Trabalho de Comunicação e Culturas Urbanas Um breve relato sobre a “Praia da Estação”

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"Praia" da Estação

A Esplanada da Praça Rui Barbosa, popularmente conhecida como Praça da Estação é palco, durante os sábados, de descontraída manifestação, que vem contestar o decreto municipal nº13,798 de dezembro de 2009, que proíbe a realização de eventos de qualquer natureza no local.

Antes a área servia de palco para a realização de eventos culturais pela população de Belo Horizonte. Shows musicais, eventos tradicionais como barraquinhas do Arraial de Belô; atraíam milhares de pessoas que viam nestes eventos opções mais acessíveis de entretenimento. Isso, até então, estava em conformidade com uma nota apresentada pelo Diário Oficial do Município de 21 de Novembro de 2003, que, a respeito da praça, dizia que: “(…).As obras já começaram e o projeto prevê a revitalização do espaço público, dotando-o de infra-estrutura adequada para manifestações culturais com grande aglomeração de pessoas. A intervenção visa também melhorar as condições de acesso à Estação Central do Trem Metropolitano.

O trabalho de requalificação da praça prevê a implantação de piso em placas de concreto texturado colorido de tom avermelhado, com juntas em granito preto, em uma área de 12.000 m², formando um grande espaço destinado aos pedestres. Serão instalados também dois conjuntos de fontes, no espaço de pedestres, sem formação de lagos. As fontes poderão ser desligadas, permitindo que toda área seja utilizada para eventos. Está previsto ainda um projeto paisagístico e a adequação de mobiliários urbanos da praça, além da implantação de postes de iluminação, com aproximadamente 20m de altura, e iluminação especial, inclusive para eventos, delimitando e formando o espaço público desejado.(…)

A manifestação conta com a participação dos idealizadores e freqüentadores dos eventos da Praça e da população, que se diz prejudicada pelo decreto do prefeito Márcio Lacerda. Em meio a discussões e troca de idéias, o protesto irreverente assume contornos de uma grande praia de concreto com direito a cerveja, biquínis, esteiras, cangas, bóias e instrumentos de percussão, criando uma rodinha de samba e capoeira e promete alcançar o seu ponto alto neste sábado, dia 06/03, com a realização de diversos eventos, o “Eventão”.

EVENTÃO PRAIA DA ESTAÇÃO!

Faremos um breve relato dos acontecimentos que presenciamos neste último sábado, do período de 13:20  até 14:40. Ao chegarmos no local, o volume dos protestantes era modesto e o sol já começava a se mostrar causticante. Os grupos (percussionistas, serigrafistas, banhistas, estudantes – não necessariamente condicionados a estas divisões), procuravam se abrigar debaixo das sombras da única árvore existente no local e do Monumento à Terra Mineira; à exceção daqueles que se refrescavam nas águas das fontes , Guardas Municipais, Fiscais da Prefeitura e um cover do Michael Jackson. O clima do protesto estava tranqüilo e na verdade a pequena aglomeração mais se parecia com um grupo de turistas curtindo uma tarde de sol do que com um grupo de pessoas que buscam algum tipo de reivindicação. Acreditamos que a natureza do protesto seja realmente esta, tão pacífica (ao menos naquele momento) que, pessoalmente, me questiono se a natureza inicial do protesto não tenha se perdido. Este tipo de reflexão se consolidou um pouco mais ao encontrar alguma base no relato do jovem ciclista William Dias da Cruz, morador do bairro Serra e que se encontrava no local. Quando questionado sobre o seu conhecimento do evento, o rapaz de 17 anos disse que não sabia nada à respeito; pensava se tratar apenas de um momento de descontração. Quando informado sobre o motivo daquela “reunião” ele disse que não concordava com o decreto de interdição já citado e que a praça teria que ser utilizada também como espaço para eventos culturais.

Depois de efetuarmos alguns registros fotográficos, saímos de lá de volta para nossos lares. Na minha cabeça se passaram muitas coisas: entre elas pensava nos movimentos promovidos em prol de reformas sociais, culturais e de outras naturezas espalhados pelo mundo. Alguns que perderam força e não atingiram seus objetivos de imediato e outros que se tornaram verdadeiros fenômenos, mobilizando não apenas aquele distrito, mas toda uma área de proporções globais e até mesmo gerações: como o caso de Rosa Parks, uma senhora negra norte-americana, que se tornou símbolo do Movimento dos Direitos Civis quando ocupou um lugar no ônibus reservado aos brancos e recusou a cedê-lo a um homem que exigiu que ela se retirasse. Isto aconteceu em 1º de Dezembro de 1955 e entraria para história americana servindo posteriormente de marco para o início da luta de antissegregação.

O ideal almejado ali, na Praça da Estação, poderia vir mais cedo ou mais tarde, ou talvez nunca; mas o importante para qualquer movimento é o simples ato de começar. Seja com uma única pessoa, um pequeno grupo de amigos ou alguma parcela significativa da sociedade.

TRABALHO REALIZADO PELOS ALUNOS DO CURSO DE COMUNICAÇÃO IZABELA HENDRIX

Professor: Pedro Marra

Alunos: Adriele Mendes, Alexandre Landim, Silvânio Dias, Janaína Marangon, Daniela Faby, Gustavo Bartolozzi, Carlos Magno,Wagner Luiz.

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3 Respostas to “Trabalho de Comunicação e Culturas Urbanas Um breve relato sobre a “Praia da Estação””

  1. Luther Blissett Says:

    Gostei bastante do trabalho que fizeram!

  2. Says:

    Que legal! Acho q vcs relataram em poucas linhas vários sentimentos q eu já passaram por mim… à medida q fui colocando fotos no “orkut” e meus amigos comentavam,”ah é a sua cara!””Sabia q vc estava no meio”,etc etc quando em uma conversa me assustei ao ouvir o relato de q achavam q era tipo mera peraltice da minha parte e desde então faço questão de frisar qual o verdadeiro significado,o PQ estou ali e então encontrei o site,o twitter para me interar pois me questionei ah então é só ir lá passar o dia, sem me informar/acompanhar os acontecimentos?Além disto, em alguns sábados passava por lá,se não tinha nenhum conhecido virava as costas e ia embora, isto começou a me incomodar e neste mesmo sábado ao ver uma única moça lá sentada em sua canga,lendo um livro, estava fazendo a sua parte,sua ocupação! Foi quando parei a pensar: então para expressar a MINHA opinião, eu preciso q esteja algum conhecido?Só para ouvir um NOSSA Q LEGAL? envergonhada então, tb me sentei ali, peguei meu livro e mesmo q eu tenha ficado apenas 2h senti q contribui com mais uma gotinha,como foi dito acima,no último parágrafo!
    Enfim, o negócio é não desanimar!
    Parabéns pessoal!

  3. Valeria Says:

    acredito que as grandes mudanzas sao feitas de pequenos atos, porque “para avançar um kilometro é preciso dar um primer paso” (A. Jodorowsky)

    Començando por Pedro Marra, por exemplo que já achou na “praia” um ato social pra estudar.

    Acredito na praia muito! acredito nas pessoas que sentamos ludica, politica e civilmente cada sabado (as veces com 15 pessoas, as veces com 500), sem desistir.

    Porque a violencia é politica de estado.

    Abraço a causa como cidadã de BH, e como Latina, sendo eu Argentina, porque realmente sinto meu dever civil, de cuidar de meus direitos como ser humano. Porque Latinoamérica tem que aprender a se amar e se fazer valer.

    LATINOAMERICA LIVRE E UNIDA

    gracias por ese trabajo.

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