Em mim descansava,

Que filho lhe sou.

Ao velho coitado

De penas ralado,

Já cego e quebrado,

Que resta? —Morrer.

Em quanto descreve

O giro tão breve

Da vida que teve,

Deixai-me viver!

 

Não vil, não ignavo,

Mas forte, mas bravo,

Serei vosso escravo:

Aqui virei ter.

Guerreiros, não coro

Do pranto que choro;

Se a vida deploro,

Também sei morrer.

 

 

 

 

Agora a onda é outra: @pbhonline e a ameaça à Feira da Afonso Pena

fevereiro 3, 2011

Prefeitura de Belo Horizonte lança Edital para licitação de novos expositores da Feira de Artesanato da Avenida Afonso Pena.

Não sei se você que é nosso amigo, cliente, fornecedor de matéria prima está ciente do que está acontecendo na Feira de artesanato.

Peço desculpas por estar “invadindo” seu email, mas acho interessante informar às pessoas o que estamos passando diante do lançamento neste edital.

A PBH…publicou o edital e as inscrições estão abertas para qualquer pessoa que tiver interesse em expor na feira.

Até ai tudo bem, certo? Concordo que as pessoas tenham realmente a oportunidade de estar na feira desde que preencham os quesitos exigidos.

A feira foi invadida por produtos importados.

Alguns expositores , digo, muitos expositores alugam suas barracas e “aparecem” na feira para assinar a chamada e receber o dinheiro relativo ao aluguel.

Várias barracas estão recheadas de produtos industrializados.

Sabemos disto? Sim… sabemos e mais que isto: Sabemos que a prefeitura também sabe.

Sabemos que se a Prefeitura quisesse agir contra estes expositores… ela agiria .

Durante anos vamos sofrendo com as “mudanças” prometidas pela PBH.

Em época de eleição isto não acontece…afinal de contas …voto de expositor tem valor, não é?

Em época de eleição a feira é infestada por santinhos, candidatos que vão e prometem mundos e fundos.

Sei que alguns são eleitos e só volto a ouvir falar dos ditos cujos nas eleições seguintes.

Não vou citar nomes destes políticos, porque não votei em nenhum deles. Meu voto tem valor.

Eu e meus irmãos fomos criados por um marceneiro e uma professora que lutaram muito para nos educar de forma digna. Tudo o que temos e aprendemos agradecemos a eles : Mãe e pai.

Conquistamos o que toda pessoa sonha na vida: Conforto, dignidade e até bens materiais, porque não?

A feira de artesanato não é um hobby…é um meio de vida.

Só que hoje nossas conquistas podem nos tirar da feira.

De acordo com o edital a seleção será feita em duas etapas.

A primeira é simples… um questionário sócio econômico.

Simples demais, não é?

Tão simples que o candidato precisa alcançar míseros 630 pontinhos.

Resolvi fazer uma simulação e eis que… seremos REPROVADOS já na 1ª etapa.

Mas porque  reprovados?

Porque nossas CONQUISTAS geram pontos mínimos.

Ganha uma pontuação maior quem é :ANALFABETO,DEFICIENTE FÍSICO, NÃO POSSUI CASA PRÓPRIA , NÃO POSSUI VEÍCULO, DESEMPREGADO OU GANHA DE 1 A 3 SALÁRIOS MÍNIMOS.

 

Não teremos nem a “chance” de mostrar à fiscalização (2ª etapa de avaliação) que somos artesãos de fato. Que temos nossa oficina, que produzimos nossas peças e que poderíamos brigar por uma vaga na feira com tranqüilidade.

Não tenho nada contra o analfabeto, contra o deficiente físico e muito menos por pessoas que ganham aquele salário que o governo insistir em dizer que é BOM.

Quem é que estuda, trabalha e não quer alçar voos longos ?

Será que agora as coisas serão diferentes porque queremos conquistar algo?

Tenho acompanhado pela imprensa a situação da feira, mas acho que a população não está a par do que está realmente acontecendo.

Nós expositores, não somos bandidos.

