Archive for setembro \24\UTC 2011

Como funciona o BH Resolve

setembro 24, 2011

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MARCHA FORA LACERDA 24/09 SÁBADO 12H PRAÇA DA LIBERDADE.

setembro 17, 2011
O MOVIMENTO FORA LACERDA surgiu da indignação de várias pessoas com a administração atual e da possibilidade de repetição da candidatura de Lacerda. O Movimento é independente, apartidário e solidário aos diversos movimentos de enfrentamento aos desmandes do prefeito. Nossa visão é antineoliberal, por uma administração humanista, inclusiva e com a participação popular. Além de não estarmos ligados a nenhum partido político, rejeitamos qualquer proposta de utilizar este Movimento em prol de algum futuro candidato à Prefeitura. A independência do MOVIMENTO FORA LACERDA é uma forma de demonstrar como a sociedade civil organizada pode influenciar e alterar os cursos políticos de uma cidade marcada por uma administração elitista, excludente e aversa à participação popular. Convidamos a população a levantar suas insatisfações em relação à administração Márcio Lacerda e a se unir ao MOVIMENTO FORA LACERDA. Somos muitos, estamos juntos e queremos uma BH mais humana e integrada.

www.foralacerda.com

Após ação por aluguel de jatinhos, prefeito de BH responde por dar cargo a filho

setembro 15, 2011

Prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda. Foto: Divulgação

 

BRASÍLIA – Alvo de ação na Justiça por fretar jatinhos com verba pública, o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), terá de responder agora por dar cargo a um filho na prefeitura. O Ministério Público de Minas (MP-MG) concluiu inquérito e ajuíza nos próximos dias ação civil pública para anular a nomeação de Tiago Lacerda para presidente do Comitê Executivo da Copa, grupo que coordena ações e representa o município sobre obras e preparativos do evento.

POLÊMICA : Márcio Lacerda defende frete de jatinhos pela Prefeitura de BH e diz que voos comerciais são ‘inseguros’

Tiago foi alçado ao posto em 28 de agosto de 2009, graças a portaria assinada pelo pai. De acordo com a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, para burlar a lei que proíbe o nepotismo na administração pública, o filho do prefeito usou um termo de trabalho voluntário, abrindo mão de salário. O promotor João Medeiros, responsável pelo inquérito, sustenta, no entanto, que a lei federal do voluntariado prevê esse tipo de vínculo para atividades distintas, como trabalhos cívicos, educacionais, culturais, recreativos e de assistência social.

– Isso não resiste a uma análise mais séria. A função dele é de um supergerente, com atribuições de gestor e representante político – afirma Medeiros.

Segundo ele, o decreto municipal que instituiu o comitê não prevê a nomeação de pessoas sem vínculo com a administração municipal, como é o caso de Tiago. O texto cita como membros representantes das secretarias de Esportes, Planejamento, Políticas Urbanas, da empresa municipal de turismo (Belotur), da assessoria de comunicação e do Programa BH Metas e Resultados.

Embora não receba salário, Tiago tem direito ao ressarcimento de despesas no exercício do cargo. No papel de presidente, toca, negocia e presta contas dos projetos da Copa. Com o evento no centro do noticiário, o posto é um dos de maior projeção no município. Aliados de Lacerda não escondem que o cargo o credencia para futuras postulações políticas.

Nesta quarta-feira, Tiago viajou com o pai a Brasília para participar da apresentação, pelo governo federal, do balanço dos preparativos para a Copa. Subiu ao palco para mostrar os avanços da capital mineira à imprensa e aos ministros. Na ação, o MP pedirá a anulação do ato de nomeação.

A Prefeitura de Belo Horizonte informou que só vai se pronunciar depois de conhecer o conteúdo da ação. Questionada, a assessoria de imprensa da prefeitura não informou se a viagem desta quarta foi feita em avião de carreira ou fretado.

