Archive for the ‘"Revitalização" do Centro de BH’ Category

Fantasia de Carnaval de BH, nas melhores casas do ramo!!

fevereiro 14, 2012

A bola da vez:

julho 2, 2011

QUALQUER COINCIDÊNCIA É MERA SEMELHANÇA!! NÃO AO NEPOTISMO!!

O Planejamento Estratégico de Belo Horizonte: planejado por quem e para quem

junho 21, 2011

[Texto originalmente publicado em: http://wp.me/pO6H0-7t]


Pretende-se com este artigo fazer uma análise crítica do discurso presente no Planejamento Estratégico de Belo Horizonte 2030: a cidade que queremos ( disponível aqui ) tomando como referencial teórico o texto Uma Estratégia Fatal: A cultura nas novas gestões urbanas de Otília Beatriz Fiori Arantes (2000) além de outros autores como Carlos Vainer (1999), Teresa Caldeira (2000).

Conforme apontado acima existe atualmente um projeto na prefeitura de Belo Horizonte denominado Planejamento Estratégico. Este projeto consiste numa cartilha, um manual, um modelo de planejamento urbano da cidade. De acordo com os autores o planejamento estratégico é um dos modelos de planejamento urbano que estão em voga na atualidade e que disputam para substituir ou superar antigos modelos como o da ditadura do projeto no qual o projeto seria a solução para as crises sociais, ou o tradicional padrão tecnocrático-centralizado-autoritário.

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Piscinão de Ramos de Belo Horizonte

maio 20, 2011


Se você acha a Praia da Estação elitista, não tem mais desculpa: venha para o Piscinão de Ramos da Rodoviária!

Futebol, farofa, gente diferenciada e se fizer sol gente de sunga e biquíni.


Onde? Praça da Rodoviária – Belo Horizonte

Quando? Domingo, 29 de Maio, 13:00

Quanto? De graça!

Debate: Qual é a cidade que queremos?

Belo Horizonte passa por um período de proibições e possibilidades. A cidade com seus despejos, “revitalizações”, decretos forçados, prisão de pixadores, especulação imobiliária, parcerias público-privadas feitas por debaixo dos panos, poder público e a população seduzidos pela Copa, convivem com  movimentos populares, festas de rua, ocupações, com o Movimento Passe Livre, Brigadas Populares, Praia da Estação, Massa Crítica, Comitê Popular dos Atingidos pela Copa, Piores de Belô dentre outros.

Então de qual lado estamos? Qual é a cidade que queremos? Qual é a cidade que eles querem?

Se nos é negado o direito de permanecer em qualquer espaço público da cidade, ocuparemos esses espaços de maneira divertida, lúdica e  aparentemente despretensiosa. Todo espaço vago deve ser tomado!

Traga sua roupa de banho (bermuda, calção, biquini, maiô, cueca), boias, cadeiras, toalhas de praia, guarda-sol, cangas, farofa e a vitrolinha… e se fizer frio, traga seu calor humano.

Traga tambores e viola!

Traga bola, vamos mostrar que futebol vai para além da Copa!

Traga comida para um banquete coletivo!

Venha vivenciar a cidade!

Fonte: http://comjuntovazio.wordpress.com/2011/05/20/piscinao-de-ramos-de-belo-horizonte

Na selva de pedra, não se pode morrer na natureza?

fevereiro 17, 2011

“Após morte, prefeito decide interditar Parque Municipal de Belo Horizonte” (Via Comercial)

 

 

“Uma mulher morreu depois de ser atingida por uma árvore de grande porte, na manhã desta quarta-feira, dentro do Parque Municipal, no Centro de Belo Horizonte. O acidente aconteceu na entrada da Alameda Ezequiel Dias, quando a vítima fazia caminhada no parque. Um grupo percebeu que a árvore estava caindo e avisou a mulher. Ela tentou correr, mas foi atingida pelo tronco do jatobá de aproximadamente 20 metros.” (Estado de Minas)

 

Não existe nenhum mistério em dizer que a única certeza que carregamos nessa vida é a de que vamos morrer. Mas, muito pouco tem se discutido a respeito das possibilidades reais que nos são oferecidas de morte na cidade.

Dentre elas, podemos citar assassinad@s, “suicidad@s”, envenenad@s (seja letalmente ou lentamente com a poluição que nos rodeia),  abortad@s, e a lista de hipóteses a qual me refiro não termina por aqui. Muito pelo contrário, para mim e meus companheir@s de caminhada (talvez tão companheir@s quanto a mulher que um dia caminhou felizmente no parque municipal), a morte começa com a CIDADE.