Nós expositores queremos trabalhar .

Se os 27 anos de feira não valem nada … que nos deixem competir de forma digna. Que nos deixem conquistar a vaga pelos nossos méritos. Não tenho medo de ter que provar o que fazemos, como fazemos, pois fui criada dentro de uma oficina com muito orgulho.

Quero esclarecer que não sou contra a licitação e sim contra este edital feito na calada da noite que considero discriminatório, autoritário e cheio de preconceitos.

Existe hoje uma situação de pânico coletivo na feira… nas famílias destes expositores, pois no fundo estamos sendo ameaçados.

Tomei esta atitude em escrever a vocês porque este caso precisa ser divulgado, ser mostrado para a população o que está realmente acontecendo. Infelizmente não vi ainda representatividade à altura dos artesãos na imprensa. O que estou vendo são briguinhas e ofensas entre expositores que nem neste momento difícil se unem para lutar por algo que nos interessa. Não adianta atacar o prefeito em cima dos problemas pessoais dele…Não adianta falar abobrinhas citando uma emissora de TV que é poderosa.Não adianta criticar jornal que circula pela cidade. O foco principal neste momento é a luta para continuarmos na feira. Que a licitação seja feita, mas que a análise seja justa com quem conquistou algo.

Já que tomei a liberdade de lhe enviar este verdadeiro “testamento”…se você puder, se tiver um tempinho, repasse este email aos seus amigos. Gostaria que a população tomasse conhecimento dos fatos.

Estamos marcando uma reunião no sindicato dos jornalistas (Av. Alvares Cabral, 400, Centro), nessa quinta feira dia 3, as 15:00, para construir um coletivo em defesa da cultura de BH e acompanhamento aos atos do prefeito.

Favor divulgar para os demais.

Ô abre valas que o Pato Donald quer passar

dezembro 27, 2010

Texto publicado originalmente no blog http://www.odisseianoespaco.wordpress.com, do Nuno Manna.

(BH, abril de 2010)

Quem chegasse nervoso, exigindo explicações pelas intervenções na orla da Lagoa da Pampulha para o evento que aconteceria no dia seguinte, seria desconcertado pela simpática recepção de Dona Valdete. A secretária da Regional Pampulha derreteria qualquer coração gelado com a gentileza encarnada em sua voz doce e sorriso delicado. Logo lhe ofereceria uma cadeira, uma água, um cafezinho, e um release que colocaria tudo em pratos limpos. Como lá constava, no sábado, dia 27 de março, a Pampulha abriria suas portas para uma homenagem da Nestlé a Belo Horizonte. A cidade receberia atividades voltadas às famílias mineiras, “promovendo ações de conscientização ambiental e conservação da área, apoiando projetos de melhoria e prestando serviço para a comunidade por meio de atividades de educação, lazer e entretenimento.” Para coroar o dia e encantar o público, entraria em cena a Parada Disney, um desfile que percorreria dois quilômetros da orla com carros alegóricos espalhando a magia da turma do Mickey Mouse. Diante de tamanha homenagem, o que significavam algumas árvores, quebra-molas e canteiros a menos?

A organização do evento vinha sofrendo uma série de críticas e reclamações, especialmente dos moradores da região que abrigaria o evento – formada em grande parte por bairros de vistosas mansões. Questionava-se sobretudo a escolha da orla da Lagoa da Pampulha, local irregular e estreito, com poucas vias para acesso e escoamento, e que exigiam tantas adaptações para cumprir as exigências do evento. Se a gentileza de Dona Valdete e o texto apaixonado do release não convencessem o reclamante, a Regional lançaria mão de seu curinga: João Gabriel, o assessor de comunicação.

