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Rezo por você pobre diabo!

dezembro 11, 2012

Definitivamente não vivemos em um jardim florido com mil maravilhas. A vida tem espinhos e são muitos. Mas a vida de alguns é muito mais espinhosa. E não digo daqueles que não tem nada, ou muito pouco. Não falo dos carentes e miseráveis em nossas esquinas. Por incrível que pareça eles são mais ricos e livres que outros pobres diabos.

Não deve haver açoite maior para o espírito do que ser um funcionário público comissionado. O cidadão que não se dignou a estudar para um concurso, que pelos caminhos tortos da vida encontrou dificuldades para se firmar em sua profissão e acabou refém de algum político. O cidadão que vive de favor, atrelado a relações espúrias com um político. Eu rezo por eles.

Rezo para que encontrem novos caminhos, para que consigam desatar o nó que os prendeu em um emaranhado de interesses, onde o dele, ter um salário, é apenas uma moeda de troca, pobre e frágil.

Estes sujeitos que na administração municipal de BH passam dos cinco mil, em número indeterminado, – já afirmaram ser 20 mil – apinham secretarias e gabinetes com postura arrogante e prepotente, dignos dos que precisam esconder alguma coisa, ou provar para si mesmo que tem poder.

Ah, o poder! O pobre diabo inventa poderes para si, precisa acreditar que há algum valor no que faz. Pede carimbos, assinaturas, pareceres, protocolos e novos documentos. Não sabe ao certo o que faz, mas sabe que é preciso manter a burocracia como lhe apresentaram. Não teve um curso de preparação para assumir o cargo. O padrinho apenas lhe disse: consegui a vaga para você, começa amanhã.

Segundo as boas línguas os vereadores de BH têm direito a 40 cargos cada um na administração municipal. Mas nem só de baixo clero vive o nosso estado. O filho do prefeito e a irmã do prefeito são funcionários do Estado, contratados pelo governador. Seria isso o tal do nepotismo cruzado?

Escrevo sobre estes pobres diabos porque tive um encontro interessante no último mês. Um sujeito, do segundo escalão da PBH, ocupando cargo de apadrinhamento chegou até mim para conversar sobre o Movimento Fora Lacerda. Depois de muita lenga lenga: vocês tem que ser propositivos, vocês não reconhecem os avanços da PBH… veio a pérola: vocês deveriam mudar o nome do movimento, isto é política personalista e ultrapassada.

Depois de explicar ao sujeito que o nome do movimento foi uma forma de resumir a sentença: contra o governo neo-liberal, administração elitista, que persegue a população pobre, incentiva a verticalização, a especulação imobiliária, prioriza as parcerias público privadas e não dialoga com os movimentos sociais. Expliquei que tudo isso não era exclusividade do Márcio, outros políticos agem assim, mas ele personifica o aprofundamento dessas políticas em nossa cidade. Simples e didático.

Eu rezo para este sujeito! Rezo porque em nosso papo ele demonstrou uma característica clara da administração Lacerda: desconhece os inúmeros problemas da cidade. Definitivamente não tem a mínima ideia do que fazer para melhorar a vida por aqui.

Estes pobres diabos, empregados por apadrinhamento, nunca se envolveram realmente com a vida, com a cidade, lhes cabe apenas batalhar o pão de cada dia. Vamos rezar meus amigos! Contra a ignorância, a incompetência e a falta de ética, só o Pai Eterno pra nos salvar! Aleluia!

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As marcas da PBH:

fevereiro 17, 2011

Não é ilegal, não é imoral, mas e a ética?

A questão ética é muito complexa e não pretendo discuti-la aqui, mas podemos entender o que é ética em relação a uma logomarca que representa uma cidade ou um órgão público.
O que é uma logomarca?
Existem várias definições, esta, a primeira que saiu no Google nos serve:

“Logomarca é todo elemento visual que identifica e diferencia de outros iguais ou semelhantes, ou certifica a conformidade dos mesmos com determinadas normas ou especificações técnicas. Quanto à origem, marcas podem ser brasileiras ou estrangeiras, quanto ao uso, podem ser de produtos, de serviços, coletivas ou e de certificação.

