Carta avaliativa de 1 ano, aberta aos comapnheiros de praia.

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Bom dia a todos, me chamo Pedro Marra e venho acompanhando o andamento da praia e deste blog desde sua criação. Como vi, na lista de emails, uma movimentação avaliativa da praia, resolvi deixar minha contribuição aqui, já que o texto acabou ficando muito longo. Gostaria de deixar claro que os apontamentos aqui colocados não dizem respeito a todos os membros da praia, e que são indicações no sentido de auxiliar o andamemnto das ações. Novamente gostaira de pedir desculpas pelo tamanho do texto, já que vem-se cobrando na lista pelo exercício da síntese. Bem, creio que o tamanho da síntese se adequa a quantidade de coisas a se dizer. E não consigo dizer o que tenho para dizer sem um percurso de minha participação e impressões do movimento. Então, vamos lá.

Entre janeiro e março do ano passado tentei diversas vezes participar das discussões da praia. Achei tudo aquilo uma forma muito bacana não só de ocupar a cidade, mas de discutir a participação da população nos destinos de Belo Horizonte. Ainda acho que tem esa potência toda, mas é preciso alguns cuidados para realizarmos estes objetivos. Em janeiro fui em uma reunião do meio de semana e me desanimei deveras. Para ser escutado era necessário falar mais alto que todo mundo. Alguns participantes (alguns bem falantes e gritantes) inisitiam em querer igualar idéias diferentes só porque delas discoradavam, algo como pensem comigo, ou pensem diferente. Me pergunto se este artifício teria o objetivo de facilitar a contraargumentação que já estava pronta previamente… Lembro também, que as questões de divulgação da praia, líderes e diálogo com a imprensa eram o principal ponto de divergência. Fiquei com uma grande preguiça da reunião e não mais voltei, embora continuasse lendo às mensagens e indo a praia.

Mais tarde, por causa dessa mesma questão – a de divulgação do evento, a necessidade dele se ampliar, etc, me envolvi em uma discussão difícil aqui na lista. Defendia a necessidade do público da praia se ampliar, a necessidade de se divulgar a idéia para além do boca a boca e da internet: isso para que saíssemos do circuito restrito da relação social direta, seja virutal ou presencial. Meu incômodo com a questão vinha menos do fato de “ver os mesmos rostos toda a semana no mesmo local realizando a mesma coisa”, do que com certos comentários de pessoas de fora da praia que havia escutado: um sábado, chegando na praia escutei duas moças que iam para o metrô perguntarem o que era aquilo, lembrarem que se tratava da praia e comentarem que era uma coisa sem sentido; caminhando na savassi, passando em frente a um bar meio mauriciola, escutei uma mesa comentar que um bando de maluco continuava tentando transformar a praça em praia.

No auge da questão, levei uma turma de comunicação do Izabella Hendrix para fazer um trabalho na praia. Eles dividiram-se em 5 grupos, 3 acharam aquilo tudo muito massa, 2 não conseguiram entender o significado da ação: eram alunos até politicamente ativos, de tendências diversas, não os julgo alienandos, mas que não conseguiam perceber o siginificado político para além da festa. Conversei com a turma e em acordo, reafirmamos a necessidade da praia sair do seu circuito interno. Pedi que postasem sua produção no blog da praia, que é de livre postagem. Um dos grupos que não havia entendido o significado político do evento causou frisson na lista. Circularam emails por aqui assustados com o reacionarismo da classe mais alta de Belo Horizonte. Afirmaram que eram estagiários da prefeitura tentando detonar o movimento a partir do próprio site. Esclareci que eram meus alunos, alguns alunos carentes, com bolsas do prouni, que trabalham oito horas por dia e de noite vão estudar.

Quando, nesta época, sugeri a confecção de um material gráfico que explicasse a questão da praia, que abrisse uma discussão sobre espaço público, com uma linguagem fácil e direta, me voltaram a questão: por que você não faz isso sozinho? Ora, acho que se eu propus alguma coisa na lista era porque queria fazer com outras pessoas – não via sentido em fazer algo da minha cabeça e distribuir eu mesmo, não acredito em exércitos de um homem só. Além do mais, senti à época que não havia vontade que estas coisas circulassem assim nessa época – me lembro de ver panfletos que foram distribuídos na praia em seu início, entregues a mim, mas não a alguns moradores de rua que ali também estavam, tentando entender o que acontecia ali. Fiquei um pouco desanimado com a atitude que me pareceu a seguinte: nossa reinvidicação é legítima, logo todos têm que a entender assim; quem discorda é alienado ou está querendo sabotar. Decidi apenas acompanhar as discussões.

A audiência pública foi marcada e compareci. Achei que aquilo tudo foi muito bacana, principalmente com a possibilidade de reunião com o prefeito. A causa parecia amadurecer, com os participantes mostrando saber mais sobre a praça da estação e o código de posturas da cidade, bem como o seu plano diretor do que os técnicos da prefeitura (que de maneira ridícula, insistiam em separar a praça da estação – materializada na esplanada e a praça rui barbosa – a parte com os jardins). Após estes acontecimentos, veio a discussão a respeito da reunião com o prefeito. Alguns achavam que não se deveria ir e acabou que algumas pessoas compareceram. Este foi um momento em que correu-se grava risco de jogar fora a água do banho com o bebê. Quando uma autoridade chama para conversa é fundamental que se apresente questões, problematize-as e apresente possíveis soluções, para que o diálogo seja estabelecido. Aqueles que ali foram – e creio que nem foi exatamente culpa deles, mas um certo receio de causar confusão com um determinado conjunto de pessoas dentro da praia, geralmente os mais arredios com as formas institucionalizadas de organização, discussão e contestação – chegou a reunião repetindo certos jargões que nada dizem para os burocratas e autoridades: nós não somos ninguém, não temos líderes, queremos a praça. O prefeito foi embora antes da reunião terminar, dizendo entre os seus: Ah é isso? Dá licensa que eu tenho que ir pra minha aula de yoga. A praia demonstrava para as autoridades algo bastante diverso do que mostrara durante a audiência pública: incapacidade de chegar a acordos (não digo consensos) a respeito de questões, reivindicações, propostas e soluções.