Ora, por que? Talvez porque nosso egocentrismo seja a razão da morte da própria vida em sua totalidade. Não é de hoje que critico, assim como muit@s que escrevem aqui, das obras faraônicas do deserto que está se tornando Belo Horizonte por conta da troca de nosso ouro por espelhos e quinquilharias importadas “Made in China, EUA ou qualquer outra superpotência da escravidão mundial”.

O ouro de que falo, talvez não brilhe tanto quanto aquele mineral tão valioso para aqueles que acham que dinheiro vale tudo – Permitam-me aqui ressuscitar a magia da vida e gerar uma alquimia com as palavras – falo daquele ouro que pode e tem todas as cores do arco-iris, a NATUREZA. E os espelhos e quinquilharias de que falo são nada mais nada menos que o ouro mineral que para alguns vale tanto quanto notas de dólare$, euro$ ou (ir)reai$.

É isso que estamos usando como moeda de troca, abrindo mão do conforto e da naturalidade de nosso arco-iris em troca do cinza high tech feito para copas do mundo que talvez pouco se interessam em preservar o meio ambiente, os ciclos orgânicos e as culturas não-hegemônicas tão diferente e tão igual a de noss@s indi@s e negr@s nesses 5 séculos e pouco de escravidão.

Pode parecer balela o que digo, fazendo uma correlação entre a morte acidental, ou melhor, natural, pois diria que há mais naturalidade em morrer esmagad@ por uma árvore do que por carros, concreto ou outra coisa monótona ou sem vida, da senhora que faleceu dessa maneira no Parque Municipal, um dos únicos pontos onde ainda HÁ VIDA NO CENTRO DA CIDADE. Como amig@ das praças muito pouco arborizadas, não deixo de me indignar com o fechamento do Parque Municipal de Belo Horizonte que só ” (…) reabre em abril.” (Hoje em dia), porque o tão conhecido “colonizador burguês” Márcio la(…) merdou mais uma vez dizendo que “uma força-tarefa seja formada para investigar a situação das 3.700 árvores da área. Não há ainda informações sobre os órgãos que irão compor esse grupo nem quanto tempo será necessário para concluir o mapeamento das espécies e adotar as medidas necessárias para garantir segurança à população.” (Via Comercial)

 

E o que dizer da morte NATURAL da ÁRVORE em questão, ou dos outros seres vivos, ou infinitas mortes de Homo “sapiens”? que vemos todos os dias nos espaços cimentados da capital? Porque eles não ganham noticia trágica e nem fazem parar as principais vias de tráfego de Belo Horizonte quando alguem morre, por exemplo, numa porrada de frente, entre ônibus e gente? Porque o corpo de bombeiros, a prefeitura e orgãos (in)competentes não mandam interditar, por tempo indeterminado, as BR’s, avenidas e ruas sob sua jurisdição e responsabilidade no que diz respeito a SEGURANÇA quando alguem morre nelas?

 

ENTÃO, PORQUE INTERDITAR O NOSSO PARQUE?

 

Faço aqui um manifesto em defesa da natureza exuberante e certamente muito mais segura e viva que qualque obra que o egocentrismo das mãos humanas já produzida. E se alguém morreu por causa dela, tenho plena certeza que deve estar descansando em paz, diferente de mim, que desejaria poder fugir ao menos um pouco do caos da vida no centro de BH me embrenhando e deitando para um suave cochilo ou prazerosa e menos arriscada (comparada a uma rua ou calçada urbana) caminhada na mata preservada que me permite respirar ar mais puro, ver cores mais vivas e beber águas mais limpas nos meus intervalos de escravidão moderna como trabalhadorx, estudante, e antes de tudo como SER (e não TER) human@, coisa comum a qualquer umx que está lendo esse manifesto.

 

Celebremos a vida e a morte da cidade, e tenhamos ciência ou fé de até quando estamos ajudando ou atrapalhando a naturalidade cíclica pela qual elas acontecem.

 

“Boulevard arrudas” não foi só o começo, e a interdição do parque não será o fim. Abaixo os colonizadores! sejamos nós, noss@s propri@s CACIQUES nessa selva.

 

I JUCA-PIRAMA (Gonçalves Dias)

(fragmentos)

IV

Meu canto de morte,

Guerreiros, ouvi:

Sou filho das selvas,

Nas selvas cresci;

Guerreiros, descendo

Da tribo tupi.

 

Da tribo pujante,

Que agora anda errante

Por fado inconstante,

Guerreiros, nasci:

Sou bravo, sou forte,

Sou filho do Norte;

Meu canto de morte,

Guerreiros, ouvi.