Tanto a “marca” (um símbolo), o “logotipo” (letras) e as “logomarcas” (símbolo+logotipo), todos são marcas e atendem a públicos diversos, como profissionais liberais, empresas, associações, produtos, eventos, etc.

No mercado competitivo moderno e atual, baseado cada vez mais em signos visuais e de design, uma boa logomarca é fundamental na diferenciação, reconhecimento e visibilidade de um empreendimento.”

A questão é subjetiva e envolve gosto, referências, possibilidades estéticas e uma infinidade de outras questões. Mas a ética, que busca fundamentar o bom senso pode nos ajudar. Veja esta marca:

O que ela lhe remete? Ou o que ela lhe remete de Belo Horizonte? Como se dá o simbolismo que a faz ser um elemento de referência a nossa cidade? Ou melhor, qual o simbolismo que a faz representar uma administração?

Poderia ser uma marca de uma empresa de TI, ou de uma empresa de produção de fios de aço, ou de uma empresa de consultoria que atende a diversos setores…
Sim, pode ser uma marca para uma infinidade de empresas, tanto é que ela é vendida em um site:
Shutterstock.com

Reconheceu? Viu a PBH entre tantas outras marcas?

Color Rings, esta é a marca da PBH!
Vai entender o que se passou na cabeça dos publicitários que optaram por comprar uma marca ao invés de criar uma que representasse a PBH!
Eu fico daqui pensando: é esta a marca do Lacerda!
A marca de uma administração sem identidade com o lugar, alheia ao seu entorno e que não representa absolutamente nada.

Tenho a impressão que não só o sujeito, mas grande parte da equipe de governo não sabe que marcas estão deixando em nossa cidade.

Mas esta não é a marca que vai representar BH, esta é uma marca da administração Lacerda. A marca que vai representar BH, ou a marca do Turismo de BH é esta.

Impressionante a semelhança das formas e das cores em duas representações extremamente diferentes.

Mas isso não é nada, poderia ser pior e é muito pior, a PBH gasta com estas marcas e outras ações de comunicação mais de 19 milhões! Confira aqui, o contrato de publicidade da PBH com a Agência Perfil. Aliás, a mesma agência que contratou estagiárias para fazer a campanha do Anastasia, Aécio e Itamar no orkut, vide post antigo.

Agora dá pra entender como todo mundo recebeu um jornal em casa falando das melhorias na cidade e ninguém consegue constatá-las na prática. Publicidade cara, feita com o dinheiro público para tentar ludibriar a população! Lorota Lacerda!

Desperta, desperta: a Mata do Planalto, em Belo Horizonte, pede socorro!

fevereiro 8, 2011

Estamos prestes a testemunhar mais um ato de total irresponsabilidade e desrespeito com a natureza. Trata-se da derrubada da Mata do Planalto, no bairro Planalto, uma das últimas reservas ambientais de Belo Horizonte, MG, com aproximadamente 300.000 metros quadrados e que é considerada o pulmão verde da região norte da capital.

A Mata do Planalto acolhe mais de 60 espécies de aves, possui árvores nativas raras como, por exemplo, o Ipê Amarelo e a Copaíba, que está ameaçada de extinção, além de abrigar uma grande variedade de répteis e anfíbios. Conta também com mais de vinte nascentes, que por sua vez originam o córrego Bacuraus, afluente do Ribeirão Isidoro, que deságua no Rio das Velhas, principal afluente do Rio São Francisco. A Mata do Planalto, em conjunto com a Lagoa do Nado e da Pampulha, é de vital importância para o equilíbrio da biodiversidade da região.

Diante de tão grande valor que essa mata representa para a sobrevivência de inúmeras espécies, não podemos nos calar frente a um iminente crime ambiental: a derrubada da mata por uma construtora paulista – Construtora Rossi – que pretende erguer no local um condomínio com dezesseis edifícios de quinze andares cada um – 780 apartamentos de luxo -, que irá gerar impactos ambientais irreversíveis que afetarão as gerações atuais e futuras.