Neste momento, o verão já estava em seu final e a praia esvaziava a cada final de semana. Um segundo eventão foi realizado, estava viajando, não soube o que aconteceu e as notícias que tive não foram animadoras. O evento com o prefeito mostrou uma outra incapacidade da praia: propor soluções para a questão do caráter público do espaço, talvez até uma confusão sobre o que seja o espaço público: espaço público não como espaço de ninguém – concepção tão comum na cabeça dos brasileiros; creio que esta seja uma das razões da falta de interesse das pessoas em geral no espaço público – mas espaço público como lugar de todos parecia a idéia dominante entre os praianos. O equívoco nesta concepção, creio é a de não levar em conta que o espaço público é compartilhado por todos. Pensar que ele é de todos, pode levar ao equívoco de que todos podem fazer nele o que quiserem, já que ele é meu, assim como de todo mundo – funciona como o reverso da moeda do espaço de ninguém. Pensá-lo como espaço compartilhado por todos, impõe a questão do limite do outro que compartilha o espaço comigo, coloca a questão: mas será que posso fazer aqui o que quiser mesmo? O que é legítimo e o que não é? Vale tudo em termos de intervenção no espaço público? A posição da prefeitura, ao limitar a ocorrência de eventos na praça, impõem cercamentos do espaço público, impedir o ir e vir da população é sim uma forma de privatizar o espaço público. Mas pensar que podemos fazer o que quisermos no espaco público, que tudo em matéria de intervenção urbana é válido, porque é a expressão da vontade da população também é privatizar a praça. Pensemos nisso.

De alguma forma, penso que esta questão toca a da abrangência da praia. E quando digo isso é que quando a questão da ampliação do público da praia, sempre escuto algumas saídas pela tangente: fala-se que a praia já é diversa, diz-se que isso virá naturalmente, fala-se da banalização da praia e da perda de seu significado político. De um lado, vemos a criação de caixinhas que produzem uma pretensa diversidade em um grupo relativamente restrito (e que dizem de um lugar social mais abrangente) de 500 pessoas, a grande maioria, ligadas de maneira direta ou indireta, como produtores, consumidores ou frequentadores de um certo burburinho cultural em BH que, felizmente, tomou forma na cidade de 5 anos pra cá, aproximando, de maneira bastante salutar, algumas instâncias da produção cultural da cidade que se encontravam distantes apenas dois ou três laços na rede social. Podemos ver que quem vem agitando a praia são as mesmas pessoas que participam dos blocos carnavescos de três anos prá cá, o pessoal dos coletivos de música e arte, enfim, não precisamos dar nomes aos bois, sabemos bem de quem se trata, quem quiser saber é só olhar no blog e ver os nomes (restritos a não mais que 100) nos comentários…

De outro, vemos um misto de fascínio e medo de que exista uma invasão da praia. Quando digo isso, é porque toda a vez que vi uma proposta de produção de material que possa “popularizar” a praia, vemos argumentos como: já fazemos isso no boca a boca e na internet; mas a gente criou um monte de sticker e outras intervenções urbanas; se você quer fazer isso, então faça, aqui ninguém é líder para impedir que estas coisas sejam feitas. Bom, a internet, a gente sabe que amplia as redes sociais, mas de maneira geral a informação fica restrita a certos grupos. Isso porque eu sou amigo de ciclano que é amigo de fulano. Beltrano, que é amigo de fulano, também é meu amigo e de ciclano e o circuito se fecha aí, ampliamos nossa capacidade de disseminação, mas não de maneira tão intensa quanto imaginamos. Lembremos que vivemos em uma cidade de 3 milhões de habitantes. O mesmo acontece com o boca a boca: posso até convencer a faxineira do prédio, o trocador do ônibus, o caixa da padaria, o namorado playboy da minha irmã da validade das reivindicações da praia. Mas não garanto que ele vá comparecer à praia, para ajudar a fazer número, ou que se torne um agente multiplicador da boa nova do espaço público.

As intervenções paralelas, stickers e materiais gráficos de cunho artístico, etc, são lindos, conseguem dar o nosso recado de maneira sintética e pouco estandardizada, de maneira diferente, mas mais uma vez, creio que de forma geral acabam funcionando mais uma vez como a gente falando conosco. Isso porque (e creio que os textos do blog também entram neste quesito) falam uma linguagem para as pessoas que já estão iniciadas no debate a respeito do espaço público. Lembremos que a concepção dominante na nossa sociedade sobre o espaço público ainda é a de espaço de ninguém e que por isso não nos diz respeito. Acho lindo um sticker me alertando que não posso fazer pique-nique na praça. Mas lembremos que não vivemos na Argentina onde é comum realizar convescotes em qualquer esquina gramada, praça pública e etc. Este tipo de comunicação não faz sentido para grande parte dos cidadãos comuns, porque busca estimular práticas que eles não percebem como práticas possíveis: quero fazer um piquenique? Vou para a cachoeria, ou para o parque das mangabeiras, é o mais comum de se pensar. Sim, é preciso ensinar as pessoas que faz sentido fazer pique-nique nos espaços da cidade. Mas não se faz isso afirmando que o governo não dá esta possibilidade, porque esta já não é uma possibilidade no imaginário urbano Belo Horizontino.