 

Já vi cruas brigas,

De tribos imigas,

E as duras fadigas

Da guerra provei;

Nas ondas mendaces

Senti pelas faces

Os silvos fugaces

Dos ventos que amei.

 

Andei longes terras,

Lidei cruas guerras,

Vaguei pelas serras

Dos vis Aimorés;

Vi lutas de bravos,

Vi fortes — escravos!

De estranhos ignavos

Calcados aos pés.

 

E os campos talados,

E os arcos quebrados,

E os piagas coitados

Já sem maracás;

E os meigos cantores,

Servindo a senhores,

Que vinham traidores,

Com mostras de paz.

 

Aos golpes do imigo

Meu último amigo,

Sem lar, sem abrigo

Caiu junto a mil

Com plácido rosto,

Sereno e composto,

O acerbo desgosto

Comigo sofri.

 

Meu pai a meu lado

Já cego e quebrado,

De penas ralado,

Firmava-se em mi:

Nós ambos, mesquinhos,

Por ínvios caminhos,

Cobertos d’espinhos

Chegamos aqui!

 

O velho no em tanto

Sofrendo já tanto

De fome e quebranto,

Só qu’ria morrer!

Não mais me contenho,

Nas matas me embrenho,

Das frechas que tenho

Me quero valer.

 

Então, forasteiro,

Caí prisioneiro

De um troço guerreiro

Com que me encontrei:

O cru desasossego

Do pai fraco e cego,

Em quanto não chego,

Qual seja, — dizei!

 

Eu era o seu guia

Na noite sombria,

A só alegria

Que Deus lhe deixou:

Em mim se apoiava,

Em mim se firmava,

Em mim descansava,

Que filho lhe sou.

Ao velho coitado

De penas ralado,

Já cego e quebrado,

Que resta? —Morrer.

Em quanto descreve

O giro tão breve

Da vida que teve,

Deixai-me viver!

 

Não vil, não ignavo,

Mas forte, mas bravo,

Serei vosso escravo:

Aqui virei ter.

Guerreiros, não coro

Do pranto que choro;

Se a vida deploro,

Também sei morrer.

 

 

 

 

O maior evento de BH (ou sobre a hipocrisia de Márcio Lacerda)

janeiro 17, 2011

A hipocrisia dos atuais “dirigentes” da Prefeitura de Belo horizonte, digo o secretário Josué Valadão e o próprio prefeito Marcio Lacerda, chegou ao extremo. Não há um mínimo de coerência por parte desses senhores em relação aos costumes da cidade.

Perguntamos: será que realmente moram em Belo Horizonte? Se não, vejamos: tentaram acabar com as mesas e cadeiras dos bares da cidade, mas voltaram atrás; tentaram acabar com o FIT em 2010, mas voltaram atrás; mentiram em relação ao incentivo as escolas e blocos de samba (concretamente, não incentivam o Carnaval); tentaram acabar com os eventos na praça da Estação, mas voltaram atrás para privilegiar uma grande emissora de televisão no fim do ano; desmobilizaram a Arena da Cultura, enfraquecendo a Fundação Municipal da Cultura. O maior evento nacional da música, em 2010, elaborado pelo Ministério da Cultura, [o Feira Música Brasil] só obteve êxito pelo empenho de seus produtores, pois o apoio da prefeitura foi ínfimo.

Somos 2.336 expositores, atraímos mais de 80 mil pessoas todos os domingos (dias normais da feira; em datas festivas, são mais de 120 mil compradores), sendo cerca de 6 mil pessoas de fora de Belo Horizonte. Abastecemos as milhares de lojas de artesanato espalhadas pelo Brasil e por todo o mundo com as vendas por atacado. Geramos 11 mil empregos diretos e mais de 25 mil indiretos.

Somos a maior feira a céu aberto da América Latina. Ademais, a feira está se modernizando e se formalizando – os expositores, além de formarem núcleos de produção familiar, hoje, já buscam abrir empresas, legalizando sua atividade conforme a legislação.

Arrecadamos mais de R$ 50 mil, mensalmente, em taxas e vamos passar a pagar, no ano de 2011, cerca de R$ 150 mil mensais, com o aumento proposto pela prefeitura.

Imagine o leitor: se fosse o administrador da cidade, o que faria? Potencializaria a feira, fazendo publicidade, proporia cursos de qualificação em parceria com o Sebrae ou tentaria fazer o que eles estão fazendo?

