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As chuvas de verão ameaçaram derruir Belo Horizonte.
Belo Horizonte, a jovenzinha vacila.
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Belo Horizonte.

Bem sei que os monumentos veneráveis
Não correm perigo.
Mas Belo Horizonte não é só o Centro Administrativo,
O Automóvel Clube,
A Casa da Câmara,
Os estádios,
Os viadutos,
Os nobres sobrados do Mangabeiras.

Belo Horizonte são também os casebres de tijolo aparente
Agüentando-se uns aos outro ladeira abaixo,
O casario do Papagaio,
Que está vira-não-vira enxurro,
E é a isso que precisamos acudir urgentemente!

Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Belo Horizonte.

Homens ricos do Brasil
Que dais quinhentos contos por um carro importado,
Está certo?
Mas dai dinheiro também para Belo Horizonte.

Grãs-finas mineiras e brasilienses
Que pagais dez contos por um modelo de Christian Dior
e meio conto por uma permanente no Baldini,
está tudo muito certo?
Mas mandai também dez contos para consolidar umas quatro casinhas de Belo Horizonte.
(Nossa Senhora do Carmo de Belo Horizonte vos acrescentará…)

Gentes de minha terra!
Em Belo Horizonte alvoreceu a nossa vontade de autonomia nos sonhos frustrados dos Modernistas.
Em Belo Horizonte alvoreceu a nossa arte nas igrejas e esculturas de Niemeyer.
Em Belo Horizonte alvoreceu a nossa poesia nos versinhos do Carlos.

Minha gente,
Salvemos Belo Horizonte.
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Belo Horizonte.

Ommar Motta em paródia do poema “Minha Gente, Salvemos Ouro Preto” de Manuel Bandeira

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