Finalmente, as afirmações de que se pode fazer o que quiser para a divulgação da praia, porque ninguém vai vetar é no mínimo broxante, quando se trata de executar estratégias de comunicação mais sistemáticas. Em primeiro lugar, qualquer iniciativa deste tipo de atitude não surte efeito se tomada pelo exército de um homem só: o material tem que ter linguagem fácil e direta, e para isso, é necessário que muitas pessoas participem, pelo menos da leitura e revisão do material; ele deve ser deixado em diversos lugares para ser distribuído simultâneamente, ele precisa de uma tiragem grande. Temos vários comunicadores por aqui, então tem muita gente que sabe disso. E este tipo de abordagem surte efeito – é a base de grandes mobilizações sociais como campanhas de vacinação, recolhida de mantimentos para atingidos por desastres, etc. Ela não elimina as outras estratégias mais novas, diferentes, revolucionárias. Pelo contrário, ela as amplia para pessoas que não temos contato direto e que não dominam o jargão que vivemos utilizando em nossas discussões. Agora quando alguém me diz que não preciso de autorização para articular este tipo de ação, mas que não vai ajudar em nada, fico broxado: de maneira subentendida, escuto dessas pessoas que elas preferem que este tipo de ação não seja realizada, principalmente porque nos threads de discussão as afirmações aqui tratadas vêm sempre articuladas (o boca a boca e a internet são mais eficientes, já temos formas mais poéticas de dizer estas coisas), além de trazer outras argumentações, como as de medo de cooptação por partidos políticos e movimentos sociais, ou de que a mídia distorce as intenções da praia. Ora a mídia repete o senso comum da sociedade, grande parte das vezes. Se ela cobre a praia como um evento festivo, é sintoma de que a sociedade, de maneira geral a enxerga assim, e não o contrário. No final, fico me perguntando se a praia quer mesmo uma ampliação de público, principalmente em um momento em que as pessoas pedem permissão para dar pitaco e que o 3o eventão é divulgado no facebook (numa estratégia de 2 gumes) como um evento que atesta a qualidade descolada de seus participantes.

Daí que chegamos a questão da praia que é sim de ocupação do espaço público, mas é sobretudo cultural, no sentido que tensiona o que é participação política, e o que é espaço público. No caminho para conseguir avanço no que diz respeito a ocupação da cidade, lutamos contra uma série de preconceitos estabelecidos no imaginário social, que nos dizem que a única forma de participação política é o voto na eleição e nos plebiscitos, que quem deve decidir os destinos da cidade são os especialistas (arquitetos, urbanistas e engenheiros de trânsito), que o espaço público não é de ninguém ou é de todo mundo. Separar a política partidária da política cotidiana, produzindo dicotomias artificiais; invalidar a participação política por meio do voto, tratada como integração ao sistema ou como farsa; recusar-se a dialogar como os burocratas, especialistas, e autoridades, desprezando os conhecimentos que (por mais que unidimensionais em alguma medida servem para alguma coisa) eles têm, ou achar que se pode fazer o que se quer na cidade (como vi pessoas ligadas a praia colocando cartazes com palavras de ordem que encobriam placas de pontos de ônibus, durante o transborda) não nos ajuda em nada. Pelo contrário funciona como tiro no pé, na medida que confirmamos os preconceitos existentes na cidade a respeito da praia, já que fazemos exatamente o que se espera de nós.

Estreitar relações com outros movimentos sociais é importante, porque eles têem estratégias de comunicação com suas bases consolidadas e eficientes. Agora, temos que lembrar que as questões da praia, principalmente se pensamos o espaço público como compartilhado por todos, dizem a todos os habitantes da cidade. Nossas bases, então, são os cidadãos de Belo Horizonte é a eles que nos dirigimos. Por isso, em algum momento, será necessário sim, encarar questões como eleições ou uma comunicação ampla e facilitada com a população da cidade. Lembremos que enquanto nos preocupamos com os “estagiários contratados para se infiltrar no blog e nos comentários do praia”, o prefeito está tomado decisões (estas sim, sabotadoras das nossas pretensões) que jogam poeira sob nossas reivindicações. Afinal, como dizer que o prefeito proíbe a ocupação do espaço público de Belo Horizonte, se ele realiza a maior festa de ano novo de todos os tempos em praça pública e ainda volta os desfiles das escolas de samba para a praça da estação?

Abraços fraternos.

