Vendavais e pocilgas (.2)

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s o p r o s   e   g r u n h i d o s

:::: fantástico


[Brisa corre em minha nuca.]

Senti ventos nesses quarteirões, a sopros indo e vindo.  Nesse redemoinho chocho, um bicho marsupial me falou (usava um chapéu, trejeito meio maroto):

-A PBH tá doida pra fechar esse blog!

Dizia isso passando o dedo indicador reto pelo pescoço, imitando navalha. E seguiu:

-Já querem saber quem escreve, já falaram em sumir com as postagens.

É, pensei. De censura a cidade já anda dura…

-Temos que sempre pensar num becap! Alguém consegue fazer? – depois de falar isso, o bicho caiu em risos. – Porcos se atrasaram nessa!

[Grunhidos!]

-Eu vim da boca do lixo do esgoto. Lê o que tá escrito aqui! – ele tirou o chapéu e me mostrou um de seus lados.

Li a estampa de um lado, que tinha escrito “Fúria”. Ele virou o outro lado do chapéu, perguntando:

-E aqui?

-“Cão.” – eu disse.

Então, parou de falar do nada, lambeu o pirulito que tinha em mãos, fez boca asquerosa, foi assim falando mais:

-Vinte mil é um número bom. Quatro casas de zeros, vinte mil casas pro chão! Essa lama vai subir! Pó! Pó! Pó! Tudo abaixo, lama pra cima. É! Vinte mil casas [coçou o coco] dá em quanta gente? Mais acre anunciado! Borracha!

Não compreendi de imediato essa, mas fiquei olhando a expressão da criatura, que amarrou a cara, quase criou asas [o ar se mexeu um pouco, assobiou!] e, em seguida, soltou essa:

-Agora quer ver como se faz mágica com dinheiro? Tá lá na gravação, olha lá: a Prefeitoria de BH afirma que, se considerar o evento de “interesse público”, pode patrocinar o evento, pagando a taxa para os organizadores. É claro que ela se recusa a definir o que é o tal “interesse público”, e também a divulgar esta informação. Afinal, se o fizessem iria “chover projetos!”, afirmam. Logo, só sabem os “informados”. A Copa Cola, por exemplo, foi patrocinada. Mas mesmo se ignorarmos esta pegadinha, o que temos? A prefeitoria paga a taxa para o evento (como foi no caso do Transborda) e depois coloca em suas contas “10 mil pilas gastos com Cultura”. De um bolso pro outro a PBH, sem gastar um tostão, de repente, multiplica seus gastos com Cultura e fica LINDA na fita! Não é uma maravilha?

Percebi o tom da ironia. Ainda fico me perguntando: além dessa cifra toda, tem aquelas licitações irregulares, relativas a algumas das obras que estão sendo levantadas em várias regiões da cidade, avaliadas como obras superfaturadas. Pó! Sobe o pó! Na onda do “-Pó pô pó? -Pó pô!”. Os rendeiros desse “tudo-vale“, muitas vezes, se parecem com as galinhas (veja lá na gravação!): querendo encher de moedas o papo das suas “famílias” (e da feitoria terceirizada a seu serviço)…

O bicho meteu a língua no pirulito mais algumas sete vezes,  fez ruído, rodopiou com o furacãozinho e desapareceu.

Ali, no rastro do vento, através da poeira, ficou jogado um livreto, algo escrito na capa (um capítulo de um livro, me pareceu): “II-XXIV. O intermundo e a nova inocência”.

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Uma resposta to “Vendavais e pocilgas (.2)”

  1. Babalorixa Albino de Obatalá Says:

    É mizi fio, cê tá conversando com Exu, né!?
    Ele faz jogo duplo e vai entregar os ceis pro caramunhão. hehe…
    Mas eu vou fazer um ebó pra mode deixar o caramunhão de pé e mão amarrada. ele só vai poder balançar os beiços.
    Saravá! Epababá Oxalá!

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