Relato de quem esteve na Audiência Pública da Praça da Estação

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Sim, ontem eu estive na Audiência Pública sobre a utilização da Praça da Estação, na Camara Municipal de BH.

Fui para ouvir com quais argumentos a prefeitura tenta legitimar o decreto e me deparei com duas representantes que me pareceram bastante despreparadas e evasivas sobre os questionamentos que foram colocados na mesa. Thaís Pimentel e Márcio Lacerda, como já era esperado, enviaram representantes.

Diga- se de passagem ainda não entendi porque a então futura prefeita Interina Luzia Ferreira compareceu e se disse mediadora, sendo que teve que sair nos primeiros 10 minutos. Mas tudo bem, vamos lá.

Arnando Godoy, que  foi um dos grande responsáveis por viabilizar esta audiência, começou a fala lembrando uma das manchetes do dia: as podas de árvores autorizadas pela Prefeitura para que os carros da Disney (oi?) possam passar no desfile que vai acontecer no próximo sabádo na orla da Pampulha, olha que emoção. Como se não bastasse, até placas de sinalização e quebra- molas foram tirados. Será que este não seria o caso de a prefeitura dar o exemplo e  fazer uso de espaços públicos apropriados?

Contra o decreto estavam, além do Arnaldo Godoy, Rafael (da área de antropologia), que deu voz ao movimento Praia da estação, Pixote (Maria Lisa) arquiteta e urbanista e Dudu Nicácio, músico, compositor, ativista cultural e coordenador do Fórum Mineiro de Direitos Humanos.

Todos eles falaram muitíssimo bem,  as falas se complementaram ótimamente  já que cada um é de uma área.
O senhor que foi representar os moradores do entorno da praça, que no início sentou ao lado os representantes da prefeitura, ao final (inclusive como observou o Godoy) estava mais pro outro lado, defendia que houvesse regulamentação dos eventos, os seja, que eles sejam permitidos.

Rafael aproveitou a fala e começou lamentando o adiamento do FIT e o fato de BH ser a única capital a não possuir uma Secretaria de Cultura. Segundo ele a Fundação Muncipal de Cultural exerceria “seu” papel de forma insuficiente e insatisfatória já que perpetua uma lógica que coloca a agenda e as políticas culturais nas mãos das empresas privadas.

Ele questionou ainda a privatização de um prédio público (Edifício da Estação) por um empresa privada (no caso a responsável pelo Museu de Artes e Ofícios), enfatizou o tanto que um decreto com este vai de encontro à democracia participativa e pediu explicações ao poder público sobre a realização e presença do Aécio Neves na Meia Maratona da Linha Verde (06/04/10), que teve sua chegada onde? Na praça da estação.

A representante da prefeitura disse que a chegada foi em via pública, ok, bem lembrado, na realidade foi na via pública em frente à praça.

Diante disso ficam algumas questões: se procede o discurso, será que um evento, que segundo a Secretaria de Estado de Transporte e Obras Públicas,  reuniu cerca de 5000 atletas, não iria “afetar” e degradar a praça já que a chegada  era justamente na rua em frente? Considerando que cada atleta conseguiu levar pelo menos sua querida mãe, já estamos falando de 10 mil pessoas. A outra questão é: das palavras do Rafael, “Quer dizer que o Aécio pode e o Povo não pode?”

As respostas das representantes da prefeitura foram nada convincentes, ficaram batendo na tecla de que este decreto visa evitar a degradação do patrimônio, que com certeza é a vontade de todos e blá.  Sobre isso não tem o que se discutir, se não fosse para preservar o local o movimento Praia da Estação não teria sentido de existir. Uma delas chegou a dizer que a praça é naturalmente um local de convívio e circulação de pessoas e não de realização de eventos.

Sobre isso, Pixote lembrou a revitalização de 2003 da praça, em que um dos objetivos era justamente adequá-la para suportar mais pessoas. Também foi lembrado que para se preservar um espaço, mantendo-o longe do vandalismo,  faz muito mais sentido fazer com que as pessoas se sintam parte dele ao invés de criar barreiras para sua natural apropriação.

Outras questões que foi levantadas:  porque somente a Praça da Estação? As outras praças também não estariam sujeitos aos mesmos riscos? Haveria algum componente privado fortalecento/forçando este decreto para não mais assistir de camarote a ação destes tais vândalos?

Outra questão pertinente: porque a praça da estação não tem árvores nem bancos, acaso do destino?

