Mais sobre o FIT 2010

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Jornal O TEMPO, 31/03/2010

Curadores do FIT chamam repórteres dos três jornais de Belo Horizonte para anunciar a decisão de colocar seus cargos à disposição

Nada é tão ruim que não possa piorar. Uma grande bagunça é o mínimo o que se pode dizer sobre o futuro do FIT, o que reitera meu texto da semana passada.

Acompanhem o que aconteceu ontem em poucas horas. Às 10h da manhã, Eid Ribeiro e Richard Santana, curadores do festival, chamaram repórteres dos três jornais de Belo Horizonte para anunciar, antes para a imprensa, a decisão de colocar seus cargos à disposição. Uma atitude digna de Eid e Richard, que se sentiram indignados com a forma com que a presidente da Fundação Municipal de Cultura, Thaís Pimentel, anunciou a notícia do adiamento do festival (leia na página 3), culpando a falta de qualidade na programação.

Após a coletiva, os dois curadores enviaram uma carta aberta para a Fundação e para o coordenador do FIT, Carlos Rocha, anunciando a decisão.

Pois, exatamente às 15h02, chegou à redação uma nota informando que a Prefeitura de Belo Horizonte garantia a realização do FIT em 2010

Diz a nota: “O prefeito Márcio Lacerda e a presidente da Fundação Municipal de Cultura, Thaís Pimentel, decidiram que a 10ª Edição do Festival Internacional de Teatro Palco & Rua será realizada normalmente, neste ano de 2010. As dificuldades apresentadas serão contornadas, como ocorreu em todas as edições anteriores”.

E a coisa ainda piorou. Ao ser informado por nossa repórter Soraya Belusi sobre o anúncio, Carlão afirmou ser contra a realização do FIT neste ano e, no calor da emoção, disse que sairia da coordenação. Depois voltou atrás e disse que iria analisar a situação, primeiro.

Seria hilariante, se não fosse uma tragédia. Depois de anunciar em coletiva há duas semanas, sem a presença de Carlão, o adiamento do FIT, agora a Fundação toma uma decisão à revelia da coordenador do evento.

Sem curadoria, sem coordenação – quem sabe? – e sem diretora de produção – que havia pedido demissão em fevereiro -, o que podemos esperar dessa edição prometida por Marcio Lacerda e Thaís Pimentel?

Ninguém é insubstituível, é verdade. Mas como não suspeitar de que há algo de muito errado na Fundação Municipal de Cultura quando decisões são tomadas dessa forma desrespeitosa com pessoas que têm uma história na realização deste, que é um dos principais e mais queridos eventos da cidade.

Não sou amiga, nem sequer conhecida de Eid, Carlão e Richard, mas como profissional conheço suas trajetórias e reconheço o valor que eles têm, principalmente, na realização do evento. Das nove edições do FIT realizadas até agora, Eid e Carlão estavam à frente de oito, e Richard faria sua segunda edição como curador – sendo que ele exercia no festival, desde 2002, também a função de coordenador de relações internacionais, aquele que viabiliza a vinda de espetáculos de todas as partes do mundo.

Quem serão as pessoas que vão substituí-los? Quem serão os corajosos que vão pegar esse rojão?

Antes de revoltante, a situação é muito, muito triste porque, para mim, não são pessoas como Eid e Richard que deveriam sair, mas aqueles que impedem, de alguma maneira, que as coisas aconteçam.

Isso demonstra que o Mal está vencendo essa guerra.

Ao ser informado por nossa repórter sobre o anúncio, Carlão afirmou ser contra a realização do FIT neste ano e que sairia da coordenação

SILVANA MASCAGNA escreve no Magazine às quartas-feiras. mascagna@otempo.com.br

Publicado em: 31/03/2010

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