Ângulos iguais, idênticos. Coisas medianas, coisas médias, meios termos. Que se repete repete repete. Que é da regra, que é da lei, sem precisar de pedra nem de rei. Que cumpre os seus deveres. Uniforme, que serve bem. Que estabelece e sujeita à ordem. Que modera e regulamenta.
O mais engraçado sobre o regular é isso: nenhum dos tons que a palavra assume consegue ser ameno. Há no termo algo de necessariamente autoritário, careta, conservador, triste, mediano.
Acontece que a PBH se encaixa em quaisquer desses ângulos iguais, principalmente se a forma for quadrada, ou pontiaguda como os espetos que cobrem os degraus de monumentos (que querem dizer: “é seu, mas não pode se assentar aqui!”). É assim que se protege patrimônios hoje em dia: transfere-se a ponta da baioneta ao espaço público e faz-se regulamentos.
Regular: pôr ordem e assegurar, levar alívio aos medianos, satisfazer a classe média, fazer gosto nos caretas e esvaziar qualquer praia. Por que? Porque repetem repetem repetem… re-gu-lar-men-te… as mesmas falações da vida média comum – morrendo de joelhos nas arenas de areia: uma assoprada e vai ao chão, desfeita e espalhada. Abundar espaço para desaguar, poder pagar e ficar segura com seus bens. Os eventos regularizados pela PBH são hoje regulares e os medianos podem alugar a Praça da Estação. Vá lá hoje e verá uma tenda com gente trabalhando o tempo todo, um logotipo no topo. Barraca privada? Evento? Sim, evento… regular! Será esta uma outra “natureza” de evento?
Nem praia, nem “sociedade civil”, nem classes médias artísticas e culturais estão contra eventos regulares. Regulação é massagem no ego mediano, semente do ideário republicano. Placebo das mentalidades subordinadas, monta berço para a passividade. Regular é manter a uniformidade do movimento, não permitir que ele faça desvios e descarrilhe no insólito. Regular é a própria substância ativa das mentalidades regulares.
A baliza da PBH (quando veio com aquele decreto 13.961) se ajustou tão bem quanto se ajusta um uniforme: basta cobrar taxas tais e tais e essa gente mediana fica quieta diante da instauração do controle. Gente quieta, fazendo dieta de higiene pública, pagando e consumindo. Gente que toma banho em outro lugar (mais seguro) e não deseja tanto nem precisa das fontes d’água em praças. Gente que quer evento grandão, para poder pagar e lavar as mãos.