De postura épica e com frases peremptórias na ponta da língua, João Gabriel já tem as respostas para todas as perguntas, antes mesmo que elas terminam de ser formuladas. “É um por cento da população de Minas Gerais que já teve condições de ir aos Estados Unidos e à Disney. E o restante que pode estar aqui amanhã com as crianças vendo o desfile de graça? Isso também tem que ver, né. É o lado bom da coisa. É por aí.” E golpeia antes que o acertem: “Todos os eventos aqui são contestados pela população rica, pelo pessoal de posse. Evento no Mineirão, evento no Mineirinho, eles contestam tudo. Eles não querem evento aqui. Querem que a Pampulha esteja livre pra eles. Entendeu? É isso.” Depois disso, João Gabriel dá uma aula mais que didática sobre a democracia e o espaço urbano: “A Pampulha é um local público. É público: não tem dono. É para o povo. Entendeu? Público. Então quem cuida disso é a prefeitura, através da Regional Pampulha. É isso.”

Para que não haja mal entendidos, João Gabriel justifica as intervenções na orla da Lagoa. Afirma que as árvores que foram arrancadas já estavam tombadas em decorrência de um vendaval que assolou a região alguns dias antes. O restante só teve que passar por uma poda básica, que também já seria feita mas que foi antecipada em função do evento. Ainda ficaram alguns galhos que insistiam em atrapalhar a passagem do cabeção do Buzz Lightyear, mas nada que alguns cabos de aço não resolveram. Já as lombadas, os fios, a rotatória, as placas de sinalização, os pedaços de calçada… é só tirar e pôr de novo. “Reconstruir o meio-fio é colocar terra e grama. Isso é a coisa mais fácil que tem. Entendeu? É por aí.”

A Secretária do Turismo do Estado de MG, Érica Drummond, jura que a Pampulha foi escolhida dentre várias opções por apresentar as características técnicas ideais. João Gabriel tem uma justificativa bem mais convincente: “Porque a Pampulha é linda. E o Mickey é um sonho. Uniu-se o sonho à beleza da Pampulha. Por isso. Mais nada.” E sobre como o evento conjuga suas atividades com valores como conscientização ambiental e conservação da área, João Gabriel é preciso: “Disso eu não sei não.” Talvez, por um deslize momentâneo, dona Valdete se esqueceu de lhe fazer uma cópia do release. Mas pra não deixar por menos, o assessor compensa: “Mas nós temos vários projetos pra melhorar a Pampulha.” Tipo quais? “Eu não posso falar, porque os projetos estão sendo escolhidos. O que se faz é recolher o lixo. E limpar a Pampulha. É isso.” Ah, bom.

Se depois de tantos argumentos, o reclamante insistisse na questão, João Gabriel usaria seus maiores dons para conquistá-lo: uma lição de vida – “Eu sou realizado na minha profissão. Já passei por muita coisa na vida. E de 1974 a 1985, não fui preso nem nada. Faço palestras aí nas escolas. Você pode olhar meu currículo. Não é com presunção não. É porque eu gosto de passar alguma coisa que eu aprendi. Isso me foi dado, assim, com muita beleza.” – e a poesia – “Vou te dar um livro meu pra você ler. Eu tenho 160 poemas sobre o amor”. De dentro de uma gaveta estrategicamente à mão, João Gabriel tira um livro preto que estampa na capa uma rosa vermelha contornada por um foco de luz em forma de coração. Em amarelo, o título: “Amor Total”. De dentro de um dos o’s, um cupido espreita com sua flecha.

Marcianos,
Marcianas,
Onde estão?
O que fazem
Nesse outro mundo?
Me expliquem
Por favor
Como praticam o amor
(…)
ET,
Homem e mulher
Para vocês
É tão complicado amar?
Imagino que não
Mas pergunto se tem
O mesmo sabor
Do nosso amor