A compactação do solo fará com que as nascentes deixem de existir. O excesso de concreto despejado na mata contribuirá para a elevação da temperatura ambiente. As enchentes nas redondezas irão aumentar drasticamente, uma vez que um lado da mata fica situado em um vale para onde, em dias de chuva, as águas das regiões mais altas escoam e logo são absorvidas pela terra. Vale lembrar também que existe uma linda lagoa no interior da mata. Ou seja, a Mata do Planalto é um verdadeiro oásis no meio da capital mineira que sofreu um rápido e desenfreado processo de urbanização.

Sendo assim, estamos mobilizados e não assistiremos de camarote a mais uma demonstração de total desrespeito à natureza, movida pela cobiça e irresponsabilidade de grupos empresariais, alimentada pela negligência das autoridades, fortalecida pela indiferença de grande parte da população e respaldada pela insensibilidade do poder judiciário, que despreza o clamor da natureza e rejeita a voz daqueles que dão a vida pela causa ambiental.

Por fim, deixamos um último apelo em nome de todas as espécies da fauna e da flora que deixarão de existir e também em nome das gerações futuras que, certamente, colherão o fruto das nossas decisões. Convocamos a toda sociedade para, juntos, nos engajarmos nesta causa digna de nossa atenção, que é a preservação da Mata do Planalto. O que está em jogo é um futuro melhor para todos. Unidos podemos virar esse jogo e, assim, iremos conquistar uma grande vitória!

Reivindicamos que o prefeito Márcio Lacerda e o COMAM não conceda licenciamento ambiental para o massacre da Mata do Planalto, que deve ser preservada na sua integralidade.

ACPAD Associação Comunitária do Planalto e Adjacências

AMACOR Associação dos Moradores e amigos do Coração Eucarístico

ANDEMAS – Associação Nacional de Defesa do Meio Ambiente Sustentável

“Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando.”(Tiago 4:17)

Conheça mais sobre a Mata do Planalto, acesse os endereços eletrônicos abaixo e junte-se a nós:

www.matadoplanalto.blogspot.com – http://twitter.com/matadoplanalto

www.salvematadoplanalto.nafoto.net – www.google.com (digite Mata do Planalto)
Contatos: Iury Valente (31) 8797-2971 / ligerim1@yahoo.com.br – Magali (31) 9671-6406 / (31) 3495-1271 – ACPAD (31) 3055-3084 / (31) 8857-9949 – Frei Gilvander: (31) 9296 3040.

 

Para quem ainda não entendeu a Lei de limitação de uso da Praça da Estação.

janeiro 27, 2011

Aqui é possível ler na integra a Portaria SARMU-S Nº 02/2010 publicada no DOM.

A parte que segue, grifos nossos, demonstra onde a PBH se confunde.

Art.3º – Compete ao interessado na realização dos eventos previstos no art. 2º desta Portaria a apresentação de projeto, informando a finalidade do evento, o público estimado, a duração, inclusive o prazo destinado à montagem, à desmontagem e à limpeza.

§1º – O projeto deverá conter, sem embargo de outras exigências previstas no Decreto Municipal nº 13.792/09, ainda:

I – planta de localização de todos os equipamentos a serem utilizados;

II – planta de localização dos banheiros químicos a serem utilizados, observada a proporção mínima de 1 (um) banheiro químico para cada 100 pessoas, não podendo ser instalados sobre o piso da Praça; (1)

III – planta de cercamento por tapume ou outro material, a critério da Administração Pública, dos jardins, árvores e monumentos da Praça da Estação e da Praça Rui Barbosa, observada a altura mínima de 1.80 m (um metro e oitenta centímetros);

IV – planta de cercamento delimitando a área do evento, visando permitir o controle do número de pessoas, bem como o acesso ao Museu de Artes e Ofícios, à Estação do Metrô e a circulação de pedestres, observada a altura mínima de 1.80 m (um metro e oitenta centímetros); (2)

V – parecer favorável da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte – BHTRANS;

VI – projeto aprovado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais;(3)

VII – projeto do mecanismo a ser empregado visando à proteção das fontes e do piso;

VIII – projeto de segurança, particular e/ou pública, para proteção dos participantes, do patrimônio e dos transeuntes, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART; (4)

IX – projeto de palco, equipamentos de amplificação de som e iluminação ou quaisquer outros relativos à montagem;

X – projeto dos engenhos de publicidade a serem utilizados durante o evento. (5)

§2º – A solicitação, acompanhada do projeto, deverá ser apresentada à Secretaria de Administração Regional Municipal Centro-Sul com antecedência mínima de 30 dias úteis, em relação à data do evento.