22 Respostas to “Carta avaliativa de 1 ano, aberta aos comapnheiros de praia.”

  1. Regis Says:

    Olá Pedro,
    entendi quase tudo o que disse. Percebi que algumas coisas que você falava ano passado, aconteceram e por isso você ficou chateado de não ter apoio na época. A praia poderia estar mais forte hoje é fato.
    Se afastou e agora volta com um certo rancor.
    Cara, para que as pessoas apóiem suas idéias é preciso saber colocá-las, talvez a culpa não seja dos outros que não te escutaram, mas sua que não soube se expressar. (isso é uma possibilidade)
    Mas as coisas mudaram deveras, precisa ir a praia e se impressionar com o público, – foi o que ocorreu comigo – além dos amigos dos amigos dos amigos, – conhecia apenas 3 pessoas – há uma integração com os moradores de rua cada vez maior. E eles conversam e entendem o que fazemos ali. E o boca a boca vai abafando os ruido e esclarecendo a população aos poucos.
    Outra questão:
    “Estreitar relações com outros movimentos sociais é importante, porque eles têem estratégias de comunicação com suas bases consolidadas e eficientes.”
    Cite um movimento que tenha estratégia de comunicação com suas bases consolidadas e eficientes!
    Sabe Pedro, volta e meia o pessoal de algum movimento vai até a praia a procura da gente para dar uma força exatamente nas estratégias de comunicação. Pasme, esta zona toda virou referência e alguns dizem por ai que é o movimento mais forte e atuante de critica ao Lacerda. Feirantes, sem tetos, desalojados e mais uma porção de movimentos estão chegando a praia. Precisa ver o discurso que uma feirante fez sábado passado ao pé da árvore, segurando os ferros da barraca, num gesto simbólico e pedindo o nosso apoio. Emocionante!
    (acho que se ela conversasse com vc não teria ido lá)
    Entendo seus questionamentos mas é preciso ficar por dentro para acertar a fala. Vamos lá hoje pensar no conteúdo do zine?
    Abç,

  2. [conjunto vazio] Says:

    Régis, não dá para não concordar com muitas coisas que o Pedro falou e é óbvio, outras coisas soam um tanto populista e politiqueiras… mas a questão não é essa, você percebeu como seu argumento tenta invalidar os pontos importantissimos colocados como se ter 500 pessoas na praia fosse a questão, é óbvio que isso é importante mas é óbvio que isso pode não significar nada porque constantemente a praia é vendida apenas como um evento cultura e de uma diversão de final de semana (claro, não tem nenhum problema nisso).
    Mas depois de 1 ano o que parece estranho é que estejamos reproduzindo as mesmas estrategias e no final das contas as MESMAS COISAS. Reune-se 500 pessoas com um deja vu constante das mesmas discussões, mesmos rituais, mesmos bordões debaixo do banho de mangueira. Não, eu não estou clamando por uma revolução mas o quanto disso não pode ser uma catarse de final de semana, que se dá uma falsa sensação de “dever cumprido, sou politico”?!
    O argumento do Regis me soa um pouco “tudo está bem”, quando não está, a cidade inteira está pipocando de questões e movimentações sobre uma cidade cada vez mais gentrificada, vem aí a Copa… e nós ainda estamos limitados a pensar e a discutir SOMENTE um decreto, somente aquele pedaço da cidade.

  3. celia Says:

    Ola Pedro Marra… seu texto é muito interessante para pensarmos formas de agir e de inclusive pensar em propostas democraticas sobre espaço publico nas grandes cidades…

  4. Pedro Marra Says:

    Então,

    Régis. Não creio que o meu escrito tenha sido motivado por rancor. Inclusive enviei o texto anteriormente para outras pessoas e elas acharam o texto bastante ponderado e objetivo. As idéias também podem não ser escutadas por falta de disponibilidade para elas. Uma das estratégias, nesse caso, é apontar motivações subjetivas na fala do interlocutor…
    Quanto a praia ter mudado, bem, eu continuo indo a praia. Não toda semana mas também não estou desatualizado. A última vez que fui, inclusive foi semana retrasada, no 3o eventão. E o que vi não invalida as minhas colocações, muito pelo contrário, saí ainda mais convencido de que deveria retomar a interlocução direta. Moradores de rua sempre estiveram por ali, assim como o povo que trabalha autônomo no centro (feirantes e etc). Desde a primeira praia que fui (acho que foi a primeira, aquela uma semana depois do vá de branco). Talvez esse público se invisibilizasse, neste momento, por causa de coisas como a do caso da distribuição de panfletos que citei no texto. Talvez porque vissem que a maioria das pessoas ali presentes fossem de outro lugar social. Este lugar social continua sendo o predominante no público da praia, e não é porque você encontrou apenas três amigos e amigos de amigos de amigos, que você saiu do seu círculo social, muito pelo contrário, você continua dentro da sua rede. Quando cobro que a praia se amplie é em questão numérica, mas não só. Por que quem usa o centro para pegar ônibus, no caminho de casa para o trabalho, ou para trabalhar por ali, nas lojas de roupas, etc não está ali? Não estou cobrando só a presença das pessoas mais marginalizadas. Quanto mais redes sociais diferentes a rede da praia articular, maior será sua penetração nas diversas faixas sociais, e acho que é isso que queremos. O fato é que o público da praia continua sendo prioritariamente o de jovens universitários/do setor cultural da cidade, que, felizmente voltaram sua atenção para um espaço anteriormente marginalizado da cidade. Por jovens não entendam uma faixa etária mas um estilo de vida. E o mais contraditório e fascinante desse movimento todo é que as condições para voltar novamente a atenção para a praça foram produzidas exatamente por um dos projetos mais gentrificadores que aconteceram na cidade, que se iniciou na gestão passada, do Pimentel, e que possibilitou a realização de shows na praça da estação: o centro vivo. Acredito que poucas pessoas que hoje vão na praia passavam na praça da estação e imediações quando a atual esplanada era um estacionamento de automóveis…
    Você me pergunta que movimentos sociais possuem uma boa comunicação com sua base? Bem, a Asmare com os catadores de lixo, a pastoral de rua com os moradores de rua (inclusive fazendo uma ótima dobradinha entre eles), alguns sindicatos, etc. Mas novamente, não coloco a questão da associação com outros movimentos como foco principal da discussão, ou numa possibilidade de institucionalização da praia, como prioritárias, pois não podemos perder de vista que as questões que a praia se vê envolvida dizem respeito a toda a cidade e a todos os habitantes, e que é preciso sim uma discussão ampla e irrestrita com os belo horizontinos sobre a questão do espaço público. E um dos caminhos que vejo é o da adoção de uma comunicação mais estratégica. O zine pode ser um caminho para isso, pode, mas na minha opinião seria ótimo se ele pudesse ter uma linguagem mais acessível, evitasse os jargões que a gente às vezes usa na lista ou no blog e trouxesse a discussão mais para o chão. Enfim, que tivesse um caráter mais formativo e informativo. Ah e claro, que ele fosse de grande tiragem, e distribuído (não vendido como chegaram a sugerir na lista) em diverssos pontos da cidade, não só durante a praia, na praca. Fica aí isso como sugestão, já que não poderei ir na reunião na praia hoje.