Os trechos sutis e maravilhosos são de Amor ET. A coletânea traz ainda outras preciosidades a serem descobertas, como Amor supimpaAmor burroAmor pequiAmor talibãAmor no mato. Envolvendo seu interlocutor tão intensamente, João Gabriel apazigua qualquer tipo de amargura. Não se importa de receber tantas pessoas questionando sobre a Parada Disney. “Isso a gente tira de letra! Não tem dor de cabeça nenhuma.” E para mostrar seu desprendimento de questões mundanas, João Gabriel chama atenção para as coisas verdadeiramente valiosas na sua vida. “Se eu tivesse oportunidade de ir a  um desfile como esse nos EUA eu não iria. Eu não tenho atração por isso. Se fosse negócio de literatura, cultura… Eu não iria pra ver boneco da Disney. Não faz sentido. Mas criança iria. É pras crianças. Entendeu? É isso.” E tudo estaria bem. Ânimos apaziguados, o amor nos corações, árvores, lombadas, canteiros…fora do caminho, e a Bela Adormecida vigilante e a postos. Tudo sairia bem, não fosse pela ação daquelas que, ironicamente, eram o motivo de todo o evento e de quem menos se esperaria algum tipo de perturbação: as crianças.

.

O início da Parada estava marcado para as quatro da tarde daquele sábado. Por volta do meio dia, a orla da Pampulha ainda estava tranqüila. O pessoal da staff do evento ainda recebia seus uniformes. Alguns estavam almoçando calmamente as marmitas que foram distribuídas, sentados sob as sobras das árvores. As primeiras crianças, com os pais mais precavidos, começavam a chegar.

Elas vinham com suas carinhas de santo, baínho tomado, cabelinho penteado e olhinhos arregalados. Santinhos do pau oco. Chegavam e logo se faziam em casa, correndo pra lá e pra cá, gritando, atazanando os distribuidores de brindes. Uma gangue de tatuados já se organizara. Enquanto uma especialista em carinha de dó chantageava para conseguir montes de papéis de tatuagem adesiva, um mais velho e chefe do bando se encarregava de pregar e molhar as estampas nas bochechas dos mais novos.

Havia bandeirinhas e orelhinhas de papel do Mickey para todos, o que não evitava a competição para ver quem tinha mais, ficava mais bonitinho e levantava mais alto sua bandeirinha. A admiração pelo camundongo maior era de menos. Não importava que seus ídolos agora sejam as Meninas Super Poderosas e os Backyardigans. Os interesseiros e deslumbrados balançavam suas bandeirinhas e gritavam levianamente o nome do símbolo da infância de seus pais: “Mickey! Mickey!”.

Tudo era espetáculo. Nem mesmo os brigadistas do Corpo de Bombeiros, preocupados com a segurança das pestinhas, estavam livres do assédio. Uma menina quis porque quis que seu pai tirasse uma foto sua com o moço uniformizado.

No meio da multidão, com preguiça de tentar chegar aos banheiros químicos, um despudorado de uns dois anos de idade resolveu fazer xixi ali mesmo, na frente de todos, debaixo de uma árvore. Nem mesmo os mais folgados foliões dos carnavais teriam tanto descaramento.

Espalhadas entre a Igreja de São Francisco e o Iate Club, os capetinhas estavam tão cheios de si que faziam pouquíssimo caso das curvas de Niemeyer, dos murais de Paulo Werneck e de Portinari, dos baixos-relevos de Alfredo Ceschiatti, dos jardins de Bourlle Marx. Sinal de uma geração que tem seu próprio e novo Centro Administrativo Presidente Tancredo Neves, e que não se impressiona com o que não tem 146 metros de vão suspenso.

Algum tempo depois, o estreito espaço reservado para o público (incluindo o que sobrou das calçadas e os jardins dianteiros das casas dos moradores) estava tomado por uma multidão de crianças. O cheiro de perfume e talquinho era tão inebriante que nem se sentia o cheiro da lagoa. O bando que arrastou seus pais para sair atrás do trio do Mickey tomava conta tão completamente do local que ninguém mais conseguia chegar até lá. Outros tantos meninos invejosos davam chiliques dentro dos carros e ônibus a quilômetros de distância presas nos engarrafamentos das avenidas da região.

