Archive for the ‘Relatos críticos’ Category

Fantasia de Carnaval de BH, nas melhores casas do ramo!!

fevereiro 14, 2012

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De olhos bem abertos: o Movimento Fora Lacerda e a mídia

outubro 2, 2011

“Se você não for cuidadoso, os jornais farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo.” Malcolm X

O novo costuma assustar. Sobretudo àqueles que são mais avessos à mudança. A reação dos jornais mineiros a respeito da marcha do último sábado nos revela bastante a respeito da natureza do trabalho realizado nestas instituições a serviço da conservação do estado atual das coisas. Uma simples manchete, “Manifestantes depredam prédio da prefeitura”, revela não somente uma má vontade (ou seria preguiça?) na cobertura dos fatos, mas o claro viés que nossa grande mídia vem demonstrando desde o início do período aecista em que vivemos em Minas Gerais em relação à ação do Estado de forma geral.

A má vontade: qualquer calouro de curso de jornalismo que estivesse escrevendo a respeito do Movimento Fora Lacerda e cobrindo os eventos do sábado veria com clareza, mesmo antes de conversar com as pessoas que ali estavam, que se tratava de um evento bastante heterogêneo, de uma diversidade pouco comum em sua composição, que reunia não somente indivíduos de inserções radicalmente distintas (em termos de renda e classe social inclusive) na cidade, mas também uma constelação de organizações e movimentos que aderiram à marcha, e que não necessariamente participaram de sua concepção. Foi claramente visível que não existia uma unidade ou alguma coerência pré-estabelecida e coordenada por alguma organização em relação às ações de cada um destes pequenos grupos ali presentes, unidos em torno da oposição ao prefeito atual e ao que ele personifica e torna concreto (enquanto processo político). Tomar as atitudes de alguns ali presentes (neste caso, a pichação do prédio da prefeitura) como uma ação conjunta das mais de duas mil pessoas presentes na marcha, o que está implícito na manchete colocada acima, é uma distorção dos fatos, e é jornalismo de má qualidade – bastante representativo do que já estamos acostumados a ver nos jornais mineiros.

O viés: a marcha não se resumiu ao que aconteceu na Av. Afonso Pena, número 1212. Este é outro fator que grita em alto e bom som de tão óbvio para aqueles que acompanharam a caminhada coletiva pelas ruas da cidade naquela tarde. Trata-se da velha estratégia de não relatar nem a verdade completa ao mesmo tempo em que não se diz nenhuma mentira (assim como uma fotografia, que consegue tirar do quadro retratado aquilo que não interessa reportar, e posteriormente apresentar a imagem capturada como uma boa representação do conjunto dos fatos e eventos). O fato de que estes jornalistas decidiram escolher aquele ato específico dentre um conjunto de eventos muito maiores em torno de uma questão radicalmente mais ampla e profunda – que passa não somente pela reivindicação contra as ações arbitrárias de um prefeito que busca impor seu próprio sonho particular de cidade ideal a todos, mas chega, no limite, a um questionamento das regras e do modelo de democracia que temos instituído – demonstra claramente a intenção do meio de comunicação que veiculou a notícia, que é a de desqualificar, descreditar e deslegitimar o movimento. Se este se declara apartidário e decide se posicionar em confronto com aqueles que estão no poder, sem declarar apoio ou adesão a partidos e grupos com projetos eleitoreiros concretos, os jornais fazem o exato oposto: demonstram claramente (só não vê quem não quer – para dizer em bom português) seu posicionamento e seu serviço prestado (literalmente), não somente ao status quo de forma mais ampla, mas aos indivíduos e aos projetos políticos que detêm o poder, e aos grupos de interesse que os sustentam.

