Relato do Despejo da Comunidade Zilah Sposito

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Galera, segue relato de pessoas da Casa da Bandeira Preta que estiveram no despejo de ontem na ocupação Zilah Spozito.

Acordamos na Dandara, com a notícia de que estava rolando o despejo na Zilah, que a tropa de choque estava lá e a galera pedindo ajuda.

Subimos correndo ao centro comunitário onde haviam mais pessoas da Dandara fazendo o corre de avisar e chamar pessoas pro apoio e agilizando caronas.
Fomos em 4 carros cheios, no caminho recebemos uma ligação de lá pedindo que fossemos rápido pois haviam começado a derrubar as casas. Chegamos lá próximo do meio dia. Soubemos que a polícia estava lá desde as 10:30 mais ou menos.
Ao chegarmos a comunidade já estava toda isolado com cordão policial dando a volta toda, não havia como entrar.
Havia umas centenas de policiais e mais umas centenas de trabalhadores da prefeitura vestidos de laranja demolindo as casas.
Muitas viaturas em todas as ruas de acesso a ocupação, trator e até uma ambulância no aguardo. Quando chegamos uma ou outra casa já haviam sido derrubadas e váriam outras em processo de demolição.
A comunidade fica na parte baixa de um vale e o cordão de policiais militares cercava toda a parte de cima impedindo que qualquer pessoa descesse. Haviam aproximadamente umas 200 pessoas entre moradores, vizinhos, amigos e apoiadores do lado de fora do cerco, indignadas tentando pensar alguma maneira de impedir o que estava acontecendo.
Vários moradores haviam saido de suas casas cedo pra comprar pão e quando voltaram não podiam mais descer nem para buscar suas coisas. Pessoas chorando, xingando, indignadas.
Demos uma volta pela área para tentar pensar alguma forma de agir em relação a que estava acontecendo, mas a sensação era apenas de impotência, ódio e nenhuma luz de como impedir aquele absurdo. Ouvimos dizer que não havia ordem judicial para o despejo, ao indagar os policiais sobre isso todos só diziam que estavam cumprindo ordens, que só o comandante sabia disso mas que a polícia não faria isso do nada, não encontramos o comandante para exigir o mandado.
A tropa de choque fazia um segundo cordão lá em baixo próximo das casas. Houve uma tentativa por parte dos moradores e apoiadores de romper o cordão policial, eles então jogaram spray de pimenta no rosto das pessoas inclusive crianças e chamaram reforço da guarda municipal. Numa segunda tentativa de romper o cordão, houve novamente spray de pimenta e reforço, desta vez da tropa de choque. Então formou-se um cordão cabuloso com policiais militares, guardas municipais e tropa de choque.
O tempo todo ouvia-se o barulho dos tijolos caindo e casas sendo derrubadas que cortava o coração de qualquer ser humano que o possui.
O advogado chegou mais tarde pois estava em audiencia com o juiz e não podia sair antes, nisso quase todas as casas já haviam sido derrubadas. O advogado conseguiu descer para tentar resolver o que ainda desse para resolver, esperando lá de cima ouvimos boatos de que estavam tentando prender o advogado e nos pediram que fossemos até a outra entrada, onde tinha menos gente para ver se os policiais iam sair com ele por lá.
Fomos até lá, estavamos em 4 pessoas, todos encapuzados, chamando um pouco de atenção pois não teve muita gente que aderiu ao encapuzamento.
Chegamos do outro lado, só haviam policiais lá, sentamos na grama do barranco para ficar de olho, apareceram algumas pessoas à paisana se dizendo estudantes de direito e fazendo algumas perguntas (se nós eramos do movimento, se podiam tirar foto etc), só demos meias respostas, todas com um pé atrás, esse tal estudante foi então falar com os policiais que etavam logo abaixo, enquanto isso aparecerem alguns meninos da comunidade, uns 3 de aproximadamente 14 nos que se aproximaram do poiliciais que gritaram dizendo que subissem, um deles ao se virar para subir recebeu um soco nas costas e quase caiu, instintivamente nos levantamos dizendo “O que é isso?!!” os policiais ficaram emputecidos nos mandaram calar a boca se não o coisa ia ficar preta pro nosso lado e subiram na nossa direção, abriram as mochilas, revistaram tudo, pediram documentos para puxar nossa ficha. O que até então se dizia estudante de direito nesse momento se assumiu policial civil.
Umx de nós estava com uma câmera fotográfica, havia feito muitas fotos com os rostos e identificação de muitos policiais, dos guardas municipais, das placas das viaturas e das demolições, o policial civil pegou a câmera e apagou todas as fotos sob ameaça de morte caso tivessem fotos dele. Houveram muitas ameaças, chigamentos e comentários extremanente machistas.
Nesse momento houve um pequeno desfalque ou apenas um relaxamento por parte da polícia do outro lado (ja que os encapuzados tinham saido) e uma parte da galera conseguiu descer. Entraram nas casas que ainda restavam e (umas 7) e não deixaram que elas fossem demolidas. Pouco tempo depois a polícia desistiu e foi embora. A desistência dve ter s dado pelo fato de que o advogado estava lá e havia comprovado a inexistência de mantado judicial, e além disso tinha muitas pessoas dispostas a ficar nas casas não importsse o que a polícia fizensse, ou seja ia ficar muito feio se tentassem continuar as demolições pois isso só seria possivel caso houvesse um massacre.
Depois da polícia ter ido embora, e a ordem (não juducial) de despejo sUspensa, foram levantados barracões de lona para que as famílias pudessem dormir, e muitas delas foram alojadas também nas casas de vizinhos, durant a noite e em baixo de chuva, os moradores e apoiadores continuaram erguendo barracões e recomessando as casas.
MAIS UMA AÇÃO CRIMINOSA POR PARTE DA POLÍCIA E DA PREFEITURA DE BELO HORIZONTE!
MAS NÓS NÃO FICAREMOS CALADOS E NEM PARADOS! TODOS EM APOIO AS COMUNIDADES AMEAÇADAS DE DESPEJO! FORA MÁRCIO LACRDA, SEU GOVERNO É UMA MERDA! FORA COPA DO MUNDO E CONTROLE FACISTA DA FIFA SOBRE AS CIDADES SEDE! FORA PM DO MUNDO! FORA PROCESSOS DE GENTRIFICAÇÃO, MASSACRE DO POVO POBRE!

 http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2011/10/499055.shtml

Casa da Bandeira Preta – Agrupamento de indivíduos autonomxs em resistência na Dandara
Cada barracão de lona também é uma bandeira preta!

Email:: casadabandeirapreta@riseup.net

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