Quando um apressadinho perguntou sobre a hora do início da Parada, um segurança respondeu que ela estava marcada para as quatro, mas que devia começar umas quatro e meia. Um colega de equipe que estava ao lado corrigiu em tom repreensivo: “Começa às quatro em ponto, rapá!” O primeiro justificou: “Essas coisas nunca começam na hora. Em quantos eventos você já trabalhou?” O segundo retrucou: “Mas isso aqui é evento internacional.” Novamente, o primeiro mostrou que tinha seus motivos: “O show do Guns ‘N Roses era internacional e atrasou duas horas!” Mas, aparentemente, o ursinho Pooh não demora tanto tempo para se vestir quanto Axl Rose. Às quatro horas o primeiro carro apontou.

Eram Donald e Margarida dentro de um calhambeque vermelho. As crianças enlouquecidas soltavam berros agudos e ensurdecedores, mais histéricas que adolescentes no cinema assistindo a Crepúsculo e que mulheres de meia idade ouvindo Eduardo Suplicy interpretando Racionais MC’s. Nem repararam que o carro de Donald era uma réplica do Chevy 1933 Coupe, com motor 2.3, cinco marchas e direção hidráulica, produzido artesanalmente por uma equipe supervisionada por Emerson Fittipaldi, inspirado no calhambeque do Rei Roberto Carlos. Elas só queriam saber do casal de patos.

Foram quarenta minutos de Pequena Sereia, Peter Pan, Mogli, Branca de Neve e os Sete Anões… Mas a magia não era o suficiente para evitar o verdadeiro caos estava para começar. O castelo mágico da Disney começou a desabar quando uma menina maldosa de uns 8 anos revelou ao irmão mais novo: “O Mickey de verdade ficou na casa dele. Ele só mandou um representante.” Ela descobrira que, apesar de ser supervisionada pela Disney, a Parada era formada por atores brasileiros, não se tratando da original. O menino ficou desolado. A notícia correu rapidamente a multidão. Revoltadas, as crianças jogavam suas bandeirinhas e orelhinhas no chão, usando de desculpa a falta de cestas de lixo, deixando o local imundo. Muitas se rebelaram e se soltaram dos pais, fugindo muvuca adentro.

O evento que se preparara para receber 100 mil pessoas, teve um público estimado de mais de 200 mil – enquanto um Mineirão ali ao lado, lotado em dia de jogo, recebe 60 mil pagantes. E se outras milhares de pessoas ficaram presas no trânsito tentando chegar e ocupar o disputado espaço no trajeto do desfile, as que conseguiram (ou pelo menos tentaram) receber um tchauzinho da Sininho não podiam sair de lá. Eram 200 mil pessoas presas no mundo encantado. No mar de gente congestionado na orla via-se crianças chorando, pais enfurecidos, carrinhos de bebês sendo carregados por cima da multidão, mãe sentada no chão amamentando. O que não faltou foi criança perdida e desidratada pelo calor e sede.

Às oito da noite os carros e ônibus ainda tentavam sair do lugar. A Calourada da UFMG que acontecia no centro esportivo logo ao lado contribuía para obstruir as saídas e represar a multidão. Os mais dispostos já haviam conseguido andar alguns quilômetros para tentar um ponto de ônibus livre. Algumas das crianças, as mais perseverantes, ainda caminhavam usando suas orelhinhas de camundongo.

.

No início da semana seguinte, a Secretária do Turismo de MG estava satisfeita com o teste da área de Belo Horizonte que vai abrigar jogos da Copa do Mundo em 2014. “Essa vivência de organização de grandes eventos é importante pra BH. Foi o maior evento que BH já recebeu. E vimos que foi um sucesso. Foi pra quem quer ver desenvolvimento, entretenimento, atrativo turístico para todos. Não teve um acidente. Todo mundo caminhando devagar, sem correria. Se eu pudesse e se houvesse interesse do setor privado, repetiria o evento semana que vem. É BH se inserindo no contexto dos grandes eventos.”