É bem sabido que os jornais têm espaços distintos para apresentar os fatos e para interpretações que reflitam opiniões distintas a respeito destes. Também não é nenhuma novidade que a forma com que os jornais apresentam os próprios eventos ocorridos faz parte de uma estratégia discursiva ligada ao posicionamento editorial (e político) do próprio meio. Mas esta não é uma percepção crítica generalizada àqueles que têm suas opiniões diretamente influenciadas pela grande mídia. A luta pela “democratização da democracia”, e o combate aos processos que sustentam nossa pseudo-democracia enquanto tal, envolve também uma luta por meios de comunicação que reflitam as reais aspirações democráticas da população, informando, e não desinformando em função de interesses particulares escusos, a sociedade e a cidade como um todo.

Felipe Magalhães

[Ressalta-se que esta nota não representa o posicionamento do movimento acerca desta questão, apenas refletindo o pensamento de uma pessoa dentre as mais de 2 mil que saíram às ruas de Belo Horizonte no dia 24 de setembro, justamente como as ações que ali ocorreram]

A bola da vez:

julho 2, 2011

QUALQUER COINCIDÊNCIA É MERA SEMELHANÇA!! NÃO AO NEPOTISMO!!

Na selva de pedra, não se pode morrer na natureza?

fevereiro 17, 2011

“Após morte, prefeito decide interditar Parque Municipal de Belo Horizonte” (Via Comercial)

 

 

“Uma mulher morreu depois de ser atingida por uma árvore de grande porte, na manhã desta quarta-feira, dentro do Parque Municipal, no Centro de Belo Horizonte. O acidente aconteceu na entrada da Alameda Ezequiel Dias, quando a vítima fazia caminhada no parque. Um grupo percebeu que a árvore estava caindo e avisou a mulher. Ela tentou correr, mas foi atingida pelo tronco do jatobá de aproximadamente 20 metros.” (Estado de Minas)

 

Não existe nenhum mistério em dizer que a única certeza que carregamos nessa vida é a de que vamos morrer. Mas, muito pouco tem se discutido a respeito das possibilidades reais que nos são oferecidas de morte na cidade.

Dentre elas, podemos citar assassinad@s, “suicidad@s”, envenenad@s (seja letalmente ou lentamente com a poluição que nos rodeia),  abortad@s, e a lista de hipóteses a qual me refiro não termina por aqui. Muito pelo contrário, para mim e meus companheir@s de caminhada (talvez tão companheir@s quanto a mulher que um dia caminhou felizmente no parque municipal), a morte começa com a CIDADE.

Ora, por que? Talvez porque nosso egocentrismo seja a razão da morte da própria vida em sua totalidade. Não é de hoje que critico, assim como muit@s que escrevem aqui, das obras faraônicas do deserto que está se tornando Belo Horizonte por conta da troca de nosso ouro por espelhos e quinquilharias importadas “Made in China, EUA ou qualquer outra superpotência da escravidão mundial”.

O ouro de que falo, talvez não brilhe tanto quanto aquele mineral tão valioso para aqueles que acham que dinheiro vale tudo – Permitam-me aqui ressuscitar a magia da vida e gerar uma alquimia com as palavras – falo daquele ouro que pode e tem todas as cores do arco-iris, a NATUREZA. E os espelhos e quinquilharias de que falo são nada mais nada menos que o ouro mineral que para alguns vale tanto quanto notas de dólare$, euro$ ou (ir)reai$.

É isso que estamos usando como moeda de troca, abrindo mão do conforto e da naturalidade de nosso arco-iris em troca do cinza high tech feito para copas do mundo que talvez pouco se interessam em preservar o meio ambiente, os ciclos orgânicos e as culturas não-hegemônicas tão diferente e tão igual a de noss@s indi@s e negr@s nesses 5 séculos e pouco de escravidão.