    [Conjunto vazio]. Gostaria que você identificasse as partes populistas ou politiqueiras do texto. Não consigo vê-las, posso ter me expressado mal, ou elas podem sempre estar no olho de quem lê. Com relação a repetição e ritualização da praia, não vejo isso como um problema a priori (assim como a presença ou não de um líder, acho até bom que ela possa existir a pesar de fulano ou ciclano). Muito pelo contrário, a ritualização faz parte dos processos de consolidação de toda e qualquer prática social. Até que ponto a utilização de pseudônimos ou a insistiência em publicar com nomes de coletivos (posso estar enganado, mas acho que na hora de postar o comentário, não foi o coletivo conjunto vazio inteiro que sentou na frente do computador e escreveu o comentário, certo?) não se transforma cada vez mais em um ritual dos ditos “novos movimentos sociais”, ou da arte contemporânea? Lembremos em última instância que o ritual é sim um eterno retorno do mesmo, mas um eterno retorno que sempre traz a possibilidade de diferenciação. Ele está baseado em uma performance de certos mitos/narrativas/estruturas que sempre atualiza aquilo que aparentemente é imutável. Além disso, não dá pra ficar inventando a roda o tempo inteiro, né? Principalmente se o que se necessita no momento é dar uma maior abrangência ao movimento (repito não só dos espaços da cidade, mas também do público vinculado). E finalmente, em última instância o ritual já está colocado neste blog, desde seu início, já que não aceita que as postagens tenham outras autorias que não Luther Blisset ou dia semcompras. Ah, não me enganei… isso não é ritualização, mas institucionalização…

    Célia, que bom que você achou o texto interessante. O que ele te possibilitou pensar? Fiquei curioso…

    Abs cordiais a todos

    • Érica Èmito Says:

      “E o mais contraditório e fascinante desse movimento todo é que as condições para voltar novamente a atenção para a praça foram produzidas exatamente por um dos projetos mais gentrificadores que aconteceram na cidade, que se iniciou na gestão passada, do Pimentel, e que possibilitou a realização de shows na praça da estação: o centro vivo.”

      Tão mais contraditório é uma ação que se pôs contra as políticas de higienização da prefeitura estar servindo, em potencial, a esta mesma higienização. O próprio prefeito reconhece os méritos (as conveniências) de tal evento acontecer na praça, como ele mesmo disse na reunião com alguns banhistas, embora a PBH não tenha poupado formas de reprimenda aos ocupantes. É como conjunto vazio disse: continuamos parados ali, naquela “parte da cidade”, quintal chique também disputado pelos herdeiros das monarquias de séculos atrás (e, atenção, com isso não quero dizer que os cerceamentos que invadiram da praça são problemas fúteis… eles representam algo mais do que a praça em si).

      Alguém parou pra observar que ninguém mais dorme nas arenas debaixo do viaduto Santa Tereza? a gentrificação que está em processo no edifício Maletta e arredores? a ameaça a movimentos de ocupação como o Quarteirão do Soul? (E, aqui, limito-me a falar apenas do cenário do centro, mais visível a quem quer mais praias na Praça da Estação.)

      Uma pergunta que me vem: enquanto as ocupações se mantêm nesta praça, consegue-se efetivamente ocupar a cidade?

  5. [conjunto vazio] Says:

    Algumas colocaões que soaram politiqueira: “Separar a política partidária da política cotidiana, produzindo dicotomias artificiais” nada mais espetácular e separado que partidos politicos.”; “a presença ou não de um líder, acho até bom que ela possa existir ”

    “A praia demonstrava para as autoridades algo bastante diverso do que mostrara durante a audiência pública: incapacidade de chegar a acordos (não digo consensos) a respeito de questões, reivindicações, propostas e soluções.”

    Isso deixa muito claro um certo tipo de pensamento de discurso UNICO, nada horizontal e nada multiplo

    “as afirmações de que se pode fazer o que quiser para a divulgação da praia, porque ninguém vai vetar é no mínimo broxante, quando se trata de executar estratégias de comunicação mais sistemáticas. ”

    Então alguém deveria regular o que é dito ou não pela Praia?

