O maior evento de BH (ou sobre a hipocrisia de Márcio Lacerda)

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A hipocrisia dos atuais “dirigentes” da Prefeitura de Belo horizonte, digo o secretário Josué Valadão e o próprio prefeito Marcio Lacerda, chegou ao extremo. Não há um mínimo de coerência por parte desses senhores em relação aos costumes da cidade.

Perguntamos: será que realmente moram em Belo Horizonte? Se não, vejamos: tentaram acabar com as mesas e cadeiras dos bares da cidade, mas voltaram atrás; tentaram acabar com o FIT em 2010, mas voltaram atrás; mentiram em relação ao incentivo as escolas e blocos de samba (concretamente, não incentivam o Carnaval); tentaram acabar com os eventos na praça da Estação, mas voltaram atrás para privilegiar uma grande emissora de televisão no fim do ano; desmobilizaram a Arena da Cultura, enfraquecendo a Fundação Municipal da Cultura. O maior evento nacional da música, em 2010, elaborado pelo Ministério da Cultura, [o Feira Música Brasil] só obteve êxito pelo empenho de seus produtores, pois o apoio da prefeitura foi ínfimo.

Somos 2.336 expositores, atraímos mais de 80 mil pessoas todos os domingos (dias normais da feira; em datas festivas, são mais de 120 mil compradores), sendo cerca de 6 mil pessoas de fora de Belo Horizonte. Abastecemos as milhares de lojas de artesanato espalhadas pelo Brasil e por todo o mundo com as vendas por atacado. Geramos 11 mil empregos diretos e mais de 25 mil indiretos.

Somos a maior feira a céu aberto da América Latina. Ademais, a feira está se modernizando e se formalizando – os expositores, além de formarem núcleos de produção familiar, hoje, já buscam abrir empresas, legalizando sua atividade conforme a legislação.

Arrecadamos mais de R$ 50 mil, mensalmente, em taxas e vamos passar a pagar, no ano de 2011, cerca de R$ 150 mil mensais, com o aumento proposto pela prefeitura.

Imagine o leitor: se fosse o administrador da cidade, o que faria? Potencializaria a feira, fazendo publicidade, proporia cursos de qualificação em parceria com o Sebrae ou tentaria fazer o que eles estão fazendo?

Em suma, o processo seletivo não se faz necessário, pois ele é mais um mecanismo da prefeitura para desqualificar a feira. Os critérios de seleção não são justos, pois privilegiam padrões socioeconômicos e não a qualidade dos produtos e os dotes artísticos do expositor. Um exemplo disso é que fica fácil uma pessoa com menor poder aquisitivo vencer esse processo do que um artista que já possui alguns bens, como casa própria e carro.

Acredito que o foco da questão seja político e, por isso, está sendo feito dessa forma.

Publicado no OTEMPO Online.

10 Respostas to “O maior evento de BH (ou sobre a hipocrisia de Márcio Lacerda)”

  1. Tweets that mention O maior evento de BH (ou sobre a hipocrisia de Márcio Lacerda) « Praça Livre BH -- Topsy.com Says:

    […] This post was mentioned on Twitter by marianagarcia. marianagarcia said: RT @pracalivrebh: O maior evento de BH (ou sobre a hipocrisia de Márcio Lacerda): http://wp.me/pMs1R-tf […]

  2. Ana Says:

    Licitações em locais públicos são procedimentos completamente legais. Aliás, sou a favor da PBH licitar a Feira da Avenida Afonso Pena todos os anos para poder verificar se está tudo ok por lá. Trabalhar durante 20 ou 30 anos numa feira que ocorre em espaço público não significa que o lugar pertence a tal pessoa. Ninguém é dono do espaço público, não existem direitos especiais para ocupação daquilo que é público, por isso que é necessário normatizá-lo para não acontecer de aparecer alguém dizendo que tem direito por estar 30 anos em um lugar que é público. Vocês confudem alhos com bugalhos ou o que pretendem mesmo é confudir?

    E o critério social desse processo de licitação? E o sorteio? Não seriam eles os métodos mais justos para a inclusão de pessoas que disputam a permissão de utilizar o espaço público?

    Sempre bati nas ações da PBH, mas convenhamos que até para bater alguma coerência a pessoa deve ter. A não ser que a crítica disfarçada em preocupação legítima com a cidade tenha apenas o propósito político, como esse texto que aborda o problema apenas por um lado. Hipocrisia é dizer que o espaço público pertence a alguém e justificar a permanência em local que é de todos dizendo que está lá há anos e anos.

    Eis o mal maior de muitos neste país: a falta de noção para distinguir entre o que é publico e o que é privado.