Pode parecer balela o que digo, fazendo uma correlação entre a morte acidental, ou melhor, natural, pois diria que há mais naturalidade em morrer esmagad@ por uma árvore do que por carros, concreto ou outra coisa monótona ou sem vida, da senhora que faleceu dessa maneira no Parque Municipal, um dos únicos pontos onde ainda HÁ VIDA NO CENTRO DA CIDADE. Como amig@ das praças muito pouco arborizadas, não deixo de me indignar com o fechamento do Parque Municipal de Belo Horizonte que só ” (…) reabre em abril.” (Hoje em dia), porque o tão conhecido “colonizador burguês” Márcio la(…) merdou mais uma vez dizendo que “uma força-tarefa seja formada para investigar a situação das 3.700 árvores da área. Não há ainda informações sobre os órgãos que irão compor esse grupo nem quanto tempo será necessário para concluir o mapeamento das espécies e adotar as medidas necessárias para garantir segurança à população.” (Via Comercial)

 

E o que dizer da morte NATURAL da ÁRVORE em questão, ou dos outros seres vivos, ou infinitas mortes de Homo “sapiens”? que vemos todos os dias nos espaços cimentados da capital? Porque eles não ganham noticia trágica e nem fazem parar as principais vias de tráfego de Belo Horizonte quando alguem morre, por exemplo, numa porrada de frente, entre ônibus e gente? Porque o corpo de bombeiros, a prefeitura e orgãos (in)competentes não mandam interditar, por tempo indeterminado, as BR’s, avenidas e ruas sob sua jurisdição e responsabilidade no que diz respeito a SEGURANÇA quando alguem morre nelas?

 

ENTÃO, PORQUE INTERDITAR O NOSSO PARQUE?

 

Faço aqui um manifesto em defesa da natureza exuberante e certamente muito mais segura e viva que qualque obra que o egocentrismo das mãos humanas já produzida. E se alguém morreu por causa dela, tenho plena certeza que deve estar descansando em paz, diferente de mim, que desejaria poder fugir ao menos um pouco do caos da vida no centro de BH me embrenhando e deitando para um suave cochilo ou prazerosa e menos arriscada (comparada a uma rua ou calçada urbana) caminhada na mata preservada que me permite respirar ar mais puro, ver cores mais vivas e beber águas mais limpas nos meus intervalos de escravidão moderna como trabalhadorx, estudante, e antes de tudo como SER (e não TER) human@, coisa comum a qualquer umx que está lendo esse manifesto.

 

Celebremos a vida e a morte da cidade, e tenhamos ciência ou fé de até quando estamos ajudando ou atrapalhando a naturalidade cíclica pela qual elas acontecem.

 

“Boulevard arrudas” não foi só o começo, e a interdição do parque não será o fim. Abaixo os colonizadores! sejamos nós, noss@s propri@s CACIQUES nessa selva.

 

I JUCA-PIRAMA (Gonçalves Dias)

(fragmentos)

IV

Meu canto de morte,

Guerreiros, ouvi:

Sou filho das selvas,

Nas selvas cresci;

Guerreiros, descendo

Da tribo tupi.

 

Da tribo pujante,

Que agora anda errante

Por fado inconstante,

Guerreiros, nasci:

Sou bravo, sou forte,

Sou filho do Norte;

Meu canto de morte,

Guerreiros, ouvi.

 

Já vi cruas brigas,

De tribos imigas,

E as duras fadigas

Da guerra provei;

Nas ondas mendaces

Senti pelas faces

Os silvos fugaces

Dos ventos que amei.

 

Andei longes terras,

Lidei cruas guerras,

Vaguei pelas serras

Dos vis Aimorés;

Vi lutas de bravos,

Vi fortes — escravos!

De estranhos ignavos

Calcados aos pés.

 

E os campos talados,

E os arcos quebrados,

E os piagas coitados

Já sem maracás;

E os meigos cantores,

Servindo a senhores,

Que vinham traidores,

Com mostras de paz.

 

Aos golpes do imigo

Meu último amigo,

Sem lar, sem abrigo

Caiu junto a mil

Com plácido rosto,

Sereno e composto,

O acerbo desgosto

Comigo sofri.

 

Meu pai a meu lado

Já cego e quebrado,

De penas ralado,

Firmava-se em mi:

Nós ambos, mesquinhos,

Por ínvios caminhos,

Cobertos d’espinhos

Chegamos aqui!