§3º – A autorização a que alude o inciso III do art. 2º desta Portaria está condicionada, ao pagamento de preço público fixado pelo Decreto nº 13.961, de 4 de maio de 2010, sem embargo dos demais tributos pertinentes.(6)

§4º – Autorizada a utilização da Praça da Estação, caberá ao interessado, na hipótese de evento previsto no inciso III do art. 2º desta Portaria, realizar, sob pena de caducidade, caução em dinheiro, nos termos do § 10 do art. 4º do Decreto nº 13.792/09, observados os valores mínimos definidos no Anexo Único desta Portaria, no prazo de 20 dias, que antecede a data do evento.

§5º – Na hipótese de insuficiência da caução para assegurar o ressarcimento pelos danos causados, o interessado será intimado a depositar a diferença em até 10 dias úteis após apuração do valor do prejuízo, sob pena de cobrança judicial.

§6º – A garantia prestada será devolvida ao interessado se, de acordo com a vistoria que se realizará após o evento, não forem detectados danos.

 

Art. 4º – O interessado deverá portar os documentos arrolados no § 1º do art. 3º desta Portaria durante todo o tempo de realização do evento e enquanto em curso a montagem e desmontagem.

Art. 5º – O interessado é o responsável pela realização da limpeza da Praça da Estação, da Praça Rui Barbosa e dos quarteirões adjacentes (Ruas dos Guaicurus, dos Caetés, da Bahia, Aarão Reis e Av. dos Andradas). (7)

§1º – A limpeza deverá ser realizada imediatamente após o término das atividades do evento, com varrição, lavagem do piso e coleta dos resíduos sólidos.

§ 2º – Descumprido o dever estabelecido no “caput” deste artigo, poderá o Município realizar a limpeza às expensas do responsável, executando, se for o caso, a caução em dinheiro. (8)

 

1. Esta planta deveria ser fornecida pela Prefeitura, com a indicação técnica dos locais onde devem ser instalados os equipamentos.  A Prefeitura além de gestora do lugar é responsável pela sua estrutura e deve conhecê-la. A exigência dessa planta é uma burocracia para desestimular a utilização da Praça, além de onerar os organizadores dos eventos.

2. As justificativas para o cercamento, encontradas no início do documento, e nunca comprovadas, são afirmação aleatórias, já mostraram serem resolvidas de outras formas. Apresentarei estas nos outros números. É importante percebermos que a partir deste momento a Praça vira um espaço particular. Esta exigência além de descabida onera muito a realização de qualquer evento na Praça. Agora, imagine a mão de obra para se montar e desmontar tudo isso, além do tempo, o barulho e o caos na Praça.

3. Como foi recomendado no número 1, sendo a planta fornecida pela prefeitura, já estaria aprovada pela PM, Corpo de Bombeiros e BHTrans e o projeto seria executado dentro dessas normas. Inclusive a PM, os Bombeiros e a BHTrans já têm planos especiais para agir naquele espaço de acordo com a sua estrutura.

4. Segurança particular? Mas e a PM? E a Guarda Municipal? Aliás, Guarda Municipal Patrimonial, criada e preparada para proteger os patrimônios públicos! Será que o monumento foi depredado por inoperância da Guarda ou apenas por ter um evento na Praça? A idéia de contratar segurança particular é uma maneira da Prefeitura se eximir da responsabilidade de proteger os Monumentos Públicos e o cidadão. Não há uma justificativa plausível para tamanho desdém com o bem público, melhor deixar outro cuidar, já que não dão conta. Ah, e claro não podemos esquecer como isso onera qualquer evento.