No mês passado, Lacerda virou alvo de ação que pede sua condenação por ato de improbidade administrativa ao gastar R$ 875,9 mil com o fretamento de jatinhos em viagens, a título de representar o município. Se condenado, pode também ser multado e ter os direitos políticos suspensos. Nesta quarta, o MP recebeu do prefeito resposta a recomendação para que se abstenha de alugar jatos. No texto, avisa que, até decisão dos tribunais a respeito, não vai segui-la.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/09/14/apos-acao-por-aluguel-de-jatinhos-prefeito-de-bh-responde-por-dar-cargo-filho-925359461.asp#ixzz1Y2WA1uuK

Torres Gêmeas: breviário de decomposição

setembro 9, 2011

Alguém aqui se lembra? Se você não ficar ligado, perde o bonde! E depois fica aí pensando que é tudo fruto de “coincidências”, “macabrezas” ou “modos administrativos”. Quem aqui paga pra ver a limpa geral que será feita em todos os arredores das Torres Gêmeas? Alguém tem expectativa de existir aquele tradicional e histórico campo de futebol do Santa Tereza até 2014? Ninguém estranha o fato de que, durante toda a espera dessa porra de leilão até os dias de hoje, foi mantida a vigilância do Choque, aqueles troncudos de merda, espalhada por toda a região do bairro Santa Tereza, Floresta e Santa Efigênia? Esperem e verão! Aguardem o verão! No ano que vem, nem favelinha, nem Torres Gêmeas, nem campinho de futebol! A Copa está aí… fazendo higiene de porco e enchendo de moedas as panças de leitões.

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Torre ‘gêmea’ será hotel para a Copa do Mundo

postado em: http://www.hojeemdia.com.br/minas/torre-gemea-sera-hotel-para-a-copa-do-mundo-1.335867

Imóvel que estava ocupado desde 1996 e pegou fogo em setembro passa por obras de adaptação até 2014

Celso Martins – Do Hoje em Dia – 3/09/2011 – 09:37

Prédio de 17 andares chegou a servir de moradia para sem teto

Um dos prédios abandonados conhecidos como  “Torres Gêmeas”, no Bairro Santa Tereza, na Região Leste de Belo Horizonte, está em obras e vai ser transformado em hotel. O empreendimento será usado para a Copa de 2014. O edifício foi vendido por R$ 2,6 milhões em um leilão realizado pela Justiça, no dia 12 de junho deste ano.

O dinheiro da compra será destinado ao pagamento de dívidas da empreiteira que iniciou e abandonou a obra, sendo que as trabalhistas serão as primeiras. Segundo a assessoria de Imprensa do Fórum Lafayette, o leilão chegou a ser realizado duas vezes sem que houvesse interessados e foi cancelado uma vez, por falta de condições para sua realização. O juiz temia agressão entre os representantes dos proprietários e invasores que ocupavam o imóvel. A outra torre continua ocupada por pessoas sem teto.

Uma fonte da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou que algumas casas da região serão desapropriadas para a realização de obras para melhorar o acesso ao hotel. A intenção dos proprietários do empreendimento leiloado, João Pereira Evangelista e João Batista Noronha, é comprar a torre que ainda está invadida, segundo a mesma fonte da PBH.

A torre que será transformada em hotel pegou fogo no dia 14 de setembro do ano passado. A Defesa Civil Municipal determinou a interdição do prédio depois que o Corpo de Bombeiros emitiu relatório alertando para o risco de novo incêndio no local.

Os proprietários criaram uma associação, que é presidida pela dentista Andréa Lopes Mangnani, de 50 anos. Em 1991 ela investiu cerca de R$ 36 mil para comprar um dos apartamentos do edifício, que fica no número 50 da Rua Clorita. Uma das primeiras providências da associação será contratar um advogado para garantir que o dinheiro da venda do outro prédio seja usado para indenizar os proprietários lesados com a paralisação das obras.

A associação já tem nos seus quadros 20 proprietários, mas outros 50 já estão sendo contactados por Andréa Lopes para dar força à entidade. Em reuniões, eles decidiram destituir o atual advogado, Márcio José Ribeiro da Silva. Os proprietários alegam que ele não os habilitou no processo de venda, e agora o dinheiro do leilão pode ser usado para pagar as dívidas trabalhistas, dos órgãos públicos e de fornecedores.