 

O velho no em tanto

Sofrendo já tanto

De fome e quebranto,

Só qu’ria morrer!

Não mais me contenho,

Nas matas me embrenho,

Das frechas que tenho

Me quero valer.

 

Então, forasteiro,

Caí prisioneiro

De um troço guerreiro

Com que me encontrei:

O cru desasossego

Do pai fraco e cego,

Em quanto não chego,

Qual seja, — dizei!

 

Eu era o seu guia

Na noite sombria,

A só alegria

Que Deus lhe deixou:

Em mim se apoiava,

Em mim se firmava,

Em mim descansava,

Que filho lhe sou.

Ao velho coitado

De penas ralado,

Já cego e quebrado,

Que resta? —Morrer.

Em quanto descreve

O giro tão breve

Da vida que teve,

Deixai-me viver!

 

Não vil, não ignavo,

Mas forte, mas bravo,

Serei vosso escravo:

Aqui virei ter.

Guerreiros, não coro

Do pranto que choro;

Se a vida deploro,

Também sei morrer.

 

 

 

 

As marcas da PBH:

fevereiro 17, 2011

Não é ilegal, não é imoral, mas e a ética?

A questão ética é muito complexa e não pretendo discuti-la aqui, mas podemos entender o que é ética em relação a uma logomarca que representa uma cidade ou um órgão público.
O que é uma logomarca?
Existem várias definições, esta, a primeira que saiu no Google nos serve:

“Logomarca é todo elemento visual que identifica e diferencia de outros iguais ou semelhantes, ou certifica a conformidade dos mesmos com determinadas normas ou especificações técnicas. Quanto à origem, marcas podem ser brasileiras ou estrangeiras, quanto ao uso, podem ser de produtos, de serviços, coletivas ou e de certificação.

Tanto a “marca” (um símbolo), o “logotipo” (letras) e as “logomarcas” (símbolo+logotipo), todos são marcas e atendem a públicos diversos, como profissionais liberais, empresas, associações, produtos, eventos, etc.

No mercado competitivo moderno e atual, baseado cada vez mais em signos visuais e de design, uma boa logomarca é fundamental na diferenciação, reconhecimento e visibilidade de um empreendimento.”

A questão é subjetiva e envolve gosto, referências, possibilidades estéticas e uma infinidade de outras questões. Mas a ética, que busca fundamentar o bom senso pode nos ajudar. Veja esta marca:

O que ela lhe remete? Ou o que ela lhe remete de Belo Horizonte? Como se dá o simbolismo que a faz ser um elemento de referência a nossa cidade? Ou melhor, qual o simbolismo que a faz representar uma administração?

Poderia ser uma marca de uma empresa de TI, ou de uma empresa de produção de fios de aço, ou de uma empresa de consultoria que atende a diversos setores…
Sim, pode ser uma marca para uma infinidade de empresas, tanto é que ela é vendida em um site:
Shutterstock.com

Reconheceu? Viu a PBH entre tantas outras marcas?

Color Rings, esta é a marca da PBH!
Vai entender o que se passou na cabeça dos publicitários que optaram por comprar uma marca ao invés de criar uma que representasse a PBH!
Eu fico daqui pensando: é esta a marca do Lacerda!
A marca de uma administração sem identidade com o lugar, alheia ao seu entorno e que não representa absolutamente nada.

Tenho a impressão que não só o sujeito, mas grande parte da equipe de governo não sabe que marcas estão deixando em nossa cidade.

Mas esta não é a marca que vai representar BH, esta é uma marca da administração Lacerda. A marca que vai representar BH, ou a marca do Turismo de BH é esta.

Impressionante a semelhança das formas e das cores em duas representações extremamente diferentes.