Em suma, o processo seletivo não se faz necessário, pois ele é mais um mecanismo da prefeitura para desqualificar a feira. Os critérios de seleção não são justos, pois privilegiam padrões socioeconômicos e não a qualidade dos produtos e os dotes artísticos do expositor. Um exemplo disso é que fica fácil uma pessoa com menor poder aquisitivo vencer esse processo do que um artista que já possui alguns bens, como casa própria e carro.

Acredito que o foco da questão seja político e, por isso, está sendo feito dessa forma.

Publicado no OTEMPO Online.

Será que conseguiremos evitar a instalação de um estado de exceção no Brasil durante a Copa e as Olimpíadas?

dezembro 21, 2010

Por Raquel Rolnik

Ontem e hoje participei de um seminário sobre impactos urbanos em megaeventos esportivos, promovido pela FAU-USP, pelo Núcleo de Direito à Cidade do Departamento Jurídico XI de Agosto e pela Relatoria da ONU para o Direito à Moradia Adequada. Entre os participantes, havia pesquisadores da Grécia e da África do Sul, que já realizaram Jogos Olímpicos (Atenas) e Copa do Mundo. Também ouvimos o relato dos Commonwealth Games (os jogos das ex-colônias britânicas), que acabaram de acontecer em Nova Déli, na Índia.

Além da preocupação com os impactos urbanos, houve também toda uma discussão sobre violações de direitos no âmbito destes megaeventos. Entre os vários elementos colocados, acho que a principal preocupação, que deixou muitos participantes, assim como eu, chocados, é o fato de que, em função dos jogos e principalmente durante a sua realização, os países se comprometem a fazer uma espécie de suspensão da legislação em vigor em relação a vários aspectos.

Muitas vezes a justificativa para isso é a necessidade de fazer rapidamente as obras, de concluí-las a tempo para os eventos. E aí questões importantes como avaliação de impacto ambiental, procedimentos de licitações, e uma série de coisas que normalmente são exigidas, de repente não existem mais. E isso acaba provocando graves violações de direitos em muitas situações.

Ouvimos relatos principalmente de violações de direitos trabalhistas, especialmente na construção civil; ouvimos também relatos sobre o controle das áreas em volta dos locais dos jogos, da proibição do comércio local, inclusive da proibição de circulação de pessoas em determinadas áreas. Essas questões todas somadas caracterizam o que foi chamado no seminário de uma espécie de estado de emergência ou de exceção.

E a preocupação numa situação como essa é: até onde vai isso? Que tipo de controle a sociedade pode exercer? Onde estão as informações? E esta foi também uma das questões apontadas, a falta de transparência, a não disponibilidade das informações. O que vai acontecer? Onde? Quem vai ser atingido? Qual o prazo? Ao menos descobrimos que isso não é algo exclusivo do Brasil. Todos esses processos de realização de megaeventos como Copa do Mundo e Olimpíadas se dão dessa forma segundo as experiências relatadas.

Ninguém sabe nada, ninguém informa nada e as decisões são tomadas num âmbito que ninguém sabe exatamente qual é, mas que muitas vezes é bem diferente do âmbito normal de tomada de decisões já conhecido da população. Essa é uma preocupação muito grande. Será que no Brasil vamos conseguir fazer de forma diferente? Pelo que vimos até agora, não estou muito otimista. Mas ainda é tempo.

Água pra cima! Água pra baixo!

dezembro 17, 2010

 

Caminhões-pipa são bacanas. Frescor de verão na praça sem fonte.

Símbolo forte de novas aspirações da cidade, em Praia na praça pública. Passa-se o chapéu e, se a soma das contribuições alcança o preço do serviço privado, está contratado, ao dispor da branca medianidade belo-horizontina. Serviço contratado para se divertir e lavar… as mãos, o ego, o tédio da praça sitiada, as fachadas da corrupção, como pudemos fazer diante do prédio da PBH. Para abater o sol latejante e combater (rindo de seus quentes uniformes de ordem sob o calor escaldante do sábado!) as carrancudas guardas, a estúpida puliça.

 

 

Caminhões-pipa são sacanas. Terror do chão debaixo da ponte.

Na madrugada de uma sexta-feira para um sábado de Praia, o jato d’água varre o chão, que não mais se prestará a cama. Um caminhão-pipa da PBH evacua o viaduto Santa Tereza, expulsa quem queira estar dormido debaixo daquelas estruturas. O jato que sai dali não refresca ninguém, não é acolhido pelas canções e palavras de ordem contra o lacerdismo. O fato da surdina noturna evade, escorre água pelas bocas-de-lobo, e quem não é bobo corre, vai embora ligeiramente, antes que o cobertor fique molhado, antes que a situação fique sujeira. Não há casa a quem não tem casa. Se a rua é o único abrigo, não o é para quem nela mora. Lavar o chão: velho método empregado em muitas das grandes cidades que passam por processos de “revitalização”, muito similar às muretas anti-mendigos de São Paulo, um pouco diferentes dos tiroteios recorrentes no Rio de Janeiro (se lembram da Candelária?), talvez parecido com os caminhões-pipa que atiram água contra manifestantes em qualquer outro lugar.