    Cara, sua insistência em querer personalizar discussões é bem interessante, preste atenção no que se fala e não em quem fala. Não precisamos provar se uma pessoa ou 10 que escrevem, muito menos quem é que inventou a Praia da Estação ou faz as chamadas para qualquer evento para que qualquer um aqui frequente, concorde ou discorde. Se você não percebeu o quanto isso deveria ser central, talvez você nunca tenha entendido a praia e nunca tenha entendido por qual razão a chamada foi anonima e porque sempre se bateu na tecla “essa praia não tem lideres”.
    Você critica as coisas certas pela via errada pois ao inves de reforçar as instâncias anarquicas, abertas e subversivas você insiste no que parece ser uma institucionalização burocratica e populista. Quer lideres? Quer algo organizado, uno, partidário?
    É óbvio que é necessário pensar nos outros habitantes da cidade, mas do jeito que você afirma cairemos sempre nesse linguajar populista (e como dizia um amigo: “movimento de massa sempre acaba em pizza”)

  6. Érica Èmito Says:

    Pedro, em muitos momentos de seu texto percebo a construção de um mundo genérico, talvez alienígena. A todo momento ouço pessoas falando de envolver nessas ações uma “população”, “cidadãos belo-horizontinos”, “marginalizados”… e isso me parece escapismo para não tocar nos pontos tratam da TUA relação com os problemas que você ilustra. Não sei precisamente da sua marra (!) com a trajetória destas movimentações, mas noto que partilho de boa parte dela. Com exceção da importância que você dá ao número de pessoas que se interessam em comparecer. BH é grande, amigo. Cada bairro tem suas questões. Muitos bairros estão demasiado distantes do centrão. Com isso, você reproduz um equívoco bastante comum: pensar a quantidade de pessoas que ali aparecem como sinônimo de mobilização, de corpos em movimento apresentando, de fato, efeitos de tensão na vida da cidade. E isso pode consistir num erro letal à ação em si. Se as questões da praça conseguiram se alastrar nas redes sociais, isso está longe de significar alguma coesão quanto aos problemas levantados, as intenções de ocupação ou a leitura do próprio contexto que abriga esses encontros.

    A mídia empresarial transmite o que PARTE da sociedade pensa e, sobretudo, o que QUER ouvir, ler ou ver. Caso contrário, estaremos novamente dizendo que, para barganhar algum espaço de visibilidade, só é possível a entrega, a inevitável rendição a esses valores pré-fabricados.

    Aliás, fico me perguntando uma série de coisas quando você critica o uso de nomes coletivos e o anonimato do modo que criticou: sua insistência em apenas ver e falar da predominância de universitários e artistas nessa onda é a mesma que te leva a reduzir o anonimato a uma alternativa buscada por “movimentos sociais” ou “da arte contemporânea”. As praias foram fruto de necessidades específicas de contextos específicos. Pretender a defini-la pode ser faca de um gume só. Já estamos lidando com resultados dessas pretensões: o excesso de aparições, o fim-em-si-mesmo dos encontros e o esgotamento gradual das possibilidades de debater algo além do próprio umbigo do “movimento” e sua possível institucionalização.

    A cidade ainda ferve, no entanto.