A Secretária também avalia positivamente a estrutura mínima que foi necessária para realizar o desfile, e mostra como Belo Horizonte é uma cidade privilegiada. “Em cidades maiores, todo o trânsito é modificado pra que se tenha um grande evento.” E sobre os problemas de acomodação e deslocamento do público, ela deixa sua mea culpa: “Não imaginamos 200 mil pessoas. Se eu soubesse talvez eu teria ido às rádios, interditado as vias indo e voltando. A organização dá jeito pra tudo.” Mas mostra que não é de todo culpada: “O que não pode, também, é o público achar que pode sair de casa só uma hora antes e sair vinte minutos depois que acabou. O belorizontino não está acostumado. É uma falta de experiência do público e de eu que organizei. Agora já temos essa expertise.” Falou ainda sobre os efeitos do evento para o local: “As intervenções foram muito pequenas para um evento tão grande. E três, quatro horas depois, a Pampulha estava impecável.” O tapete de papel picado colorido deixado na rua certamente era um presente para os que correram por lá na maratona do dia seguinte.

.

Nem todos puderam prestigiar o evento, por motivos diversos que não o da saturação do espaço da Pampulha. No momento em que o Pato Donald engatava a primeira em seu calhambeque rumo à glória, o governador Aécio Neves sorria para uma foto em Teófilo Otoni, homenageado pelo apoio às regiões mais pobres do Estado; o prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda estava em viagem a Bogotá, tendo lições sobre sistemas de transporte de massa; um grupo de cerca de 150 pessoas partia em marcha para a sede da prefeitura em protesto contra cortes no orçamento para a cultura, o cancelamento de grandes eventos de cunho cultural na cidade e o decreto do prefeito (“…considerando a dificuldade em limitar o número de pessoas e garantir a segurança pública decorrente da concentração e, ainda, da depredação do patrimônio público…”) proibindo eventos “de qualquer natureza” na Praça da Estação, uma das maiores praças da cidade; o assessor/poeta João Gabriel estava em casa, se compadecendo com sua mulher que machucara o pé; o filho de seis anos de João Gabriel, menino compreensível que é, não se importou com a perda da passagem do Pateta.

…E PRA VOCÊ, MEU IRMÃO, O QUE É A PRAIA DA ESTAÇÃO?

dezembro 20, 2010

Longe de ser um “movimento organizado” de indivíduos com um único e mesmo objetivo, a Praia da Estação parece ser a confluência de uma heterogeneidade de pessoas que dão a ela sentidos e significados diversos…

Compartilhe aí nos comentários o modo como você vê e desfruta desse fenômeno praieiro e quais as suas possibilidades de desdobramentos!

Olá! Login e Senha!

maio 6, 2010

Então, é isso mesmo! É de publicação aberta! Só é necessário fazer um login e poderá publicar o que quiser. Então vamos lá:

Na página www.wordpress.com
Nome de usuário: praceirx
Senha: praçalivre

A Senha é com Ç mesmo!

(more…)

Mais sobre o FIT 2010

abril 1, 2010

Jornal O TEMPO, 31/03/2010

Curadores do FIT chamam repórteres dos três jornais de Belo Horizonte para anunciar a decisão de colocar seus cargos à disposição

Nada é tão ruim que não possa piorar. Uma grande bagunça é o mínimo o que se pode dizer sobre o futuro do FIT, o que reitera meu texto da semana passada.

Acompanhem o que aconteceu ontem em poucas horas. Às 10h da manhã, Eid Ribeiro e Richard Santana, curadores do festival, chamaram repórteres dos três jornais de Belo Horizonte para anunciar, antes para a imprensa, a decisão de colocar seus cargos à disposição. Uma atitude digna de Eid e Richard, que se sentiram indignados com a forma com que a presidente da Fundação Municipal de Cultura, Thaís Pimentel, anunciou a notícia do adiamento do festival (leia na página 3), culpando a falta de qualidade na programação.

Após a coletiva, os dois curadores enviaram uma carta aberta para a Fundação e para o coordenador do FIT, Carlos Rocha, anunciando a decisão.

Pois, exatamente às 15h02, chegou à redação uma nota informando que a Prefeitura de Belo Horizonte garantia a realização do FIT em 2010

Diz a nota: “O prefeito Márcio Lacerda e a presidente da Fundação Municipal de Cultura, Thaís Pimentel, decidiram que a 10ª Edição do Festival Internacional de Teatro Palco & Rua será realizada normalmente, neste ano de 2010. As dificuldades apresentadas serão contornadas, como ocorreu em todas as edições anteriores”.