Mas isso não é nada, poderia ser pior e é muito pior, a PBH gasta com estas marcas e outras ações de comunicação mais de 19 milhões! Confira aqui, o contrato de publicidade da PBH com a Agência Perfil. Aliás, a mesma agência que contratou estagiárias para fazer a campanha do Anastasia, Aécio e Itamar no orkut, vide post antigo.

Agora dá pra entender como todo mundo recebeu um jornal em casa falando das melhorias na cidade e ninguém consegue constatá-las na prática. Publicidade cara, feita com o dinheiro público para tentar ludibriar a população! Lorota Lacerda!

Quantas antas são necessárias para gerenciar uma fundação de parques?

janeiro 15, 2011

Clique na imagem para ir assistir o vídeo no site do MGTV

“Cidade jardim”

Qual a probabilidade de você estar caminhando em um parque da sua cidade, calmamente durante uma sexta feira de manhã, e ser morto por uma ÁRVORE caindo na sua cabeça?

Em cidades normais, a probabilidade deve ser de 0,000000001%. É uma coisa impensável. Um azar incrível.

Já em Belo Horizonte… é bom você passar a ter muito cuidado.

Maria de Fátima Ferreira, 57 anos, provavelmente não fazia idéia de que seria atingida por um jatobá gigante, carcomido por cupins,  que caiu no parque municipal nesta última sexta feira. Maria morreu na hora, a administração não pediu nem desculpas. Teve de fechar o parque inteiro, o mais tradicional da cidade, em pleno fim de semana.

O absurdo da situação beira o inacreditável: a prefeitura de belo horizonte é tão relapsa que não consegue nem gerenciar as árvores dentro de um parque. É quase como deixar seu filho na creche e ouvir “Olha, você deixa ele aqui, mas pode ser que ele entre dentro do microondas sozinho. Aí não é culpa nossa, tá?”

A prefeitura não deveria ter mecanismos, secretarias, fundações para gerenciar corretamente os parques da cidade?

Deveria. Mas, pra variar, o prefeito Márcio Lacerda acha que a população de Belo Horizonte é gado.

Notícia de 2 de dezembro de 2010 sobre o projeto de reforma municipal apresentado pela prefeitura – Cortar gastos das fundações de Cultura, Zoobotânica e Fundação de PARQUES municipais.

Ou seja:  cortar a verba para parques, verba de cultura e fundação zoobotânica! Pra que investir nestas áreas? O povo não vai nem notar, não é mesmo?

A dona Maria de Fátima notou. A família dela também.

Cada criança que fica sem parque para frequentar também percebeu.

Porque a prefeitura gosta de sacanear o cidadão de Belo Horizonte?

Será que conseguiremos evitar a instalação de um estado de exceção no Brasil durante a Copa e as Olimpíadas?

dezembro 21, 2010

Por Raquel Rolnik

Ontem e hoje participei de um seminário sobre impactos urbanos em megaeventos esportivos, promovido pela FAU-USP, pelo Núcleo de Direito à Cidade do Departamento Jurídico XI de Agosto e pela Relatoria da ONU para o Direito à Moradia Adequada. Entre os participantes, havia pesquisadores da Grécia e da África do Sul, que já realizaram Jogos Olímpicos (Atenas) e Copa do Mundo. Também ouvimos o relato dos Commonwealth Games (os jogos das ex-colônias britânicas), que acabaram de acontecer em Nova Déli, na Índia.

Além da preocupação com os impactos urbanos, houve também toda uma discussão sobre violações de direitos no âmbito destes megaeventos. Entre os vários elementos colocados, acho que a principal preocupação, que deixou muitos participantes, assim como eu, chocados, é o fato de que, em função dos jogos e principalmente durante a sua realização, os países se comprometem a fazer uma espécie de suspensão da legislação em vigor em relação a vários aspectos.

Muitas vezes a justificativa para isso é a necessidade de fazer rapidamente as obras, de concluí-las a tempo para os eventos. E aí questões importantes como avaliação de impacto ambiental, procedimentos de licitações, e uma série de coisas que normalmente são exigidas, de repente não existem mais. E isso acaba provocando graves violações de direitos em muitas situações.