5. Estes espaços também deveriam ser sugeridos e indicados pela Prefeitura, para que respeitassem os monumentos ao redor. Mas a prefeitura prefere terceirizar esta ação para se eximir da responsabilidade e de quebra criar mais um empecilho para a realização de eventos na Praça.

6. Mais adiante veremos que esta taxa é um cheque calção que pode ser devolvido. Mas a questão é a seguinte: cobrar para a utilização de um espaço público? Aliás, um espaço público construído para receber grandes eventos. A justificativa para que a Prefeitura fique com o caução é muito interessante: caso os organizadores do evento não dêem conta de realizar todas as exigências da PBH, o cheque é usado para pagar tais gastos.

7. A Superintendência de Limpeza Urbana não deveria fazer isso? Aliás, já não faz?

8. Ah, sim, a SLU já faz a limpeza.

A idéia de exigir a limpeza das vias públicas por uma empresa particular é mais uma forma de onerar a organização e impedir a realização de eventos.

Conclusão:

A PBH não quer que sejam realizados eventos de grande porte na Praça que foi projetada para tal uso.

No áudio da reunião do dia 22 de julho de 2010 Lacerda afirma que durante o ano de 2009 foram 56 eventos religiosos na Praça e estes fazem barulho e perturbam o Museu de Artes e Ofícios. Segundo o Prefeito não dá para ir ao museu com música na Praça.

Mas se o museu foi construído depois da Praça, se é um acervo particular em prédio público, porque tem prioridade sobre o espaço público?

Em BH o público vira privado de acordo com o financiado.

E ao final desta história há uma coisa brilhante. Se a PBH entender que o evento é de interesse público, ela paga tudo, cercamento, segurança, limpeza e etc… Mas quem decide o que é ou não de interesse público é o Prefeito, que se julga senhor absoluto dessas cercanias.

Aproveitamos para lhe garantir Prefeito: iremos acompanhar cada um de seus deslizes e até este decreto ser mudado com o fim do cercamento e da exigência de segurança particular em espaço público, e a garantia de manutenção e limpeza da Praça pela PBH, trataremos de divulgar as suas ações para mais belorizontinos.

Assim feito, temos certeza que não conseguirás reeleger sucessores.

Veja bem, o senhor reduziu a verba da Secretaria de parques e jardins em 2009 e agora, em 2010 uma árvore caiu sobre uma senhora no Parque Municipal, fato inédito na cidade e que demonstra o seu descaso com o lazer e bem estar do cidadão.

 

 

Copa 2014 em Belo Horizonte: 2.600 famílias na rua?

agosto 29, 2010

por Raquel Rolnik

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/copa-2014-em-belo-horizonte-2-600-familias-na-rua

 O projeto de melhoramento e adequação do Anel Rodoviário não prevê recursos para a população que será removida. Quase 2.600 famílias moradoras da Vila da Luz e da Vila da Paz, em Belo Horizonte, estão ameaçadas de remoção em função da obra de melhoramento e adequação do Anel Rodoviário.

O projeto, orçado em cerca de R$ 800 milhões, não prevê recursos para remoção e reassentamento da população envolvida e já teve o edital anulado pelo TCU (19/08/10), que alegou irregularidades correspondentes a um sobrepreço de cerca de R$300 milhões.

A ocupação, feita por famílias de baixa renda desde 1981, nunca recebeu investimentos públicos e vive em extrema precariedade há três décadas, sem serviços básicos de iluminação, abastecimento de água, esgoto ou coleta de lixo, e ainda sofre com os riscos decorrentes da proximidade com a rodovia.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) havia apresentado uma notificação aos moradores com o prazo de 15 dias para que se retirassem do local e sem apresentar qualquer alternativa. Os projetos de adequação do Rodoanel de BH têm sido divulgados pelo Governo do Estado de Minas Gerais como uma das obras de preparação da cidade para a Copa de 2014.

O Ministério Público já havia advertido o DNIT sobre a necessidade de garantia do direito à moradia digna neste projeto, porém a licitação foi aberta com a aprovação da Licença Ambiental pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte (COMAM) e sem qualquer proposta que se referisse ao equacionamento do destino das 2.600 famílias ameaçadas.