O Sant Martin, como seria chamado, seria o primeiro condomínio fechado de Belo Horizonte. Construído numa área de 5 mil metros quadrados, com duas torres de 17 andares cada, foi projetado para ter duas piscinas, quadras de peteca, pista de caminhada e quiosques equipados com churrasqueiras.

Com a crise financeira da Jet Empreendimentos, as duas torres foram invadidas em 1996.

Por causa do incêndio em uma das torres, no dia 20 de setembro do ano passado, as famílias que a ocupavam foram retiradas a pedido da Defesa Civil Municipal.

“O leilão só foi marcado por causa da desocupação”, lembrou Andréa Lopes. Segundo ela, as chamas não danificaram a estrutura do prédio, o que ajudou a valorizar ainda mais o empreendimento. Ela ainda tem esperança de ter parte do dinheiro investido no sonho da casa própria de volta.

As “Torres Gêmeas” ficam em frente ao Shopping Boulevard Arrudas. A intenção do grupo que está construindo o hotel é instalar uma passarela ligando ao centro de compras, evitando que os hospedes passem pela Avenida dos Andradas. O projeto depende da aprovação da PBH. O shopping estaria interessado em investir na construção da passarela, mas o custo da obra não foi informado.

1917 – greve geral

setembro 9, 2011

1917 – greve geral

Anhangá Daren Niara

 

Geral. Hoje o dia nasceu. Todo segunda. Manhã. Cada manhã o sol anuncia. Greve. Azul. A faixa se estende novamente. 1917. Marca permanente na história. Os gritos saltavam distorcidos. Já sabíamos. Mas, não adianta mentir para história. A vida segue violenta. Há chancelas além da discórdia. Hahahahahaha… Saiu. A lembrança navega e a tropa se ergue em meio à babilônia. Trombetas gordurosas falseiam o canto. Um novo povo. Justiça, não pede razão. As gramas verdes, e valores do nada são questionados. Verba. Verdade. Dias de bastardos nas ruas. Nas praças. Uma nação. Bastarda.

Os mega-eventos e o Choque de Ordem no Rio de Janeiro: uma reflexão anarquista

setembro 2, 2011

Fonte: diasemcompras.wordpress.com

Esse panfleto está circulando com a proposta de acrescentar aos atuais debates sobre as revitalizações urbanas, higienismos e os eventos da Copa 2014 e Olimpíadas 2016. Uma reflexão anarquista sobre o atual contexto do Rio de Janeiro, voltada principalmente para redes de movimentos de resistência, ocupações urbanas e iniciativas libertárias espalhadas pelo mundo afora.

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Genocídio e Espetáculo

Algumas palavras sobre os processos vividos no Rio de Janeiro dentro de uma perspectiva anarquista

O seguinte texto surge de uma reflexão coletiva realizada entre indivíduxs que circulavam na okupação anarquista Flor do Asfalto, que se situa no olho do furacão dos projetos de reurbanização e consequente endurecimento da repressão no Rio de Janeiro. A presente reflexão pretende contribuir, partindo de uma ótica anarquista, para o esclarecimento quanto aos processos de criminalização da pobreza e violência estatal declarada contra os movimentos de resistência rebelados frente a tais projetos. Motivou muito a elaboração desse ensaio o seu poder de acrescentar mais elementos aos debates que já fervem no Rio de Janeiro e outras cidades, para que pessoas que não tiveram a oportunidade de vivenciar em suas próprias peles esta realidade tão particular possam, enfim, respirar um pouco desses ares. Essa iniciativa surge, também, com a intenção de contribuir para a guerra social, já que as estratégias do poder hierárquico já há séculos se reproduzem e se repetem em diferentes regiões e distintas épocas. Afinal, acreditamos que o que hoje se vivencia aqui pode ser nada mais que um estágio avançado dos próprios sintomas das grandes cidades, pelo menos no que diz respeito ao território controlado pelo Estado brasileiro.