Ouvimos relatos principalmente de violações de direitos trabalhistas, especialmente na construção civil; ouvimos também relatos sobre o controle das áreas em volta dos locais dos jogos, da proibição do comércio local, inclusive da proibição de circulação de pessoas em determinadas áreas. Essas questões todas somadas caracterizam o que foi chamado no seminário de uma espécie de estado de emergência ou de exceção.

E a preocupação numa situação como essa é: até onde vai isso? Que tipo de controle a sociedade pode exercer? Onde estão as informações? E esta foi também uma das questões apontadas, a falta de transparência, a não disponibilidade das informações. O que vai acontecer? Onde? Quem vai ser atingido? Qual o prazo? Ao menos descobrimos que isso não é algo exclusivo do Brasil. Todos esses processos de realização de megaeventos como Copa do Mundo e Olimpíadas se dão dessa forma segundo as experiências relatadas.

Ninguém sabe nada, ninguém informa nada e as decisões são tomadas num âmbito que ninguém sabe exatamente qual é, mas que muitas vezes é bem diferente do âmbito normal de tomada de decisões já conhecido da população. Essa é uma preocupação muito grande. Será que no Brasil vamos conseguir fazer de forma diferente? Pelo que vimos até agora, não estou muito otimista. Mas ainda é tempo.

…E PRA VOCÊ, MEU IRMÃO, O QUE É A PRAIA DA ESTAÇÃO?

dezembro 20, 2010

Longe de ser um “movimento organizado” de indivíduos com um único e mesmo objetivo, a Praia da Estação parece ser a confluência de uma heterogeneidade de pessoas que dão a ela sentidos e significados diversos…

Compartilhe aí nos comentários o modo como você vê e desfruta desse fenômeno praieiro e quais as suas possibilidades de desdobramentos!

Torres Gêmeas: já tinha cara de desalojo…

setembro 26, 2010
Postado em http://ocupacaodandara.blogspot.com/2010/09/torres-gemeas-o-povo-esta-na-rua.html

Governo do Estado e Prefeitura impedem famílias das Torres Gêmeas (prédio nº 100) de voltarem para suas casas e não oferecem nenhuma alternativa digna. Enquanto isso, crianças, adultos e idosos ficam ao relento.


Desde a última segunda-feira, dia 20 de setembro, cerca de 80 famílias que moram no prédio nº 100 da ocupação vertical mais antiga de Belo Horizonte estão impedidas pela Polícia Militar e pelo Corpo de Bombeiros de retornarem para seus apartamentos. A PM, comandada pelo Governador Antônio Anastasia, cercou ostensivamente o prédio em que ocorreu o incêndio e mantém guarda com armas de grosso calibre, cães, bombas etc. O Corpo de Bombeiros, por sua vez, nega-se a apresentar o resultado do laudo da perícia realizado ontem (21/09) atestando se houve ou não comprometimento da estrutura do edifício. Ao mesmo tempo, as organizações que apóiam as famílias são impedidas de realizar perícia complementar com engenheiros e arquitetos autônomos.

Esse quadro de incertezas é agravado pela postura do Governo Estadual e Municipal em não dialogar, como em outros conflitos urbanos de BH. A Prefeitura solta notas à imprensa, mas não oferece nenhuma resposta às famílias desalojadas. O prefeito Márcio Lacerda mantém a postura de intransigência e propõe como solução o abrigamento indigno. O Governo do Estado, que não constrói nenhuma casa em Belo Horizonte há mais de 15 anos, também não oferece nenhuma alternativa digna.

Enquanto isso, dezenas de crianças estão sem banho, comendo mal e sem irem à escola. A Defesa Civil fornece apenas duas refeições ao dia. Não foram disponibilizados banheiros. Não há qualquer assistência à saúde dos desalojados. A situação é desoladora…

(more…)

[COPA 2014] Construções desarmônicas.

setembro 26, 2010