Outro movimento popular no Brasil: Florianopolis contra Aumento das Passagens

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Parece nostalgia, mas não é: Manifestações contra o aumento da tarifa em Florianópolis

O decreto assinado pelo Prefeito Dário Berger, que aumentou em 7,3% o preço da passagem do transporte público em Florianópolis dia 7 de maio, foi o início de uma série de protestos na cidade. As manifestações iniciaram na última sexta-feira (dia 08/05/2010) e prometem um ápice no próximo dia 13.

Com a (des)medida política, desde o dia 9/5 o cidadão florianopolitano passou a pagar R$ 2,38 no cartão e R$ 2,95 em dinheiro pela passagem no transporte coletivo. Segundo a Prefeitura da capital catarinense, uma das justificativas para o ocorrido é o aumento salarial dos motoristas e cobradores de ônibus, que ameaçavam entrar em greve.

A explicação não parecer ter sido o suficiente para muitos militantes da “Frente de Luta pelo Transporte Público” que agrega estudantes, trabalhadores e trabalhadoras descontentes com o modo como as últimas gestões municipais tem (des)tratado a mobilidade urbana. “Onde estão as planilhas de custo e por que não existe acompanhamento público de gastos?”, questionam os manifestantes através de folhetos distribuídos pela cidade. Isso acontece em várias partes do município, menos no Terminal de Integração do Centro (TICEN), já que os seguranças da Companhia Operadora de Terminais de Integração (COTISA) proibiram a entrega dos panfletos.

A cidade de Florianópolis possui uma certa tradição de protestos públicos contra as mais variadas manobras abruptas dos seus administradores, seja nas esferas locais, estaduais ou federais. Em 2005, uma grande manifestação dos artistas e produtores culturais catarinenses protestaram contra uma reforma administrativa que afetou a gestão da cultura em Santa Catarina. 1979 foi o ano da Novembrada: outra grande manifestação popular contra o Regime Militar. Já em 2004 e 2005, a Ilha de Santa Catarina assistiu às grandes manifestações contra o aumento da tarifa no transporte público em Florianópolis, um tema que está ficando recorrente.

Muitos integrantes da “Frente de Luta pelo Transporte Público” são militantes do Movimento Passe Livre (MPL), um movimento social criado em torno da questão da mobilidade. Ou da falta dela, no caso.

Tarifest 2010

Na populosa e estrelada redação do SARCASTiCOcomBR, os episódios como a “Guerra da Tarifa” (como as manifestações de 2005 ficaram conhecidas) ganharam a denominação carinhosa de “Tarifest – a festa da tarifa”, já que na falta de uma Oktoberfest, como ocorre em Blumenau, ou ao menos de uma Festa do Pinhão de Lages, os habitantes de Florianópolis e redondezas possuem seu próprio momento de confraternizar, reunir-se e fazer barulho. Mesmo que isso aconteça abaixo de bala de borracha e spray de pimenta, continua sendo um momento lúdico de aproximação da população com seus gestores públicos.

A “jornada de lutas contra o aumento” deste ano teve início na sexta-feira (07/05) com cerca de 400 manifestantes que andaram da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) até o TICEN, onde decidiram ocupar o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Florianópolis (Setuf), exigindo a apresentação das planilhas de custo do transporte. A ocupação provocou conflitos entre manifestantes e funcionários, com o saldo final de pessoas feridas em ambos os lados.

Os manifestantes tentaram bloquear a Avenida Paulo Fontes, mas foram imediatamente impedidos pela Tropa de Choque da Polícia Militar (PM). Quando a noite já marcava as horas, os manifestantes seguiram para a sede da Prefeitura Municipal. Quando tentaram entrar no prédio, foram violentamente rechaçados pela PM, situação que só foi amenizada com a presença da deputada Ângela Albino, auxiliando a saída dos manifestantes da edificação.

Na sequência, os manifestantes se dirigiram para a Câmara de Vereadores, na qual realizaram mais protestos e, em seguida, voltaram para o ponto de partida, o TICEN, de onde se dispersaram por volta das 20 horas, sempre acompanhados de muitas viaturas e de possíveis “P2”. Entenda-se por “P2” aqueles homens soturnos que tentam passar de forma despercebida e solitária, fotografando e fazendo anotações sobre os manifestantes. Estes homens, então, seriam policiais à paisana. Alguns se empolgam tanto com a função que tentam se fingir de manifestantes, só que o fazem de forma tão desengonçada e sem graça que logo se revelam.

Amanhã vai ser maior

Durante os atos de protestos, uma das palavras de ordem mais repetidas foi a expressão “amanhã vai ser maior”. Frase constante em praticamente todas as manifestações, “amanhã vai ser maior” chegou a ser título de um vídeo-documentário produzido no calor dos protestos de 2005 em Florianópolis.

Entre as declarações das pessoas nas ruas e no TICEN que observavam a manifestação, duas são bem ilustrativas: “não é baderna, é uma questão de lutar pelo próprio bolso”, no entendimento de uma moça para uma amiga no início da manifestação. Já no final do protesto, a fala de destaque foi de um garoto de mochila puxando o colega antes de passar pela catraca do terminal: “ô, vamos lá pegar o abaixo assinado para levar pra escola”.

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