E a coisa ainda piorou. Ao ser informado por nossa repórter Soraya Belusi sobre o anúncio, Carlão afirmou ser contra a realização do FIT neste ano e, no calor da emoção, disse que sairia da coordenação. Depois voltou atrás e disse que iria analisar a situação, primeiro.

Seria hilariante, se não fosse uma tragédia. Depois de anunciar em coletiva há duas semanas, sem a presença de Carlão, o adiamento do FIT, agora a Fundação toma uma decisão à revelia da coordenador do evento.

Sem curadoria, sem coordenação – quem sabe? – e sem diretora de produção – que havia pedido demissão em fevereiro -, o que podemos esperar dessa edição prometida por Marcio Lacerda e Thaís Pimentel?

Ninguém é insubstituível, é verdade. Mas como não suspeitar de que há algo de muito errado na Fundação Municipal de Cultura quando decisões são tomadas dessa forma desrespeitosa com pessoas que têm uma história na realização deste, que é um dos principais e mais queridos eventos da cidade.

Não sou amiga, nem sequer conhecida de Eid, Carlão e Richard, mas como profissional conheço suas trajetórias e reconheço o valor que eles têm, principalmente, na realização do evento. Das nove edições do FIT realizadas até agora, Eid e Carlão estavam à frente de oito, e Richard faria sua segunda edição como curador – sendo que ele exercia no festival, desde 2002, também a função de coordenador de relações internacionais, aquele que viabiliza a vinda de espetáculos de todas as partes do mundo.

Quem serão as pessoas que vão substituí-los? Quem serão os corajosos que vão pegar esse rojão?

Antes de revoltante, a situação é muito, muito triste porque, para mim, não são pessoas como Eid e Richard que deveriam sair, mas aqueles que impedem, de alguma maneira, que as coisas aconteçam.

Isso demonstra que o Mal está vencendo essa guerra.

Ao ser informado por nossa repórter sobre o anúncio, Carlão afirmou ser contra a realização do FIT neste ano e que sairia da coordenação

SILVANA MASCAGNA escreve no Magazine às quartas-feiras. mascagna@otempo.com.br

Publicado em: 31/03/2010

Para receber o Mickey, nós fazemos papel de Pateta

março 25, 2010

Postado em www.pedreiranavidraca.blogspot.com

Sério. Ainda bem que eu não sofro de pressão alta. Se não, teria caído duro já com essa administração municipal belorizontina. Cacete de agulha…
Obra só para o Mickey passar

Parte da orla da lagoa Pampulha está sendo desfigurada para receber a Parada Disney – evento internacional que acontece no próximo sábado na avenida Otacílio Negrão de Lima, entre o Parque Ecológico da Pampulha e o Iate Tênis Clube. Desde o último 20, canteiros centrais, gramados, rotatórias, calçadas e quebra-molas começaram a ser destruídos. O objetivo é dar passagem aos grandes carros alegóricos de Mickey Mouse e companhia.

Árvores também estão sendo podadas e parte da sinalização de trânsito já foi retirada. As modificações no entorno da Pampulha têm revoltado moradores e associações de bairro. “Enquanto o Pato Donald e o Mickey chegam aqui com interesses econômicos, nós fazemos o papel de patetas”, ironizou o morador Antônio Carlos Carone, membro da Associação Pró-Interesses do Bairro Bandeirantes.

“Os moradores não estão contra a parada. Nós estamos incomodados por causa da má administração dos bens públicos. Belo Horizonte tem outros locais que poderiam receber o evento, onde seriam desnecessário intervenções” (sic), ressaltou a presidente da Associação Pró-Civitas dos bairros São Luiz e São José, Juliana Renault Vaz. A associação promete protocolar hoje um reclamação no Ministério Público.