  7. Pedro Says:

    “Você critica as coisas certas pela via errada”… errada para quem cara pálida?
    Então vamos por partes: Em primeiro lugar, gostaria de ressaltar que nunca defendi que a praia abandonasse suas estratégias difusas, estéticas, anárquicas de comuicação e realização. Não defendo a instituição de idéias únicas, consensos, institucionalização, líderes (neste ponto então… a leitura me pareceu ainda mais confusa, talvez um pouco por causa do texto, pois o que dizia era: não acho que o problema da praia é não ter um líder. Muito pelo contrário, acho bacana que ela possa existir apesar de uma pessoa ou outra. E acho importante que exista a discussão sobre a necessidade ou não de lideranças, também). Também me incomodo com o auê em que a praia tem se transformado, mas para mim, este é um problema menor e episódico. O que estou aqui advogando é que devemos sim encontrar maneiras de aliar estas ações rizomáticas a estratégias que ampleim o escopo das reivindicações. Me explico: se a nossa questão parece estar envolvida a uma mudança de imaginário sobre o espaço público, é preciso ampliar os circuitos sociais nos quais nossas idéias circulam. Quero dizer sim com isso, que o número de pessoas deve aumentar, mas sobretudo que ela deve circular em um número maior de setores da sociedade. Não adianta nada, no que eu digo, que o público da praia se torne tão grande quanto o dos shows de Milton Nascimento em praça pública, pois continuaremos no mesmo circuito social. A questão que advogo é de uma verdadeira ampliação da diversidade de pessoas tocadas pelas questões que levantamos.
    Isso pode parecer um apelo a criação de consensos, de discursos únicos, mas não é. Muito pelo contrário é a abertura para outras idéias visões e etc. Quando me refiro a acordo, não digo da imposição de uma única visão, mas da possibilidade de nós, juntos, a partir do diálogo e da desavença, cheguemos a posições comuns, que não necessariamente nos unifique em uma entidade, mas que construa pontes entre esta diversidade.
    “as afirmações de que se pode fazer o que quiser para a divulgação da praia, porque ninguém vai vetar é no mínimo broxante, quando se trata de executar estratégias de comunicação mais sistemáticas”. O que quero dizer com isso não é que deva existir alguém para autorizar ou permitir as ações da praia. O que afirmo sim é que este tipo de frase (e quem a profere, por consequência) faz o papel do líder, no sentido que inibe a ação proposta. Funciona como uma violência simbólica sutil, mas extremamente efetiva, no sentido que o que ela deixa no ar é que certas posições não terão apoio e que o coletivo de maneira geral as desaprova. E não importa que na verdade seja uma minoria (cuidado, não estou afirmando que seja uma minoria que não veja o que estou escrevendo aqui) que pense assim. Sua posição já tomou conta, porque, afinal se trata de uma manifestação que se pretende horizontal e sem hierarquias, então o respeito a posição dos outros é sempre um pisar em ovos.
    Agora, eu acho é engraçado que alguém que se diz tão libertário e contra a instucionalização venha afirmar que: “Você critica as coisas certas pela via errada pois ao inves de reforçar as instâncias anarquicas, abertas e subversivas você insiste no que parece ser uma institucionalização burocratica e populista.” Ora quem determinou que uma via é certa ou errada? Ou melhor ainda, quem determinou que reforçar as instâncias anárquicas, abertas e subversivas são o caminho moral e eticamente correto? Ou ainda, quem disse que só as instâncias anárquicas são abertas e subversivas e tudo o mais que não é anárquico é insitucionalização burocrática e populista? Sinto muito, mas me parece que quem quer cagar regras por aqui e institucionalizar a coisa é outra pessoa… E por isso que acho que a leitura destas partes levantadas do texto como politiqueiras e populistas (cuidado com estes dois termos, amigo, eles são muuuuuuuuito pejorativos) é uma extrapolação do texto, na verdade baseada em indisposições a priori, causadas por uma adesão incondicional a um certo conjunto de idéias. Sinto muito, mas certos autores não são bíblias…
    Sim eu personalizo as coisas, poque creio que em última instância que os coletivos são feitos de gente, sujeitos. E uma das coisas que eu sempre achei bacana nos coletivos é a possibilidade de se discordar em acordo, a possibilidade de entrar e sair quando se entende que é necessário um ou outro, a sua abertura para as contribuições de diversos lugares. Por isso é que creio que a maior potência da praia é de se tornar uma articuladora de diversas redes sociais dentro da cidade. Por enquanto ela só articula efetivamente a rede de quem a criou. Quem tem medo de evangélicos ou mauriciolas (de novo, como grupo social, como articulação de diversos sujeitos individuais que apresentam algumas características, credos, etc que constrói bases comuns) discutindo conosco? Eu não tenho, pois sei que cada um deles terá algo relevante a colocar um ponto de vista diferente a tensionar o meu. Pois se “A mídia empresarial transmite o que PARTE da sociedade pensa e, sobretudo, o que QUER ouvir, ler ou ver” (na verdade ela constrói e reproduz um senso comum; todos nós temos uma participação nisso), é nossa tarefa também transformar o que se pensa, ouve, lê ou vê a respeito das questões que levantamos. E isso não será alcançado com a gente aqui e eles lá. Repito novamente que o que estou defendendo é a possibilidade de diversificação das estratégias de ação a fim de diversificar as pessoas tocadas pelas questões levantadas pela praia. O foco aqui é a discussão do espaço público e não os meios como torná-lo acessível a todos, como diversas vezes parece chegar a discussão no blog e na lista. E não critico o uso de pseudônimos e nomes coletivos por aqui, (o que fiz foi utilizar a questão dos pseudônimos contra uma certa birra contra repetições e ritualizações) muito pelo contrário acho isso o máximo! Mas acho também que a ação não deve se bastar nisso.
    No mais, o centro de Belo Horizonte sempre ferveu e continuará fervendo – não somos nós quem inventamos esse burburinho. E sabe por quê? Porque é um dos poucos centros de grandes cidade no país que mantém sua função de articuladora da vida social da cidade. Ainda que os diversos bairros tenham cada um uma questão, o centro de BH continua sendo uma questão para a grande maioria dos belo horizontinos, pois por lá quase todo mundo passa, a caminho do trabalho, dos momentos de diversão, para se locomover (não é a toa que durante muito tempo o transporte coletivo da cidade baseou-se exclusivamente, e ainda se baseia em grande parte, em linhas diametrais que cruzam a região). E o que estamos em vias de perder é exatamente esta vivacidade cotidiana, dada pela diversidade efetiva de gente que por ali circula. Querer exclusividade na condução da luta não ajuda nestes objetivos. E exclusividade na condução da luta também se conquista por meio da limitação das formas de lutar produzida pelo rechaçamento a priori de outras estratégias…
    Abs cordiais a todos

  8. Janaina Says:

    Alguem realmente leu isso até o fim?

  9. Érica Èmito Says:

    Pedro: você escreve demais e isso não ajuda nesse debate. Os comentários a textos tão longos se tornarão comentários longos e daí por diante. nem tdo mundo tem tanto tempo pra ler tanto texto. E me parece que vocês está sempre preparado para se defender e repetir argumentos… isso também não renderá muita coisa assim. Façamos fluir.

  10. Arnaldo César Coelho Says:

    A regra é clara: Se o presente post ultrapassar os dois anteriores em 10 linhas, está impedido!

  11. Leonardo Says:

    Prezado autor,
    Independente das questões que levantou e tentou extrair, ampliar e criar conceitos do público, do de todo mundo , do de ninguém, o que realmente importa, é manifestação pacífica e ocupação do espaço público.
    Discussões políticas tendem a desconsiderar o que não se encaixa em seus limitados conceitos vindos de uma limitada linguagem de palavras. A AÇÃO vai muito além de discussões e comentários de boteco, que esvaziam o sentido de quem vai lá e ocupa o espaço só pra contrariar um prefeito e uma administração pública que vem com essa conversa acadêmica de grupinhos de faculdade e proposta de soluções específicas para uma coisa no fundo simples: o direito de ocupar o espaço público. Se existem manifestações individuais que não formulem pensamentos conceituais acerca de sua participação na Praia, que no mínimo, esses academicozinhos de plantão que exigem essa produção intelectualóide vazia, não os subjugue e entenda que a presença é o que realmente importa. É ação.

    Abraços

  12. João da Praça Says:

    Isso mais parece a tentativa de se criar um novo movimento. Daí, surge a proposta de uma nova entidade, que por sua vez elegerá novos dirigentes, que por sua vez criam uma Ong, que por sua vez passam a receber dinheiro público, que por sua vez irá financiar a carreira política desses dirigentes, que finalmente serão vereadores, deputados, prefeitos e vão se locupletar com o poder.
    Isso é o que me parece ser esse Pedro Marra e seus mais próximos seguidores. Alguém em busca de representatividade visando qualquer poder para usufruto pessoal.