Rio de Janeiro, futura sede dos jogos da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, emblemática metrópole erguida através de um paradisíaco e admirável ecossistema(1). Aqui é onde, em cada mínima fração de seus bairros e ruas, fazem-se evidentes os contrastes próprios do reino mercantil: espalhada por várias zonas da cidade, a pobreza gritante, a decadência profunda, o abandono administrativo em estado cru; em contrapartida, em outras regiões, o luxo higiênico faz a roupagem do cenário simulado e superficial de uma vida consumista e cômoda, constantemente vigiada por câmeras e policiamento ostensivo. Esse chão de tantas histórias, de tantas tramas conhecidas como parte de uma dita “história geral do Brasil”, é o palco onde também se produzem extremismos de caráter urbano que só neste lugar podem ser vivenciados, pelo menos na proporção em que se manifestam.

Segundo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) – medida comparativa internacional para classificar o “desenvolvimento” econômico em âmbito territorial – na cidade do Rio convivem IDH`s de alguns dos bairros mais ricos do mundo, equivalente ao dos países mais acomodados da Europa, enquanto várias favelas têm o IDH equivalente ao de alguns dos países mais pobres do continente africano. A raiz disso pode ser encontrada no fato de sempre ter sido uma cidade onde coexistiram a extrema riqueza e a extrema pobreza, tendo sido um dos maiores portos de seres humanos sequestrados da África e vendidos como escravos. Além disso, durante 12 anos foi a capital do império português e, posteriormente à “independência”, foi a capital do Brasil até meados do século XX. Se antes os contrastes envolviam os palácios da nobreza e as senzalas e demais redutos negros, hoje ela se manifesta entre os opulentos bairros ricos – dignos de uma Beverly Hills – e as inumeráveis favelas.

A questão racial está inerentemente ligada à história do Rio de Janeiro. Se hoje existe uma política de barbárie assediando esta cidade, seguramente é por ela ser herdeira direta do regime escravista. Esse dado remonta ao momento da formação de um poder público autônomo e da própria constituição do Estado brasileiro. Com a chegada da família real portuguesa em 1808, a polícia carioca foi criada para edificar uma ordem pública que buscava enfrentar a população escravizada na rua, aterrorizando as pessoas negras e pobres com castigos físicos em público e eliminação física, além de combater a resistência que acontecia de diferentes maneiras, políticas e culturais, organizadas ou não. Desde as fugas rebeldes e consequentes formações de quilombos(2),  a capoeira, luta surgida na rua e ferramenta inseparável dxs negrxs revoltadxs, até revoltas organizadas que ocorreram ao longo de todo este período. A favela é filha e neta dessas resistências, berço de belíssimas manifestações culturais afro-descendentes, reduto de gente que nunca separou a luta do sorriso.

A origem das favelas no Rio de Janeiro remete a meados do século XIX, quando com o fim da escravidão uma parte das pessoas libertas se deslocou para a capital federal se fixando informalmente em lugares que passaram a ser denominados Favelas. O primeiro desses lugares a ser chamado de favela foi o Morro da Providência, localizado próximo à zona portuária, no centro do Rio, ocupado em 1897 por soldados negros do exército brasileiro, que  voltavam da Guerra de Canudos e haviam deixado de receber o soldo; sem condições financeiras, passaram a habitar o morro em barracos provisórios. O termo favela remonta ao arraial de Canudos, que estava situado na Bahia e havia sido construído num morro que tinha muitas plantas de uma espécie conhecida popularmente por Favela ou Faveleiro. Esta planta foi também encontrada no Morro da Providência e fez com que o mesmo inicialmente fosse denominado Morro da Favela. Com o tempo, o termo passou a ser usado para designar lugares de habitações populares. A favela, dentro da ótica urbana, é herdeira das senzalas, surge como um dos maiores expoentes do agudo segregacionismo, do isolamento, o refugo humano dentro de um regime que havia substituído o trabalho escravo pela escravidão assalariada, já que os tempos eram outros e exigiam novas formas de exploração.

Em contrapartida a favela é expoente da resistência cultural negra que seguiu se desenvolvendo, ambiente de manifestações culturais como o samba, a capoeira e as religiosidades afro-descendentes (como o candomblé e a umbanda), além de ser o hábitat natural da genuína malandragem. Portanto, o policial carioca é o capitão-do-mato moderno, que apenas substituiu o chicote pelo fuzil. Se antes a desvalorização da vida se traduzia na imagem dx negrx escravizadx, hoje passa a ser refletida na figura dx faveladx. (more…)