Cuidados
O secretário da regional Pampulha, Osmando Pereira, disse que todas as providências estão sendo tomadas para valorizar o evento cultural e minimizar os impactos na região. “Inclusive, negociamos com os promotores que não trouxessem carros acima de 7,5 m. As alegorias são largas, mas elas terão apenas 5 m.”, explicou o secretário.

Segundo a regional, tudo o que foi modificado começará a ser reconstruído na segunda-feira. As ações serão realizadas pelos operários da prefeitura. Contudo, taxas municipais serão cobradas pelo serviço. O secretário não soube informar o valor dos gastos e das taxas.

Osmando Pereira não concorda que o projeto urbanístico da Pampulha será desconfigurado. “Se isso fosse ocorrer, não iríamos permitir que a parada acontecesse. As podas nas árvores, por exemplo, já seriam necessárias. Na última chuva de granizo, precisamos fazer algumas intervenções. As podas são infinitamente inferiores aos problemas por causa da chuva”, alegou o secretário.

A assessoria de imprensa da Nestlé – responsável pelo evento no país – informou apenas que as obras de intervenção da via são de responsabilidade da prefeitura municipal. Informada pela reportagem de O TEMPO sobre as modificações na lagoa para a parada, a assessoria de imprensa da Disney no Brasil não enviou um comunicado oficial até o fechamento desta edição.

“Será um sonho para muitos mineiros”, diz governador
A Parada Disney é um evento que tem a direção artística supervisionada pela The Walt Disney Company, conglomerado americano de mídia e entretenimento. O evento tem o patrocínio da empresa de alimentos Nestlé, apoiado pela Prefeitura de Belo Horizonte e o Governo de Minas. O desfile será no sábado e começa às 16h.

O evento acontece pela quarta vez no Brasil. Nas outras paradas, Mickey Mouse e companhia desfilaram em Vila Velha (ES) e nas capitais paulista e carioca. Serão cinco carros alegóricos e seis veículos que percorrerão 2 km da orla.

“Será um sonho realizado para muitos mineiros que não têm a chance de viajar até os Estados Unidos”, disse o governador Aécio Neves, na semana passada, durante encontro com o presidente da Nestlé, Ivan Zurita.

Não é nada, não é nada. É apenas a formalização do encontro do sr. prefeito Márcio Lacerda com seu grande irmão, o Tio Patinhas, e outros parentes, como o Pão Duro Mac Mônei e os Irmãos Metralha. Sim, rivais, mas “amiguinhos”, se é que você entende de Aliança
“Belo Horizonte tem outros locais que poderiam receber o evento”, como a Praça da Estação – né, Seu “Prefeito”?
“(…) tudo o que foi modificado começará a ser reconstruído na segunda-feira”. Ma che!Quer serviço de português maior do que esse? Reforma-se a Orla todinha, deixam-na bonita, visitável, para vir uma parada financiada por uma multinacional (a Nestlé) e, sob força desse evento, a Prefeitura destruir (essa é a palavra) tudo o que foi dantes reformado, só para o Mickey passar (eu detesto o Mickey!); depois, passa-se a parada e reforma-se tudo de novo. Mas que belo gasto com o nosso dinheiro público! Faz, desfaz e refaz!
(Para um gestor técnico que é o Márcio Lacerda, que supostamente seria um pão-duro como o Tio Patinhas, ele tá me saindo a um senhor Gastão
Quanto será que a PBH está gastando com essa coisa? O Secretário “não soube” informar. Poxa, Osmando! Pensei que você fosse secretário, não Presidente da República
E, por favor, Aécio Neves, “sonho para os mineiros”? Tenha dó! Prefiro não comentar.
– Uma observação: lembram-se da manifestação que teve no Centro Administrativo com os professores estaduais reivindicando aumento? Segundo reportagem do Jornal da Alterosa, o efetivo para conter / deter / abafar a manifestação era de 400 policiais. Só a título de comparação, esse é o efetivo que está nas ruas de toda a capital mineira em dia de Atlético e Cruzeiro. Desnecessário, assim como a destruição da Pampulha para a Parada Disney.