Dudu Nicácio ficou com a parte de mostrar a ilegitimidade deste decreto, mostrando por a+b+c sua inconstitucionalidade.  As atas de todas as audiências públicas ficam disponíveis no site da Câmara. A desta Audiência deve estar no ar em uma semana: http://www.cmbh.mg.gov.br/

Muitas outra coisas foram ditas, é difícil reproduzir a experiência e as muitas informações desta audiência. Mas posso dizer que valeu simplesmente por ver o empenho, a pesquisa, o trabalho das pessoas do movimento da Praia. Bom sentir que nem todos são passivos e inertes  ao que pra uns é uma conquista e pra outros é um desrespeito autoritário.

Me desculpem se houve algum engano ou erro nas informações. Este é apenas um relato pessoal, fruto de minha memória e indignação!

Raphaelasimões

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10 Respostas to “Relato de quem esteve na Audiência Pública da Praça da Estação”

  1. fabio Says:

    realmente, estes decretos são uma palhaçada.

  2. luiz gabriel Says:

    foi realmente ridículo o despreparo e a evasividade das “representantes”. prefeitura medrosa de merda!

  3. Trizz Says:

    Olha…
    é até difícil escrever sobre algo que para nós parece tão óbvio, não é? Mas também… o que esperar de um prefeito eleito por falta de opção? Vamos lembrar e rir por um instante…
    Tem outra coisa divertidíssima para lembrar o Centro Administrativo do Estado, agora no quintal dos confins… feitinho para admiração de aviões, sim de aviões, por que, sei lá, menos de 10% da população de Belo Horizonte compõe o fluxo local? (Vale lembrar, para os mais desavisados, que está e a capital do Estado)
    Mas vamos que vamos, com um sopro eles estão fora e nós continuamos aqui!! Já pensou nisso?

  4. Valeria Says:

    Raphael Simoes, muito obrigada por compartilhar o acontecido.
    As revoluçoes sao feitas com paciencia e resistencia.
    Eles tem o poder, mas vao perder-o
    Porque a gente é mais pelo fato de ficar junto e quer o bem comun.

    Quero declara aqui que amo o Rafa ChaCha!

  5. Naroca Says:

    Rapha, obrigada pelo relato. Rafa, você nos enche de orgulho e ação!
    Sigamos organizando para desorganizar sempre, moçada.
    Cada um da forma que puder, enquanto não houver pelegagem querendo homogeneizar/controlar o movimento está ótimo.
    Diversidade e diversão são importantes, são essenciais.
    “com um sopro eles estão fora e nós continuamos aqui!” – gostei!!!
    Hasta las victorias

  6. E o pateta, passa quando? « Praça Livre BH Says:

    […] massiva de policiais na praça aos sábados. A propósito, no dia 24 de março, foi realizada uma audiência pública (que contou com grande representatividade popular, motivada pelo evento “Praia”) na […]

  7. E o pateta, passa quando? | Trezentos Says:

    […] massiva de policiais na praça aos sábados. A propósito, no dia 24 de março, foi realizada uma audiência pública (que contou com grande representatividade popular, motivada pelo evento “Praia”) na […]

  8. Felipe Ivanicska Says:

    Qual foi o critério para a escolha dos componentes da mesa?
    Eu tb assisti através de uma filmagem e todos falaram mt bem, mas queria saber isso

    Quanto ao “Palácio” Administrativo, meu amigo disse a melhor frase: “se Aécio ñ vai à Brasília, Brasília vem a ele”

    E é isso q vai rolar se ñ começarmos pela Praça. BH vai virar curral político, chiqueiro, qq coisa assim. O Palácio Administrativo vai virar parquinho de diversões do Aécio e cia.

    E o q devia estar acontecendo é o contrário. Com Copa e td mais Aécio vai multiplicar essas ações arbitrárias, enquanto que isso deveria ser motivo para que toda a população ganhe. Melhorar o trânsito, continuar a valorização da cultura, atrair empregos, etc

  9. Felipe Ivanicska Says:

    Ok, agora descobri q foi Godoy quem convidou os participantes da mesa

  10. E O PATETA, PASSA QUANDO? « Notícia (IN)útil Says:

    […] massiva de policiais na praça aos sábados. A propósito, no dia 24 de março, foi realizada uma audiência pública (que contou com grande representatividade popular, motivada pelo evento “Praia”) na Câmara […]

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