 

Pergunta:  qual desses caminhões é mais capaz de higienizar? Aquele que lava as mãos ou aquele que lava o chão?

SOMOS TOD@S PIORES DE BELÔ

setembro 30, 2010

[Este texto vêm na esteira de outros textos e discussões puxados sobre o assunto recentemente através da internet. Trata-se de um texto sem autoria, criado a muitas mãos durante as últimas semanas. Sua reprodução é permitida e desejada]

SOMOS TOD@S PIORES DE BELÔ

Enquadrados como…?

No último dia 24 de Agosto, numa terça-feira, seis homens foram presos em Belo Horizonte acusados pelo crime de formação de quadrilha. Os seis são mais conhecidos por seus nomes de guerra: Lic, Lisk, Fama, Goma, Sadok e Ranex, e a “quadrilha” em questão ganhou popularidade na cidade como Os Piores de Belô. O crime praticado por eles, enquanto “quadrilha“, não é dos mais comuns nessa classificação: pixação.

A prisão extraordinária de pixadores pelo crime de formação de quadrilha faz parte de uma história um pouco mais complexa, que começa pelo anúncio de uma Copa do Mundo no Brasil, passa por políticas públicas imediatistas e autoritárias, e não temos idéia de onde vai parar. Nesse caso específico, o episódio é protagonizado pelo “Movimento” Respeito por BH, que de movimento não tem nada, consiste em mais um programa do governo de Márcio Lacerda. Por iniciativa do pseudo-movimento, o Ministério Público e a Polícia Civil passaram a investigar os pixadores de Belo Horizonte através da internet e de buscas em suas residências (com a conhecida “gentileza” das forças policiais), onde apreenderam desnecessariamente computadores e outros itens dos acusados.

Por fim, como um ápice cinematográfico das chamadas operações BH Mais Limpa, buscaram mais uma vez os Piores de Belô em casa, de viatura, e os encaminharam para uma penitenciária onde aguardam julgamento por um crime que não lhes diz respeito. Aguardamos, juntos, a mais uma condenação pública da liberdade de expressão mineira.

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Torres Gêmeas: já tinha cara de desalojo…

setembro 26, 2010
Postado em http://ocupacaodandara.blogspot.com/2010/09/torres-gemeas-o-povo-esta-na-rua.html

Governo do Estado e Prefeitura impedem famílias das Torres Gêmeas (prédio nº 100) de voltarem para suas casas e não oferecem nenhuma alternativa digna. Enquanto isso, crianças, adultos e idosos ficam ao relento.


Desde a última segunda-feira, dia 20 de setembro, cerca de 80 famílias que moram no prédio nº 100 da ocupação vertical mais antiga de Belo Horizonte estão impedidas pela Polícia Militar e pelo Corpo de Bombeiros de retornarem para seus apartamentos. A PM, comandada pelo Governador Antônio Anastasia, cercou ostensivamente o prédio em que ocorreu o incêndio e mantém guarda com armas de grosso calibre, cães, bombas etc. O Corpo de Bombeiros, por sua vez, nega-se a apresentar o resultado do laudo da perícia realizado ontem (21/09) atestando se houve ou não comprometimento da estrutura do edifício. Ao mesmo tempo, as organizações que apóiam as famílias são impedidas de realizar perícia complementar com engenheiros e arquitetos autônomos.

Esse quadro de incertezas é agravado pela postura do Governo Estadual e Municipal em não dialogar, como em outros conflitos urbanos de BH. A Prefeitura solta notas à imprensa, mas não oferece nenhuma resposta às famílias desalojadas. O prefeito Márcio Lacerda mantém a postura de intransigência e propõe como solução o abrigamento indigno. O Governo do Estado, que não constrói nenhuma casa em Belo Horizonte há mais de 15 anos, também não oferece nenhuma alternativa digna.

Enquanto isso, dezenas de crianças estão sem banho, comendo mal e sem irem à escola. A Defesa Civil fornece apenas duas refeições ao dia. Não foram disponibilizados banheiros. Não há qualquer assistência à saúde dos desalojados. A situação é desoladora…

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