    • Jeremias Says:

      Engraçado,
      uma defesa tão forte pela regulamentação de uma feira que deveria ser livre… sei, sei Ana… é importante que a PBH licite sempre e confira que está tudo ok?! Afinal, estes feirantes sempre podem estar fazendo algo errado, não é mesmo?! É preciso evitar as muambas do paraguay, os vendedores ambulantes e tudo pela lei e pela ordem…
      Legal.
      Por outro lado, já pensou se tivéssemos um prefeito democrático e inteligente que sugerisse para o pessoal da feria um sistema de auto gestão e passasse a dar atenção para os verdadeiros problemas de BH?
      .
      Seu discurso chapa branca ficou muito fraco. Tente mais tarde.
      abç,
      Jeremias

      • Ana Says:

        Ora Jeremias, “discurso chapa branca”? E quais são seus argumentos tão convincentes em defesa da apropriação do espaço público sem licitação ou normas? Cadê seu argumento forte contra isso, contra aquilo que lei prevê? Ou para desqualificar uma opinão você só sabe dizer que ela é fraca ou chapa branca? Arf…

  3. Luther Blissett Says:

    “Eis o mal maior de muitos neste país: a falta de noção para distinguir entre o que é publico e o que é privado.” Diga isso ao seu empresário prefeito.

  4. Rafael Says:

    E eu que um dia achei que essa feira era dos hippies…

  5. anônimo Says:

    A Ana foi corajosa e disse verdades. É legítima a crítica dela. E sim, Jeremias, um processo de auto-gestão é muito importante, desde que houvesse transparência e condições de fiscalização, o que hoje não há.

    E sobre “dar atenção para os verdadeiros problemas de BH”: a feira da Afonso Pena pode não estar entre os principais problemas, mas isso quer dizer que não seja verdadeiro e importante?

    Além disso, colo aqui um comentário do Sr. Flávia Meireles publicado no link deste mesmo texto no site d’O Tempo. Não concordo com ele sobre trocar a feira de lugar, mas as críticas sobre a organização do evento são pertinentes:

    “Caro Sr.ALAN VINICIUS, Antes de mais nada quero dizer que eu não faço parte da prefeitura de BH nem de nenhum orgão ligado a mesma. Aliás, sou batalhador igual a vc. Não quero, também, entrar no mérito do que vc está colocando acima. Ninguém melhor do ques os próprios feirantes para falar a respeito desta situação. Porém, aproveitando o espaço e o momento, quero registrar o descontentamento com essa feira. Conheço outras cidades – Curitiba, por exemplo – onde a feira de lá é um aconteciamento nos finais de semana que dá prazer a quem vai adiquirir algum objeto. Esta nossa feira é um sofrimento frequentá-la. Imagino que uma feira agradável deveria ser num lugar aprazível, que eu pudesse, ao comprar algum objeto, conversar tranquilamente com o feirante depois, quem sabe, indicar a barraca prá mais pessoas do meu convívio. Mas não. Aqui é preciso evitar ao máximo ir na nossa feira. Se precisar muito comprar um objeto lá. Temos que ser estratégico. Chegar cedo, ir direto na barraca que vende o tal objeto e sair correndo. Acho péssima a idéia de uma feira em precisar terminar pontualmente para que a av. seja desempedida para o trânsito. Quero viver prá ver algum prefeito ter coragem de tirar essa feira da Av Afonso pena e levá-la para um lugar mais tranquilo, maior, com mais conforto.”

  6. Jaci Pires Says:

    Concordo com a Ana e com o anônimo, pelo menos em partes. Não vejo problemas nos critério sociais de admissão na feira, acho na verdade um excelente resquício daquele PT que alguns Belo Horizontinos escolheram colocar na Prefeitoria de BH na década de 1990.

    A Autogestão da Feira com certeza seria bem vinda, principalmente se aberta ou, pelo menos, permeável à influência da população, frequentadora e construtora daquele espaço. Poderia ser uma excelente inovação.

    Tenho minhas dúvidas sobre se haveria algum benefício para a cidade se fosse, no entanto, uma camarilla de pequenos empresários. Poderia haver, é claro, mas tenho lá minhas dúvidas ds inconfidências que costumam surgir neste tipo de camarilla.

    As licitações públicas precisam sim ser repensada sempre, todas elas, e quanto mais melhor.

    Não defendo o Lacerdismo, mas acho que neste caso o buraco é mais embaixo…

  7. Anônimo Says:

    sem querer desviar o assunto da feira. mas este texto do sr Alan é de uma hipocrisia gritante. no vulgar, é o sujo falando do mal lavado. Este cara foi quem sabotou a rádio Santê. o primeiro movimento de radiodifusão publica e livre que surgiu em BH. não duvido que esteja encastelado na gestão da feira ha pelo menos uns tantos anos.. outro dia li numa lista que alguém estava chamando pessoas para montar uma rádio livre no mercado novo, atual mercado das borboletas, do qual este sr é sócio. não disse nada pra não frustar as expectativas de que me pareceu estar bem intencionado. mas convenhamos… essa turminha é muito manjada.. são uns quatro ou cinco autointulados gestores culturais que vivem a espreita dos movimentos da juventude para na primeira oportunidade encrustarem suas frustrações corporativas que transformam qualquer novidade em balcao de negócios pessoais e de marketing para corporações transnacionais. são todos funcionários ou aspirtantes de gestores de grupos como oi. vivo. tim. e outras feitoriais…

  8. anônimo Says:

    é, esse tal mercado das borboletas tem convocado “coletivos” de “jovens” “produtores culturais”, para pensarem “juntos” um projeto para o espaço. mas parece mesmo que essa atitude tem um tanto de oportunismo. vale ficar atento.

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