  13. Rita Says:

    Acho que esse comentário é paranóia sua, João

  14. PROVOS Says:

    Eu tenho evitado discutir a questão da praça da estação. Durante muito tempo tentamos não deixar a praça virar o que virou mas todos aplaudiram e acharam lindo uma estação de trem e metro virar museu. Todos encantados com as possibilidades culturais do pedaço.
    Quando viram que as possibilidades não eram pra todos e sim e apenas para alguns poucos de sempre resolveram “fazer um movimento”, que não é um “movimento”, que “reivindica” o espaço, mas que não “reinvindica nada”, que quer falar por todos nós mas não representa ninguem.
    Sinceramente achar que quem sempre esteve no lugar “agora vem a praça se encontrar com a gente” demonstra que a maioria destes poucos deste “movimento” não sabe sequer de que praça falam. Nunca estiveram na praça da estação, nunca olharam pra ela e nunca fizeram nada por ela.
    Ahhhhh, fizeram sim, jogaram no chão anos de briga contra a gentrificação nesta cidade em nome de um pretenso “coletivo” de meia duzia dos mesmos que seguem os mesmos de sempre que sempre acharam que não fazer nada é que é o melhor.
    Tirem os olhos dos umbigos de voces e olhem pra cidade.
    Quem posta neste pretenso “blog livre” coisas realmente relevantes e preocupantes com relação ao que esta acontecendo na cidade são pessoas que lutam ha tempos contra o poder publico que acha que nossa cidade é uma mercadoria a ser vendida pro primeiro empresariozinho que passa por aqui.
    Portanto continuem com a diversão de voces mas não tratem o resto da cidade como se fossemos imbecis que não entendem que voces só estão preocupados com o umbigo de voces.
    Porque apenas de usarem um nome de um coletivo que merece respeito todos nós sabemos quem voces são e o que querem.
    Portanto tenham pelo menos a coragem de aparecer em cena publica ao inves de se esconderem em um pretenso pseudonimo que significa uma coletividade.
    Voces não nos representam, voces não falam por nós, voces não estão autorizados por nós a destruir uma luta de anos contra o poder hegemonico de um capital espetacularizado que quer transformar as cidades em disneylandias.
    Voces ainda não notaram que são o Pato Donald e o Pateta da cena? Toda cidade espetacularizada hoje precisa de pretensos coletivos artisticos contestadores de nada pra parecerem pos-modernas.
    É este o papel ridiculo que voces tem feito….. ajudam ao prefeito a dizer que ele é democratico e que a cidade tem ate um coletivo pretenso anarquista como todas as grandes cidades do mundo.
    Meus caros, daqui a pouco voces estarão nos folhetos turisticos da cidade assim como alguns movimentos “coletivos” estão nos folhetos de Barcelona.
    Voces são os marionetes “coletivos” da prefeitura………

    • Ana Banana Says:

      Quando vc diz que [Quando viram que as possibilidades não eram pra todos e sim e apenas para alguns poucos de sempre resolveram “fazer um movimento”,] você está falando de quem?

      Mas cara, to te achando muito angustiado com muita coisa, e em parte tenho as mesmas preoucpações. Digo em relação a quando diz que esse movimento pode contribuir com a Gentrificação, podendo ser inclusive citado nos folhetos turisticos da cidade. Acho mesmo q a coisa pode caminhar para esse lado, para uma instituicionalização da praia, por exemplo, o que tem seu lado bom e seu lado ruim.

      Mas muito cuidado quando faz alegações a essa onda que existe por aquelas bandas, porque ela é diversa demais, e a maneira como vc escreve me faz parecer que vc nunca teve nem a preocupação de aparecer por lá ou conversar com pessoas envolvidas para saber direito do que fala.

      Bom… é isso…

      • PROVOS Says:

        Não vejo diversidade em quem não da conta do outro que pensa diferente.
        Não vejo diversidade em quem não da conta de se deslocar do mesmo lugar.
        Não vejo diversidade em quem não dá conta de dizer o que quer e pelo que luta.
        Não vejo diversidade em quem não dá conta dos que são diferentes dele.
        Não vejo diversidade em quem não entende nem do que tenta articular e depois tem que voltar atras.
        Não vejo diversidade em quem não sabe que todos tem o direito de falar, pensar, agir e propor.
        Enfim não vejo diversidade no sectarismo travestido de movimento que não é movimento, que não tem liderança mas tambem não tem proposta, mas tambem não sabe o que quer porque somos diversos e então não podemos falar o que queremos porque não podemos falar pelo outro.
        Enfim………….conversa ….. conversa…. conversa
        e a cidade pegando fogo
        mas a classe media gosta mesmo é de praia………..

  15. Luther Blissett Says:

    É… percebe o tom da professora. Não é bem assim. tem muito mais coisa se desembolando na cidade. A questão da praça foi tiro que saiu pela culatra muitas vezes… concordo. Mas seu tiro se espalhou pra todos os lados em parte do seu comentário. Esse blog não é “pretensamente” aberto. Ele é abertamente aberto em tudo que é sentido. Vê que o único tipo de moderação que ele tem se dá pelos comentários que as pessoas fazem… de qualquer jeito, com qualquer ponto de vista? Os artigos que você tem por “importantes” não estão sendo postados apenas por pessoas que lutam há muito tempo. Estás enganada. Que fazer?

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